O som mais triste… poesia, Ladyce West

20 05 2019

 

 

 

Lasar Segall- titulo Auto-Retrato Retratando o Cotidino em Vina-Lituânia, óleo sobre placa de papelão, medindo 67cm x 47cmAuto-retrato, Retratando o cotidiano em Vina-Lituânia, s/d

Lasar Segall (Lituânia/Brasil, 1889 – 1957)

óleo sobre papelão, 67 x 47 cm

 

 

O som mais triste…

 

Ladyce West

 

Na indolência de um domingo de verão,

quando o sol cerceia o movimento e o calor detém a brisa,

 

Quando o bafo quente das calçadas se ergue lento,

envolve o corpo e reprime pensamentos,

 

Quando a inércia paralisa insetos,

cala pássaros, esconde peixes,

 

No meio da tarde indiferente,

preguiçosa, frouxa e incandescente,

 

Um solitário acordeon se faz ouvir.

 

É gemido desditoso, lamento sofrido.

Queixume penoso.

 

No ar estagnado do bairro,

por entre casas sonolentas e mudas torres de igrejas,

 

por cima do asfalto amolecido das ruas,

mascarando o borbulhar do riacho,

 

vibram notas saudosas, melodias sofridas,

canções de outras eras, de outras terras.

 

Gemidas.

 

A nostalgia se espalha.

Manta transparente, que envolve.

Aderente.

 

Libação sonora, suadouro enlutado,

carpindo na tarde.

 

Canto solitário de imigrante europeu,

Chora a terra, a distância,

a perda do lugar em que nasceu.

 

 

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2019.





Refugiados, texto de Charles Simic

27 09 2015

 

navio-de-emigrantes, , de Lasar Segall (1939-41), pintura a óleo com areia sobre tela, 230 x 275 cmNavio de emigrantes, 1939-1941

Lasar Segall (Lituânia/Brasil, 1891-1957)

óleo com areia sobre tela, 230 x 275 cm

Museu Lasar Segall, São Paulo

 

 

“Pessoas deslocadas” era o nome que nos davam, desde 1945, e isso era o que éramos, verdadeiramente. Quando você vê bombas caindo em alguns antigos documentários, seja um exército avançando contra outro, aldeias e cidades consumidas por fogo e fumaça, você esquece dos grupos de pessoas no celeiro. Sr. e Sra. Inocente pagaram alto neste século só por estarem ali. Condenados pela história, como os marxistas gostavam de dizer, talvez pertencendo a uma classe social incorreta, um grupo incorreto ou uma religião incorreta – o que seja – eles eram e continuam a ser uma lembrança desagradável de todas as utopias filosóficas e nacionalistas que não deram certo. Com seus trapos e trouxas e seu ar de miséria e desespero, eles vieram em massa do Leste, fugindo do mal sem ideia de para onde estavam indo. Ninguém tinha muito para comer na Europa e aqui estavam os refugiados famintos, centenas de milhares em trens, campos e prisões, molhando pão dormido em sopa aguada, procurando por piolho nas cabeças de seus filhos e grasnando em dúzias de línguas sobre seu horrível destino.

Minha família, como tantas outras, pode ver o mundo graças às guerras de Hitler e a chegada ao poder de Stalin na Europa Oriental. Não éramos colaboradores alemães ou membros da aristocracia, nem éramos precisamente exilados políticos. Peixes pequenos, não decidíamos por nós mesmos. Tudo foi arranjado por nós pelos líderes do nosso tempo. Como tantos outros que estavam deslocados, não tínhamos nenhuma ambição de sair do nosso bairro em Belgrado. Nós gostávamos de lá. Negociações foram feitas sobre esferas de influência, fronteiras foram redesenhadas, a chamada Cortina de Ferro foi baixada, e nós ficamos à deriva com nossos poucos bens. Historiadores ainda estão documentando todas as traições e horrores que nos atingiram como resultado da Yalta e de outras tantas conferências, e o assunto ainda não chegou a seu ponto final.

Como sempre, houve diferentes graus do mal e da tragédia. Minha família não se deu tão mal quanto outras. Milhares de russos que os alemães haviam forçado a trabalhar para eles nas indústrias e fazendas foram devolvidos a Stalin contra a vontade deles pelos Aliados. Alguns foram assassinados, outros mandados para os ‘gulags’ para que não contaminassem o resto da população com novas ideias adquiridas pelo capitalismo decadente. Nossas perspectivas foram melhores. Tínhamos a esperança de acabar nos Estados Unidos, Canadá ou Austrália. Não que isso fosse garantia. Entrar nos Estados Unidos era particularmente difícil. A maioria dos países da Europa Oriental tinha cotas muito pequenas, diferente da Europa Ocidental. Aos olhos dos especialistas em genética e dos políticos da imigração, eslavos do sul não era material étnico altamente desejável.”

 

Em: “Refugees”, Charles Simic, Letters of Transit: Reflexions on Exile, Identity, Language and Loss, ed. André Aciman, New York, The New Press: 1990, pp. 120-121
Tradução Ladyce West.





