Tomie Ohtake, (1913-2015) nossa grande dama!

12 02 2015

 

metro_TOP.jpgPainel “Quatro Estações”, de Tomie Otake, na estação Consolação.OUTONO, painel da série QUATRO ESTAÇÕES, 1990-1992

Tomie Ohtake (Japão/Brasil, 1913-2015)

Mosaicos, téssaras de vidro, 4 painéis de 2 x 15,4 m

Estação do Metrô da Consolação

Acervo da Cia do Metropolitano de São Paulo

 

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As cores introduzidas por Tomie Ohtake  representam:

Verde, primavera; amarelo, o sol do verão; azul, o outono e vermelho, o inverno.

 

Tomie Othake

 

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Palavras para lembrar — Victor Hugo

22 08 2014

 

 

edwardb_gordon2Sem título, 2010

Edward B. Gordon ( Alemanha, 1966)

Óleo sobre madeira, 15 x 15 cm

www.gordon.de

 

 

“Ler é beber e comer. O espírito que não lê emagrece, como o corpo que não come.”

 

Victor Hugo





Biblioteca no metrô, um programa de sucesso

27 05 2011

Compatimento C, trem 293, 1938

Edward Hopper ( EUA,1882-1967)

óleo sobre tela,  50 x 45

IBM Corporation, Armonk, Nova York

Ler em público, no metrô, na sala de espera, na fila do banco ainda é um comportamento mais raro no Rio de Janeiro do que na maioria das cidades americanas, inglesas e de muitos países da Europa continental. É interessante notar, no entanto, que cada vez mais vemos pessoas lendo em lugares públicos, bem mais do que se via algum tempo atrás quando comecei uma brincadeira de fotografar pessoas lendo em público.  Quem está familiarizado com este blog sabe que no seu primeiro ano de existência – 2008 – ainda postei muitas fotos que eu mesma tirei de pessoas lendo em lugares públicos.  Acho que uma alavanca para essa leitura em lugar público deva-se em parte ao sucesso dos projetos de bibliotecas públicas localizadas nos metrôs das grandes cidades brasileiras.

No metrô do Rio de Janeiro a Biblioteca Livros & Trilhos já funciona há mais de 4 anos, e está localizada na estação do metrô da Central.  O projeto é fruto de uma parceria de três elementosMetrô Rio, Instituto Brasil Leitor e da iniciativa privada.  No final de 2010 esta biblioteca contava com 8.000 sócios e próximo de 80.000 empréstimos.

Aconchego, 1976

Beryl Cook ( Inglaterra, 1926 – 2008)

Óleo sobre madeira e colagem de jornal

www.berylcook.org

A Biblioteca Livros e Trilhos foi inspirada pelas Bibliotecas Embarque na Leitura do metrô paulista, que hoje conta com 5 bibliotecas nas estações Santa Cecília, Luz, Tatuapé, Paraíso e Brás (CPTM) que também são fruto do Instituto Brasil Leitor.

O sucesso dessas bibliotecas é muito claro quando se contabiliza o número de sócios e  o número de empréstimos, mas o exemplo mais concreto desse sucesso pode ser visto no menino Lucas Reis de Lima Silva, 9 anos, morador de Osasco, região metropolitana de São Paulo.   Esse menino, que adora nadar e fazer educação física durante as tardes, depois da escola, ganhou no mês passado, o título de campeão das Bibliotecas Embarque na Leitura, de São Paulo.  Entre o público de sua faixa etária, Lucas foi o que mais tomou livros emprestados: 190 livros em 2 anos.

Lucas pega livros emprestado na biblioteca do Metrô instalada na Estação Santa Cecília, Foto: Tiago Queiroz/AE

Lucas, que passa pela estação Santa Cecília todos os dias com a mãe, foi quem pediu  para que ambos se tornassem sócios da biblioteca.   D. Valéria, sua mãe, é uma grande incentivadora da leitura. Ambos logo se acostumaram a retirar livros na estação, mas quando se trata de volume de leitura, Lucas passa sua mãe, que em média tira 2 livros por mês para ler.  Ele mesmo admite que a leitura tem o ajudado bastante na escola.  “Quando tem ditado na escola, aparecem palavras que já li nos livros e acerto tudo.”

É maravilhoso ver que um jornal do porte do O Estado de São Paulo tenha dedicado seu espaço para a divulgação de tão boas novas, no mês passado.  Depois algumas semanas conturbadas com notícias sobre cartilhas escolares distribuídas pelo governo repletas de erros gramaticais; depois das reportagens na televisão sobre a precariedade de grande parte das escolas brasileiras, é bom voltarmos atrás só uns poucos dias, para nos lembrarmos que ainda há esperança…  de que ainda há crianças que lêem e pais que se preocupam com a educação de seus filhos… que nem tudo parece estar à beira do abismo.

FONTE; Estadão On Line





Imagem de leitura — Lily Furedi

13 03 2011

Metrô, 1934

Lily Furedi (Hungria, 1896-1969)

óleo sobre tela, 99 x 123 cm

American Art Museum, Smithsonian Institution

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Lily Furedi nasceu em Budapeste em 1896.  Morreu em Nova York em 1969.  Muito pouco é sabido a respeito da pintora dessa maravilhosa tela.  Não há concordância nem mesmo sobre a data de nascença.  Alguns dão 1901, enquanto outros dão 1896.  Mantenho aqui as informações do museu da  Smithsonian Institution, onde este quadro se encontra.  Como Lily Furedi emigrou para os Estados Unidos é possível que tenha havido troca de datas.  É possível também que tenha emigrado durante a 1ª Guerra Mundial, já que este quadro de 1934, retrata o metrô de Nova York.  Quem souber de mais dados sobre a pintora, por favor contatar-me.





Genea brasilis e o metrô do Rio de Janeiro

1 07 2010

 

Árvore de Jessé, século XII, anterior a 1195

Abadessa Herrade de Hohenburg (Alsácia,  c. 1130- 1195)

Hortus Deliciarum [Jardim das delícias], começado em  1163

Esboço colorido.

A  leitura do mês de junho para o grupo Papa-livros foi a fantástica ficção histórica de Noah Gordon, O Físico.  Eu já o havia lido em inglês há muitos anos, mas reli o romance na versão brasileira com tanto gosto como se o estivesse lendo pela primeira vez.  Não vou fazer uma resenha desta saga medieval, riquíssima em detalhes e aventuras, que fazem as quase 600 páginas do livro passarem rapidamente, mesmo para os leitores mais exigentes.  Simplesmente direi que é um livro para se ler e reler.  Vai recomendadíssimo.

Mas há um ponto que volta a me fascinar depois da leitura de O Físico, e que aparece com frequência quando me encontro com algumas ficções históricas: o quase milagre de estarmos aqui, neste momento, vivos.  Um mero passeio, mesmo que em ficção, à Europa do século XI, como fiz na leitura desse romance,  traz à baila os incríveis percalços encontrados por nossos antepassados  (qualquer que seja a nossa origem), para que um dia, um de nós, estivesse aqui, vivo neste momento.   A cadeia de dificuldades pela mera sobrevivência em séculos passados (morte ao nascimento, de peste, de fome, de apendicite, de frio) faz de nossos antepassados os grandes heróis de nossas vidas.   Todos nós, não importa quem sejamos, tivemos antepassados que sobreviveram tempo suficiente para chegarem à idade de se reproduzirem.  Este fato, simplesmente, a passagem de bons genes, a sorte, tudo contribui para que eles já sejam pequenos heróis.   Não digo que somos todos descendentes de um Napoleão, Átila, Hercules ou Alexandre, mas de pessoas que mesmo que tenham morrido ainda muito jovens, chegaram a ter filhos e a deixar seus descendentes em condições de saúde, família ou financeira com suficiente lastro para que estes, por sua vez, crescessem e se reproduzissem com sucesso.  Não é pouco.  Ainda que lutadores cotidianos anônimos, estes antepassados merecem o nosso respeito e agradecimento, mesmo que não consigamos saber quem eram, como se chamavam ou o que faziam.

Do século XI, por exemplo, período representado no romance O Físico, até hoje, poderíamos dizer que foram aproximadamente  40 gerações, se calcularmos uma geração a cada 25 anos.   Os estudos mais recentes de antropologia consideram que esta idade estaria mais próxima da realidade, do que o tradicional período de 20 anos, assumido no passado.  E 40 gerações até o século XI já é de espantar, imagine-se então que de uma maneira ou de outra estes nossos antepassados vieram, eles mesmos de outras 40 gerações ( para chegarmos ao ano 1 de nossa era) e de mais outras e outras tantas gerações 40 gerações para podermos cobrir o caminho em reverso da nossa existência.

Peregrino Medieval

Isso me leva a uma dos meus pequenos passatempos, que é o da genealogia.  Muita gente pensa que a genealogia só é de interesse para aqueles que tenham tido algum sangue azul; que é um passatempo para quem quer provar uma origem de importância.   O que acontece é que é mais fácil conseguir informação sobre antepassados nobres, ou donos de terras, porque foi por aí que os primeiros documentos citando nomes de pessoas e de seus descendentes, mesmo dos que eram analfabetos, vieram a ser registrados e preservados.

Mas a graça para mim, que até hoje não descobri nenhum sangue nobre na família, não está nisso.  Está sim, na tentativa de entender por que peripécias meus antepassados passaram,  o que fizeram e como chegaram aqui, em mim, em meus irmãos, vindos de tantos outros cantos do mundo.  Isso porque, conhecendo bem a história, sabemos que se paramos por aqui, no Brasil, somos descendentes de sobreviventes espertos, fortes e acima de tudo com grande garra.

Pense bem.  A não ser que a sua família tenha chegado ao Brasil com os navios da corte portuguesa em 1808, sua família pode ser considerada uma família de heróis, com pouca chance de sangue azul.  Vamos dar uma espiadinha:

 

Mayuta, o Pajé, 2002

Elon Brasil ( Brasil, 1957)

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Indios nativos do Brasil:  somos descendentes daqueles que sobreviveram, quer por fugirem dos invasores, quer por se adaptarem a eles.  De qualquer maneira, pensaram que  só sobreviveriam se fossem fortes de corpo e alma.   No ano passado, por comemoração da passagem do Dia do Índio, publiquei aqui neste blog uma história de livro escolar sobre Araribóia, o fundador da cidade de Niterói.   Um dos comentários que recebi me dizia que eu estava dando cobertura a um traidor das nações indígenas, afinal Araribóia havia se aliado aos portugueses contra a invasão francesa.  Infelizmente o autor desse comentário o fez de maneira tão rude, repleta de palavras de baixo calão, que não publiquei o comentário nem pude rebatê-lo, para mostrar que se pensarmos bem,  Araribóia  foi um chefe de tribo que pensou na sua sobrevivência e na de sua tribo.

Retrato de mulher, s/d

Benedito José Tobias ( Brasil, 1894-1963)

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Negros que chegaram escravos: a seleção já começava nos navios negreiros.  A mortalidade nessas naus entre os escravos era imensa.  Só chegavam aqui os fortes.  E precisavam ser fortes de alma, também para agüentarem os maltratos a que foram, na maioria dos casos, submetidos.

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Portugueses:  quer tenham vindo no período colonial ou mais tarde como imigrantes els caem em duas alternativas — 1) se eram de famílias importantes, não eram herdeiros.  Eram sim segundos, terceiros, quartos filhos de nobreza ou donos de terra.  Sem herança.   Ou eram judeus, novos cristãos, degredados, criminosos políticos ou religiosos.  De qualquer maneira, vieram para sobreviver aqui, fazer a fortuna desejada, porque na terra natal isso não era possível.  2) ou eram habitantes de aldeias pobres, que decidiram emigrar porque não havia possibilidadesde crescimento em seus rincões e  não queriam passar fome onde não tinham como se empregar.  A fome ou o perigo da fome sempre rondou os pobres na Europa.

Beduíno, s/d

Bertha Worms (Brasil, 1868-1939)

Pinacoteca do Estado de São Paulo

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Outros europeus, asiáticos e imigrantes do oriente médio:  assim como os portugueses, seus antepassados não tinham perspectivas de sobrevivência onde nasceram.  Aldeia, vilarejos dedicados a monocultura, eram lugares de equilíbrio econômico frágil.  Esses emigrantes, por mais rudes que fossem na educação formal, mostraram-se corajosos, espertos, lutadores que bravamente procuraram oportunidades onde pudessem ter mais chances.  Destemidos,  gente brava, pronta  para enfrentar os perigos de uma viagem longa e insalubre de navio, para aprender uma  língua desconhecida e difícil e para se adaptar na medida do possível a uma cultura radicalmente diferente.

Por mais que se doure a pílula, temos todos pés de barro.  Por mais que queiramos dizer que nossos antepassados eram nobres, a verdade é que se paramos neste lado do Atlântico, é porque em algum lugar, anteriormente, a vida era muito, muito difícil e uma mudança brusca se fez  necessária para a mera sobrevivência.  Mesmo aqueles de nobreza brasileira, não eram nada mais do que os mesmos europeus sem direitos à herança ou à riqueza.  Pobres coitados que vieram para cá à procura de sucesso financeiro ou amoroso: enfrentando doenças tropicais e  clima inóspito.  Todos eram nada além de sobreviventes de condições muito adversas.

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Imigrantes, 1910

Antônio Rocco ( Itália, 1880 – Brasil,1944)

Pinacoteca do Estado de São Paulo

Com essa perspectiva dois pensamentos me vêm:

1)      Profunda gratidão aos meus imigrantes que fizeram parte de meu passado

2)      Profunda compaixão pelos elitistas: não têm a menor noção de suas histórias e muito menos respeito pelo valoroso esforço de seus antepassados.

 

E hoje, abro o jornal para encontrar um artigo de duas páginas, em que moradores dos bairros ricos e com grande concentração de intelectuais,  os “burgos” de Ipanema, Leblon e Gávea, no Rio de Janeiro, se organizam para tentar  proibir a chegada do Metrô a esses locais.

Ostensivamente a desculpa é que esses bairros não comportariam muito mais pessoas indo e vindo.  Pessoas que já vêm e vão diariamente pois trabalham nesses locais como balconistas, garçons, borracheiros, entregadores, bombeiros, pintores de parede, mecânicos; que  trabalham nos edifícios residenciais como porteiros, seguranças, empregados domésticos.  Mas sob os panos, debaixo da mesa, sabemos muito bem, que os moradores dessas áreas do Rio de Janeiro querem se esquivar de um encontro com um maior número de pessoas das classes mais pobres, com os outros batalhadores que a exemplo dos antepassados de todos, ainda brigam por sua sobrevivência.  Francamente,   uma atitude incompatível com as lições que trazemos do passado.








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