Escolhas, texto de Marcio Tavares D’Amaral

23 11 2015

 

 

café, uma xícara dePato Donald, vai ao café da cidade, ilustração de Walt Disney.

 

“Não faço questão”

Essa expressão, tão comum, não parece conter toda uma atitude diante do mundo.

“Quer um café?”

“Não faço questão. Como você quiser.”

Ora, não é difícil saber se queremos tomar o café que alguém nos oferece. A incapacidade de decidir sobre coisa tão simples pode indicar algo maior do que uma hesitação. Pode ser indiferença. Anemia afetiva. Medo de se comprometer. Essa bem pode estar sendo nossa atitude, hoje, diante do mundo. Passiva. Que deixa correr. E isso é perigoso. O mundo pede emoção e inteligência. Espera que façamos questão dele. Eis a questão.”

 

Em: “Não faço questão”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 24/10/2015, 2º caderno, página 2.





“Não faço questão”, texto de Márcio Tavares D’Amaral

26 10 2015

 

Edward B. Gordon, Gordon, Edward B (1966-...) 9Homem lendo

Edward B. Gordon (Alemanha, 1966)

óleo sobre madeira

www.gordon.de

 

 

Não faço questão

 

Essa expressão, tão comum, não parece conter toda uma atitude diante do mundo.

“Quer um café?”

“Não faço questão. Como você quiser.”

Ora, não é difícil saber se queremos tomar o café que alguém nos oferece. A incapacidade de decidir sobre coisa tão simples pode indicar algo maior do que uma hesitação. Pode ser indiferença. Anemia afetiva. Medo de se comprometer. Essa bem pode estar sendo nossa atitude, hoje, diante do mundo. Passiva. Que deixa correr. E isso é perigoso. O mundo pede emoção e inteligência. Espera que façamos questão dele. Eis a questão.

 

Em: “Não faço questão”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 24/10/2015, 2º caderno, página 2.

 





A coragem da verdade, texto de Márcio Tavares D’Amaral

17 10 2015

 

 

Gabriele Munter moça sentadaMoça na poltrona, escrevendo

Gabriele Munter (Alemanha, 1877-1962)

 

 

“Digo aos meus alunos que começam uma frase com “eu acho” que refaçam a questão quando puderem dizer “eu penso”. Porque, na filosofia, é da verdade que se trata. Não de opiniões. Opiniões desgarram, ancoram-se nas manias do sujeito. A verdade pede muita amorosidade e muito trabalho. Porque está escondida debaixo de uma montanha de opiniões “achadas”. Fica ali perdida. Até que o trabalho seja feito, com calma, demora e alegria, e ela possa aparecer. Às vezes nem é grande coisa: saber onde está a razão numa briga de vizinhos. Às vezes é uma coisa enorme: o bóson de Higgs, o vírus da AIDS. Não sabemos de antemão. É preciso paciência. Foucault deu ao seu último curso o lindo título de “A coragem da verdade”. Pois é isso mesmo.”

 

Em: “Tenho certeza. Eu acho”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 17/10/2015, 2º caderno, página 2.





Biblioteca de Alexandria, texto de Márcio Tavares D’Amaral

26 09 2015

 

library-at-AlexandraInterior imaginado da Biblioteca de Alexandria, gravura de O.Von Corven.

 

“A biblioteca de Alexandria foi a maior da Antiguidade. Fundada no século III a. C., teve a missão de recolher ao menos um exemplar de todos os livros escritos no mundo. Setecentos mil rolos e papiros foram protegidos pelas suas paredes! Estava aberta a todas as áreas da poderosa inquietação que nos move a ser e saber mais do que temos sabido e sido. Uma fonte, uma torrente, uma gula de inundar desertos. A biblioteca de Alexandria existiu de verdade. E, tendo sido destruída, é também, até hoje, para quem gosta de livros, um mito. A mãe das bibliotecas. A casa dos sábios.”

 

Em: “Bibliotecas”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 05/09/2015, 2º caderno, página 2.








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