O cavalo branco, uma interferência na genética!

31 07 2008

 

Depois de postar este maravilhoso poema de Carlos Drummond de Andrade,  fui atrás de um artigo que havia lido recentemente sobre os cavalos brancos.  Lembrei-me dele quando usei a aquarela do pintor gaúcho José Lutz Seraph Lutzemberger para ilustrar a   postagem anterior.  Finalmente depois de uma hora, me lembrei que havia visto esta nota sobre a genética do cavalo branco no Sunday Times de Londres, do dia 20/7/08, no artigo intitulado: The Lone Ranger: white horses’ single ancestor [O ancestral do cavalo branco de Zorro, o cavaleiro solitário].

 

Foi desconcertante descobrir que os cavalos brancos – todos os cavalos brancos do mundo – são mutantes e que sofrem de um defeito de DNA que os faz envelhecer rapidamente.  Não estou falando aqui dos cavalos albinos.  Estes são diferentes, estes são brancos desde que nascem. Mas falo aqui dos cavalos que nascem com pelo castanho, passam a ter pelo cinza e mais ou menos aos 6 anos de idade, adquirem a cor branca que lhes dá um ar mágico, de criatura de outro mundo.  Tudo indica que cavalos brancos já teriam desaparecido há muito tempo, não fosse a mão do homem.   

 

Há dois problemas sérios com a cor branca: 1) o cavalo branco em estado selvagem seria muito mais fácil de ser caçado.  Sua complexão não o deixaria esconder-se por entre árvores ou vegetação sem atrair a atenção de predadores.  2) com o pelo branco, estes cavalos, quando expostos ao sol, têm uma probabilidade muito grande de adquirirem câncer de pele.  

 

Foi a fascinação do homem que “criou” este animal, que lhe deu meios de sobrevivência, como se intuitivamente soubesse das leis de Darwin.  Isto não quer dizer que o cavalo branco seja um novato na face da terra, sua existência é tão longa quanto a de seus companheiros.  Acredita-se, no entanto, que o ser humano tenha começado a domar cavalos selvagens há aproximadamente 10.000 anos atrás.  Mas é bastante revelador que todos os cavalos brancos em existência tenham tido um único ancestral.  

 

Isto está revelado, como mostrou a revista Nature Genetics, num estudo feito pela Universidade de Uppsala na Suécia. Todos estes cavalos têm um gene específico em comum. Isto significa que o cavalo original com este gene deve ter impressionado muito o homem antigo.  Quem sabe até poderia ter sido mais valioso pela raridade!  O que sabemos ao certo é que foi selecionado para reprodução.  E foi reproduzido, sistematicamente.  Até que nos dias de hoje, 1 em cada 10 cavalos ou seja, 10% do eqüinos no mundo têm este gene.  

 

Há esperanças de que estudando este gene, que no momento recebeu o nome de “grisalho por idade” venha-se a entender melhor o processo de envelhecimento em geral e dos seres humanos em particular.  Esta é uma das primeiras intervenções bem sucedidas que conhecemos do homem no meio ambiente.  O que fascinou o homem primitivo é o que ainda fascina o homem moderno: a alvura de seu pelo.





Carlos Drummond de Andrade poesia para crianças!

30 07 2008

 

PARÊMIA DE CAVALO

 

Cavalo ruano corre todo o ano

Cavalo baio mais veloz que o raio

Cavalo branco veja lá se é manco

Cavalo pedrês compro dois por mês

Cavalo rosilho quero com filho

Cavalo alazão a minha paixão

Cavalo inteiro amanse primeiro

Cavalo de sela mas não pra donzela

Cavalo preto chave de soneto

Cavalo de tiro não rincho, suspiro

Cavalo de circo não corre uma vírgula

Cavalo de raça rolo de fumaça

Cavalo de pobre é vintém de cobre

Cavalo baiano eu dou pra fulano

Cavalo paulista não abaixa a crista

Cavalo mineiro dizem que é matreiro

Cavalo do sul chispa até no azul

Cavalo inglês fica pra outra vez.

 

 

 

 

Carlos Drummond de Andrade

 

 

Carlos Drummond de Andrade (MG 1902 – RJ 1987) – Poeta, escritor, contista, cronista, jornalista, pensador brasileiro.

 

Ilustração:

CAVALOS, José Lutz Seraph Lutzemberger ( Brasil -1882-1951) aquarela.





Minha terra — poesia de Lobo da Costa — para crianças

24 07 2008

 

O Gaúcho, José Lutz Seraph Lutzemberger, (Brasileiro [nascido na Alemanha] 1882-1951, aquarela

O Gaúcho, s.d.

José Lutz Seraph Lutzemberger

(Brasileiro 1882 – 1951)

Aquarela

MINHA TERRA

 

Lá, na minha terra, quando

O luar banha o potreiro,

Passa cantando o tropeiro,

Cantando, sempre cantando;

Depois, avista-se o bando

Do gado que muge, adiante;

E um cão ladra bem distante,

Lá, bem distante, na serra;

Nunca foste à minha terra?!

 

Enfrena, pois, teu cavalo,

Ferra a espora, alça o chicote

E caminha a trote, a trote,

Se não quiseres cansá-lo.

Ainda não canta o galo,

É tempo de viajares.

Deixarás estes lugares,

Iras vendo novas cenas

Sempre amenas, muito amenas.

 

O laranjal reverdece,

E ao disco argênteo da lua,

Logo os olhos te aparece

A estrela deserta e nua.

………………………………………………

 

Lobo da Costa

 

 

Francisco Lobo da Costa (Pelotas, RS 1853 — RS 1888 ) Poeta, jornalista e teatrólogo brasileiro.

 

A obra poética:

 

Esparsa nos jornais:  Eco do Sul, Diário de Pelotas e Progresso Literário.

Espinhos d’alma em (1872)

 

Poesias em edições póstumas:

 

 Dispersas

Auras do Sul.

 

 

 

Do livro:

 

Criança brasileira: terceiro livro de leitura, edição especial para o Rio Grande do Sul, Theobaldo Miranda Santos, Agir: 1950, Rio de Janeiro.  [livro didático para a 3ª série do curso básico].

 








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