Livros favoritos de Amor Towles

15 10 2019

 

 

 

Vicente do Rego Monteiro, Natureza Morta, Óleo sobre madeira, 1969, Assinado, datado 1969 e situado Recife superior direito, 67X 61 cmNatureza morta, 1969

Vicente do Rego Monteiro (Brasil, 1899 – 1970)

óleo sobre madeira,  67 x 61 cm

 

 

Amor Towles se transformou, depois da leitura de dois de seus livros, (Regras de cortesia e Um cavalheiro em Moscou) em um dos meus escritores contemporâneos cujos livros irei ler assim que forem publicados.  Portanto quando vi a lista de seis livros que ele considerou favoritos na revista The Week apressei-me em vê-la.  Já conheço a maioria, falta ler Gogol e os manifestos de artistas [acho que este não fará parte da minha leitura].  Mas se você está interessado, aqui vai:

1 – Cem anos de solidão, Gabriel Garcia Marques

2 – Se um viajante numa noite de inverno, Ítalo Calvino

3 – No caminho de Swann, Marcel Proust

4 –  Contos escolhidos de Nikolai Gogol

5 –  A insustentável leveza do ser de Milan Kundera

6 – 100 Artists’ Manifestos, editado por Alex Danchev

 





Livros para presente? Que tal autores de língua francesa?

15 12 2018

 

EVHE (França), La lectrice, huile sur toile, 54 x 65 cm.Leitora

Evelyne Heimburger (França, contemporânea)

óleo sobre tela, 54 x 65 cm

 

 

Até os anos 70 do século XX ninguém poderia se considerar bem letrado, sem conhecimento básico da literatura em francês.  Não só da clássica, Balzac, Flaubert, Stendhal, Dumas, Maupassant, Jules Verne entre outros do século XIX, como os da primeira metade do século XX: Camus, Gide, Sartre, Beauvoir, Simenon, Colette, Yourcenar.

Assim como aconteceu nas artes plásticas ao final da Segunda Guerra Mundial,  o centro literário do mundo ocidental saiu da França e desembarcou nos Estados Unidos.  O mesmo ocorre através dos séculos: centros culturais locais e universais só existem onde há poder financeiro.  A Europa em pedaços, pobre, devastada pela guerra, não oferecia suporte para as artes: plásticas, literárias, dança, música ou qualquer outra. As artes necessitam de ambiente com amplo  poder econômico que as mantenham como boas amantes, que devem ser belas e dispendiosas, elas precisam ser teúdas e manteúdas.  Nas minhas primeiras aulas de história da arte, quer o tema seja arte moderna, medieval, barroca ou de qualquer era, tenho imenso prazer de chocar jovens idealistas que ali se encontram ao dizer, logo na primeira hora, que sem dinheiro não temos arte. Olhos cheios de emoção, sonhadores, visionários, custam a acreditar que no santuário do saber, na aula de história da arte, pudéssemos falar tão abertamente do vil metal.  O ar de desgosto é geral e alguns alunos ainda acham que conseguiriam arguir contra esta observação, mas estudar história, é em grande parte estudar os movimentos econômicos do mundo.  Pode ser história da ciência, militar, naval ou da arte.  O caminho será o mesmo.

Voltando à literatura na língua francesa: sim, ela sofreu.  Sofreu muito. O mundo anteriormente criado e mantido pela França estava ferido.  Quase ferido de morte.  Em parte com ajuda dos próprios franceses que, em muitas regiões, se submeteram aos invasores.  Passados meros 10 anos do final da Segunda Guerra Mundial a França sofreu mais ainda com a Guerra da Independência da Argélia,  de 1954 a 1962. Não bastasse a devastação a que o país se submetera no Regime de Vichy, a geração seguinte de franceses se afundou e morreu no norte da África. Os franceses dizem que 400.000 pessoas morreram dos dois lados, enquanto a Argélia mantém que 1.500.000 morreram.  Qualquer que seja o número, no final da Segunda Guerra Mundial a França contava um pouco mais de 40 milhões de cidadãos.  Quer sejam 200.000 ou 750.000 franceses mortos, o número é grande demais para o tamanho do país.

Com essas reviravoltas a produção literária francesa deixou a desejar se comparada ao que acontecia no resto do mundo.  E o poder financeiro estava fora da França e dos países em que a língua francesa era prevalente. Volta, os poucos, no início deste século. É claro que houve bons e capazes escritores no final do século XX, mas nunca chegaram a ter a proeminência de seus pares de outras terras.   Volta, reforçada pelas mãos de escritores vindos das ex-colônias, assim como aconteceu com Inglaterra e Portugal cujas obras contemporâneas estão repletas de talentos nascidos nos países aculturados.  A França ganhou a Segunda Guerra, junto aos aliados, mas perdeu poder no mundo.  A língua francesa, na época de minha mãe, um requisito para qualquer cidadão no mundo, perdeu influência, porque o país perdeu influência econômica.  Por mais que isso me deixe entristecida, já que me dediquei e dedico à leitura em francês, temos que admitir que a importância de uma língua está também atrelada ao poder econômico daqueles que a falam.  Nesse aspecto, a Inglaterra, também sofrida com a Segunda Guerra Mundial, e membro da mesma aliança de países que venceu o Eixo, se saiu bem melhor. Não só porque o inglês já era considerado a língua comercial do mundo, e portanto falada por muitos,  mas era a língua nativa da maioria dos países aliados.  A Grã-Bretanha recuperou e expandiu seu poder nas criações literárias produzindo alguns dos mais interessantes escritores na segunda metade do século XX,  muitos deles vindos de antigas colônias: Doris Lessing,  R.K. Narayan, Salman Rushdie, Kazuo Ishiguro, Alice Munro, Margaret Atwood e os britânicos Graham Greene, Martin Amis, Margaret Drabble, Ian McEwan, A. S. Bayett, Julian Barnes, Hilary Mantel, John Banville, Cólm Tóybín, Allan Hollinghurst,  Zadie Smith, Penelope Lively, entre outros que no momento me escapam.

