Sublinhando…

9 09 2021
Ilustração de Jean Emile Laboureur, 1912.

“O mundo, meu caro, é um imenso livro de maravilhas. A parte que o homem já leu chama-se passado; o presente é a página em que está aberto o livro, o futuro são as páginas ainda por cortar.”

Em: O presidente negro, Monteiro Lobato, Capítulo IV. Não posso dar a página, porque li em versão eletrônica. Em domínio público.





Resenha: “Herdando uma biblioteca”, Miguel Sanches Neto

2 01 2021

 

 

 

Não deixo passar um livro sobre livros.  Se chega ao meu radar, leio.  Passei todas as fases de minha vida ligada aos livros e às bibliotecas.  Não sei como Herdando uma biblioteca chegou ao meu conhecimento. Tenho a impressão que foi sugestão de um site de livraria que examina suas compras anteriores, e sugere algo que o sistema de computação recomenda.  Comprei o livro de Miguel Sanches Neto há tempos e um dia, a pilha de livros “para ler este ano” chegou nele.

Este é um volume composto por crônicas, ou pequenos ensaios sobre livros e bibliotecas, todos tratados de maneira pessoal pelo autor, revelando um intelectual de sucesso.  Mas me senti na obrigação de procurar mais informações sobre Miguel Sanches Neto, porque são muitas as crônicas em que os sentimentos do autor sobre sua infância sem livros formam os parâmetros de suas observações.

 

 

 

O paranaense Sanches Neto, que é  escritor, cronista, professor universitário e reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, nasceu no norte do estado em 1965, no município de Bela Vista do Paraíso. Sua família se mudou para Peabiru, município mais a oeste, ambos hoje com um pouco mais de treze mil habitantes, cada.  Municípios pequenos, dependentes da agricultura.  A família era pobre. No dia a dia da sobrevivência não via mérito em livros ou talvez seus membros desconhecessem o valor econômico que o conhecimento adquirido na leitura pudesse trazer. Mesmo assim Sanches Neto superou a falta de livros em sua infância e adolescência, revoltou-se contra as expectativas familiares, e tornou-se um homem de letras, um intelectual.  Isso é coisa de ficção, das mais sedutoras.  

Tudo que Sanches Neto passou é história que muitos cineastas americanos já exploraram e continuarão a explorar: o herói que sai de circunstâncias contrárias ao desenvolvimento de seus sonhos, supera barreiras sociais e econômicas, chegando ao sucesso. Diferente do Brasil, a autossuficiência, o subir na vida, vindo do nada, ou de quase nada é um dos axiomas da cultura americana. Característica que se respeita.  A expressão “Pull yourself up by your bootstraps.” [suspendeu-se pelas próprias tiras das botas]  é corriqueira para distinguir a pessoa que subiu na vida pelo próprio esforço. E com isso, ganha respeito. 

Surpreendi-me, portanto, de ver na prosa do autor, muito ressentimento.  Ressentimento por não ter nascido numa família que apreciasse as letras, mágoa pelo tempo perdido nos bancos da escola agrícola.  Melindre pela origem pobre, sem recursos.

 

Sanches Neto

 

 

“Das muitas orfandades que sofri, uma das mais fortes foi não ter herdado uma biblioteca familiar.”[37]  Seu desgosto faz com que considere uma pena não ter herdado uma biblioteca, mas não se pode herdar aquilo que não existe, aquilo que é impossível de ser repassado.  Mais tarde na página seguinte: “Não venho de uma biblioteca paterna, e sim de sua ausência. Tive que buscar a figura do pai em amigos e autores e fiz das afinidades culturais o caminho para esta família, dispersa no tempo e no espaço, que a literatura me deu.[38]

Infelizmente esse ressentimento coloriu um bom número dos capítulos dessa coletânea.  Sua insistência sobre a ausência de incentivo à leitura na infância e adolescência me mostrou um homem que ainda não conseguiu vir a termos com sua própria história.  Não conheço os detalhes da vida de Sanches Neto, de sua infância.  Mas, hoje, aos cinquenta e cinco anos, me parece que se os livros lhe ensinaram muito, ainda não o levaram a ser grato por ter tido a oportunidade de estudar, mesmo que nem sempre estudasse o que queria; a chance de escolher seu destino; o benefício de ter colhido frutos por seu próprio esforço. Ele é um vencedor.  Um guerreiro.  Sofrer por não ter recebido o que pessoas à sua volta não podiam dar, é pequeno demais para tamanho sucesso. Se seus pais, padrasto, família não puderam lhe incentivar a leitura, porque eles mesmos não viam valor nos livros, não há razão de cultivar ressentimento por aquilo que lhes era ausente. Este passo de aceitação da vida pregressa está ausente da narrativa e a mágoa pelo que não foi, a decepção pelo que não teve, o azedume, coloriram grande parte de Herdando uma biblioteca.  Esse descontentamento nas crônicas, me incomodou.  Perturbou-me a falta de aceitação de seu destino.  Sanches Neto passa a ideia de ser vitimizado por sua infância, pela falta de livros; quando de fato, foi ela mesma que modelou sua perseverança tornando-o no professor universitário de sucesso que é.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Recordações carnavalescas, Marques Rebêlo

