Quanto mais você lê, mais saudável o seu cérebro

18 07 2013

livro duendes, fadas, disneyNestor pega um livro para ler, ilustração Walt Disney.

Quanto mais tempo você gasta em atividades cerebrais, melhor preparado estará o seu cérebro para agüentar os estragos que vêm com a idade.  Esse é o resultado da investigação liderada pelo neuropsicólogo Robert Wilson da Rush University Medical Center, em Chicago, publicada na revista Neurology.  Essa pesquisa confirma o que já se suspeitava há algum tempo: ler, escrever, usar o cérebro ajudam a retardar o declínio mental na idade avançada.

Ao que tudo indica  um estilo de vida ativo não é o suficiente para impedir a formação de placas e outras degenerações que acompanham o estabelecimento da doença de Alzheimer. Além dos exercícios físicos,  é preciso manter uma alto nível de atividade cognitiva para evitar a aparecimento mais cedo de um mal funcionamento mental.

???????????????????????????????Metralhinha encontra um livro, ilustração Walt Disney.

“A participação habitual em atividades cognitivamente estimulantes ao longo da vida pode aumentar substancialmente a eficiência de alguns sistemas cognitivos“, escreve a equipe de investigação, em Chicago. Esta eficiência aparentemente neutraliza os efeitos muitas vezes devastadores das doenças do sistema nervoso.

Wilson e seus colegas observaram  o nível de atividade cognitiva em 294 idosos, não só no presente, mas também na infância, idade adulta jovem e de meia idade. Eles especificamente anotaram  a freqüência de atividades como ler livros, escrever cartas, ou visitar uma biblioteca em cada fase de suas vidas.

???????????????????????????????Mickey quer saber o que Pateta está lendo, ilustração Walt Disney.

O funcionamento cognitivo foi então examinado anualmente, até a morte.   Testaram diversas vezes uma variedade de habilidades, incluindo a memória de longo prazo, memória de trabalho e habilidade visuo-espacial . Finalmente, dentro de horas após a morte, os seus cérebros foram removidos e examinados para a evidência de várias doenças.

O resultado chave: “atividade cognitiva mais freqüentes podem contrabalançar a perda cognitiva associada a condições neuropatológicas.”

lendo 152Tio Patinhas lê “Manual de Sobrevivência”, ilustração Walt Disney.

Nas palavras de um editorial de acompanhamento, os pesquisadores descobriram que “os indivíduos com altos níveis de atividade cognitiva durante a vida  mostram um declínio muito mais lento, apesar da presença de patologia subjacente.”

Curiosamente, os resultados sugeriram que nunca é tarde demais para começar, a fazer  de atividades como ler, escrever, para se beneficiar do retardamento de qualquer doença mental associada à velhice,  mas quanto mais cedo melhor, já que o estabelecimento de hábitos de leitura e escrita desde a infância ajudam a manter o cérebro em plena forma até a idade mais avançada.

FONTE: Pacific Standard Magazine.





Bebês bilingues aprendem mais rapidamente

1 09 2011
Bebê, ilustração de Charlotte Becker.

Os bebês criados em famílias bilíngues têm maior capacidade de aprendizagem linguística se comparados com crianças que só foram expostas a uma única língua.  Esta foi a conclusão de um estudo do Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem da Universidade de Washington, nos Estados Unidos.  Outros estudos, anteriores, já haviam mostrado que as crianças têm habilidades especiais para aprender um segundo idioma.  No entanto essa capacidade começa a desaparecer a partir do primeiro ano de idade.

A pesquisa levou em conta o tempo de exposição dos bebês ao vocabulário de dois idiomas – inglês e espanhol – e constatou que essas crianças têm prolongado, exatamente esse período, descoberto anteriormente,  em que podem aprender um outro idioma, principalmente se elas são expostas em casa a muitas palavras em ambas as línguas.

O cérebro bilíngue é fascinante,  já que reflete as capacidades dos seres humanos para o pensamento flexível.  As crianças bilíngues aprendem que os objetos e eventos no mundo têm dois nomes e têm flexibilidade de alternar entre essas etiquetas, dando ao cérebro um bom exercício “, disse Patricia Kuhl, coautora do estudo e codiretora do Instituto de Ciências do Cérebro e Aprendizagem da universidade.

