Metas de leitura para a nova década

6 02 2020

 

 

Livros e Pequeno Pássaro - Kestutis Kasparavicius, Pintor lituano contemporâneo (n.1954)Livros e Pequeno Pássaro

Kestutis Kasparavicius (Lituânia, 1954)

 

 

Então…

Você marcou uma meta de leitura para 2020.  Espero que tenha sido realista.  Se nunca leu um livro por ano, por exemplo, não deve começar com a meta de cinquenta livros.  Seja razoável.  Não se prepare para desapontamento.

Estamos no final de janeiro.  Como você está?  Já desistiu de sua meta?

Espero que não.

O que você precisa fazer…

Reservar um momento para leitura. Tudo tem a ver com separar e proteger aquele momento da leitura.  Vinte minutos por dia. É bom.  É essencial que você reserve esse tempo de leitura. Rigorosamente.  E comece hoje mesmo.  Não deixe para amanhã.

Aos poucos, você sentirá a necessidade dessa leitura.  Você nem vai pensar nos vinte minutos.  Eles já estarão lá, logados na sua agenda.

Para ajudar sugiro que você faça a lista dos livros que quer ler.  Faça-a em letras grandes.  Coloque-a em lugar que você sempre vê.  Por exemplo tire uma foto da lista e coloque-a como screen saver no seu computador.  A cada livro lido, marque nesta lista LIDO…Bem grande.  Sucesso gera sucesso.  Quanto mais livros lidos, mais você se sentirá capaz de terminar com a leitura estipulada na lista. Sua autoestima aumentará.  Anuncia aos amigos.  Anuncie seu sucesso.   Em menos tempo do que imagina, você conseguirá chegar à sua meta.

Mas vinte minutos por dia de manhã e de noite, é  melhor ainda!





Os grupos de leitura selecionam os melhores do ano!

22 12 2019

 

 

 

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Camille Engel (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira

 

 

Dois grupos de leitura votaram nos livros lidos durante o ano.

 

Ao Pé da Letra

(grupo formado por 16 pessoas, leu 12 livros este ano):

 

1 —  Anna Karenina, Leon Tolstoy

2 —  Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, Maya Angelou

3 —  Plataforma, Michel Houellebecq

4 —  Entre cabras e ovelhas, Joanna Cannon

5 —  O coração do tártaro, Rosa Montero

6 —  As fúrias invisíveis do coração, John Boyne

7 —  A senhora das savanas, Hilton Marques

8 —  Minha avó pede desculpas, Fredrik Backman

9 —  Dois irmãos, Milton Hatoum

10 —  Os diários de pedra, Carol Shields

11 — Quarto de despejo: diário de uma favelada, Carolina Maria de Jesus

12 —A uruguaia, Pedro Mairal

 

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Melhor livro do ano

Houve empate no 1º lugar

dois

 

1º lugar — Anna Karenina, Leo Tolstoy, diversas editoras, diversas datas

Leo Tolstoy escreveu Anna Kariênina entre 1873 e 1877, prestes a completar 45 anos. Depois de escrever o romance Guerra e paz , entre 1863 e 1869, dedicara-se aos afazeres agrícolas, além de fundar escolas, elaborar e difundir teorias e técnicas pedagógicas polêmicas e estudar o grego com afinco. Ao mesmo tempo, foi acumulando uma impressionante quantidade de informações sobre o tsar Pedro, o Grande. Seu intuito era escrever um romance sobre a época em que Pedro I foi o imperador da Rússia.

Após tentativas obstinadas, Tolstói desistiu do projeto. Por outro lado, nutria a ideia de fazer um relato sobre uma mulher adúltera, da alta sociedade. Durante um tempo, estes dois temas levaram vidas independentes em seu pensamento. Quando a imaginação os uniu, Anna Kariênina começou a nascer. Em janeiro de 1875, a revista Mensageiro russo publicou os primeiros catorze capítulos de Anna Kariênina.

Tolstói distribuiu ao longo do livro os temas que o inquietavam, discutidos pelos personagens – a guerra da Sérvia, a administração agrícola, o regime da propriedade da terra, a relação com os trabalhadores, a decadência da nobreza, a educação das crianças, o casamento, a religião, o serviço militar compulsório, as teorias de Spencer, Lasalle, Darwin e Schopenhauer. Estruturado em paralelismos, o livro se articula por meio de contrates – a cidade e o campo; as duas capitais da Rússia (Moscou e São Petersburgo); a alta sociedade e a vida dos mujiques; o intelectual e o homem prático, etc.

O tema é descentralizado a cada novo episódio. Os dois principais personagens, Liévin e Anna, só se encontram uma vez, em toda a longa narrativa. Mas nem por isso estão menos ligados, pois a situação de um permanece constantemente referida à situação do outro. Anna viaja a Moscou para tentar salvar o casamento em crise de seu irmão. Consegue ajudá-lo, mas acaba pondo a perder o seu próprio, apaixonando-se por um aristocrático militar por quem larga o marido e o filho pequeno. Liévin, um rico e jovem proprietário de terras rurais, vive às voltas com problemas de conflitos de classe de seus lavradores e questionamentos existenciais profundos.

 

1º lugar — Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, Maya Angelou, São Paulo, Editora Astral Cultural: 2018

RACISMO. ABUSO. LIBERTAÇÃO. A vida de Marguerite Ann Johnson foi marcada por essas três palavras. A garota negra, criada no sul por sua avó paterna, carregou consigo um enorme fardo que foi aliviado apenas pela literatura e por tudo aquilo que ela pôde lhe trazer: conforto através das palavras.

Dessa forma, Maya, como era carinhosamente chamada, escreve para exibir sua voz e libertar-se das grades que foram colocadas em sua vida. As lembranças dolorosas e as descobertas de Angelou estão contidas e eternizadas nas páginas desta obra densa e necessária, dando voz aos jovens que um dia foram, assim como ela, fadados a uma vida dura e cheia de preconceitos. Com uma escrita poética e poderosa, a obra toca, emociona e transforma profundamente o espírito e o pensamento de quem a lê.

 

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2º lugar — Dois irmãos, Milton Hatoum, mais de uma edição

Dois Irmãos é a história de como se constroem as relações de identidade e diferença numa família em crise. É a história de dois irmãos gêmeos – Yaqub e Omar – e suas relações com a mãe, o pai e a irmã. Moram na mesma casa Domingas, empregada da família, e seu filho. Esse menino – o filho da empregada – narra, trinta anos depois, os dramas que testemunhou calado. Buscando a identidade de seu pai entre os homens da casa, ele tenta reconstruir os cacos do passado, ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Do seu canto, ele vê personagens que se entregam ao incesto, à vingança, à paixão desmesurada. O lugar da família se estende ao espaço de Manaus, o porto à margem do rio Negro: a cidade e o rio, metáforas das ruínas e da passagem do tempo, acompanham o andamento do drama familiar. Prêmio Jabuti 2001 de Melhor Romance.

 

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3º lugar — A uruguaia Pedro Mairal, Editora Todavia: 2018, 128 páginas

A uruguaia apresenta o argentino Pedro Mairal, um dos narradores mais destacados da nova literatura latino-americana. Este romance divertido e apaixonante sobre afetos, crise conjugal, autoengano e busca pela felicidade mostra, através das peripécias sentimentais de um escritor recém-chegado aos quarenta anos, como devemos enfrentar as promessas que fazemos e não cumprimos e as diferenças entre aquilo que somos e o que realmente gostaríamos de ser. Narrado com leveza e brilhantismo trata de temas como amor e culpa, responsabilidade e libertação pessoal, estabelece de uma vez por todas o talento de Pedro Mairal como um dos nomes de destaque de um novo “boom” da literatura latino-americana.

 

Papalivros

(grupo formado por 22 pessoas, leu 12 livros este ano):

 

1 – Kafka à beira-mar, Haruki Murakami

2 – Assombrações, Domenico Starnone

3 – A garota italiana, Lucinda Riley

4 – Uma família como a nossa, Chaia Zisman

5 – As fúrias invisíveis do coração, John Boyne

6 – As redes da ilusão, Amy Tan

7 – Limonov, Emmanuel Carrère

8 – Minha avó pede desculpas, Fredrick Backman

9 – Era no tempo do rei,   Ruy Castro

10 – O diário de Nisha, Veera Hiranandani

11 – O construtor de pontes,  Markus Zusak

12 – A uruguaia, Pedro Mairal

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Melhor livro do ano

 

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1º lugar — A garota italiana, Lucinda Riley,  Arqueiro: 2016, 464 páginas

Uma inesquecível história de amor, traição, paixão, obsessão e música.

Aos onze anos de idade, Rosanna Menici conhece o cantor Roberto Rossini, uma estrela em ascensão no mundo da ópera italiana – e o homem que mudaria sua vida para sempre. Incentivada – e apaixonada – por ele, Rosanna passa a se dedicar ao estudo do canto lírico, torna-se cantora profissional, e logo os dois se encontram nas salas de concerto mais famosas do mundo, dividindo não só o palco como também o mesmo destino.

Com seu talento incomum para descrever ambientes e evocar sensações e sentimentos universais, Lucinda Riley nos leva a acompanhar a trajetória de Rosanna, desde os bairros pobres de Nápoles até os teatros mais glamourosos do planeta, trazendo à tona, com sua prosa inconfundível, as alegrias, tristezas, frustrações, decepções e redenções do amor.

 

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2º lugar — Era no tempo do rei, Ruy Castro, Alfaguara: 2007,  248 páginas

O cenário é o Rio de 1810, dois anos depois da chegada da Família Real portuguesa, com as ruas vivendo uma agitação jamais vista em uma cidade das Américas. Os personagens são nobres e plebeus que existiram de verdade e outros saídos da mais delirante imaginação.

Em Era no tempo do rei, nem tudo o que se lê neste livro aconteceu – mas podia ter acontecido. Afinal, o autor é Ruy Castro. Os heróis de Era no tempo do rei são o príncipe D. Pedro e seu amigo Leonardo, um menino de rua, ambos com 12 anos. Os dois garotos endiabrados tomam a cidade de assalto, envolvendo-se nas mais empolgantes cabriolas.

Na pista deles, estão o temível major Vidigal, a prostituta Bárbara dos Prazeres, a vingativa princesa Carlota Joaquina, o pio padre Perereca, o sinistro inglês Jeremy Blood, granadeiros, ciganos e capoeiras. Como pano de fundo, a luta pelo poder no Brasil, em Portugal e nas colônias espanholas no Prata.

Era no tempo do rei é um romance malandro e picaresco, com tudo que isso significa: erotismo, crítica, sátira, humor e muita ação. É também uma festa de cheiros, comidas, roupas, costumes, palavras e expressões da época.
Nunca a História do Brasil foi tão irresistível.

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3º lugar — A uruguaia, Pedro Mairal, Editora Todavia: 2018, 128 páginas

A uruguaia apresenta o argentino Pedro Mairal, um dos narradores mais destacados da nova literatura latino-americana. Este romance divertido e apaixonante sobre afetos, crise conjugal, autoengano e busca pela felicidade mostra, através das peripécias sentimentais de um escritor recém-chegado aos quarenta anos, como devemos enfrentar as promessas que fazemos e não cumprimos e as diferenças entre aquilo que somos e o que realmente gostaríamos de ser. Narrado com leveza e brilhantismo trata de temas como amor e culpa, responsabilidade e libertação pessoal, estabelece de uma vez por todas o talento de Pedro Mairal como um dos nomes de destaque de um novo “boom” da literatura latino-americana.

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A coincidência de ambos os grupos nomearem o mesmo livro como 3ª melhor leitura no ano, não passou despercebida. Realmente, um livro pequenino, cheio de alusões literárias, de um autor argentino, ainda desconhecido no Brasil, que lê como se fosse um filme daquele país.  Muito bom.

 

 





Ler mais? Como? Quando?

24 04 2017

 

mary-jane-ansell-untitledDivisor de águas

Mary Jane Ansell (GB, 1972)

óleo

 

 

Muito se fala em ler mais para envelhecer melhor, manter o cérebro vivo.  Mas muitos parecem não encontrar meios de ler mais, de achar um momento para leitura.  Aqui ficam algumas ideias para consideração.

1 – Leia o que dá prazer.

2 – Deite-se 15 minutos mais cedo e leia um livro na cama.

3 – Tenha sempre o livro que está lendo com você.  Tempo de espera passa mais rápido com um livro na mão. Isso inclui: espera no médico, no dentista, no banco, nos Correios.

4 – Use “post it” notes para marcar passagens que parecem interessantes.

5 – Entre para um grupo de leitores na internet  como SKOOB ou GOODREADS.  Você vai  saber de outros livros que devem ser de interesse.

6 – Marque um objetivo de leitura.  Por exemplo: Um  livro por mês, ou um livro a cada seis semanas.  Isso já é mais do que a maioria das pessoas no Brasil.

7 – Faça uma lista dos livros lidos, dos objetivos alcançados.  Quando terminar, pense por uns cinco minutos nas razões de você ter ou não gostado do que leu. Dê uma nota ao que você leu.

8 – Tenha acesso a mais de um livro ao mesmo tempo: às vezes o seu momento emocional não é o melhor para certo tipo de livro. Se você tiver acesso a mais livros não perderá tempo para achar outra leitura, mais agradável naquele momento.

9 – Foque na leitura.  Não se deixe distrair pelo que ainda falta fazer, por exemplo.  Esse é o seu tempo.

10- Não há lei que obrigue você a ler um livro até o final, se não está gostando.  Seja prático. Passe para outro.  Há mais livros a serem lidos do que anos de vida à sua frente, mesmo que você só lesse na vida e não fizesse mais nada.

11 – Mantenha um caderninho com idéias sobre o que você está lendo, com nomes de autores e títulos que você acha que gostaria de ler.

Salvar

Salvar





Listas, metas e o Ano Novo

5 01 2014

Carrie Graber, Cool Chardonnay on a Sunny Patio by Carrie GraberChardonay refrescado no pátio ensolarado II

Carrie Graber (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 35 x 45cm

www.paragonfineart.com


Sou dada a metas.  Elas delineiam a minha vida, mas não sou escrava delas.  Elas simplesmente me ajudam a fazer muitas coisas diferentes, ao mesmo tempo.  Devo a elas a organização à minha volta. É natural, portanto, que a cada ano eu anote detalhes necessários para que algumas metas sejam alcançadas nos 12 meses seguintes. Faço uma lista longa e variada- a deste ano conta com 83 itens — com muitas coisas fáceis de serem cumpridas para me dar incentivo ao longo do ano, quando risco os itens já preenchidos ou descartados. Um exemplo: trocar a lata de lixo.  Quero uma menor.  A que tenho está em perfeitas condições, mas não preciso de tanto espaço…  Há meses que penso em fazer isso, mas como não é essencial, acaba sendo uma compra postergada. Minha lista inclui desde conserto da porta do armário que está emperrando, até objetivos mais abstratos, como averiguar as melhores datas para uma futura (daqui a mais de um ano) aventura de subir as montanhas Atlas no Marrocos no dorso de um burrico.  Aos poucos, no curso do ano, vou me sentindo bem, porque objetivos que pareciam grandes ou numerosos, subdivididos em pequenas frações encontraram uma solução e tocam a vida para frente.  Sou como uma formiga: todo dia uma pequena decisão é tomada e ao final de certo tempo… Bem, ao final de certo tempo tenho uma montanha de resultados. Alguns positivos, outros nem tanto.  Sou o oposto de meu marido, que prefere atacar muitas coisas de uma só vez, e assim se preocupa menos ao longo do ano, naquele ramerrão enfadonho.  Ele juntaria alguns problemas na cozinha e um dia sairia para resolvê-los todos,de uma vez, quando também compraria a nova lata de lixo. Eu ficaria desnorteada com essa atitude. A ansiedade seria minha companheira noturna e me acordaria às 3 da manhã de qualquer noite, preocupada com os 7 a 15 itens necessários na cozinha e como dar conta deles.  Cada qual com sua maneira.  Talvez aí resida o equilíbrio do casamento, o que me afeta não chega a fazer cosquinhas no meu cara metade…

Lilla Cabot Perry , No estúdio,(EUA, 1848-1933), ost, 65 x 81cmNo estúdio, s/d

Lilla Cabot Perry (EUA, 1848-1933)

óleo sobre tela, 65 x 81cm

Tenho duas agendas. Uma de papel — que é a minha vida. Não posso perdê-la.  Ali marco TUDO. E tenho a agenda eletrônica para uso imediato. Datas que não podem ser esquecidas, por exemplo pagamento de condomínio. Quero todos os apitos a que tenho direito nesses quesitos de lembranças das obrigações… Porque não quero perder massa cinza com essas tarefas repetitivas. É na agenda de papel que a lista, às vezes muito maior em comprimento do que a própria agenda é colada, a essa tripa de papel, dobrada e redobrada junto à capa. Assim não a esqueço e vez por outra sou obrigada a ler o que escrevi próximo à virada do ano. É como me lembro dos meus objetivos gerais.

Minhas listas precisam ser mais detalhadas do que: ler mais; ver meus amigos com mais frequência, fazer exercício… Para mim, fazer uma lista assim é o mesmo que não fazer.  Digamos que eu queira ver meus amigos com mais frequência.  Esse é um tema muito geral, para ser colocado no papel.  Começo pensando nos amigos que gostaria de ver.  Mentalmente abro espaço no meu ano para eles.  Lembro que a Mariazinha dá aulas à noite e só pode se encontrar comigo aos sábados de manhã; que não vejo a Chiquinha faz tempos. E assim por diante. Seleciono algumas. Na lista geral um item será: telefonar para Chiquinha, Mariazinha, Joaninha, Juninha, Norminha e Belita. Eventualmente, acabo telefonando para cada uma e marcando um encontro. Mas não faço isso tudo junto.  Cada vez que leio a minha lista de objetivos sou lembrada das amigas, eventualmente será o momento propício para um telefonema. E, como mágica, no fim do ano, em geral terei feito contato com todas as pessoas da lista.

Quando recentemente falei disso para uma amiga, ela achou estranho, que eu estava “agendando contatos que deveriam ser  mais naturais”. Mas isso não tira a naturalidade do meu relacionamento com os meus amigos.  Tenho um amigo com quem me encontro todas as quintas-feiras. O fato de marcarmos o encontro e já anteciparmos o próximo não retira o prazer de estarmos juntos. Não é nem uma questão de todos sermos atarefados. Assim como meu marido tem outras prioridades, também os meus amigos as têm e é natural que os eventos diários nos levem a “esquecer” de telefonar, de marcar uma data para ver fulano. Não ter sido espontâneo não quer dizer que não vale, que é de uma “frieza de emoções incompatíveis com uma amizade”, como ouvi dessa amiga. São maneiras diferentes de encarar as suas necessidades. Delineando-as, com maior precisão encontro um jeito de honrá-las.  Mas cada qual tem sua maneira de levar a sério suas emoções.

E você?  Você faz listas de Ano Novo?





Uma lista curiosa: livros abandonados em hotéis

5 10 2013

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Ode a uma pilha de livros de arte, 2012

Paul Bloomfield (EUA, contemporâneo)

Óleo sobre tela colada em madeira, 60 x 50 cm

www.paulbloomfield.artspan.com

A cadeia de hoteis inglesa Travelodge recolheu no ano passado 22.648 livros que foram ou esquecidos ou abandonados em suas dependências.  Como acontece todos os anos, a companhia hospedeira conta e faz a lista completa dos livros encontrados.  No ano passado  50 tons de cinza foi o livro mais encontrado pela companhia.  Não é de surpreender já que foi um dos maiores best-sellers de todos os tempos no mundo inteiro.  Este ano, a mesma autora, E. L. James, encabeça a lista com o livro Cinquenta tons de liberdade.

