Poema de Mário Quintana

10 07 2017

 

 

autumn-landscape-at-dusk-1885(1).jpg!HalfHDPaisagem de outono ao cair da tarde, 1885

Vincent van Gogh (Holanda, 1853 – 1890)

óleo sobre tela

Centraal Museum, Utrecht, Holanda

 

 

“Esta vida é uma estranha hospedaria,

De onde se parte quase sempre às tontas,

Pois nunca as nossas malas estão prontas,

E a nossa conta nunca está em dia.”

 

Mário Quintana

 

Em: Esconderijos do tempo, Mário Quitana, Porto Alegre, L&PM: 1980.

 





Canção da Primavera, poesia de Mário Quintana

2 10 2016

 

 

primavera-menina-com-boneca-marie-cramerPrimavera, ilustração de Marie Cramer.

 

 

Canção da Primavera

 

Mário Quintana

 

 

Primavera cruza o rio,

Cruza o sonho que tu sonhas.

Na cidade adormecida

Primavera vem chegando.

Catavento enlouqueceu,

Ficou girando, girando,

Em torno do catavento

Dançamos todos em bando.

 

Dancemos todos, dancemos,

Amadas, mortos, Amigos,

Dancemos todos até

Não mais saber o motivo….

Até que as paineiras tenham

Por sobre os muros florido!

 

 

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 121-2.





Sonatina lunar, poema para crianças de Mário Quintana

19 05 2015

 

 

noite, Yan Nascimbene casaNoite, ilustração de Yan Nascimbene.

 

Sonatina lunar

 

Mário Quintana

 

Os padeiros da lua
Derrubam farinha
Na noite retinta.
Quem ganha? É o chão
Que se pinta e repinta
De giz e carvão.
Rendilha de aranha
Na face encantada,
Moedinha de prata
Escondida na mão,
Minh’alma menina
Fugiu para a mata.
Meu coração
bate sozinho
no velho moinho
da solidão.
Até eu me fujo…
Eu sou o corujo,
Olhar enorme
Que nunca dorme.
Nana, nana
Nina, nina,
Alma menina…
E sonha comigo
Como eu era dantes!
Os padeiros da lua
Derrubam farinha…
O chão se repinta
De giz e carvão…
Sonha, Menina,
Na mata assombrada
Enquanto o moinho
Vai rangendo em vão.

 

Em: Apontamentos de história sobrenatural, Mário Quintana, Rio de Janeiro, Objetiva:2012





Canção de junto do berço, poesia de Mário Quintana

11 07 2014

 

 

bebe dormindo, Frances Tipton Hunter (1896 – 1957, American)Bebê dormindo, ilustração Frances Tipton Hunter (EUA, 1896 – 1957)

 

 

 

Canção de junto do berço

Mário Quintana

 

Não te movas, dorme, dorme

O teu soninho tranquilo.

Não te movas (diz-lhe a Noite)

Que inda está cantando um grilo…

 

Abre os teus olhinhos de ouro

(o Dia lhe diz baixinho).

É tempo de levantares

Que já canta um passarinho…

 

Sozinho, que pode um grilo

Quando já tudo é revoada?

E o Dia rouba o menino

No manto da madrugada…

 

 

Em: Poesia fora da estante, Vera Aguiar, Simone Assumpção e  Sissa Jacoby, 13ª edição, Porto Alegre, Projeto: 2007, p.19

 

 





Canção do outono — poesia de Mário Quintana

7 04 2014

outono, Paul Bransom (1885-1979)Outono, ilustração de Paul Bransom (1885-1979).

Canção de Outono

Mário Quintana

O outono toca realejo

No pátio da minha vida.

Velha canção, sempre a mesma,

Sob a vidraça descida…

Tristeza? Encanto? Desejo?

Como é possível sabê-lo?

Um gozo incerto e dorido

De carícia a contrapelo…

Partir, ó alma, que dizes?

Colher as horas, em suma…

Mas os caminhos do Outono

Vão dar em parte nenhuma!

Em: Prosa e Verso, Mário Quintana – série paradidática Globo, Porto Alegre, Edições Globo: 1978, p. 12

 





Primavera, Mário Quintana

7 10 2012

Primavera, Ilustração Marie Cramer.

Canção da Primavera

Mário Quintana

(Para Érico Veríssimo)

 –

Primavera cruza o rio

Cruza o sonho que tu sonhas.

Na cidade adormecida

Primavera vem chegando.

 –

Catavento enloqueceu,

Ficou girando, girando.

Em torno do catavento

Dancemos todos em bando.

 –

Dancemos todos, dancemos,

Amadas, Mortos, Amigos,

Dancemos todos até

Não mais saber-se o motivo…

Até que as paineiras tenham

Por sobre os muros florido!

Em: Canções, de Mario Quintana, Rio de Janeiro, Globo: 1946





Cidadezinha cheia de graça, soneto — de Mário Quintana – uso escolar

29 11 2010

Casario, 1943

Milton da Costa ( Brasil 1915 – 1988)

óleo sobre madeira, 32 x 41 cm

Coleção Particular

Cidadezinha cheia de graça

                                                 Mário Quintana

Cidadezinha cheia de graça…

Tão pequenina que até causa dó!

Com seus burricos a pastar na praça…

Sua igrejinha de uma torre só.

—-

Nuvens que venham, nuvens e asas,

Não param nunca, nem um segundo…

E fica a torre sobre as velhas casas,

Fica cismando como é vasto o mundo!…

—-

Eu que de longe venho perdido,

Sem pouso fixo ( que triste sina!)

Ah, quem me dera ter lá nascido!

Lá toda a vida poder morar!

Cidadezinha… Tão pequenina

Que toda cabe num só olhar…

Em: Mário Quintana, Prosa e verso – série paradidática — Porto Alegre, Editora Globo: 1978

—-

Mário de Miranda Quintana – (RS 1906 – RS 1994) poeta, tradutor e jornalista.

Obras:

– A Rua dos Cata-ventos (1940)

– Canções (1946)

– Sapato Florido (1948)

– O Batalhão de Letras (1948)

– O Aprendiz de Feiticeiro (1950)

– Espelho Mágico (1951)

– Inéditos e Esparsos (1953)

– Poesias (1962)

– Antologia Poética (1966)

– Pé de Pilão (1968) – literatura infanto-juvenil

– Caderno H (1973)

– Apontamentos de História Sobrenatural (1976)

– Quintanares (1976) – edição especial para a MPM Propaganda.

– A Vaca e o Hipogrifo (1977)

– Prosa e Verso (1978)

– Na Volta da Esquina (1979)

– Esconderijos do Tempo (1980)

– Nova Antologia Poética (1981)

– Mario Quintana (1982)

– Lili Inventa o Mundo (1983)

– Os melhores poemas de Mario Quintana (1983)

– Nariz de Vidro (1984)

– O Sapato Amarelo (1984) – literatura infanto-juvenil

– Primavera cruza o rio (1985)

– Oitenta anos de poesia (1986)

– Baú de espantos ((1986)

– Da Preguiça como Método de Trabalho (1987)

– Preparativos de Viagem (1987)

– Porta Giratória (1988)

– A Cor do Invisível (1989)

– Antologia poética de Mario Quintana (1989)

– Velório sem Defunto (1990)

– A Rua dos Cata-ventos (1992) – reedição para os 50 anos da 1a. publicação.

– Sapato Furado (1994)

– Mario Quintana – Poesia completa (2005)








%d blogueiros gostam disto: