Recordações carnavalescas, Marques Rebêlo

15 12 2020

 

 

 

cartaz_NJ_0416Carnaval

Nelson Jungbluth (Brasil, 1921 – 2008)

acrílica sobre tela

 

“1914. A grande ambição carnavalesca era usar lança-perfume. Havia tubos para crianças, finos como dedos. Bisnagava-se até cachorro!

Na terça-feira gorda, o chão da Avenida tinha um palmo de confetes, os préstitos eram o delírio do ouropel — clarins, marchas triunfais, fogos-de-bengala, caracolantes ginetes abrindo os cortejos — gato, baeta, carapicu! — bamboleantes sóis, planetas, constelações, Vulcano, Júpiter, Netuno, mitológicos deuses paralisados em gestos de sarrafo e papelão, giratórias esferas rutilantes que se abriam em gomos para desvendar, por instantes deslumbrados, deidades semi-nuas, atirando beijos, para a multidão comprimida, com a ponta dos dedos inatingíveis.

Saímos de tardinha, providos de farnel — sanduíches, pastéis, coxinhas de galinha  — levávamos horas no bonde se arrastando aos arrancos, íamos postar-nos numa esquina propícia, sobre caixotes, para esperar o desfile de proverbial atraso.

Mas se a chama foliona se extinguia na cidade, entre missas, sinos e beatas, na manhã de quarta-feira, prolongava-se em nossa casa por muitos dias além com restos de serpentinas pendentes dos gradis, saldos de confetes tapizando sala de jantar, trono, capitel, concha ou nenúfar, donde Madalena reclinada, soberana, envolta em rotos filós de antigos cortinados, com as faces tingidas por carmim, os cabelos coroados por um desperdício de fitas, atirava em gestos longos cachoeiras de beijos para uma suposta multitude de súditos e adoradores. E a mim, dormido ou acordado, me perseguia incessante, priapística, a luxuriosa visão daquelas deidades apoteóticas, floração de um horto inacessível, habitantes olímpicas, deusas! deusas! pois como poder entrosá-las na fauna feminil que eu conhecia, mesmo a esterlina mulher de doutor Vítor, que era estrangeira e fumava?”

 

Em: O trapicheiro, Marques Rebelo, 1º volume de O Espelho Partido, São Paulo, Martins: 1959, 1ª edição, numerada,  pp. 217-218





O cavalo na arte brasileira

8 04 2019

 

 

 

 

Cândido Portinari, Cabeça de Cavalo, lápis de cera, sd, 10x8,5Cabeça de cavalo

Cândido Portinari (Brasil, 1903 – 1962)

lápis de cera, 10 x 8 cm

 

 

Plinio Afonso Frantz, Disparada,2009,ast, 80 x 70Disparada, 2009

Plinio Afonso Frantz (Brasil, 1943)

acrílica sobre tela, 80 x 70 cm

 

Lucilio de Albuquerque - (1877 - 1939) - Cena do interior com cavalos - OST - Assinado CID - Med. 85 x 107 cmCena do interior com cavalos

Lucilio de Albuquerque ( Brasil, 1877 – 1939)

óleo sobre tela,  85 x 107 cm

 

ALDEMIR MARTINS (1922 - 2006)Cavalo,1990, ast 60x81Cavalo, 1990

Aldemir Martins (Brasil, 1922 – 2006)

acrílica sobre tela, 60 x 81 cm

 

 

BIANCO, Enrico,Carregando Cana, 1973,óleo s chapamad. ind., 35 x 25 cmCarregando Cana, 1973

Enrico Bianco (Itália/Brasil, 1918 – 2013)

óleo sobre chapa de madeira industrializada, 35 x 25 cm

 

 

 

CARYBÉ, HECTOR(ARGENTINA-BRASIL, 1911-1997)Marinha com Cavalos,Têmpera e vinil,1958, 25 x 35 cmMarinha com Cavalos,1958

Hector Carybé (Argentina/Brasil, 1911-1997)

Têmpera e vinil, 25 x 35 cm

 

alberto massuda 40 x 60 cmOST 40 x 60 cmSem título

Alberto Massuda (Egito/Brasil, 1925 – 2000)

óleo sobre tela, 40 x 60 cm

 

 

GEORGINA DE ALBUQUERQUE (Taubaté, São Paulo, 1885 - Rio de Janeiro, 1962) Cena Rural com Cavalos. Óleo stela. Ass. cie. 60 x 88 cm. Cena Rural com Cavalos

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885 -1962)

Óleo sobre tela, 60 x 88 cm

 

 

Mario Zanini (1907-1971) Cavalos,1963,ost,34x57Cavalos, 1963

Mario Zanini (Brasil, 1907-1971)

óleo sobre tela, 34 x 57 cm

 

 

BANDEIRA DE MELLO - Cavalos tempera e óleo sobre aglomerado, 46X72cm. Assinado 1967. Medida da moldura 48X74.5cm.Cavalos, 1967

Lydio Bandeira de Mello (Brasil, 1929)

tempera e óleo sobre aglomerado, 46 X 72cm.

 

 

Nelson Jungbluth (Brasil,)Querência,2007,ácrilicasduratex,100 x 100 cmQuerência, 2007

Nelson Jungbluth (Brasil, 1921 – 2008)

ácrilica sobre duratex, 100 x 100 cm

 

 

JORDÃO DE OLIVEIRA (1900 -1980). Cavalos no Campo, óleo s tela, 60 x 92. Assinado e datado (1935) no c.i.d.Cavalos no campo, 1935

Jordão de Oliveira ( Brasil, 1900 -1980)

óleo sobre tela, 60 x 92 cm

 

 

TERUZ, Orlando (1902 - 1984), Cavalo, 1940, ost, 65x80Cavalo, 1940

Orlando Teruz (Brasil, 1902 – 1984)

óleo sobre tela,  65 x 80 cm

 

 

 








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