Tânger, a cidade vista por Tahar Ben Jelloun

7 05 2016

 

 

Henri_Matisse,_1911-12,_La_Fenêtre_à_Tanger_(Paysage_vu_d'une_fenêtre_Landscape_viewed_from_a_window,_Tangiers),_oil_on_canvas,_115_x_80_cm,_Pushkin_MuseumVista de Tânger pela janela, 1912

Henri Matisse (França, 1869-1954)

óleo sobre tela, 115 x 80 cm

Museu Pushkin, Moscou

 

 

“Cidade enfeitiçadora, ela amarra qualquer um contra um eucalipto com velhas cordas que marinheiros distraídos esqueceram no cais do porto; ela segue como uma perseguição; fica-se obcecado por ela como em uma paixão para sempre inacabada; fala-se dela; acredita-se que sem ela toda vida é enfadonha; tem-se necessidade de se saber o que está acontecendo, persuadido de que nada de essencial acontece.

Tânger é como um encontro ambíguo, inquieto, clandestino, uma história que esconde outras histórias, uma revelação que não diz toda verdade, um ar de família que envenena a sua existência desde que você se afasta; e você sente, então, que tem necessidade dela sem jamais conseguir saber por quê.”

 

 

Em:O último amigo, Tahar Ben Jelloun, Rio de Janeiro, Bertrand:2006, p.43

 





Resenha: “O último amigo” de Tahar Ben Jelloun

5 05 2016

 

 

CPH60817Dois amigos, com texto de Cícero sobre amizade, c. 1522

Jacopo Pontormo (Itália, 1494-1557)

óleo sobre madeira, 88 x 68 cm

Fondazione Giorgio Cini, Veneza, Itália

 

 

Aviso aos leitores: nem sempre o tema de um livro é aquele abertamente citado pelo autor ou sugerido pelo título. O último amigo é uma joia, uma obra prima, de narrativa em espiral, um quase ensaio sobre a ilusão, sobre a autoilusão, sobre amizade, traição, ciúme e inveja. É um livro muito mais complexo do que suas poucas 120 páginas poderiam sugerir.

Trata-se do retrato de uma dessas amizades que nasce nos anos de escola, que se desenvolve através da juventude, que assim como seus componentes ela também amadurece, sobrevive a percalços, casamentos, exílio, e nos re-encontros através do anos parece se fortalecer, se solidificar. Sua base está na franqueza, na compreensão do outro, no conhecimento do passado em comum, no desejo generoso de que o outro seja bem sucedido, que desfrute do melhor.

 

 

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Tahar Ben Jelloun divide sua obra em três partes. Começa com uma longa e detalhada descrição de Ali, que na primeira pessoa relata o caminho percorrido pela amizade dele por Mamed. Nossa identificação com o narrador é imediata.  Sentimos que o conhecemos e por isso mesmo nos chocamos tanto quanto ele, quando seu amigo de infância o surpreende com um corte irremediável na amizade de vida inteira. Na segunda parte, temos a versão de Mamed sobre essa mesma amizade.  Também descrita na primeira pessoa e curiosamente mostrando outros fatos outro enfoque nos eventos que marcaram o relacionamento desses dois amigos. É aí que sabemos de sua decisão de cortar os vínculos fraternais entre ele e Ali. Na terceira parte temos o testemunho de Ramon, uma amigo dos dois protagonistas, mas não tão chegado a eles.

A amizade é o tema. Tanto Ali quanto Mamed professam profundos sentimentos um pelo outro.  Nas narrativas de ambos sabemos dos gestos magnânimos e sacrifícios que cada um fez em nome dessa amizade. Mas no tecido do texto, no forro desse longo relacionamento encontra-se outro sentimento: a inveja.  Inveja que Mamed chama ciúmes. E é ela que acaba por corroer o laço entre eles. Mamed não esconde esses sentimentos rasteiros em seu depoimento: “Acontecia de eu ficar com ciúmes de Ali também, porque ele era mais culto do que eu, porque vinha de uma família quase aristocrática, porque era mais bonito e que, graças a seu casamento, tinha ficado rico.” [96-7]. E mesmo que ao cortar os laços de amizade que tem com Ali imagine, ou diga tratar-se de generosidade, essa ação não esconde a fraude de seus próprios sentimentos.  Pois só a ilusão de uma boa ação poderia justificar para si mesmo a traição que comete, interferindo na amizade de longa data. A desculpa é fraca.