Ver a lista dos mais abandonados, deixados, esquecidos ou lidos e deixados para trás nos quartos de hotel nos dá aquele prazer benigno da bisbilhotice.  Mas não deixa de ser uma curiosa maneira de constatarmos a popularidade de autores e títulos.  Aqui está então a lista do livros mais achados pelo pessoal do hotel.

1. Fifty Shades Freed, E.L. James
2. Bared To You, Sylvia Day
3. The Marriage Bargain, Jennifer Probst
4. Gone Girl, Gillian Flynn
5. The Casual Vacancy, J.K. Rowling
6. Fifty Shades Of Grey, E.L. James
7. Reflected In You, Sylvia Day
8. My Time, Bradley Wiggins
9. Entwined With You, Sylvia Day
10. Fifty Shades Darker, E.L. James
11. My Story, Cheryl Cole
12. The Marriage Trap, Jennifer Probst
13. Camp David, David Walliams
14. Call The Midwife, Jennifer Worth
15. Before I Go To Sleep, S.J. Watson
16. The Marriage Mistake, Jennifer Probst
17. The Racketeer, John Grisham
18. The Carrier, Sophie Hannah
19. Oh Dear Silvia, Dawn French
20. The Great Gatsby , F. Scott Fitzgerald

Fonte: Book Patrol





A lista dos dez melhores livros

24 07 2013

Arie Azene (Israel)Bistrô Café

Arie Azene (Israel, 1934)

Serigrafia, 55 x 90cm

Quem resiste às listas?  Eu não consigo.   No final do mês de janeiro de 2012, a publicação virtual Brain Pickings publicou a lista de livros favoritos de todos os tempos de acordo com 125 escritores que foram entrevistados.  Vale lembrar que esta é uma revista virtual, representativa das culturas anglo-americanas, consequentemente as preferências dos escritores são voltadas aqueles escritores que causam impacto nessas sociedades, que são lidos obrigatoriamente pelos alunos de escola, livros que marcam presença.  A lista se tivesse sido feita na França certamente teria uma relação diferente de livros e autores mais importantes, assim como a nossa lista, cá pelo Brasil,  provavelmente incluiria alguns desses escritores, é óbvio, mas muitos outros de autores brasileiros.

A definição de MELHORES também precisa  ser bem entendida.  Não estamos aqui, falando de livros de importância para o mundo da arte literária, em geral, mas daqueles livros que têm significação importante para o leitor.  Pode até não ser a obra prima de um específico escritor, mas estar listado justamente por ter embalado sonhos, falado à alma, tocado o coração daqueles que se deram ao trabalho de listar seus favoritos.

Não vou repetir a lista dos favoritos dos séculos XIX e do século XX.  Se você está interessado, clique no link acima e veja a lista. Foram considerados  romances, coleções de contos, peças de teatro e poemas. Vou fazer observações sobre duas outras listas, publicadas no mesmo artigo de Maria Popova:

TOP TEN AUTHORS BY NUMBER OF BOOKS SELECTED —

[Os dez autores melhor colocados pelo número de livros selecionados]

  1. William Shakespeare — 11
  2. William Faulkner — 6
  3. Henry James — 6
  4. Jane Austen — 5
  5. Charles Dickens — 5
  6. Fyodor Dostoevsky — 5
  7. Ernest Hemingway — 5
  8. Franz Kafka — 5
  9. (tie) James Joyce, Thomas Mann, Vladimir Nabokov, Mark Twain, Virginia Woolf — 4
TOP TEN AUTHORS BY POINTS EARNED

[Os dez autores melhor colocados pelo número de pontos ganhos]

  1. Leo Tolstoy — 327
  2. William Shakespeare — 293
  3. James Joyce — 194
  4. Vladimir Nabokov — 190
  5. Fyodor Dostoevsky — 177
  6. William Faulkner — 173
  7. Charles Dickens — 168
  8. Anton Chekhov — 165
  9. Gustave Flaubert — 163
  10. Jane Austen — 161

Notem que há duas mulheres listadas com obras mencionadas, mas só Jane Austen, que tem 5 livros mencionados entre os 10 melhores, aparece na lista de pontos e  acaba em 10º lugar.   James Joyce que teve 4 obras  mencionadas, aparece em 3º lugar por pontos.  Pelo visto não vale a pena escrever muitos excelentes livros.  Pode-se escrever poucos, talvez nem tão apreciados por todos e ainda assim ter uma boa posição entre os 10 +.  Henry James, dessas listas, um dos meu favoritos, foi mencionado por 6 de suas obras.  Seis!  e não aparece na listagem de pontos.  Nem Kafka, lembrado por 5 publicações.  Oh, pobre William Shakespeare, com 11 trabalhos mencionados, ficou em 2º lugar pelo número de pontos coletados, perdendo para Tolstoy.  É por isso que essas listas estão sempre sendo feitas e estarão sempre atraindo a atenção de quem gosta de ler e de defender seus autores preferidos.  Elas são completamente subjetivas; elas refletem não só as preferências pessoais como o momento de cada um dos entrevistados.

Se você fizer uma lista dos livros que mais tiveram significado para você quando adolescente e depois outra lista para cada cinco anos após a adolescência, tenho certeza de alguns autores ou livros permanecerão presentes, mas outros estarão sendo adicionados desbancando ícones do passado. Essa é uma das belezas da leitura:  ela pode preencher ou refletir as nossas necessidades emocionais e mudar a medida que mudamos interiormente.





A lista de leitura recomendada para minha mãe

6 05 2013

O charme da juventude, c. 1935. papelão, pastel, 58 x47,  E. BobovnikofF (França, )

O charme da juventude, c. 1935

E. Bobovnikoff (França, 1898-1945)

pastel sobre papelão, 58 x 47 cm

Tive a felicidade de ser neta de um homem de visão, que exigiu que suas três filhas, nascidas no final da segunda década do século XX, fizessem curso superior.  Meu avô, um advogado nascido em Mato Grosso, mas formado no Rio de Janeiro, adotou a posição bastante liberal e visonária na época, não deixando que nenhuma de suas três filhas pensassem em casar antes do curso superior completo.  As meninas que tinham menos de 4 anos de diferença entre si, formaram-se todas em Letras. Duas em Neo-latinas, a outra em Anglo-germânicas, assim eram divididos os estudos em meados do século XX, quando se graduaram.  Formaram-se todas pelo Instituto Lafayette, aqui no Rio de Janeiro.

Esta semana, que não está sendo muito fácil para mim, emocionalmente, tenho passado em revista um saco plástico em que mamãe guardou isso ou aquilo. Papelada sem nenhum valor, exceto para ela: uma poesia de meu avô publicada; um jornalzinho de escola, onde meu pai, aos nove anos, publicou uma redação intitulada A Catástrofe, [ainda escrita com ph  — Catastrophe] quando frequentava o curso primário; três desenhos para tapeçarias que ela havia projetado — queria ter sido uma artista plástica, mas meu avô não recomendou.  Enfim, isso e aquilo, que se não fosse a filha a salvaguardar, já teria ido para o lixo há tempos, decisão que a maioria das famílias brasileiras já teria tomado.  Mas tenho um grande  amor ao papel, e passei em revista páginas e recortes de jornal.  Por mais que estas lembranças sejam boas, trazem sempre uma nostalgia enorme.  E tenho que dar umas pausas.  Minha  mãe morreu há cinco anos e ainda é difícil de vez em quando lidar com certas coisas…  Numa retomada, eis que me deparo com uma página de um caderno de notas de mamãe, com a lista de obras para leitura.  Uma lista de leitura!  Dos tempos de faculdade de mamãe! …  Presente do céu!  Vou deixar aqui seu registro, principalmente porque há uma curiosa nota ao final.  Minha mãe se formou em 1946. A todos que se interessam por história, por historiografia da educação aqui vai:

Lista de leitura, recomendada, pelo professor de literatuura geral e comparada Albert Guérard, da Universidade de Stanford.

Leitura dos livros mais decisivos no mundo.

1. a Bíblia

2. as obras de Rousseau

3. O Capital de Marx, com prefácio de Adam Smith

4. O Príncipe, de Machhiavelli

5. A Origem das Espécies, de Darwin

6. Novum organum, de Bacon

7. A República, e Diálogos, de Platão

8. Utopia, de Thomas More

9. Ensaios de Montaigne

10. Ensaio sobre o entendimento humano, Locke

11. Ideias sobre a História do Mundo de Hender com prefácio de Vico

12. The Principle of Population, Thomas Malthus

13. Lógica, de Hegel

14. Toda obra de Nietzsche

NOTA: Professor Guérard ainda em dúvida quanto a obra de Kant e de Freud.

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Notinha a lápis.  “Papai, nem todas essas obras estão em português.  Mas não faz mal“.

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O quanto minha mãe leu?  Não sei. O Príncipe, certamente. Platão também.  Os ensaios de Montaigne sei que leu, tenho suas notas a respeito.  Leu mais de uma vez. No original. É possível que tenha lido a obra de Rousseau, porque sempre leu muito em francês.  E depois de casar com um cientista, é provável que tenha pelo menos passado os olhos em Darwin e Malthus.  Achei muito interessante a dúvida do Professor de Stanford sobre as obras de Kant e de Freud.  Outros tempos, outras prioridades.





Os dez maiores pensadores do mundo? Você concorda?

26 04 2013

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Jovem sentada ou A reflexão, 1876-77

Pierre-Auguste Renoir (França, 1841-1919)

óleo sobre tela, 66 x 55 cm

Barber Institute of Fine Arts, Birmingham,

Inglaterra

A revista Prospect acabou de contabilizar sua enquete – feita a cada cinco anos – para eleger os maiores pensadores do momento. A lista traz nomeações de todos os caminhos, de diversas partes do mundo. Há um único brasileiro entre os 65 selecionados.  Para minha surpresa, esse foi Roberto Mangabeira Unger, classificado em 40º lugar.

Considerando-se que a maior parte dos leitores da Propect são fluentes em inglês,  usuários assíduos da internet e tem uma educação bem acima da média, acho que a lista é muito mais eclética do que eu teria imaginado se houvesse ponderado a respeito.  Teria  uma enorme predominância de americanos.  E no entanto, apesar de  estarem fortemente presentes – são 22 de 65 – um terço portanto não chegam à maioria e são  seguidos pela Inglaterra, país que aparece com 10 eleitos.

 Foram 10.000 eleitores  de mais de 100 países.  Interessante: em literatura há poucos mencionados, mas a grande potência nesse ramo é a Inglaterra.  Arundhaty Roy dentre os escritores é a melhor colocada, nativa da Índia, ganhou o Booker Prize, com  um dos mais interessantes romances do final do século passado: O Deus das pequenas coisas. Um dos meus favoritos de todos os tempos.  Ela é a primeira mulher a aparecer, colocada em nº 15 na lista.  Mas aparece aqui  por seu trabalho como ativista, já que o romance mencionado acima foi seu primeiro e único romance.   Outros escritores listados são David Grossman – que só conheço por seus trabalhos para adolescentes – lembro-me de ter lido Alguém para correr comigo;  Hilary Mantel, que conheço de seu trabalho anterior a  Wolf Hall sobre a Inglaterra de Thomas Cromwell, aclamado pela excelência em romance histórico e Zadie Smith, também inglesa cujos livros Dentes brancos e Sobre a beleza, foram excepcionalmente marcantes na minha lista de favoritos da década passada.  Não conheço o trabalho de Andrew Solomon.

Será que você conhece algum deles?

1. Richard Dawkins (UK), biólogo

2. Ashraf Ghani (Afeganistão) economista

3. Steven Pinker (Canada)psicólogo e linguista

4. Ali Allawi (Iraque)economista

5. Paul Krugman (EUA)economista e jornalista

6. Slavoj Žižek (Eslovênia) filósofo

7. Amartya Sen (Índia)economista

8. Peter Higgs (UK) físico teórico

9. Mohamed ElBaradei (Egito)diplomata

10.Daniel Kahneman (Israel)teórico da finança comportamental

736px-Almeida_Júnior_-_Moça_com_Livro

Moça com livro, 1879

José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850-1899)

óleo sobre tela

Museu de Arte de São Paulo

11. Steven Weinberg,  (EUA), físico
12. Jared Diamond, (EUA) biólogo,antropólogo
13. Oliver Sacks, (UK) psicólogo
14. Ai Weiwei, (China)  artista plástico
15. Arundhati Roy, (Índia) escritora e ativista
16. Nate Silver, (EUA) estatístico
17. Asgar Farhadi, (Irã) cineasta
18. Ha-Joon Chang,(Coréia)  economista
19. Martha Nussbaum,(EUA), filósofa
20. Elon Musk, (África do Sul) empresário
21. Michael Sandel,(EUA) filósofo
22. Niall Ferguson,(UK) historiador
23. Hans Rosling, (Suécia) médico-estatístico
24. Anne Applebaum,(EUA), jornalista
25. Craig Venter, (EUA) biólogo
26. Shinya Yamanaka, (Japão)médico-biólogo
27. Jonathan Haidt, (EUA) psicólogo
28. George Soros, (EUA) filantropo
29. Francis Fukuyama, (EUA) cientista político
30. James Robinson e Daron Acemoglu, (EUA) cientista político e economista
31. Mario Draghi,(Itália) economista
32. Ramachandra Guha,(Índia) historiador
33. Hilary Mantel, (UK) escritora
34. Sebastian Thrun, (Alemanha) ciências informáticas
35. Zadie Smith, (UK) escritora
36. Hernando de Soto, (Peru) economista
37. Raghuram Rajan, (Índia) economista
38. James Hansen, (EUA) cientista do clima
39. Christine Lagarde,(França) economista
40. Roberto Unger,(Brasil) filósofo-economista
41. Moisés Naím,(Venezuela) cientista político
42. David Grossman, (Israel) escritor
43. Andrew Solomon, (UK) escritor
44. Esther Duflo,(França) economista
45. Eric Schmidt,(EUA)empresário
46. Wang Hui, (China) cientista político
47. Fernando Savater, (Espanha) filósofo
48. Alexei Navalny,(Rússia)advogado e ativista
49. Katherine Boo, (EUA) jornalista
50. Anne-Marie Slaughter (EUA), cientista político
51. Paul Collier,(UK) esconomista

Amberg, Wilhelm (1822-1899)

Jovem ao largo do regato, [Contemplação], antes de 1886

Wilhelm Anberg (Alemanha, 1822-1899)

óleo sobre tela, 82 x 61 cm

Museu de Arte da Filadélfia, EUA

52. Margaret Chan, (China) médica
53. Sheryl Sandberg,(EUA) empresária
54. Chen Guangcheng,(China) ativista
55. Robert Shiller,(EUA) economista
56.  Ivan Krastev,(Bulgária) cientista política
56. Nicholas Stern,(UK) economist
58. Theda Skocpol, (EUA)socióloga
59. Carmen Reinhart,(Cuba) economista
59. Ngozi Okonjo-Iweala,(Nigéria) economista
61. Jeremy Grantham, (UK)estrategista de investimentos
62. Thomas Piketty e Emmanuel Saez, (EUA)economista
63. Jessica Tuchman Mathews, (EUA) cientista política
64. Robert Silvers, (EUA) editor
65. Jean Pisani-Ferry, (França) economista





Os livros que definiram primeira década do século

15 04 2013

Marta Astrain (Espanha, contemp) Marta lendo na camaMarta lendo, 2010

Marta Astrain (Espanha, 1959)

óleo sobre tela, 38 x 46 cm

www.martaastrain.com

The Telegraph of London publicou esta semana uma lista dos cem livros que definiram a primeira década do século XXI.  Gosto de ver essas listas. Todas as listas sempre mostram falhas e são criações da cultura que as criou.  Mas fiquei surpresa ao constatar que concordo com um grande número dos livros citados.  Não vou repetir aqui a lista.  Isso vocês poderão ver consultando o jornal diretamente.  Coloco aqui os livros com que concordo.  Importante lembrar que a lista não pretende listar o que há de melhor na literatura.  Mas os livros que marcaram a década.  Primeiro listo aqueles mencionados pelo jornal, cuja importância é inegável.  São 13 dos 100 que eles listaram.    Depois coloco sete adições à lista, que ficou reduzida a 20 livros.

Selecionei 13 livros de acordo com o THE TELEGRAPH, mas não na ordem do jornal, e adicionei outros 7 que marcaram a minha década:

1 – Harry Potter – a série, de J.K. Rowland. O fenômeno da série de livros Harry Potter foi colocado em primeiríssimo lugar.  Concordo com essa classificação.  Será impossível no futuro desassociar  essas aventuras dos primeiros anos no século XXI.

2 – O código Da Vinci, Dan Brown.  Foi realmente um dos maiores livros virais da década.

3 —  Os detetives selvagens, Roberto Bolaño.

4 —  Deus, um delírio, Richard Dawkins

5 —  Dentes Brancos,  Zadie Smith

6 – Reparação, Ian McEwan

7 – Os homens que não amavam as mulheres,  Stieg Larsson

8 – O ponto da virada, Malcolm Gladwell

9 – O caçador de pipas, Khaled Hosseine

10 – Freakonomics,  Steven Levitt &  Stephen J Dubner

11 — A linha da beleza de Alan Hollinghurst

12 – Não me abandone jamais,  de Kazuo Ishiguro

13 – Agência nº 1 de Detetives – Alexander Mc Call-Smith

Minhas adições:

14 – O universo numa casca de noz, Stephen Hawkins

15 – Seis Graus, Mark Lynas

16 – A louca da casa, Rosa Montero

17 – 1421: o ano em que a China descobriu o mundo, Gavin Menzies

18 – Equador, Miguel Sousa Tavares

19 – Budapeste, Chico Buarque de Holanda

20 – A catedral do mar, Ildefonso Falcones





Quatro novos livros no vestibular da FUVEST e UNICAMP

7 01 2013

lendo 77Ilustração, Maurício de Sousa.

As novidades para o vestibular do final do ano de 2013 são quatro novos livros. Essa lista é das leituras obrigatórias para o vestibular.  Vejamos:

Novo:

Viagens na minha terra, de Almeida Garrett.  Este livro entra no lugar de  Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, que era pedido no ano passado.

Til, de José de Alencar, entra na lista substituindo Iracema do mesmo autor, na lista anterior.

Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis toma o lugar de Dom Casmurro, do mesmo autor, que fazia parte da lista passada.

Sentimento do mundo, de Carlos Drummond de Andrade será agora o livro de poesias.  Anteriormente a leitura requerida era Antologia Poética de Vinicius de Moraes.

Continuam na lista:

Memórias de um sargento de milícias de Manuel Antônio de Almeida

O cortiço de Aluísio Azevedo

A cidade e as serras de Eça de Queirós

Vidas secas de Graciliano Ramos

Capitães de areia de Jorge Amado

Gostei das mudanças. Elas trazem maior textura e as obras escolhidas me parecem ter mais diálogo entre si. Perigando ser criticada, gosto mais de Brás Cubas do que de Dom Casmurro.  É uma questão de gosto pessoal.  Ver José de Alencar além do indianismo também acho muito interessante, porque expande o horizonte desse mestre da literatura brasileira. Frequentemente suas obras regionalistas e urbanas são deixadas de lado, mesmo que produzam retratos importantes da sociedade da época. Drummond é um poeta intelectualmente mais complexo, junto com Bandeira — difícil dizer qual é melhor — um dos grandes expoentes da nossa poesia.  Essa troca enriquece as variáveis nas provas do vestibular.  As mudanças parecem apontar para a leitura em contexto histórico-social. Importante será ver o trabalho de Garrett em relação ao Portugal da época.  Cada vez mais olha-se para a literatura fora do cosmos exclusivamente literário, para dar ênfase ao momento histórico da publicação. Drummond certamente está inserido com o livro de poemas de maior relevância política do poeta.  E também será interessante ver as comparações entre os livros da lista. Sabemos por exemplo que Garrett exerceu influência em Machado.  Será apropriado ao ler esses livros manter em mente uma comparação entre os autores.  É começar a ler agora mesmo!  Não há tempo a perder!  Boa sorte a todos.








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