Criança brasileira, na arte! — II

11 10 2014

 

 

Sergio Caires Berber,(Santa Catarina) Passeio na Armação, 2004, ost, 70x50Passeio na maré baixa, 2011

Sérgio Berber (Brasil, 1941)

óleo sobre tela, 70 x 50 cm

 

Estevao silva, (1845-1891) Menino_com_melancia, 1889, ost, pinacoteca estado de são pauloMenino com melancia, 1889

Estevão Silva (Brasil, 1845-1891)

óleo sobre tela

PESP – Pinacoteca do Estado de São Paulo

 

AlbertodaVeigaGuignard,RetratodeLauraPinheirodeMachadoPinto,osmadeira,1941,56x39Retrato de Laura Pinheiro de Machado Pinto, 1941

Alberto da Veiga Guignard (Brasil, 1896-1962)

óleo sobre madeira, 56 x 39 cm

 

LasarSegall,MeninocomLagartixas,1924Menino com lagartixa, 1924

Lasar Segall (Lituânia/Brasil, 1891-1957)

óleo sobre tela, 98 x 61 cm

Museu Lasar Segall, São Paulo

 

Bianco, Enrico (1918) Figura de Menina, o.s.m. - 55 x 38. Assinado e datado 1962. Figura de menina, 1962

Enrico Bianco (Itália/Brasil, 1918- 2013)

óleo sobre madeira, 55 x 38 cm

 

Canato, seleção brasileira, ost, 100x120Seleção brasileira

Canato (Brasil, 1965)

óleo sobre tela, 100x 120 cm

 

Aurélio D´Alincourt - Menina - Óleo sobre placa - 32 x 24 cmMenina, s.d.

Aurélio d’Alincourt (Brasil, 1919-1990)

óleo sobre tela, 32 x 24 cm

 

Grosso Guerino ,Menino pescador, o.s.t. - 54 x 46Menino pescador

Guerino Grosso (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre tela, 54 x 46 cm

 

Joao Werner(Brasil)menina_com_gato, 2003,ost,50x70Menina com gato, 2003

João Werner (Brasil,  1962)

óleo sobre tela, 50 x 70 cm

 

 

 

antonio rocco, crianças, PESPCrianças

Antonio Rocco (Itália/Brasil, 1880-1944)

óleo sobre tela, 110 x 124 cm

PESP – Pinacoteca do Estado de São Paulo, SP

 

Anita Malfatti, Menina, 1938, ostcc, 31x23Menina, 1938

Anita Malfatti (Brasil, 1889-1964)

óleo sobre tela colada em cartão, 31 x 23 cm

 

BIGIO GERARDENGHI,(Itália1876-Brasil, 1957)MENINO,40 x 50,ostMenino

Bigio Gerardenghi (Itália 1876-Brasil, 1957)

óleo sobre tela,  40 x 50 cm

 

Pronta para festa,Avgvstvs, [Augusto Mendes da Silva] (Brasil, 1917-2008), ostPronta para a festa

Avgvstvs [Augusto Mendes da Silva] (Brasil, 1917-2008)

óleo sobre tela

 

ELZAS, Harry,Menino com Chapéu,1988, ost,100x80cmMenino com chapéu, 1988

Harry Elzas (Brasil, 1925-1994)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm

 

Elon Brasil, Índio, Óleo sobre tela, 100 alt X 130 larg (cm), acseÍndio

Elon Brasil (Brasil, 1957)

óleo sobre tela, 100 x 130 cm





Dia das Mães com arte brasileira!

11 05 2014

 

 

Di Cavalcanti, Maternidade,ost, (década de 1950)65,5 x 50 cmMaternidade, década de 1950

Emiliano Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela, 65 x50 cm

 

Manabu-Mabe-MaternidadeManabu Mabe – Maternidade – 100 x 73 cmMaternidade, s/d

Manabu Mabe (Japão 1924-Brasil 1999)

óleo sobre tela, 100 x 73 cm

 

icaMater, 1985

Sérgio Martinolli (Itália, 1938, radicado no Brasil)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

Orlando teruz. maternidadeMaternidade

Orlando Teruz (Brasil, 1902 – 1984)

óleo sobre tela, 81 x 100 cm

 

José Pancetti, (1902-1954)Maternidade, 1954,  Campinas, ostMaternidade, 1954

José Pancetti (Brasil, 1902-1958)

óleo sobre tela

 

Lazar Segall, Maternidade, 1922, aquarela sobre papel e grafiteMaternidade, 1922

Lasar Segall (Lituânia, 1891- Brasil, 1957)

aquarela e grafite sobre papel

 

CARMO SOÁ (1962)Proteção,2009,ost, 56 x 46cmProteção, 2009

Carmo Soá (Brasil, 1962)

óleo sobre tela, 56 x 46 cm

 

Haydea Santiago Folguedos na Varanda OSM, ACID,1946 21x15 R$980 Victor BragaFolguedos na varanda, 1946

Haydéa Santiago (Brasil, 1896-1980)

óleo sobre tela, 21 x 15 cm

 

Eliseu Visconti, boa-noiteBoa noite, 1910

Eliseu Visconti (Itália 1866-Brasil 1944)

óleo sobre tela, 62 x 76 cm

Coleção Particular

 

Reynaldo Fonseca (1925)Maternidade Gravura 39-300 65 x 50 cm. BaseMaternidade

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

Gravura, 65 x 50 cm








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