Mas a França só perdeu o brilho temporariamente.  Aos poucos, a literatura originalmente produzida em francês reganha status voltando com algumas grandes contribuições de romancistas. Muitas obras ainda dedicadas às grandes chagas sociais do país sofrido por tantas e consecutivas guerras.   Isso é importante porque cada uma dessas nações europeias, sofridas com as guerras do século passado, tem visões bastante diferentes do mundo, sobre o que importa e sobre o papel do ser humano nas sociedades. São dessas tradições humanísticas, que enriquecem o cotidiano cultural do planeta, que a nossa cultura ocidental depende. Aqui estão alguns dos mais recentes livros cujos originais são em francês.  Eu me limito aqui ao que foi traduzido e publicado no Brasil nos últimos anos quatro anos, de 2014 a 2018, ou seja, obras que podemos encontrar nas livrarias com maior facilidade.  Esses livros muito adicionariam à sua biblioteca e espero que mostrem a variedade criativa dos autores contemporâneos.

 

CANção de ninar

 

1 — Canção de Ninar, de Leila Slimani, Editora Tusquets, 2018, 192 páginas  —- Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde.  Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos de classe e entre culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade.

 

 

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2 — Bússola, Mathias Énard,  Editora Todavia, 2018,  352 páginas —- Bússola é uma meditação musical e encantatória sobre Oriente e Ocidente, sobre “nós” e os “outros”.  Cai a noite sobre Viena e Franz Ritter, um musicólogo apaixo­nado pelo Oriente Médio, procura em vão dormir, à deriva entre sonhos e memórias, melancolia e febre. Revisitando sua vida – suas numerosas estadias em Istambul, Alepo, Damasco, Palmira, Teerã –, seu amor por Sarah, uma erudita francesa dona de uma inteligência feroz, e a memória de outros viajantes, aventureiros, acadêmicos e artistas do Ocidente que se apaixonaram pelo “outro” não europeu, Ritter (portador de uma doença aniquiladora) atravessa a noite nu­ma vertigem de memórias, viagens e histórias. Bússola é uma declaração de amor e uma jornada em busca da diferença, entre Ocidente e Oriente, entre ontem, hoje e amanhã. Um inventário sobre os traços que nos distinguem uns dos outros, e uma aposta – cheia de sabedoria – sobre aquilo que nos faz tão próximos e humanos.

 

 

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3 — Baseado em fatos reais, Delphine de Vigan, Editora Intrínseca, 2016, 256 páginas —- Em uma obra em que o leitor é levado constantemente a questionar o que lhe é apresentado, Delphine de Vigan constrói um clima confessional, sombrio e opressivo para expor a obsessão do mercado editorial e do cinema pelas narrativas baseadas em fatos reais. A linha tênue entre verdade e mentira oscila para enriquecer uma poderosa reflexão sobre o fazer literário e questionar as fronteiras entre aparentes dicotomias, como real e ficção, razão e loucura, público e privado. Um livro brilhante, que joga com os códigos da autoficção e do thriller psicológico.
Após o grande sucesso de seu último livro, em que revelava perturbadores segredos familiares, Delphine se vê diante da temível pergunta: o que vem depois de um texto tão pessoal, que comove tantos leitores? A inércia. O sucesso a fragiliza a tal ponto que a deixa completamente vulnerável. Ela não consegue mais escrever nem uma linha, nem sequer se sentar diante do computador ou segurar uma caneta. Está esgotada, e vive assombrada pela pressão da próxima obra.   Tomada pelo bloqueio criativo, o sentimento de impotência e isolamento permeiam constantemente sua vida: os filhos gêmeos, Louise e Paul, estão prestes a sair de casa para seguir o próprio caminho e ingressar na universidade. Além disso, seu namorado, François, é um famoso jornalista e apresentador de um programa de crítica literária e está sempre viajando para o exterior. A instabilidade emocional de Delphine ainda é agravada pelas cartas de teor bastante violento que recebe de um remetente anônimo, ameaçando-a por ter exposto publicamente sua família. Nesse cenário de fragilidade, Delphine conhece L., uma mulher sofisticada, confiante, feminina, carismática e atraente. Tudo o que ela sempre desejou ser. L. parece ter um passado misterioso, trabalha como ghost-writer, e entra de modo insidioso na vida da escritora, que vê na amizade uma forma de superar seu bloqueio criativo. L. é a amiga perfeita, sempre disponível, e logo passa a interferir nos aspectos mais íntimos da vida de Delphine. O domínio de uma sobre a outra é inesperado. A conexão entre elas parece… inacreditável.

 

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4 — O caso Meursault, Kamel Saoud, Editora Biblioteca Azul, 2016, 168 páginas —-  O romance tem como ponto de partida um dos maiores clássicos da literatura francesa no século XX, O Estrangeiro, de Albert Camus, cuja trama é reconstruída sob o ponto de vista do homem assassinado por Meursault, o personagem central da obra camusiana. Sem voz nem nome no livro do escritor francês, o árabe morto recupera a identidade na narrativa de Kamel Daoud. Em um bar em Orã, na Argélia, Haroun, irmão mais novo do assassinado, fala a um universitário parisiense interessado em ouvir o que foi oculto no romance de Camus. O foco da conversa é a cena decisiva de O Estrangeiro, na qual o narrador Meursault, ao se sentir ameaçado por desconhecidos em uma praia deserta, atira em um homem, sob um sol escaldante. Em O caso Meursault, a vítima ganha o nome de Moussa, um homem simples e cheio de vida, conforme a lembrança de Haroun. O personagem relata sua infância marcada pelo assassinato do irmão e pela busca desesperada da mãe pelo corpo do filho. Mas o autor não se limita a isso e surpreende quando, fazendo bom uso da ficção, retira Moussa, o árabe ignorado, do lugar do injustiçado. Com prosa irônica e cortante, o escritor faz evocar, na figura de Meursault, o próprio Camus. No momento em que o leitor revisita o narrador de O Estrangeiro ouvindo a voz de seu próprio autor, Kamel Daoud transforma sua ficção em um espaço livre, sem censura, para pensar a questão do colonialismo e os impasses da Argélia independência.

 

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5 — O fim de Eddy, Édouard Louis, Editora Tusquets, 2018, 178 páginas —- “Todas as manhãs, enquanto me arrumava no banheiro, eu repetia a mesma frase sem parar, tantas vezes que ela terminaria por perder o sentido, passaria a não ser mais do que uma sucessão de sílabas, de sons. Eu parava e retomava a frase: Hoje eu vou ser um durão. Eu me lembro porque eu repetia exatamente aquela frase, como se faz com uma oração, com aquelas exatas palavras – Hoje eu vou ser um durão (e eu choro enquanto escrevo estas linhas: choro porque eu acho essa frase ridícula e horripilante, essa frase que, durante anos, me acompanhou e que de certa forma ocupou, não creio que haja exagero em dizer isso, o centro da minha vida).”

