Cuidado, quebra! Prato com brasão de Florença!

20 07 2017

 

 

louvre-bassin

Prato fundo com o brasão da cidade de Florença, início do século XV

Faiança. 64 cm de diâmetro e 8 cm de altura

Louvre

 

 

Este prato é uma das relíquias de cerâmica mais impressionantes do início do século XV (1400-1425) em Florença.  O desenho de um leão num campo de lírios e segurando uma bandeira com o lírio florentino, símbolo da cidade. O prato mostra influência espanhola e do oriente, mas também anuncia a nova faiança italiana.  Como o catálogo do Museu do Louvre explica, esse prato deve ser visto no contexto de desenvolvimento de um novo estilo, original.

 





Sobre livros: Erri de Luca

10 07 2017

 

 

Matisse,still-life-with-books-and-candle-1890Natureza morta com livros, 1890

Henri Matisse (França, 1869 – 1954)

óleo sobre tela, 45 x 38 cm

Coleção Particular

 

 

“E para ele encompridar mais um pouco me pergunta o que tenho no bolso. Um livro, digo. Qual? Um usado, leio livros em final de exercício. Por quê? Digo-lhe outra vez. A mão dele vai ao bolso do meu casaco, mas não tira, sopesa.

Leio os usados porque as páginas muito folheadas e engorduradas dos dedos pesam mais nos olhos, porque cada cópia de livro pode pertencer a muitas vidas e os livros deviam ficar desvigiados nos lugares públicos e deslocar-se junto com os passantes que os levam consigo por um pouco e deveriam morrer como eles, consumidos por doenças, infectados, afogados ponte abaixo junto com os suicidas, enfiados num aquecedor no inverno, rasgados pelas crianças para fazer barquinhos, em suma deveriam morrer em qualquer lugar a não ser de tédio e de propriedade privada, condenados a uma prateleira pela vida toda.”

 

Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Barlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 25.

 





“Uma amor inigualável”, texto de Olivier Bourdeault

27 06 2017

 

 

Cid Morrone (Itália, 1956) leitura, ostLeitura

Cid Morrone (Itália, 1956)

óleo sobre tela

 

“Seu comportamento extravagante preenchera toda a minha vida, ele viera se aninhar em cada recanto, ocupava todo o quadrante do relógio, devorando cada instante. Acolhi essa loucura de braços abertos, depois os fechei para apertá-la com força e dela me impregnar, mas temia que uma loucura mansa como esta não fosse eterna. Para ela, o real não existia. Eu tinha encontrado um Dom Quixote de saias e botas, que, toda manhã, com os olhos recém-abertos e ainda inchados, pulava sobre seu pangaré, freneticamente lhe batia nos flancos e saía a galope para investir contra seus distantes moinhos cotidianos. Ela conseguira dar um sentido à minha vida, transformando-a numa balbúrdia perpétua. Sua trajetória era clara, tinha mil direções, milhões de horizontes,  meu papel consistia em fazer a intendência seguir, em cadência, em lhe dar os meios de viver suas demências e não se preocupar com coisa nenhuma. Quando na África avistamos uma grou ferida à beira de uma trilha, ela desejou pegá-la para cuidar dela. Tivemos de prolongar nossa estada uns dez dias, e depois, uma vez a ave curada, ela quis trazê-la para Paris, mas não entendeu que era preciso obter certificados, cobri-los de carimbos, assinaturas, preencher montanhas de formulários para passar pela fronteira.

— Por que todas essas maluquices? Não me diga que toda vez que essa ave sobrevoa as fronteiras tem de preencher este formulário e deve aguentar todos esses funcionários!  Até a vida dos pássaros é um calvário! — ela vociferara, exasperada, enquanto batia com o carimbo na mesa do veterinário.”

 

Em: Esperando Bojangles, Olivier Bourdeault, Belo Horizonte, Autêntica: 2017, tradução de Rosa Freire de Aguiar, páginas 45-6.





Sobre árvores: Erri de Luca

20 06 2017

 

 

vangoghcypresses1889Ciprestes, 1889

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 93 x 74 cm

Metropolitan Museum, N.Y.

 

 

” Vou pelo campo com uma nova muda de macieira para plantar.

Deposito-a no chão, viro-a, olho seus ramos mal esboçados tentarem lugar no espaço em torno.

Uma árvore precisa de duas coisas: sustança sob a terra e beleza fora. São criaturas completas mas impulsionadas por uma força de elegância. Beleza necessária a elas é vento, luz, pássaros, grilos, formigas e uma meta de estrelas em direção às quais apontar a fórmula dos ramos.

A máquina que nas árvores impulsiona linfa para cima é beleza, porque só a beleza na natureza contradiz a gravidade.

Sem beleza a árvore não quer. Por isso para num ponto do campo e pergunto: “Aqui, quer?”

Não espero uma resposta, um sinal no punho em que seguro seu tronco, mas gosto de dizer uma palavra à árvore. Ela sente as bordas, os horizontes e procura um lugar exato para se erguer.

Uma árvore escuta cometas, planetas, nuvens e enxames. Sente as tempestades do sol e as cigarras sobre ela com a mesma urgência de velar. Uma árvore é aliança entre o próximo e o perfeito longínquo.

Se vem de um viveiro e tem de enraizar-se em solo desconhecido, fica confusa como uma jovem camponês no primeiro dia de fábrica. Assim levo-a a um passeio antes de escavar-lhe o lugar.”

 

 

Em: Três cavalos, Erri de Luca, São Paulo, Berlendis & Vertecchia: 2006, tradução de Renata Lúcia Bottini, página 26.





23 de abril, Dia Mundial do Livro, esculturas de Nino Orlandi

23 04 2017

 

 

Il libro dei sogni Nino Orlandi, 1946O livro dos sonhos, Nino Orlandi (Itália, 1946), madeira

 

 

376069_565005236873015_727053174_nPara sempre, Nino Orlandi (Itália, 1946), madeira

 

 

NinoOrlandi2Sem título, Nino Orlandi (Itália, 1946), madeira

 

 

73375_517950384903369_1214220048_nSem título, Nino Orlandi (Itália, 1946), madeira

 

 

NinoOrlandi11Sem título, Nino Orlandi (Itália, 1946), madeira

 

 

NinoOrlandi6Sem título, Nino Orlandi (Itália, 1946), madeira

 

 

NinoOrlandi14Sem título, Nino Orlandi (Itália, 1946), madeira

 

 

NinoOrlandi12Sem título, Nino Orlandi (Itália, 1946), madeira

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Palavras para lembrar — Jean-Jacques Ampère

8 04 2017

 

 

Eugene de Blaas, Correspondencia dividida

As leitoras, ou correspondência dividida

Pietro Antonio Rotari  (Itália,  1707 – 1762)

óleo sobre tela

Tretyakov Gallery – Moscou

 

 

“Os livros fazem as épocas e as nações,  como as épocas e as nações fazem os livros.”

 

 

Jean-Jacques Ampère





Cuidado, quebra! Escultura em vidro de Lucio Bubacco

7 03 2017

 

 

LUCIO BUBACCO, bacanal serieBacanal nas árvores

Lucio Bubacco, (Itália, 1959)

Vidro soprado, 48 x 45 x 23 cm

Marta Hewett Gallery

 

Lucio Bubacco é conhecido pela perfeição anatômica de suas composições em vidro.  Natural de Veneza, ele trabalha com figuras de vidro, completamente feitas à mão na chama viva e incorporadas a vasos de vidro soprado ou modelados.  É um dos grandes escultores em vidro da nossa era.

 

 

LUCIO thg_flame_0066DETALHE

Bacanal nas árvores

Lucio Bubacco, (Itália, 1959)

Vidro soprado, 48 x 45 x 23 cm

Marta Hewett Gallery

 

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