15 12 2020

 

 

 

cartaz_NJ_0416Carnaval

Nelson Jungbluth (Brasil, 1921 – 2008)

acrílica sobre tela

 

“1914. A grande ambição carnavalesca era usar lança-perfume. Havia tubos para crianças, finos como dedos. Bisnagava-se até cachorro!

Na terça-feira gorda, o chão da Avenida tinha um palmo de confetes, os préstitos eram o delírio do ouropel — clarins, marchas triunfais, fogos-de-bengala, caracolantes ginetes abrindo os cortejos — gato, baeta, carapicu! — bamboleantes sóis, planetas, constelações, Vulcano, Júpiter, Netuno, mitológicos deuses paralisados em gestos de sarrafo e papelão, giratórias esferas rutilantes que se abriam em gomos para desvendar, por instantes deslumbrados, deidades semi-nuas, atirando beijos, para a multidão comprimida, com a ponta dos dedos inatingíveis.

Saímos de tardinha, providos de farnel — sanduíches, pastéis, coxinhas de galinha  — levávamos horas no bonde se arrastando aos arrancos, íamos postar-nos numa esquina propícia, sobre caixotes, para esperar o desfile de proverbial atraso.

Mas se a chama foliona se extinguia na cidade, entre missas, sinos e beatas, na manhã de quarta-feira, prolongava-se em nossa casa por muitos dias além com restos de serpentinas pendentes dos gradis, saldos de confetes tapizando sala de jantar, trono, capitel, concha ou nenúfar, donde Madalena reclinada, soberana, envolta em rotos filós de antigos cortinados, com as faces tingidas por carmim, os cabelos coroados por um desperdício de fitas, atirava em gestos longos cachoeiras de beijos para uma suposta multitude de súditos e adoradores. E a mim, dormido ou acordado, me perseguia incessante, priapística, a luxuriosa visão daquelas deidades apoteóticas, floração de um horto inacessível, habitantes olímpicas, deusas! deusas! pois como poder entrosá-las na fauna feminil que eu conhecia, mesmo a esterlina mulher de doutor Vítor, que era estrangeira e fumava?”

 

Em: O trapicheiro, Marques Rebelo, 1º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1959, 1ª edição, numerada,  pp. 217-218





A professora de São Cristóvão, texto de Gilberto Amado

23 11 2020

Figura de mulher, 1929

Ismael Nery (Brasil, 1900 -1934)

óleo sobre cartão, 38 x 46 cm

Galeria Almeida e Dale

 

“Maria Cândida, solteira, magra, sempre de enxaqueca com rubores súbitos, vivia a passar a mão sobre a cabeça dolorida. Certos dias colava nas venezianas um papel azul, para coar o sol e criar na sala da escola uma atmosfera opalina. Mas papel azul não podia ser obstáculo a que o sol de Itaporanga ferisse com sua violência a cabeça sensível da solteirona frágil, moça velha de peito murcho nas desesperanças do celibato. Maria Cândida, professora pública não ilustrada como Sá Limpa, professora particular.  Sá Limpa “puxava” pelos meninos. “Mulher não precisa saber”, dizia no tempo a maioria dos pais. Mas o meu, querendo dar a Iaiá instrução melhor, andou procurando professora; veio uma de São Cristóvão, grandalhona, muito recomendada. Abriu aula na Praça do Mercado.  Meninas das melhores famílias deixaram a escola pública para se matricular na dela. Viu-se logo, porém, que a recomendação não tinha fundamento. Num exemplo escandaloso, revelou-se-lhe a impreparação. Ensaiando as meninas para um recital, não se soube por que artes do demônio obrigou a que devia recitar o “Navio Negreiro” a pronunciar “albátros” em vez de albatroz, “albatroz, albatroz, águia do oceano”, dizia o poeta; albátros queria a professora que as meninas dissessem. Passava a esse tempo por Itaporanga Baltazar Góis, literato, professor do Liceu em Aracaju. Hospedado lá em casa, soube do fato. “É maluca… e escangalhou o decassílabo!”  A história propagou-se; a professora encalistrou, raspou-se sem se despedir, deixando os trastes; reintegrou São Cristóvão onde talvez não fizessem questão da pronúncia do nome da ave.”

 

Em: História da minha infância, Gilberto Amado, Rio de Janeiro, José Olympio:1966, 3ª edição, pp. 68-9





Um amor de Carnaval… Maria Helena Cardoso

10 11 2020

 

 

Haydea Santiago,Carnaval na rua das laranjeiras, OST 80 x 64,1938Carnaval na rua das Laranjeiras, 1938

Haydéa Santiago (Brasil, 1896 – 1980)

óleo sobre tela, 80 x 64 cm

 

“A primeira vez que o vi foi numa batalha de confetes. O dia tinha sido chuvoso. De vez em quando uma bátega d’água caía, prenunciando uma tarde com aguaceiro. A todo instante chegava {a janela para olhar o tempo. Logo naquela tarde em que pretendia estrear meu vestido novo, a chuva queria estragar os meus planos.

De cada vez que sondava o céu com os olhos, mamãe, que no meio de seus afazeres me observava, dizia:

— Não adianta olhar para o céu, hoje não tem batalha alguma. À tarde vamos ter temporal.

Nos entreolhávamos, eu e minha prima e respondia, mal-humorada:

— A senhora tá agourando pra gente não brincar. Bem que no seu tempo gostava de aproveitar.

Lá pela tardinha o tempo melhorou, o céu tingiu-se de uns laivos rosa.

“Graças a Deus”, pensei.

Ao escurecer, saímos. Vestia o famoso vestido novo. DE seda bois-de-rose, saia plissada, gola de pelerina, uma gravata de laço, estampada. A praia se achava repleta. Os passeios cheios de gente que ia e vinha, blocos de toda espécie, que passavam cantando, interrompendo o trânsito. Os carros circulavam vagarosamente, conduzindo foliões de outros bairros, famílias, moças e rapazes que lançavam serpentinas e confetes sobre a multidão que estacionava no passeio. Em frente ao posto 4 se achava o palanque para os membros do concurso de samba. Parou um carro e dele desceram os juízes que iriam julgar qual o melhor do carnaval daquele ano. O povo se comprimia mais ainda naquele ponto, paralisando completamente a circulação. Junto a um banco, eu olhava a multidão que se divertia. A orquestra começou a tocar o Olha, escuta meu bem …, que foi acompanhado pelo vozerio da multidão alegre. As luzes se acenderam, o burburinho era cada vez maior. Milhares de rolos de serpentinas coloridas eram atiradas dos carros, entrelaçando-se por sobre os fios, caindo na calçada em blocos ou não, se espalhavam em toda extensão da avenida, alguns cantando ao som de pequenas orquestras populares. Bandos de mulatas fantasiadas, se requebrando, em blocos ou não, se espalhavam em toda extensão da avenida, alguns cantando ao som de pequenas orquestras populares. Um frio nas pernas e, instintivamente, levei a mão às meias. Olhei em torno e não vi ninguém que me pudesse ter atirado lança-perfume. “Provavelmente, algum esguicho extraviado”, pensei, continuando a olhar os carros que passavam. A banda do palanque atacava agora uma marchinha do meu agrado, muito em voga na época.

Foi quando senti de novo o frio nas pernas. Evidentemente, desta vez era comigo. Procurei com os olhos entre a multidão que se encontrava próximo de mim e não vi ninguém conhecido. Um vozerio acompanhado de palmas fez-se ouvir por minutos. Acabava de subir ao palanque, sendo reconhecida pela multidão, que a aplaudia freneticamente, uma conhecida cantora popular. Às palmas e ao vozerio vieram juntar-se as buzinas dos vários carros parados ao longo da praia. Tentava abrir caminho entre o povo, sufocada pelo aperto que se fizera ao redor, quando o mesmo esguicho frio nas pernas me fez lançar um olhar rápido à minha frente: à distância de um metro mais ou menos, o vi pela primeira vez, que sorria para mim. Siegfried ou outro herói de Wagner, pois só podia ser um herói de lenda alemã. Correspondi-lhe ao sorriso e a partir de então começou o tempo do amor, o tempo do sofrimento, o tempo pelo qual esperava, o mais belo momento da minha vida.”

 

Em: Por onde andou meu coração: memórias, Maria Helena Cardoso, Rio de Janeiro, José Olympio: 1968, 2ª edição, Coleção Sagarana, volume 70, pp: 120-1





Casamento de raposa

20 10 2020

Ilustração de Georgia Dunn.

Casamento de raposa

Wilson W. Rodrigues

 

Chuva com sol é tão raro

como pérola de Ormuz;

da chuva pingos tão claros

e do sol pingos de luz.                   

 

 

Chuva com sol é tão doce

que parece a redenção

do bem e do mal reunidos

numa suave canção.

