Rio de Janeiro, cidade olímpica!

14 10 2016

 

 

virgilio-dias-largo-santa-ritaLargo de Santa Rita

Virgílio Dias (Brasil, 1956)

óleo sobre tela, 70 x 100 cm

www.virgiliodias.com.br

 





Os hábitos de antigamente

29 10 2013

F1.medium

Menino com ganso, século II da EC [Era Comum]

Mármore, cópia romana de bronze grego do sec III AEC.

Turquia

Há poucos dias postei uma poesia da Baronesa de Mamanguape, senhora conhecida pelos saraus de música e poesia no Rio de Janeiro do final do século XIX.  Aproveitei para divulgar  sua biografia numa pequeníssima nota vinda do Dicionário crítico de escritoras brasileiras 1711-2001.  [Nelly Novaes Coelho, São Paulo, Editora Escrituras: 2002.]  Mas me surpreendi ao ver que a Sra. Baronesa havia se casado aos 13 anos.  Hoje consideramos 13 anos uma idade de formação e não olhamos com bons olhos a família que permite o casamento de uma criança…  Só porque o hábito de casar a jovem menina na época de sua maturidade física é antigo, não quer dizer que está certo. É para isso que evoluímos e que descobrimos o melhor momento, tanto físico quanto emocional, para um casamento. E vemos como quase barbárie culturas que,  ainda hoje,  permitem e aprovam esse comportamento, justificado para que o marido tenha certeza da inexperiência sexual da menina em questão.

Como um dos meus passatempos é ler sobre a civilização romana, lembrei-me que na Roma antiga também se casava meninas aos 13 ou 14 anos, quando nem bem tinham deixado os brinquedos de lado. Sim, as crianças romanas, como as de hoje, brincavam bastante.  As meninas tinham bonecas, muitas delas até com membros articulados. Apesar de Roma ter sido uma grande civilização da qual herdamos muitos dos nossos valores, das nossas casas, dos nossos hábitos de higiene, das nossas cidades, não gostaríamos, tenho certeza, de repetir as experiências de uma jovem romana, digamos do século I da Era Comum. Era uma vida muito difícil.  A mulher, e consequentemente a mãe, era menos importante que o pai. Este por sua vez tinha o poder de vida ou morte sobre qualquer membro da família. Quando um bebê nascia era colocado aos pés do pai.  Se este pegasse o bebê no colo, o bebê tinha a permissão implícita de viver. Mas se fosse ignorado pelo pai, não teria a sorte de continuar vivendo.

Às mulheres cabia a organização do lar, as refeições eram feitas por elas ou a seu encargo se a família tivesse meios financeiros de manter um escravo. Elas também eram responsáveis pela educação das crianças.  Muitos casamentos aconteciam quando as meninas faziam 14 anos e eram arranjados pela família de acordo com o melhor  ajuste financeiro ou político para os pais. O amar, o gostar, a escolha da jovem, nada disso era levado em consideração.  E ainda,  os homens podiam se divorciar de uma mulher se esta não lhes desse pelo menos um filho homem. Muitas mulheres morriam jovens também (às vezes antes dos 30 anos) muitas vezes porque dar a luz a um bebê poderia ser uma atividade perigosa, nem sempre havia meios de se assistir a um parto com complicações e morriam mãe e bebê.  Doenças também eram mais comuns do que hoje. 

Não acho que não trocaríamos a vida de hoje pela de ontem.  Ainda bem que aprendemos com as lições do passado.  Essa é uma boa razão para estudarmos a história.





Meu foco nas eleições presidenciais: a educação

14 10 2010

Luminosidade de por do sol, Espanha

Albert Moulton Foweraker(Inglaterra, 1873-1942)

Aquarela

Foi na década de 80, a primeira vez que estive na Espanha.  Passei oito maravilhosos dias em Madri, onde todas as manhãs visitava o Museu do Prado.   As tardes eram passadas fazendo as mais diversas visitas turísticas  e compras para minha futura casa.  Estávamos a caminho da Argélia, onde meu marido iria ensinar na Universidade de Oran e haviam nos aconselhado a comprar alguns aparelhos eletro-domésticos na Espanha, porque a voltagem era a mesma.  É claro que não nos limitamos aos aparelhos elétricos porque havia muita coisas maravilhosa sendo oferecida  nas grandes lojas de departamentos, entre elas El Corte Ingles.   Foi uma semana mágica, que marcou a passagem para uma nova vida, um marco.  Foi um período de suspensão entre a vida que havíamos levado até então e a que nos esperava num país totalmente desconhecido, num outro continente, com outra religião.  A Espanha nos fascinou e foi para ela que voltamos sempre, inúmeras vezes, não só no período em que moramos na Argélia, como quando pudemos, até hoje acabamos achando uma brecha em qualquer roteiro para lá voltarmos.  A Espanha é um país para o qual vou com alegria e excitação.  Já pedi para passar lá e consegui, dois aniversários, um em Salamanca e outro em San Tiago de Compostela.

Na época da nossa primeira visita,  a Espanha ainda não fazia parte da Comunidade Européia.  Ao longo desses quase 30 anos, vimos, através das nossas visitas, uma grande diferença econômica e social impulsionando o país.   Seu povo é um dos mais apaixonados e apaixonantes do mundo.  Tem uma energia e um orgulho intoxicantes.  Os espanhóis têm uma história riquíssima e muitos dos mais belos recantos turísticos do mundo.  Nas nossas últimas viagens testemunhamos, com prazer, o desenvolvimento econômico e social do país evidente em todo canto, nas ruas, nas firmas, no governo.  Era assim, até recentemente.  Ainda não estive lá depois da crise mundial, mas até então a Espanha crescia a olhos vistos.

Portanto, foi com excitação que me envolvi com a leitura nesse fim de semana de um relato de viagem de Penelope Chetwode, em Two Middle-aged Ladies in Andalusia [John Murray Travel Classics: 2002] — Duas senhoras de meia-idade na Andalusia —  uma nova edição do livro publicado em 1961, em que a autora [ uma das senhoras de meia-idade mencionadas no título, uma inglesa de 51 anos – faz turismo pelos povoados do interior da Andaluzia,  montada na égua  de 12 anos de idade [a outra senhora de maia-idade],  Marquesa.  Gosto imensamente de relatos de viagem, uma área da literatura raramente encontrada no Brasil.  E gosto muito mais ainda desses relatos quando feitos por autores ingleses que, a meu ver, estão entre os mais bem humorados, irônicos e aventureiros que conheço.   Além do mais, a minha expectativa em ler esse livro foi ainda maior por ele se passar na região da Andaluzia, que com a Galícia, fazem parte dos meus locais favoritos no mundo, locais para onde sempre retornarei com prazer e alegria.

O livro de Penelope Chetwode não me desapontou.  É irônico, cheio de aventuras, e pinta uma Espanha desconhecida para mim. Em outubro/novembro de 1961 – período de viagem da autora — o mundo era muito diferente.  Estávamos, emocionalmente e economicamente, fechando a década de 50.  Aqui no Brasil, a nossa capital já era Brasília e o Rio de Janeiro virara Estado da Guanabara.   Jânio Quadros havia renunciado em agosto daquele ano.  Os Beatles não haviam tomado o mundo com suas músicas.  O homem ainda não desembarcara na Lua.  Não havia radinho de pilha.  John F. Kennedy não havia sido eleito.   Ah, sim, e o ditador Francisco Franco ainda estava no poder na Espanha.    Vinte e poucos anos depois quando visitei Madri pela primeira vez, a realidade era bem diversa daquela descrita no livro de Penelope Chetwode.  Tudo mudou, rapidamente.

Numa das passagens da viagem de Penelope Chetwode dá para perceber o quanto a Espanha se modificou nesses últimos 50 anos.  Os que lêem o meu blogue sabem da minha preocupação com a educação, sobretudo a educação de mulheres.  Para mim, qualquer referência ao analfabetismo é sempre doloroso.  Assim, é natural que a passagem que cito abaixo tenha sido uma que me tocou de maneira profunda, a tradução do texto é minha.

[“In this village I at last discovered the Mass mystery in Spain: the church bell is rung three times.  First of all about three quarters of an hour before the Holy Sacrifice is due to start, then a second time about 20 minutes later, then the third and final time when the priest goes into the sacristy to vest.  If he has overslept, nobody minds because they go by the bells, but it is very easy to lose count and often people say to you,  “was that the second bell or the third?”  I went along to church at 9 a.m. and Mass started at 9:15, just after the third bell.  Half a dozen girls, aged about 12 or 13, sat in the front pew and one of them handed out dialogue Mass cards, called in Spanish Misa Participada.  The phonetic spelling, to try to get the people to pronounce the Latin correctly, was most extraordinary.  In addition to the girls, five or six women were present.  Only the girls and I, and the little boy serving the Mass, did the responses.  Obviously, the older women could not read.”]

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Nesse vilarejo finalmente descobri o mistério da Missa na Espanha: o sino da igreja toca três vezes.  Primeiro por volta de quinze minutos antes de o Serviço Sacro começar, depois uma segunda vez mais ou menos 20 minutos mais tarde, e pela terceira e última vez quando o padre vai para a sacristia colocar a veste.  Se ele dormir demais,ninguém se preocupa porque eles se atêm aos sinos, mas é muito fácil perder a conta e frequentemente as pessoas se perguntam, “esse foi o segundo ou o terceiro toque?”  Fui à igreja as nove da manhã e a Missa começou às nove e quinze, logo depois do terceiro toque.  Meia dúzia de meninas, de 12 ou 13 anos, sentava no primeiro banco e uma delas me passou o cartão com o diálogo da Missa, chamado em espanhol de “Missa Participada”.  A versão fonética, para fazer as pessoas pronunciarem o Latim corretamente, foi muito especial.  Além das meninas, cinco ou seis mulheres estavam presentes.  Só as meninas e eu, e o menino sacristão, respondemos.  Obviamente as mulheres mais velhas eram analfabetas.

Foi um momento em que parei para agradecer o desenvolvimento dos últimos cinqüenta anos na Espanha, porque hoje o analfabetismo por lá deve estar em declínio.  Sei que este é um retrato que não casa com a Espanha atual. Mas aquela realidade ainda parece muito próxima de nós – cinqüenta anos só – para que nos sintamos imunes ao que ela retrata.  Graças a Deus as coisas parecem ter mudado.

Por cá, no Brasil, as coisas também mudaram.  A mulher hoje tem um papel mais ativo na economia e supera os homens na escolaridade.  Mas, mesmo assim, os dois bilhões de reais usados pelo atual governo para combater o analfabetismo no país, não chegaram a reduzir nem em um por cento o número de pessoas incapazes de ler – e isso não conta aqueles que são funcionalmente analfabetos.  Apesar disso, temos que celebrar os avanços que fizemos.  Mas precisamos ficar de olho.  A alfabetização, por si só, não é, nem será suficiente, para proteger as gerações futuras.  E esta semana mesmo tivemos um alerta, que deve nos ajudar a ficar em estado de prontidão, pois o noticiário – no meu caso li no Estadão – mostra que mesmo no Brasil de hoje onde as mulheres têm um melhor índice de alfabetização do que os homens, seus salários, para o mesmo trabalho feito por eles é 27,7% menor. Como a  maioria dos lares brasileiros, hoje, é encabeçada por uma mulher, mesmo que ela seja alfabetizada e preparada, escolarizada as chances de seus filhos venham a ser bem sucedidos parecem periclitantes.  Precisamos sem dúvida pensar além da mera aprendizagem de nível básico ou médio.  Precisamos pensar além da bolsa isso ou da bolsa aquilo, nessas eleições.  O que importa é: qual é o melhor programa proposto para a educação?  Não adianta prometer ” o pulo que qualidade que eu darei no futuro…”   Essas promessas já ouvimos uma, duas, dezenas de vezes.  Quem está propondo algo viável?  Continuar o que tivemos pelos últimos oito anos e que não parece estar surtindo efeito, pode ser um erro do qual poderemos nos arrepender e muito.





Imagem de leitura: Helen Poniatowski

8 01 2010

Domingo de Manhã, s.d.

Helen Poniatowski (EUA, contemporânea)

Óleo sobre tela

Sem informações bigráficas.  www.debloisgallery.com





Imagem de leitura: Eliseu Visconti

8 05 2009

ELISEU VISCONTI, mATERNIDADE OST,  60 X 81COL PART


Maternidade
, s/d

Eliseu Visconti (1866 – 1944)

Óleo sobre tela,  60 x 81 cm

Coleção Particular 

 

 

Eliseu D’Angelo Visconti (Salerno, Itália 1866 – Rio de Janeiro RJ 1944). Pintor, desenhista, professor. Vem com a família para o Rio de Janeiro, entre 1873 e 1875, e, em 1883, passa a estudar no Liceu de Artes e Ofícios, com Victor Meirelles (1832 – 1903) e Estêvão Silva (ca.1844 – 1891). No ano seguinte, sem deixar o Liceu, ingressa na Academia Imperial de Belas Artes – Aiba, tendo como professores Zeferino da Costa (1840 – 1915), Rodolfo Amoedo (1857 – 1941), Henrique Bernardelli (1858 – 1936), Victor Meirelles e José Maria de Medeiros (1849 – 1925). Em 1888, abandona a Aiba para integrar o Ateliê Livre, que tem por objetivo atualizar o ensino tradicional. Com as mudanças ocorridas com a Proclamação da República, a Aiba transforma-se na Escola Nacional de Belas Artes – Enba. Visconti volta a freqüentá-la e recebe, em 1892, o prêmio de viagem ao exterior. Vai à Paris e ingressa na [i]École Nationale et Spéciale[/i] des Beaux-Arts [Escola Nacional e Especial de Belas Artes]; cursa arte decorativa na [i]École Guérin[/i], com Eugène Samuel Grasset (ca.1841 – 1917), um dos introdutores do Art Nouveau na França. Viaja à Madri, onde realiza cópias de Diego Velázquez (1599 – 1660), no Museo del Prado [Museu do Prado], e à Itália, onde estuda a pintura florentina. Em 1900, regressa ao Brasil e, no ano seguinte, expõe pela primeira vez na Enba. Executa o ex-libris para a Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, e vence o concurso para selos postais e cartas-bilhetes, em 1904. Em 1905 é convidado pelo prefeito da cidade, engenheiro Pereira Passos, para realizar painéis para a decoração do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Entre 1908 e 1913, é professor de pintura na Enba, cargo a que renuncia por descontentamento com as normas do ensino. Retorna à Europa para realizar também, entre 1913 e 1916, a decoração do foyer do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e só se fixa definitivamente no Brasil em 1920. Segundo alguns estudiosos, é considerado um praticante do Art Nouveau e do desenho industrial e gráfico no Brasil, com obras em cerâmica, tecidos e luminárias.

 Itaú Cultural





Imagem de leitura: Henry Lamb

30 04 2009

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Retrato da esposa do artista, 1933

[A escritora Lady Pansy Pakenham]

Henry Lamb ( Inglaterra, 1880-1963)

Óleo sobre tela, 635 x 762 mm

Tate Gallery, Londres, Grã Bretanha

 

 

 

 

Henry Lamb, foi um pintor muito bem sucedido, nascido na Austrália, mas residente na Inglaterra.  Em 1911, fundou com outros artistas o Grupo Camden Town, — um grupo de pintores pós-impressionistas, que se encontrava na residência do pintor inglês Walter Sickert em Camden, na cidade de Londres.  O grupo nos molder dos grupos artísticos franceses, admirava e considerava importantes os trabalhos dos pintores Van Gogh e Paul Gauguin.  O grupo se distinguiu principalmente por suas obras retratando a Primeira Guerra Mundial em 1914, não só pelo valor histórico mas também pelas aberturas artísticas no trabalho de seus membros nesta época.  O grupo também organizou a exposição de pintura Cubista e Pós Impressionista em Londres.  





Imagem de leitura: Joan Llimona i Bruguera

24 04 2009

joan-llimona-i-brugera-espanha-1860-1926-el-terraz-ost-1893

O terraço, 1893

Joan Llimona i Bruguera,

(Espanha, 1860-1926)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

 

 

 

 

Joan Llimona i  Bruguera, (Espanha, 1860-1926) Nasceu em Barcelona numa família de artistas.  Seu irmão Josep foi um famoso escultor modernista.  Abandonou os estudos formais para arquitetura e engenharia e acompanhou seu irmão que havia ganhado uma bolsa de estudos para trabalhar em Roma.    Desde 1882 participa de algumas exposições coletivas em Barcelona.   Profundamente influenciado por seu catolicismo militante pintou numerosas obras de conteúdo religioso – “Cristo Vence” é seu trabalho mais famoso.   A partir de 1905 sua pintura é nfluenciada pela escola simbolista, mas sempre com raízes religiosas.  Moreu em 1926 em Barcelona.

 

 

 

 








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