 

Tahar Ben JellounTahar Ben Jelloun

 

Jean Cocteau é conhecido por ter dito que “A felicidade de um amigo deleita-nos. Enriquece-nos. Não nos tira nada. Caso a amizade sofra com isso, é porque não existe.”  Acredito que este seja o retrato do que se passa aqui. Mamed tinha emocionalmente uma estatura pequena e não conseguiu honrar os sentimentos de seu único e exclusivo amigo.

Este é um grande livro numa pequena aparência.  Tornou-se um de meus favoritos, e por isso recomendo a todos que gostam de pensar um pouco, de explorar a natureza humana, de se envolver num debate interno e julgar se o ato de Mamed é um gesto de amizade ou de traição.  Aqui esta a minha opinião.  Talvez você tenha uma opinião diversa.  Leia-o.





Imagem de leitura — Cláudio Bravo

25 04 2011

Sem título

Cláudio Bravo (Chile, 1936)

Óleo sobre tela

Cláudio Bravo nasceu em Valparaiso, Chile em 1936. Estudou no colégio Santo Inácio em Santiago.  Estudou arte sob a direção de Miguel Venegas Cifuentes e fez sua primeira exposição individual quando tinha 17 anos.  Emigrou primeiro para a Espanha, onde ganhou fama com retratista.  Mais tarde mudou-se para Tangier, no Marrocos, onde mora até hoje.   É um pintor realista, hiper-realista como se autodenomina, cujas naturezas mortas com freqüência são confundidas com fotografias de tão perfeitas suas pinceladas e seu conhecimento da luz.  É também um retratista extraordinário.  Talvez um dos pintores chilenos melhor conhecidos no exterior.





Os melhores filmes para mulheres de Oprah

24 11 2008

 

Walt Disney

Ilustração: Walt Disney

 

A revista Oprah selecionou o que acredita serem os melhores 20 filmes para mulheres.  Aqui está a lista dos 10 primeiros filmes.  Diga-me se você concorda

 

 

1 – Marocco (1930)  No Brasil: Marrocos

 

Amy Jolly (Marlene Dietrich) é uma cantora de boate que ruma de navio para o Marrocos. Durante a viagem ela conhece o rico e sofisticado Monsieur La Bessiere (Adolphe Menjou), que lhe oferece “ajuda” neste país estranho. Logo que chegam ao Marrocos Amy arruma trabalho como cantora em um café, onde se mistura à elite com oficiais e soldados da Legião Estrangeira da França. Marlene Dietrich seduz homens e mulheres com sua apresentação na boate Mogador.  E também quando se deixa levar pela paixão pelo legionário estrangeiro representado por Gary Cooper.  Direção:  Josef von Sternberg, com Gary Cooper, Marlene Dietrich, Adolphe Menjou

 

 

2 —  Camille (1936)  No Brasil: A dama das camélias

 

Inspirado em história de Alexandre Dumas Filho  foi sucesso numa adaptação teatral. Greta Garbo é a escolha ideal para a cortesã mais famosa do mundo, uma mulher arrebatadora, que sacrifica tudo por amor.  Este filme deu à Greta Garbo indicação ao Oscar de Atriz e prêmio de Melhor Atriz pelos Críticos de Nova York. Direção: George Cukor, com Greta Garbo, Robert Taylor, Lionel Barrymore, Elizabeth Allan.

 

 

3 – Notorious (1946) No Brasil: Interlúdio

 

Alfred Hitchcock dirige Ingrid Bergman nesta história passada no Rio de Janeiro:  Ingrid Bergman e Cary Grant,  representam o casal impossibilitado de se apaixonar.  Ela é filha de um espião alemão preso pelo governo dos EUA e, para evitar a morte do pai, é obrigada a ajudar o governo americano a prender inimigos mais importantes. Ele é um agente do governo que vai comandar a operação, monitorando para que tudo saia nos mais perfeitos moldes planejados.  Direção: Alfred Hitchcock, com Cary Grant,  Ingrid Bergman, Alicia Huberman, Claude Rains.

 

 

4 – The French Lieutenant’s Woman (1981)  No Brasil:  A mulher do tenente francês

 

Baseado no romance de John Fowles, com roteiro de Harold Pinter (indicado para o Oscar por este trabalho).  Retrata a história passada na Inglaterra vitoriana, quando um aristocrata decide deixar a noiva de família nobre  para ficar com uma jovem discriminada pela sociedade. No presente, a mesma história é interpretada no cinema por dois atores que vivem um romance proibido fora das telas. Indicado para seis categorias do Oscar, incluindo melhor filme e atriz (a terceira indicação de Meryl Streep).  Direção: Karel Reisz, com Meryl Streep, Jeremy Irons, Hilton McRae, Emily Morgan.