Os cientistas que trabalharam no estudo pesquisam os mecanismos cerebrais que contribuem para a habilidade dos bebês na aprendizagem de idiomas.  Eles esperam que os resultados dessa pesquisa venham a impulsionar o bilinguismo entre  adultos.  Estudos prévios de Kuhl mostraram que entre o oitavo e o décimo mês de idade, os bebês monolingues são cada vez mais capazes de distinguir os sons da fala de sua língua materna, enquanto sua capacidade para distinguir sons de uma língua estrangeira diminui.

Por exemplo, entre os oito e dez meses de idade, os bebês expostos ao inglês detectam melhor a diferença entre os sons “r” e “l” que os bebês japoneses, que não estão tão expostos a ouvir esses sons em seu idioma. “O cérebro infantil se sintoniza com os sons da língua durante este período sensível no desenvolvimento, e estamos tentando pesquisar exatamente como isso acontece. Saber como a experiência molda o cérebro nos diz algo que vai muito além da linguagem“, destacou Kuhl.

Esta diferença no desenvolvimento sugere que os bebês bilíngues “podem ter um calendário diferente para se comprometer neurologicamente com uma linguagem”  se comparados com os bebês monolingues, ressaltou Adrián García-Sierra, autor do estudo.

Quando o cérebro está exposto a dois idiomas, e não só um, responde adaptando-se a permanecer aberto durante mais tempo antes de mostrar o estreitamento da percepção que as crianças monolingues costumam mostrar no final do primeiro ano de vida“, explicou García-Sierra.

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Fontes: Terra, Science Daily





Será que a maneira como se pensa hoje está mudando por causa da internet?

30 04 2010

Mark lendo, sd

Ann Womack ( EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 75 x 100 cm

Coleção Particular

www.annwomack.com

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Será que a maneira como se pensa hoje está mudando por causa da internet?  Este parece ser o grande debate do momento.  Um debate que vem crescendo, engordando, e  como a proverbial bola de neve movendo-se cada vez mais rápida ladeira abaixo,  repercutindo entre educadores, intelectuais  daqui  e de fora.  Esse assunto faz marolas entre os que escrevem, e entre os que pensam o mundo. 

O artigo de Julho/Agosto de 2008, de  Nicholas Carr na The Atlantic Magazine, Is Google making us stupid?  [ Será que o Google está nos fazendo idiotas?] me levou a uma breve pesquisa (na rede) sobre o assunto e acabei com mais perguntas ainda do que respostas.  De meu interesse,  é o que venho observando assiduamente: a falta de paciência com textos extensos.  Falta de paciência minha e de outros, de amigos e de pessoas que lêem constantemente; pessoas que liam e que hoje se dedicam cada vez mais às telas dos computadores. 

Esclareço desde já que não sou contra a internet, que desde 1980, nos tempos do primeiro computador pessoal e portátil – o Osborne – tenho computador em casa e que não saberia hoje viver sem um.  De modo que estas idéias não foram arrebanhadas para fazerem parte de um movimento contra a internet, até porque seria uma coisa absolutamente inútil. 

Mas como tenho interesse na educação, sabendo que cada vez  há mais para aprendermos antes de podermos dar a nossa contribuição para o nosso tempo, para o mundo, questiono como e quanto o uso da internet pode influenciar o modo como pensamos.

Hoje, li o artigo A educação muda o cérebro do neurocientista Roberto Lent, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na revista eletrônica Ciência Hoje, e descobri entre outras coisas que realmente o nosso cérebro não é mais pensado como aquele órgão estático, rígido, formado enquanto somos embriões.  Mas que, ao contrário, já sabemos que podemos recriá-lo, moldá-lo de acordo com a nossa educação, de acordo com o uso que fazemos dele.  “Mudar as pessoas, lembra Roberto Lent, é mudar o seu cérebro”. Ora, a maneira como usamos os computadores hoje, por horas sem fim, pulando de assunto a assunto, certamente deve, de acordo com esses estudos mais recentes, deixar sua marca no nosso cérebro.  Afinal ele é mutante, dinâmico e responde aos estímulos exteriores.

