Caixa mágica de surpresa, poesia de Elias José

14 08 2017

 

 

surpresa comm sapo, cobra e tartarugaSurpresa, ilustração, desconheço a autoria e não consigo ler a assinatura.

 

 

Caixa mágica de surpresa

 

Elias José

 

Um livro

é uma beleza,

é caixa mágica

só de surpresa.

 

Um livro

parece mudo,

Mas nele a gente

descobre tudo.

 

 

Um livro

tem asas

longas e leves

que, de repente,

levam a gente

longe, longe

 

Um livro

é parque de diversões

cheio de sonhos coloridos,

cheio de doces sortidos,

cheio de luzes e balões.

 

Um livro é uma floresta

com folhas e flores

e bichos e cores.

É mesmo uma festa,

um baú de feiticeiro,

um navio pirata do mar,

um foguete perdido no ar,

É amigo e companheiro.

 

Em: Caixa mágica de surpresa, Elias José, 1997: Editora Paulus





“As moedas caídas do céu”, conto infantil das Histórias do Arco da Velha

4 08 2015

 

7af64c476092e9afb5e62d2fbe52a602Cartão de Natal, década de 1950.

 

As moedas caídas do céu

 

Conceição era uma pobre mas interessante menina, cujos pais haviam morrido. Era tão pobre, que não tinha nem um quarto, nem cama para se deitar; não possuía senão os vestidos que tinha sobre o corpo e um pequeno pedaço de pão que uma alma caridosa lhe havia dado; era, porém, boa e piedosa.

Como se achava abandonada de todo o mundo, pôs-se em viagem, confiando-se à guarda do bom Deus.

No caminho encontrou um pobre homem, que lhe disse:

— Ai de mim! Tenho muita fome! Dai-me um pouco de comer.

A menina deu-lhe o pai, dizendo:

— Deus te auxilie. — e continuou a caminhar.

Depois encontrou um menino que chorava, dizendo:

— Tenho frio, dai-me alguma coisa para cobrir-me.

Ela tirou o gorro e deu-lho.

Mais tarde ainda viu outro que estava trânsido de frio por falta de uma camisola, e deu-lhe a sua. Finalmente, um último pediu-lhe a saia, que ela deu também.

Caindo a noite, chegou a um bosque pedindo-lhe a camisa outro menino. A piedosa menina pensou:

— É noite escura, ninguém me verá. Posso bem dar-lhe a minha camisa. E deu-lha.

Assim nada mais possuía no mundo. Mas no mesmo instante as estrelas do céu puseram-se a cair e no chão elas se transformaram em belas moedas reluzentes. E embora ela tivesse tirado a camisa, tinha uma completamente nova, do mais fino tecido. Ela apanhou o dinheiro e ficou rica para o resto de sua vida.

 

 

Em: Histórias do Arco da Velha — Livro para crianças, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Quaresma: 1947,pp: 91-92.





As doces rosas-dos-ventos, poesia de Stella Leonardos

1 05 2015

 

 

vendedor-de-cataventos, sérgio bastosVendedor de cataventos, Sérgio Bastos.

 

 

As doces rosas-dos-ventos

 

Stella Leonardos

 

 

— Onde estás, vendedor de pirulitos,

Fazedor das ventoinhas de papel?

Daqueles cataventos tão bonitos?

Daquelas gostosuras cor de mel?

Tu que adoças as ruas com teus gritos

E que marcas os ventos nas calçadas:

Me dá de novo os sonhos infinitos

Das tuas rosas que são quase aladas!

— Queres minhas ventoinhas? Há-de tê-las.

Criança grande! Por que te agradam tanto?

— Não são ventoinhas: são almas de estrelas

De um céu ingênuo que foi céu de encanto.

 

 

Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.79





Generosidade, poesia de Cyra de Queiroz Barbosa

10 09 2014

 

 

gb_panneau aPanneau decorativo, 1921

Guttmann Bicho (Brasil, 1888-1955)

óleo sobre tela, 153 x 148 cm

MNBA — Museu Nacional de Belas Artes, RJ

 

 

Generosidade

 

Cyra de Queiroz Barbosa

 

à tia Nida

 

Os gatos da vizinhança

faminto, órfãos, pelados,

achavam pouso e aconchego

junto dela em nossa casa,

Mimoso, Dina, Miquito,

tantos outros — nem me lembro!

Ah! tinha a gata Pretinha

que lhe dava tão fecunda

cada vez ninhada inteira.

 

Era leite no pratinho

ou dado na mamadeira.

Enroscavam-se na colcha

de retalhos costurados,

cresciam e para ela

de miau! Miau! Miau!

serenata era cantada.

 

Não só de gatos gostava

a boa titia Nida.

Seus sobrinhos eram seus filhos

e mais outro de outro sangue

em amor reconheceu.

Por eles se abriu em risos

por eles muito sofreu.

Nada pedindo ou cobrando,

generosamente dando

a vida — tudo o que tinha —

para quem nem era seu.

 

 

Em: Moenda: painéis e poemas interiorizados, Cyra de Queiroz Barbosa, Rio de Janeiro, Rocco:1980, pp. 49-50





O Príncipe, conto de Wilson W. Rodrigues, uso escolar

27 08 2014

 

WTBendaIlustração de W.T. Benda para capa da revista LIFE de agosto de 1923.

 

 

O Príncipe

 

Wilson W. Rodrigues

 

 

As feições do príncipe eram desconhecidas.

Jamais alguém vira o seu rosto.

Em sua corte trabalhavam os artesãos mais hábeis, os melhores desenhistas, as costureiras mais famosas.

A observação era invariável:

— É preciso que essa máscara fique mais bela; do contrário, o Príncipe recusará.

As máscaras deviam ser sempre mais belas, pois, desde menino, o Príncipe usava todos os dias, uma nova máscara.

Dir-se-ia que elas o fascinavam, pois sempre parecia feliz.

Um dia, quando tomava parte numa caçada, o Príncipe afastou-se de sua gente e se perdeu.

Pela noite inteira, ninguém o encontrou.

De manhã, quando cruzava o vale, o Príncipe avistou uma donzela que voltava da fonte, bilha ao ombro.

Estava sedento, pediu:

— Posso beber da tua bilha?

A jovem reconheceu o Príncipe Mascarado, e com galanteria ofereceu:

Só se beberes na concha das minhas mãos.

O Príncipe desmontou. Em terra, curvou-se; nesse instante, ela, num gesto tão rápido quanto impensado, arrancou-lhe a máscara, e deu um grito de espanto.

— Sou tão feio assim?

— Não. Tu és mais belo que todas as tuas máscaras.

 *****

Em: Contos do Rei do Sol, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro [Estado da Guanabara], Editora Torre: s/d, pp: 21-26

 





A felicidade, conto infantil das Histórias do Arco da Velha

16 08 2014
RideOnPrinceIlustração de autoria desconhecida.
A felicidade

 

Três irmãos viviam no meio de um bosque escuro, muito escuro, a pouca distância do mar azul e puro.

Tinham tido a desventura de perder os pais quando eram ainda meninos, e viviam lá muito solitários.

Um dia, finalmente, o mais velho, aborrecido de tanta solidão disse:

— “Além do bosque está o mar azul e puro, e além dele, à margem de lá, uma cidade rica e bela.”

E o outro acrescentou:

–“Dizem que lá encontram-se árvores belas, como as da nossa floresta, e pássaros que cantam  também como os que temos aqui, em torno da nossa casinha paterna?”

Mas o maior replicou:

— “Partirei em busca desta felicidade.”

O segundo repetiu:

–“Partirei também para tentar a minha fortuna, ou para ver se me será dado encontrar a felicidade.”

O terceiro abaixou a cabeça e nada falou:

Selaram os cavalos, os seus belos cavalos negros, tomaram as lanças, as suas boas lanças de ferro, luzentes e agudas, e partiram todos três à procura da felicidade.

O mais velho atravessou a montanha, e entrou no país, vasto e fértil; o segundo passou o mar azul e puro a bordo de um barco, e recolheu-se na cidade rica e bela, lugares onde deveriam encontrar a felicidade, mas nunca puderam vê-la.

O mais jovem, no entanto, não se tinha retirado para longe. Estava ainda junto do bosque, quando sentiu o coração palpitar no peito.

Ergueu-se então, e disse ao cavalo negro:

— “Seria melhor se tornássemos à casa paterna, no meio da floresta escura, muito escura.”

Tirou a brida ao cavalo, ao seu belo cavalo negro, e tornou a conduzi-lo ao casebre.

As árvores agora começavam a murmurar mais suavemente e a inclinar-se ante ele como para saudá-lo; e os pássaros seguiam-no saltando de ramo em ramo, cantando.

E a floresta inteira parecia dizer-lhe:

–“Fizeste bem em voltar!”

Perto da casa paterna viu uma rapariga de cabelos dourados, sentada no portal, atenta a olhá-lo, tendo a seus pés um lindo gato, envolto nas dobras do seu vestido, a dormir.

–“Quem sois?”, perguntou o moço à bela rapariga de cabelos dourados.

Ela picou-lhe os seus grandes olhos doces, e sorrindo respondeu:

— “Sou a Felicidade!…”

 

***

Em: Histórias do Arco da Velha — Livro para crianças, de Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Quaresma: 1947,pp: 179-181.





Quadrinha para o Dia das Mães

10 05 2014

 

 

Mãe  e filha, gatinhoIlustração, desconheço a autoria.

 

– “Não há mãe melhor que a minha”

diz a filha à mamãezinha.

E a mãe, sorrindo: – “Filhinha,

melhor que a tua era a minha”…

 

(Lia Pederneiras de Faria)








%d blogueiros gostam disto: