As portas, poesia de Marialzira Perestrello

14 11 2016

 

OLYMPUS DIGITAL CAMERAFachada e muro, 1970

José Paulo Moreira da Fonseca (Brasil, 1922- 2004)

óleo sobre placa, 55 x 47 cm

 

 

As portas
(A José Paulo Moreira da Fonseca)

 

As sombras que fazes

nas portas que pintas,

a tábuas azuis

o verdes gradis,

aquele amarelo

— é tudo verdade? —

Será que existem?

 

Quem faz tuas portas,

um sonho esconde.

Que tens atrás delas?

 

Ali estão vivos fantasmas reais?

 

Teresópolis, dezembro 1962

 

 

Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 41

 

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No museu van Gogh, poesia de Marialzira Perestrello

18 04 2016

 

 

unnamedBoulevard de Clichy, 1887

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 46 x 55 cm

Museu van Gogh, Amsterdã

 

 

No museu van Gogh

Marialzira Perestrello

 

 

I

 

Já te conhecia tanto, poeta danado!

Num mundo de demônios

Só Théo era teu anjo.

 

Visitando esses quadros,

caminho em tua vida.

1887, 1888, Boulevard de Clichy,

essa paisagem, esse bosque tranquilo,

essa sombra, essa luz,

tu, impressionista calmo, aceito.

Onde teu mundo caótico?

 

Depois,

árvores ameaçadas,

céus em fogo em Saint Remy-Provence.

Nesse auto-retrato

braço e paleta unidos, fundidos.

Ah! Vincent!

pintavas com tua própria alma.

 

 

Em: Mãos dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 15





Oração, poesia de Marialzira Perestrello

16 02 2016

 

silentprayerOração silenciosa

Anna Razumovskaya (Rússia, contemporânea)

 

 

Oração

 

Marialzira Perestrello

 

 

A poesia é minha oração

meu modo de rezar

meu Magnificat

meu Te Deum

meu De Profundis

meu Requiem

A poesia é minha prece.

 

 

 

Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 26








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