Concordo com Nicholas Carr quando ele considera que talvez leiamos mais hoje do que nas décadas de 1980-1990, quando a internet era primária e ainda vivíamos grudados na televisão.  No entanto, a maneira como lemos hoje, de acordo com algumas pesquisas feitas, que levaram em conta os hábitos de pesquisas on-line, parece levar à conclusão de que estamos constantemente dando uma vista d’olhos no que vemos na internet, e que o que consideramos mais interessante, dedicamos só um pouco mais de tempo, um pouco mais de atenção, mas, em geral,  não chegamos a ler o artigo, a postagem na sua totalidade, parando por volta da segunda página.

O hábito de pouco texto, além de ser mais imediatista como a própria internet,  é também uma função desenvolvida pelos sites de notícias, que trouxeram da imprensa escrita, dos jornais, a maneira de fazer pequenos parágrafos para que qualquer editor pudesse cortar um artigo ao bel prazer, e comensurar o texto na paginação com os devidos anúncios – que são o que mantem as publicações vivas — nos locais apropriados.

Este hábito foi passado para a internet e perdura.  Se formos ver a maioria dos sites de notícias, mesmo aqueles exclusivamente eletrônicos a “economia de texto” é perceptível.  É comum vermos,  por exemplo, cada frase ser um parágrafo inteiro.  Outra frase,  a seguinte, mesmo que ainda no mesmo assunto, que em outras circunstâncias seria a continuação do mesmo parágrafo, aparece então como independente, merecendo um outro parágrafo  inteiro.  Assim, cada pensamento parece ser independente, ter seu próprio nível de igualdade com os outros mencionados anteriormente sem nenhuma subordinação e a cada nível somos dissimuladamente convidados a parar.  A cada nível temos permissão para nos desengajar, para sair por aí afora à procura de uma outra trivialidade, de uma outra idéia.

Será que com isso estaríamos mesmo  reformulando a nossa maneira de ler, de ver  e de pensar?  Estaríamos re-organizando os nossos cérebros para simplesmente patinarmos na superfície das palavras? 

Esta é só uma das questões que me afligem no momento.  Mas há outras e voltarei para falar delas.





Duas moléculas estão associadas à fala humana

13 11 2009

falatório

Ilustração, Maurício de Sousa.

 

 

Uma simples diferença de duas moléculas em um gene idêntico no homem e no chimpanzé pode estar na origem da faculdade de falar dos humanos, segundo a revista Nature.

Estas moléculas, aminoácidos, estão na base da formação das proteínas. A proteína do gene estudado (FOXP2), que comanda um grupo de outros genes ligados à linguagem, tem inúmeras centenas de aminoácidos, dos quais somente dois são diferentes no homem e no chimpanzé.

Colocamos em evidência genes cujas ações diferem em função da mutação destes dois aminoácidos e, inclusive, alguns genes cujo funcionamento é essencial ao sistema nervoso central, afirmam os pesquisadores.

Estudos anteriores sobre a evolução já haviam sugerido uma variação deste gene entre o homem e o chimpanzé por causa destes dois aminoácidos, e o impacto possível desta diferença sobre a possível desta diferença sobre a faculdade de falar.

Nosso estudo fez a demonstração experimental desta diferença,  disse Daniel Geschwind, da Universidade da Califórnia (UCLA), coautor do estudo.

Os pesquisadores utilizaram para isso tecidos cerebrais humanos e dos chimpanzés assim como células em cultura para comparar os efeitos das variações, entre o homem e o macaco, do gene FOXP2 sobre o grupo de genes responsáveis da linguagem.  E  constataram que o FOXP2 do chimpanzé tem efeitos diferentes dos do FOXP2 humano.

Apontando os genes influenciados pelo FOXP2, identificamos um conjunto de novas ferramentas para estudar como a linguagem humana pode ser regulada a nível molecular, declarou Geneviève Konopka, coautora deste estudo, em comunicado da UCLA.

Processos moleculares que poderiam também permitir, em casos de autismo ou de esquizofrenia, melhor compreender como estas patologias causam impacto à capacidade do cérebro de utilizar a linguagem, segundo a cientista.