 

 

5 – The English Patient (1996)  No Brasil:  O Paciente inglês

 

Baseado no romance de Michael Ondaatje com o mesmo título.  Durante a Segunda Guerra Mundial, uma enfermeira cuida de um homem vitimado por terríveis queimaduras. Em seu leito de morte, ele relembra seu passado e um tórrido romance que teve com uma mulher casada. Direção de Anthony Minghella, com Ralph Fiennes, Kristin Scott Thomas, Juliette Binoche e Willem Dafoe.  Vencedor de 9 Oscars.

 

 

6 – The Women (1939)  No Brasil:  As mulheres

 

Comédia de costumes escrita por Clare Boothe Luce.  A ação se passa nos glamorosos apartamentos da alta sociedade de Manhattan.  O filme mostra um enfoque ácido das vidas de esposas ricas e poderosas.  Durante todo o filme não aparece um único homem, embora sejam muitos citados, e o tema central seja os relacionamentos das mulheres com eles. Este detalhe foi de tamanha importância, que mesmo nos quadros dos cenários ou nos porta-retratos somente figuras femininas estão representadas – até mesmo os diversos animais de estimação que apareceram eram fêmeas. A única exceção é um pôster de um touro. Filmado em preto e branco, na abertura apresenta um desfile de modas filmado em technicolor.  Direção de George Cuckor, com Norma Shearer, Joan Crawford, Rosalind Russell, Mary Boland, Paulette Goddard.

 

 

7 – Julia (1977)  No Brasil: Júlia

 

Baseado nas memórias da escritora Lillian Hellman.  Duas amigas de infância têm seus destinos completamente mudados com a vinda da Segunda Guerra Mundial e com a ascensão do nazismo. Julia, que vive na Europa, pede para sua amiga Lillian, que se tornara uma escritora famosa, que contrabandeie dinheiro para as vítimas do nazismo.  Direção de Fred Zinnemann, com Jane Fonda e Vanessa Redgrave, Jason Robards, Maximillian Schell.  Vanessa Redgrave e Jason Robards ganharam, cada qual, o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

 

 

8 – Desperate Seeking Susan (1985) No Brasil: Procura-se Susan desesperadamente

 

Roberta uma dona de casa entediada de Nova Jersey, ocupa seus dias lendo os classificados pessoais e acompanhando pelo jornal um romance entre “Jim” e “Susan”, uma misteriosa personagem que parece levar o tipo de vida liberada com a qual Roberta só pode sonhar. Até que um dia, ela aparece em um encontro do casal na cidade de Nova Iorque… E após uma pancada na cabeça, um ataque de amnésia transforma Roberta em Susan, e conduz a loucos caminhos de intriga, risos e romance.  Direção de Susan Seidelman, com Mark Blum, Rosanna Arquette, Aidan Quinn, Madonna.

 

 

 

9 – The thruth about cats and dogs (1996) No Brasil:  Feito cães e gatos

 

Uma veterinária trabalha como apresentadora em um programa de perguntas no rádio, onde fala sobre os cuidados que se deve ter com os animais de estimação e também responde dúvidas dos ouvintes. Bem-sucedida profissionalmente mas frustrada quanto à sua vida amorosa, é surpreendida quando um agradecido ouvinte  deseja retribuir pessoalmente os conselhos ditos de uma forma fina e bem-humorada.  Quando ele pergunta como ela é, com medo de ser rejeitada, ela descreve sua vizinha, uma desajeitada modelo,  mas alta, loura e vistosa. Sem intenção de aparecer neste encontro, acaba entrando em ação quando a situação foge de controle e se complica, tanto para ela como para sua amiga.  Direção de Michael Lehmann, com Jeneane Garofalo, Ben Chaplin, Uma Thurman, Jamie Foxx.

 

 

10 – Romy and Michelle’s high school reunion (1997) No Brasil: Romy e Michelle

 

Romy e Michele sofreram um bocado na escola nas mãos do coleguinhas. Uma década depois de se formarem, as amigas resolvem ir à festa de 10 anos aparentando ser aquilo que não são para não passarem maus bocados de novo. Direção de David Mirkin, com Mira Sorvino, Lisa Kudrow, Janeane Garofalo, Alan Cumming.

 

 

Hoje o blog Batata Transgênica traz também a lista dos melhores filmes de mulherzinha.  Dê uma checada lá. 








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