O fim de Eddy, romance autobiográfico de uma das mais proeminentes vozes da nova literatura francesa, desvela o conservadorismo e o preconceito da sociedade no interior da França. De forma cruel, seca e sufocante, a violência e a amargura de uma pequena cidade de operários se contrapõem à sensibilidade do despertar sexual de um garoto, estabelecendo um paralelo direto com as experiências do próprio autor.

 

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6 – Submissão, Michel Houellebecq, Editora Alfahuara, 2015, 258 páginas —- França, 2022. Depois de um segundo turno acirrado, as eleições presidenciais são vencidas por Mohammed Ben Abbes, o candidato da chamada Fraternidade Muçulmana. Carismático e conciliador, Ben Abbes agrupa uma frente democrática ampla. Mas as mudanças sociais, no início imperceptíveis, aos poucos se tornam dramáticas. François é um acadêmico solitário e desencantado, que espera da vida apenas um pouco de uniformidade. Tomado de surpresa pelo regime islâmico, ele se vê obrigado a lidar com essa nova realidade, cujas consequências — ao contrário do que ele poderia esperar — não serão necessariamente desastrosas. Comparado a 1984, de George Orwell, e a Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, Submissão é uma sátira precisa, devastadora, sobre os valores da nossa própria sociedade. É um dos livros mais impactantes da literatura atual.

 

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7 — O leitor do trem das 6h27, Jean-Paul Didierlaurent — Editora Intrínseca,  2015, 176 páginas —- Um romance sensível sobre o poder dos livros e da literatura. Operário discreto de uma usina que destrói encalhe de livros, Guylain Vignolles é um solteiro na casa dos trinta anos que leva uma vida monótona e solitária. Todos os dias, esse amante das palavras salva algumas páginas dos dentes de metal da ameaçadora máquina que opera. A cada trajeto até o trabalho, ele lê no trem das 6h27 os trechos que escaparam do triturador na véspera. Um dia, Guylain encontra textos de um misterioso desconhecido que vão fazê-lo buscar cores diferentes para seu mundo e escrever uma nova história para sua vida. Com delicadeza e comicidade, Didierlaurent revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que os personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia cotidiana.

 

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8 — O círculo dos Mahé, Georges Simenon, Editora Companhia das Letras: 2017, 120 páginas —- Aos trinta e cinco anos, casado e com dois filhos, o dr. François Mahé ainda mora com a mãe e leva uma típica vida pequeno-burguesa. Certo verão ele decide ir com a família à ilha de Porquerolles, no sul da França. No entanto, um constante mal-estar o impede de desfrutar o paraíso mediterrâneo. Ao ser chamado para examinar uma mulher no leito de morte, o médico se vê entre uma família humilde e fica fascinado pela mais velha dos três filhos, uma jovem muito magra que usava um vestido vermelho. Começa então uma história de obsessão e crise profunda, e somos levados pela jornada sombria da alma do protagonista. A morte da mãe também abalará as estruturas do dr. Mahé e, com o passar do tempo, ele será impelido a retornar à ilha mediterrânea ano após ano, como que hipnotizado pela garota. Com sua prosa enxuta e fluente, Simenon faz um retrato soturno da psique de um homem medíocre que vislumbra uma alternativa à banalidade, mas sofre para conseguir alcançá-la.

 

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9 — Felicidade conjugal, Tahar Ben Jelloun, Editora Bertrand Brasil, 2014, 322 páginas —-  Existe felicidade conjugal em uma sociedade na qual o casamento é uma instituição inabalável? O protagonista, um pintor obrigado a se aposentar após sofrer um AVC, sofre com a certeza de que sua relação conjugal caótica foi a responsável por seu colapso. Diante disso, com o tempo ocioso e com medo de cair em depressão, ele decide escrever suas memórias, narrando o começo do relacionamento, a má relação com os sogros, o amor louco, a rotina e o ódio que se instalou. Um trabalho de autoanálise, que vai ajudá-lo a encontrar coragem para se libertar da relação destrutiva com a esposa. Esta é a primeira parte do livro, chamada de “O homem que amava demais as mulheres”.  Ao descobrir, por acaso os escritos do marido, a esposa decide escrever sua versão dos fatos. Começa então a segunda metade, intitulada de “Minha versão dos fatos – Resposta a O homem que amava demais as mulheres”. Obviamente, as versões são divergentes, a ponto de o leitor questionar se os dois fizeram parte da mesma história, do mesmo casal.
Sucesso de crítica e multipremiado por toda a Europa, Tahar Ben Jelloun retrata em Felicidade conjugal a história de um homem que resolve pintar seu último quadro: o de seu relacionamento. As cores são fortes, e, como toda obra de arte, sempre há mais de uma opinião sobre o mesmo assunto, a mesma vida, os mesmos atos.

 

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10 — Limonov, Emmanuel Carrère, Editora Tag Experiências Literárias, 2017, 377 páginas —- Limonov não é um personagem de ficção. Ele existe. Eu o conheço. Ele foi delinquente na Ucrânia, ídolo do underground soviético; mendigo, depois mordomo de um bilionário em Manhattan; escritor da moda em Paris; soldado perdido nas guerras dos Bálcãs; e agora, no imenso caos do pós-comunismo na Rússia, velho chefe carismático de um partido de jovens desesperados. Ele mesmo se vê como herói, podemos considerá-lo um tratante: suspendo neste ponto meu julgamento. É uma vida perigosa, ambígua: um verdadeiro romance de aventuras. É também, creio eu, uma vida que conta alguma coisa. Não apenas sobre ele, Limonov, não apenas sobre a Rússia, mas sobre a história de nós todos desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

 

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11 — Remissão de pena, [Trilogia Essencial] Patrick Modiano, Editora Record, 2015, 128 páginas —- A autobiografia romanceada do autor do Prêmio Nobel de Literatura em 2014. Patrick e seu irmão são confiados a amigas de seus pais em Paris após a Segunda Guerra. Das mulheres responsáveis pelos dois meninos pouco se sabe além do que revelam os trechos de conversas entreouvidas por Patrick: que uma delas é uma pessoa triste e que a outra foi artista de circo. Isso e o fato de receberem as visitas frequentes de Jean D. e Roger Vincent durante o dia e de diversos visitantes noturnos. Nesse mundo intangível, os dois irmãos seguem de mãos dadas pela infância através da rue du Docteur-Dornaine e em meio a visitas a castelos, excursões a Paris, leitura de histórias de aventura, tardes ouvindo rádio — sempre à espera de que, um dia, alguém volte para buscá-los.

 

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12 — A caderneta vermelha, Antoine Laurain, Editora Alfaguara, 2016, 125 páginas —-  Caminhando pelas ruas de Paris em uma manhã tranquila, o livreiro Laurent Letellier encontra uma bolsa feminina abandonada. Não há nada em seu interior que indique a quem ela pertence – nenhum documento, endereço, celular ou informações de contato. A bolsa contém, no entanto, uma série de outros objetos. Entre eles, uma curiosa caderneta vermelha repleta de anotações, ideias e pensamentos que revelam a Laurent uma pessoa que ele certamente adoraria conhecer. Decidido a encontrar a dona da bolsa, mas tendo à sua disposição pouquíssimas pistas que possam ajudá-lo, Laurent se vê diante de um dilema: como encontrar uma mulher desconhecida em uma cidade de milhões de habitantes?

 

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13 — A extraordinária viagem do faquir que ficou preso no armário Ikea, Romain Puértolas, Editora Record, 2014, 256 páginas —-  A figura de um faquir está associada à meditação, ao treinamento e à magia. Mas, no caso de Ajatashatru Ahvaka Singh, é mais provável que o público se depare com truques e trapaças. A última de suas artimanhas foi convencer sua aldeia a pagar por uma viagem a França para adquirir a Camadepregösa, um modelo de cama de pregos vendida pela Ikea. Só que ele não contava em ficar preso dentro de um dos armários da loja. Nem que o móvel seria despachado para outro país. Assim, o faquir e seu turbante partem para uma aventura, ainda que involuntária, pelo mundo, fazendo uma horda de inimigos, alguns amigos e aprontando muitas confusões pelo caminho.

 

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14 — A outra história, Tatiana de Rosnay, Editora Intrínseca, 2016, 272 páginas —-Ágil, repleto de camadas e belamente escrito, A outra história é uma reflexão sobre identidade, o processo de ser escritor e a glória e o preço da fama, um retrato de como as decisões de antigas gerações ecoam no presente e moldam o futuro.
Aos vinte e quatro anos, Nicolas Duhamel se depara com um segredo de família perturbador mantido a sete chaves por muitos anos. Perplexo, embarca para São Petersburgo em uma jornada em busca da verdade. Porém, as respostas não surgirão tão facilmente.
Os mistérios de sua origem familiar o levam a escrever seu primeiro romance, O envelope, e a assiná-lo como Nicolas Kolt. Após três anos do inesperado e estrondoso sucesso mundial do livro, Nicolas é um escritor vaidoso, com muitos fãs, um autor obcecado pela fama e pelas redes sociais a ponto de deixar de lado a família e os amigos.
Tanta aclamação, no entanto, tem seu preço, e todos perguntam sobre o novo livro. Mas Nicolas não é capaz de escrever sequer uma linha e não suporta mais mentir. Desejando se afastar de tudo para encontrar uma nova inspiração, ele viaja para a Itália com sua namorada Malvina e se hospeda em um luxuoso hotel na costa da Toscana. Durante o fim de semana em que espera paz e tranquilidade para compor a outra história, Nicolas Kolt se vê diante de perigos e segredos que podem colocar seu futuro em jogo.

 

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15 — Os desorientados, Amin Maalouf, Editora Bertrand Brasil, 2014, 490 páginas —- Durante 25 anos, Adam não voltou mais à sua terra natal. Depois de fugir da guerra que assolou seu país, ele foi viver na França e se tornou um historiador renomado. Nesse meio-tempo, perdeu contato com seu círculo de amizade, que se dispersou por diversos lugares do mundo em busca de exílio. Quando decide voltar, o protagonista sente-se um estrangeiro em seu próprio país.  Os desorientados é um romance que expõe o que representaram os conflitos para aqueles que hoje estão na meia-idade. Até agora poucas obras haviam sido escritas a respeito dos anos de guerra e da carnificina ocorrida no Líbano. Maalouf faz isso sem comiseração, mas com sabedoria, adquirida após anos de estudo e vivência. Ao trazer à tona a questão cultural e exclusão dos cidadãos em sua própria pátria, o autor aborda, sem citá-la diretamente, a guerra no Líbano e aspectos negativos da sociedade libanesa.

 

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16 — Coração e alma, Maylis De Kerangal, Editora Radio Londres, 2017, 235 páginas —  Coração e alma é a história de um transplante cardíaco. É um relato de precisão cirúrgica, repleto de personagens inesquecíveis, em que histórias pessoais, diálogos e descrições técnicas se entrelaçam num ritmo frenético, digno de um grande filme de ação. O romance narra as vinte e quatro horas épicas entre um terrível acidente de trânsito ocorrido depois uma sessão de surf cheia de adrenalina — que causa a morte cerebral de um rapaz de 20 anos, Simon — e o instante em que seu coração recomeça a bater no peito de uma parisiense de 50 anos, Claire. Uma viagem emocionante e tocante, um tour de force que manterá o leitor em suspense até a última linha.

 

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17 — Irene, Pierre Lemaitre, Editora Universo dos Livros, 2015, 400 páginas —-  Para o comandante Camille Verhoeven, a vida não poderia estar melhor: ele tem um casamento feliz e está esperando o primeiro filho com a amável Irene.  Mas sua rotina agradável é interrompida por um assassinato cuja brutalidade choca toda a Brigada Criminal. O caso se torna ainda mais sombrio quando são encontradas similaridades entre o crime e o assassinato hediondo relatado em Dália Negra, um romance policial de James Ellroy, publicado em 1987.  A imprensa, então, apelida o assassino de “O Romancista” e a investigação do caso se desenvolve com os dois homens – o comandante Verhoeven e O Romancista – sob o olhar público, e um está determinado a ser mais inteligente do que o outro. No entanto, só é possível haver um ganhador: aquele que tem menos a perder.

 

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18 — A mulher no espelho, Eric-emmanuel Schmitt, Editora Record, 2014, 400 páginas —- Em Bruges durante a Renascença Anne foge no dia de seu casamento. Hanna mora na Viena imperial e acaba de se casar com um membro da elite local. Mas o que seria o começo de um final feliz é motivo de angústia para ela. Já Anny, nos dias de hoje, tem tudo o que se poderia desejar: dinheiro, beleza e sucesso. Tudo, menos felicidade. Três mulheres, três épocas, três histórias, o mesmo sentimento de inadequação. Schmitt narra de forma brilhante a jornada de personagens inquietas que buscam a verdade por trás da complexa existência.

 

NOTAS:

Esta é uma lista que não tenta cobrir tudo publicado no Brasil entre 2014-2018 em tradução de autores franceses ou considerados de língua francesa.

Este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Os grupos de leitura selecionam os melhores do ano!

10 12 2018

 

 

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Camille Engel (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira,  50 x 40 cm

 

 

Dois grupos de leitura votaram nos livros lidos durante o ano.

 

Ao Pé da Letra

(grupo formado por 10 pessoas, leu 14 livros este ano):

 

1–- A terra inteira e o céu infinito, Ruth Ozeki

2 — Bartleby, o escrivão, Herman Melville

3 — A moça com brinco de pérola, Tracy Chevalier

4 — O caminho de casa, Yaa Gyasi

5 — As brasas, Sándor Márai

6 — Be Rio, Marco Machado

7 — O homem sem doença, Arnon Grunberg

8 — Um cavalheiro em Moscou, Amor Towles

9 — Pequenos incêndios por toda parte, Celeste Ng

10 — Nosso homem em Havana, Graham Greene

11 — O sol nasce para todos, Harper Lee

12 — A verdade sobre o caso de Harry Quebert, Joël Dicker

13 — Toda luz que não podemos ver, Anthony Doerr

14 — O leitor do trem das 6h27, Jean-Paul Didierlaurent

 

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Melhor livro do ano

 

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1º lugar — Um cavalheiro em Moscou

Amor Towles

Editora Intrínseca, 2018, 464 páginas

SINOPSE: Nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa, Aleksandr Ilitch Rostov, “O Conde”, é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial. Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor. Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.

 

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2º lugar — O leitor do trem das 6h27

Jean-Paul Didierlaurent

Editora Intrínseca, 2015, 176 páginas

SINOPSE: Um romance sensível sobre o poder dos livros e da literatura.  Operário discreto de uma usina que destrói encalhe de livros, Guylain Vignolles é um solteiro na casa dos trinta anos que leva uma vida monótona e solitária. Todos os dias, esse amante das palavras salva algumas páginas dos dentes de metal da ameaçadora máquina que opera.
A cada trajeto até o trabalho, ele lê no trem das 6h27 os trechos que escaparam do triturador na véspera. Um dia, Guylain encontra textos de um misterioso desconhecido que vão fazê-lo buscar cores diferentes para seu mundo e escrever uma nova história para sua vida.
Com delicadeza e comicidade, Didierlaurent revela um universo singular, pleno de amor e poesia, em que os personagens mais banais são seres extraordinários e a literatura remedia a monotonia cotidiana.

 

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3º lugar — A terra inteira e o céu infinito

Ruth Ozeki

Editora Casa da Palavra, 2014, 462 páginas

SINOPSE: O que acontece quando um diário perdida encontra o leitor certo? Numa remota ilha do Canadá, a escritora Ruth cata mariscos com o marido na praia quando se depara com um saco plástico coberto de cracas que envolve uma lancheira da Hello Kitty. Dentro, encontra um livro de Marcel Proust, Em Busca do Tempo Perdido, e se surpreende ao descobrir que o miolo, na verdade, é o diário de uma menina japonesa, Nao. A sacola misteriosa, segundo os rumores dos habitantes, é mais um dos destroços do último tsunami que devastou o Japão e foi levado pelas correntezas até a ilha.

Desde então, Ruth é tragada pela história do diário de Nao, uma menina que, para escapar de uma realidade de sofrimento – de bullying dos colegas e de um pai desempregado e suicida –, resolve passar seus últimos dias lendo as cartas do bisavô, um falecido piloto camicase da Segunda Guerra Mundial, e contando sobre a vida da avó, uma monja budista de 104 anos.

O que Ruth não esperava era que o diário iria levá-la a uma viagem onde ela e Nao podem finalmente se encontrar fora do tempo e do espaço.

 

Papalivros

(grupo formado por 22 pessoas, leu 12 livros este ano):

 

1 – Entre cabras e ovelhas, de Joanna Cannon

2 – Amantes modernos, de Emma Straub

3 – Mulheres sem nome, de Martha Hall Kelly

4 – Mona Lisa: a mulher por trás do quadro, Dianne Hales

5 – Um cavalheiro em Moscou, Amor Towles

6 – A casa do califa: um ano em Casablanca, Tahir Shah

7 – O pecado de Porto Negro, Norberto Morais

8 – Pequenos incêndios por toda parte, Celeste Ng

9 – A mulher na janela, A. J. Finn

10 – A menina na montanha, Tara Westover

11 – As filhas do capitão, Maria Dueñas

12 – O leitor do trem das 6h27, Jean-Paul Didierlaurent

 

 

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Melhor livro do ano

 

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1º lugar — Um cavalheiro em Moscou

Amor Towles

Editora Intrínseca, 2018, 464 páginas

SINOPSE: Nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa, Aleksandr Ilitch Rostov, “O Conde”, é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial. Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor. Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.

 

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2º lugar — A casa do califa: um ano em Casablanca  [houve empate nesta colocação]

Tahir Sha

Editora Roça Nova, 2008, 351 páginas

SINOPSE: O livro descreve, com o mais refinado humor, o ano em que a família do autor se dedica a restaurar a Casa do Califa, uma mansão em ruínas em frente ao mar de Casablanca. Mergulham então nos costumes locais, enfrentando todo o tipo de situação.

 

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2º lugar — Pequenos incêndios por toda parte [houve empate nesta colocação]

Celeste Ng

Editora Intrínseca, 2018, 416 páginas

SINOPSE: Um encontro entre duas famílias completamente diferentes vai afetar a vida de todos. Em Shaker Heights tudo é planejado: da localização das escolas à cor usada na pintura das casas. E ninguém se identifica mais com esse espírito organizado do que Elena Richardson.

Mia Warren, uma artista solteira e enigmática, chega nessa bolha idílica com a filha adolescente e aluga uma casa que pertence aos Richardson. Em pouco tempo, as duas se tornam mais do que meras inquilinas: todos os quatro filhos da família Richardson se encantam com as novas moradoras de Shaker. Porém, Mia carrega um passado misterioso e um desprezo pelo status quo que ameaça desestruturar uma comunidade tão cuidadosamente ordenada.

Eleito nos Estados Unidos um dos melhores livros de 2017 por veículos como Entertainment Weekly, The Guardian e The Washington Post, Pequenos Incêndios Por Toda Parte explora o peso dos segredos, a natureza da arte e o perigo de acreditar que simplesmente seguir as regras vai evitar todos os desastres.

 


A coincidência de ambos os grupos nomearem o mesmo livro como melhor do ano, não passou despercebida. É verdade que Um cavalheiro em Moscou é obra fascinante.  Tom, reconstrução histórica sem excessos, alusões literárias pertinentes e um quê de aventura ao final fizeram esta leitura inesquecível para todos os participantes.

 

 





Então, que livro dar para sua mãe?

12 05 2018

 

 

 

Bernard Charoy (França 1931) a leitura, ost, 74 x 61cmA leitura

Bernard Charoy (França, 1931)

óleo sobre tela, 74 x 61cm

 

 

Bem, é sábado à noite.  Amanhã celebramos o Dia das Mães.  Você deixou para última hora aquela lembrancinha para dizer à mulher mais importante da sua vida, que ela merece todo seu carinho?  E ela gosta de ler?  E você não tem a mínima ideia do que dar para ela?  Aqui vão algumas sugestões que ajudarão a pensar o presente certo.  Pelas sinopses você pode identificar qual deles seria de maior interesse dela.  As livrarias estarão abertas amanhã, com certeza, e prontas para empacotar sua escolha num belo papel de presente.

Mona Lisa: a mulher por trás do quadro, Dianne Hales,  Editora José Olympio: 2018: 392 páginas

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A história de vida da Mona Lisa, o rosto mais famoso do mundo das artes Em Mona Lisa: a mulher por trás do quadro, Diane Hales mergulha na sociedade florentina dos séculos XV e XVI em busca de respostas sobre Lisa Gherardini, a mulher retratada na pintura de Leonardo da Vinci e pouco conhecida. E seria impossível contar a história de Lisa sem falar sobre as tramas políticas que moldaram a vida das italianas durante o Renascimento, as famílias proeminentes de Florença e o papel da mulher naquela época. Diane vasculhou arquivos em estado precário, caminhou pelas ruas degradadas e conheceu a vizinhança onde Lisa nasceu, conversou com seus descendentes, e se aventurou pelos mais antigos palácios de Florença.
Com a ajuda de Hales, seguimos os passos dos Gherardini até o nascimento de Lisa, seu casamento com Francesco Del Giocondo, seu encontro com Leonardo, sua vida de esposa e mãe e, por fim, sua morte. Como resultado temos uma biografia recheada de história e memória – um tour por Florença e uma jornada de descoberta que recria o dia a dia de Lisa em uma época que se equilibra entre o medieval e o moderno. Mona Lisa: a mulher por trás do quadro faz um panorama da Florença de Leonardo e Lisa e aproxima o leitor de suas trajetórias.

 

O círculo dos Mahé, Georges Simenon, Cia das Letras: 2017, 120 páginas

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Aos trinta e cinco anos, casado e com dois filhos, o dr. François Mahé ainda mora com a mãe e leva uma típica vida pequeno-burguesa. Certo verão ele decide ir com a família à ilha de Porquerolles, no sul da França. No entanto, um constante mal-estar o impede de desfrutar o paraíso mediterrâneo. Ao ser chamado para examinar uma mulher no leito de morte, o médico se vê entre uma família humilde e fica fascinado pela mais velha dos três filhos, uma jovem muito magra que usava um vestido vermelho. Começa então uma história de obsessão e crise profunda, e somos levados pela jornada sombria da alma do protagonista. A morte da mãe também abalará as estruturas do dr. Mahé e, com o passar do tempo, ele será impelido a retornar à ilha mediterrânea ano após ano, como que hipnotizado pela garota. Com sua prosa enxuta e fluente, Simenon faz um retrato soturno da psique de um homem medíocre que vislumbra uma alternativa à banalidade, mas sofre para conseguir alcançá-la.

 

A mulher na escada, Bernanrd Schilink, Record: 2018, 210 páginas

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Por décadas, o mundo da arte acreditou que um quadro estava perdido. Em um museu na Austrália, um homem se depara com uma tela que retrata a mulher por quem, há muito tempo, arriscou tudo e que, em seguida, desapareceu misteriosamente de sua vida. Quando era um jovem advogado, ele foi atraído para um relacionamento complicado e destrutivo, um triângulo amoroso formado por um pintor, pela mulher cujo retrato ele havia feito e pelo marido dela. Os três o envolveram em uma rede de obsessão, intriga e traição. Agora, ao se ver diante da pintura que desencadeou tudo, o advogado precisa lidar com o passado e com o que sua vida se tornou. E, quando ele consegue localizar a mulher, é forçado a enfrentar o verdadeiro significado do amor que nutria por ela e a influência que esse sentimento teve por toda a sua vida.

“A mulher na escada”, de Bernhard Schlink, autor do best-seller “O leitor” é um romance intrincado, comovente e encantador sobre criatividade e amor, sobre os efeitos da passagem do tempo e, acima de tudo, sobre os arrependimentos que nos acompanham ao longo da vida.

 

A livraria, Penelope Fitzgeral, Bertrand: 2018, 160 páginas

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O livro que deu origem ao filme estrelado por Emily Mortimer, de A ilha do medo, e Patricia Clarkson, de House of Cards Florence Green, uma viúva de meia-idade, decide abrir uma livraria — a única — na pequena Hardborough, uma cidade costeira no interior da Inglaterra. Florence não esperava, contudo, que seu projeto pudesse transformar Hardborough em um campo de batalha: enquanto a influente e ambiciosa Violet Gamart, que tinha outros planos para a centenária casa que ela escolheu como sede, faz de Florence sua inimiga, a empreendedora também conquista um aliado na figura do excêntrico Sr. Brundish. Na história de Florence Green enfrentando a cortês mas implacável oposição local, vê-se a denúncia de uma estrutura de privilégios apoiada em invejas e crueldades, e, no microcosmo de Hardborough, Penelope Fitzgerald monta um cenário repleto de detalhes precisos e personagens atemporais.

 

O projeto Jane Austen, Kathleen Flynn, Única: 2018, 280 páginas

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Metas cada vez mais agressivas, resultados desafiadores e o desejo constante de crescer. Este é o resumo da vida do profissional de vendas, especialmente daquele que almeja o posto e o reconhecimento de liderança.

Inglaterra, 1815.
Rachel e Liam são dois viajantes do futuro que chegam à antiga Londres com a missão mais audaciosa do que qualquer viagem no tempo que já ocorreu: encontrar Jane Austen, ganhar a confiança dela e roubar um manuscrito inacabado.

Ela, uma médica; ele, um ator. Selecionados e treinados cuidadosamente, tudo o que Rachel e Liam têm em comum é a admiração pela autora e a situação extraordinária em que se encontram – e que obriga Rachel a colocar seu jeito independente de lado e deixar Liam assumir a liderança enquanto se infiltram no círculo da família Austen.

Além do desafio de viver uma mentira, Rachel luta para diagnosticar a doença fatal de Jane. À medida que a amizade das duas se fortalece e o seu relacionamento com Liam torna-se complicado, Rachel faz de tudo para reconciliar seu verdadeiro eu com as convicções da sociedade do século XIX.

O tempo está acabando. Rachel e Liam conseguirão deixar o passado intacto?

Depois desse encontro com Jane Austen, a vida que os espera no futuro será o bastante?

 

Um cavalheiro em Moscou, Amor Towles, Intrínseca: 2018, 464 páginas

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Nobre acusado de escrever uma poesia contra os ideais da Revolução Russa, Aleksandr Ilitch Rostov, “O Conde”, é condenado à prisão domiciliar no sótão do hotel Metropol, lugar associado ao luxo e sofisticação da antiga aristocracia de Moscou. Mesmo após as transformações políticas que alteraram para sempre a Rússia no início do século XX, o hotel conseguiu se manter como o destino predileto de estrelas de cinema, aristocratas, militares, diplomatas, bons-vivants e jornalistas, além de ser um importante palco de disputas que marcariam a história mundial. Mudanças, contudo, não paravam de entrar pelo saguão do hotel, criando um desequilíbrio cada vez maior entre os velhos costumes e o mundo exterior. Graças à personalidade cativante e otimista do Conde, aliada à gentileza típica de suas origens, ele soube lidar com a sua nova condição. Diante do risco crescente de se tornar um monumento ao passado até ser definitivamente esquecido, o Conde passa a integrar a equipe do hotel e a aprofundar laços com aqueles que vivem ao seu redor. Com sua perspectiva única de prisioneiro de duas realidades distintas, o Conde apresenta ao leitor sua sabedoria e sensibilidade ao abandonar certos hábitos e se abrir para as incertezas de novos tempos que, mesmo com a capacidade de transformar a vida como a conhecemos, nunca conseguirão acabar com a nobreza de um verdadeiro cavalheiro.

 

Todos estes livros vão com minha recomendação. Boa sorte!





Gates e Zuckerberg sugerem leituras para Davos

20 01 2018

 

 

Pausa na leitura em viagem de aviãoLeitura para viagem

 

 

Esta semana que se inicia traz para o noticiário internacional o encontro anual do Foro Econômico Mundial que se reúne em Davos, na Suíça.  O jornal The Guardian, do Reino Unido, publicou há uns dez dias as sugestões de leitura que tanto Bill Gates quanto Mark Zuckerberg deram para esta ocasião, baseadas no que eles estarão lendo durante o encontro.  Achei interessante saber que o gol de Gates é ler pelo menos um livro por semana e o de Zuckerberg, ler  um a cada duas semanas.  Com tudo que esses empresários fazem, o ritmo de leitura é bastante puxado.  Mas não é de surpreender, afinal, ambos — o segundo e o quarto empresários mais ricos do mundo — acreditam que o fato de lerem muito os levou ao sucesso.

São três sugestões de leitura, todas três já traduzidas para o português.  Que beleza!

 

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Ambos concordam que a leitura de  Better Angels of Our Nature: Why Violence has Declined, do psicólogo Steven Pinker é leitura obrigatória para o mundo de hoje.

Outras sugestões:

The Gene: An Intimate History , do oncologista Siddhartha Mukherjee, também  é sugestão de Bill Gates

Para uma boa distração, Zuckerberg sugere The Three-Body Problem do escritor chinês Liu Cixin, sugestão de Mark Zuckerberg.

 

No Brasil:

Os anjos bons da nossa natureza: por que a violência diminuiu, Steven Pinker, Cia das Letras: 2013, 1087 páginas

O gene: uma história íntima, Siddhartha Mukherjee, Cia das Letras: 2016, 656 páginas

O problema dos três corpos, Liu Cixin, Suma das Letras: 2016, 320 páginas

 

Então vamos aceitar essa lista?  Lanço um desafio: ler pelo menos dois deles, sendo que um deles há de ser Os anjos bons da nossa natureza: por que a violência diminuiu, Steven Pinker.

 

 

 





Peregrina escolhe os melhores livros do ano

17 12 2017

 

 

Bella e livros, por Anni MorrisBella e livros

Anni Morris (GB, contemporânea, residente na Nova Zelândia)

acrílica sobre tela

 

 

Dezembro,  vem a pergunta: qual foi o melhor livro do ano?

Meu gosto não é o de todos.  Mas pode servir de notas auxiliares para futuras leituras. Sem levar em conta o que li profissionalmente em história da arte e história do mundo ocidental, li até agora, segunda semana de dezembro um pouco mais de 41 livros.  Aqui está a lista dos que me lembrei.  Talvez tenha lido um pouquinho mais, mas o ano foi muito conturbado e nem sempre anotei ou escrevi resenha dos livros.  Sei que abandonei alguns.  Estou ciente de que há mais livros para ler do que tempo, mesmo que vivesse o dobro da minha idade.  Assim, não me desespero, abandono aquilo de que não gosto.

 

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Escolhi 8 livros melhores do ano.  8 de 41… nada mal, 20% de boas leituras.  Isso classifica o ano como muito bom.  A lista é eclética e inclui dois autores brasileiros, dois livros do mesmo autor inglês, um japonês, um português, um italiano e uma canadense.  Selecionei também, um fora de série, em separado,  por não ser ficção literária,  mas talvez uma das mais importantes leituras em anos.

 

A terra inteira e o céu infinito, Ruth Ozeki, livro mágico que reúne um tanto da filosofia oriental com a ficção científica.  Um livro cheio de observações relevantes para a vida e o mundo contemporâneo.  Acredito que seu público seja bastante universal. Resenha aqui.

As irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki, clássico da literatura japonesa, tenho certeza de que não é para todos os gostos.  Narrativa lenta como as estações do ano, límpida como a prosa de Eça de Queiroz. Sutil como as artes nipônicas. Não é para todos, mas se você gosta de boa literatura e lê clássicos do século XIX, este é para você. Resenha aqui.

Altos voos e quedas livres, Julian Barnes, uma das mais belas ficções/ensaios sobre o luto.  Traz a marca registrada do autor, que navega dentro e fora do ensaio e da ficção literária com desenvoltura inigualável. Extrema sensibilidade. Resenha aqui.

O pecado de Porto Negro, Norberto Morais a grande descoberta do ano para mim foi este autor português, cuja obra está fortemente influenciada pelos clássicos portugueses e brasileiros.  Uma obra de gosto universal, que à maneira das tragédias gregas, lida com as paixões (boas e más) dos seres humanos. Belas imagens literárias.  Espero ansiosa sua próxima publicação. Resenha aqui.

Deserto, Luís Krausz, com este livro me apaixonei pela literatura deste autor já agraciado com o Prêmio Jabuti. Prosa delicada, memorialista, em pequeno ensaio, de uma passagem da vida de adolescência à adulta, com descrições inimitáveis e delicadas que lembram Proust.  Um joia. Resenha aqui.

Diário da queda, Michel Laub, o impacto emocional deste livro, que é considerado o primeiro de uma trilogia, superou em tudo o que havia lido do autor.  A maneira repetitiva com que narra é muito bem utilizada e na reta final entendemos as razões e o impacto é potente. Muito bom. Resenha aqui.

O papagaio de Flaubert, Julian Barnes, com este livro voltei a me apaixonar por Flaubert e por Julian Barnes. Livro de grande impacto em que perdemos a noção do que é ficção e fato.  Simplesmente maravilhoso. Resenha aqui.

Três cavalos, Erri de Luca, sugerido por uma amiga, este livro surpreendeu pela gentileza com que trata os sentimentos.  Uma pequena obra de grande impacto. Literária. Resenha aqui.

 

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Sapiens: uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

Recomendo Sapiens, leitura que mudará seu conhecimento do mundo.  Não é ficção literária mas tem imenso valor no seu conhecimento daquilo que nos rodeia.

 

Lista dos livros lidos em 2017, mais ou menos na ordem em que foram lidos.

A terra inteira e o céu infinito, Ruth Ozeki

As irmãs Makioka, Junichiro Tanizaki

Eu receberia as piores notícias de seus lindos lábios, Marçal Aquino

Kafka e a boneca viajante, Jordi Sierra i Fabra

A luz entre oceanos, M. L. Steadman

O tribunal da quinta-feira, Michel Laub

O perfume da folha de chá, Dinah Jefferies

NW, Zadie Smith

A livraria mágica de Paris, Nina George

Notícia de um sequestro, Gabriel Garcia Marquez

O colecionador, Nora Roberts

Partir, Tahar Ben Jelloun

O pecado de Porto Negro, Norberto Morais

A estrada verde, Anne Enright

Assando bolos em Kigali, Gaile Parkin

Os transparentes, Ondjaki

Os novos moradores, Francisco Azevedo

O conto da aia, Margaret Atwood

O amante japonês, Isabel Allende

Sapiens: uma breve história da humanidade, Yuval Noah Harari

Hibisco Roxo, Chimamanda Ngozi Adichie

Matéria escura, Blake Crouch

A vida do livreiro A.J. Fikry, Gabrielle Zevin

Um beijo de Colombina, Adriana Lisboa

Altos voos e quedas livres, Julian Barnes

Três cavalos, Erri de Luca

O papagaio de Flaubert, Julian Barnes

Diário da queda, Michel Laub

Meus dias de escritor, Tobias Wolff

Deserto, Luís Krausz

Bazar Paraná, Luís Krausz

A resistência, Julian Fuks

Desvendando Margaux, Jean-Pierre Alaux e Noël Balen

Kitchen, Banana Yoshimoto

Esse cabelo, Djaimilia Pereira de Almeida

Muitas Coisas que Perguntei e Algumas que Disse,  Rosa Montero

Os Criadores de Coincidências, Yoav Blum

O Ano da Lebre, Arto Paasilinna

O Assassinato de Margaret Thatcher, Hilary Mantel

A vida peculiar de um carteiro solitário, Denis Thériault

Três Vezes ao Amanhecer, Alessando Baricco

 





Nove livros recomendados por Mário Vargas Llosa

29 04 2017

 

 

Michael Rohani. Retrato de MushkaRetrato de Mushka

Michael Rohani (GB, contemporâneo)

 

 

No ano passado Mario Vargas Llosa foi indagado sobre os livros favoritos  que  recomendaria para leitura. Aqui está a seleção.

1 — Mrs. Dalloway de Virgínia Woolf

2 –  Lolita de Vladimir Nabokov

3 –  Coração das trevas de Joseph Conrad

4 – Trópico de Cancer de Hanry MillerO palhaço

5 – Auto da fé de Elias Canetti

6 – O grande Gatsby de F. Scott Fitzgerald

7 – Doutor Jivago de Boris Pasternak

8 – O leopardo de Giuseppe Tomasi de Lampedusa

9 —  O palhaço de Heinrich Böll

 

Já leram?  Confesso que não li todos.  Não li o livro de Canetti, de Böll, de Lampedusa e só vi o filme sobre o livro de Pasternak.  E vocês?  O que leram?

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