 

 

Chuva com sol nos sugere,

se é que pode sugerir,

olhos tristes a chorar

lábios felizes a rir…

 

 

Em: Beija-flor: poemas, Wilson W. Rodrigues, Rio de Janeiro, 1949, Publicitan Editora: p. 115





Chuva, texto de Gilberto Amado

1 08 2020

 

 

chuva 2Cebolinha em dia de chuva © Maurício de Sousa

 

“…Chuva para menino é festa, é rego barrento cachoeirando à porta de casa, chamando a gente para brincar com a água que passa fazendo cócegas nos pés … É goteira pingando, é de noite música no telhado. Na calçada, reúne-se a meninada, na exuberância, no contentamento de ver a água cair, meninada pançudinha, inchada pelas sezões, de frieira rosada nos pés, de boca sem dentes caídos na muda, de boqueira, meninotas de tranças, ossudinhas, uma de olhos de sapiranga, batendo palmas e se esgoelando:

 

Chove chuva

pra nascê capim

pro boi comê

pra papai matá

pra mamãe comê!”

 

Em: História da minha infância, Gilberto Amado, Rio de Janeiro, José Olympio:1966, 3ª edição, p. 72.





Visitantes da noite, soneto de José Otávio Gomes Venturelli

27 07 2020

 

 

From Unknown, 1940.Unknown Magazine, 1940.

 

Visitantes da noite

 

José Otávio Gomes Venturelli

 

Sonâmbula tristeza me rodeia,

Inebria-me  a prece dos crepúsculos,

Já não mais sinto a força que semeia

A resistência física dos músculos.

 

E o coração, minha esquecida aldeia,

Onde as casas são místicos corpúsculos,

Sente sua alma de saudades cheia,

E de prazeres parcos e minúsculos.

 

Os sonos se aproximam… Vêm vestidos

De horríveis pesadelos que me falam

De insônias infernais aos meus ouvidos.

 

Espíritos do mal, seres medonhos,

Eu não posso dormir se não se calam,

Porque querem roubar também meus sonhos!

 

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Janeiro, Editora Vecchi: 1965, p.397

 





As nuvens e o sol, poesia de Anastácio Luiz de Bonsucesso

6 07 2020

 

 

Chuva arco-íris tondo

 

As nuvens e o sol

Anastácio Luiz de Bonsucesso

Fábula

 

O dia era fulgente, o sol brilhava,

Em vívido esplendor;

De repente mil nuvens se aglomeram,

O sol perde o fulgor.

 

E as nuvens encobrem

Do sol os lindos raios,

As terras se cobrem

De turvos desmaios;

Ninguém se conduz

Nas trevas sem luz.

 

Do sol de seu posto

Tais coisas bem via;

Das nuvens no rosto

Com força batia;

A tanto calor

Desfez-se o vapor.

 

Perdidas nos ares

As nuvens passaram,

Das zonas polares

Que rumo levaram?

Não viram o sol

O novo arrebol.

 

MORALIDADE

 

Luz um talento, os tolos anuviam

Os fogos da razão;

A luta é transitória — os zoilos morrem.

O gênio brilha então.

 

Em: Poetas cariocas em 400 anos, ed. Frederico Trotta, Rio de Jnaeiro, Editora Vecchi: 1965, pp 157-158

 

Anastácio Luiz de Bonsucesso (1833-1899) Poeta carioca, fabulista, médico, jornalista, professor, teatrólogo, membro da Sociedade Propagadora das Belas Artes e da Academia Filosófica.

Obras:

Fábulas, 1854

Maroquinhas do Apito, comédia em versos

Versos de Cisnato Lúzio

Quatro Vultos, 1867,

 

 

 

 

 





Meus dias de menino, Oscar Negrão de Lima

26 05 2020

 

 

cavalgando

 

“Os meus dias de menino eram bem movimentados, não obstante a pacatez da vida do arraial. Trançando da rua para o quintal, em carreirinhas espertas, entrava eu em casa e atravessava a sala de jantar onde furtava biscoito fofo e broa de fubá mimoso, toda vez que roçasse pelo grande armário rústico, encostado à larga parede sem janelas.

Mas, ai de mim! Nem tudo era flores na boa vidinha da roça! O meu cavalo Brinquinho, pequira e pedrês, escorregou certa tarde de chuca, no facão da estrada de carro e pinchou-me no barranco, virando-se de costas. Apertou-me a perna esquerda que não se quebrou por milagre. Uma outra ocasião, um cachorro de boiadeiro, cortando a capoeira, da estrada de carro para o trilho de cavaleiros, surgiu-me pela frente, e o Brinquinho refugou, rodando, imprevisto, nos pés. Largou-me de borco na poeirinha do caminho.”

 

Vocabulário

pequira – raça brasileira de cavalos dóceis,  marchadores e de fácil manejo

borco — voltado para baixo

 

Em: Tamboril, Oscar Negrão de Lima, Rio de Janeiro, editora José Olympio: 1961, p.27-8








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