O papel desempenhado por estas duas moléculas abre igualmente novos caminhos de pesquisa sobre a evolução do gênero humano.

Não sabemos quando a mutação destes dois aminoácidos apareceu, explicou Geschwind.   O homem e o chimpanzé se separaram há quase 5 milhões de anos, enquanto os paleoantropólogos situam o surgimento da linguagem humana a menos de 100 mil anos, quase 70 mil anos.

Por isso, será muito interessante ver a diferença com o homem de Neandertal, cuja divergência com os ancestrais do Homo sapiens é mais recente.

Mas, além do cérebro, o desenvolvimento da linguagem humana está igualmente ligado a características morfológicas que o distinguem dos grandes macacos.

Não sabemos o que aconteceria se colocássemos um cérebro humano em um chimpanzé –será que ele conseguiria falar? A maioria das pessoas acha que não, porque, no homem, a língua e as vias respiratórias superiores oferecem uma estrutura muito mais adaptada à palavra, concluiu Geschwind.

BORIS CABRELENG, da France Presse, em Paris.

Fonte:  Folha Online





“Dorme que passa…” — dormir ajuda a resolver problemas

14 06 2009

soneca noturna, pateta

Pateta, ilustração Walt Disney.

 

Há algum tempo  uma amiga reclamava sobre seu companheiro dizendo que ele era completamente insensível, que só se preocupava com o bem estar dele mesmo.  Citava, como exemplo, uma ocasião recente em que ela, sem conseguir dormir, se remexeu tanto na cama que acabou acordando o marido.  Ainda sonolento ele perguntou o que acontecia.  Ouvindo a explicação, ele simplesmente ajeitou os lençóis e os travesseiros, virou-se para o outro lado e disse, antes de cair de novo em sono profundo:

Dorme que passa

Esta história era na opinião de minha amiga a verdadeira demonstração de insensibilidade.  No entanto, depois de ler um artigo da BBC mostrando que dormir ajuda a resolver problemas, talvez o rapaz em questão estivesse mais certo do que se imaginava.

 

Dormir pode ajudar uma pessoa e resolver problemas, dizem cientistas americanos.

Eles concluíram que uma boa soneca com sonhos estimula a criatividade.

A equipe da University of California San Diego fez experimentos para verificar se “incubar” o problema aumenta as chances de soluções inspiradas.

E descobriu que sim, especialmente quando as pessoas entram na fase conhecida como REM (sigla inglesa para Rapid Eye Movement ou movimento rápido do olho), estágio do sono em que ocorrem os sonhos mais vívidos.   O trabalho foi publicado na revista científica Proceedings of the National Academy Of Sciences.

Na manhã dos testes, um grupo de 77 voluntários recebeu uma série de problemas para resolver.

Eles foram orientandos a pensar sobre o problema até a tarde daquele dia, seja descansando sem dormir ou dormindo.

Os que dormiram tiveram seu sono monitorado pelos cientistas.

Comparados aos participantes que apenas descansaram ou que dormiram sem alcançar o estágio REM, os voluntários que dormiram e atingiram o estágio REM apresentaram maior probabilidade de sucesso na resolução do problema.

O estudo revelou que o grupo que atingiu a fase REM durante o sono melhorou sua habilidade de resolver problemas criativamente em cerca de 40%.

Os resultados indicam que não são apenas o sono ou a passagem do tempo que determinam o sucesso na resolução de problemas e, sim, a qualidade do sono.

Para os autores do estudo, apenas o sono onde o estágio REM é atingido tem o poder de melhorar a criatividade.

Eles acreditam que o sono REM permite que o cérebro forme novas conexões nervosas sem a interferência de outras conexões de pensamento que ocorrem quando estamos acordados ou dormindo sem sonhar.

“Nós propomos que o sono REM é importante para a fusão de novas informações com experiências passadas para criar uma rede mais rica de associações para uso futuro”, disseram os autores à revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

 Fonte: O Estadão





Pesquisa relaciona soma e subtração com movimento dos olhos

7 05 2009

aritimetica, ilustração da Margarita  Philosophica, 1503, Boetius, romano, (475-524)e Pitagoras, grego, (570 BC-475BC) II

 

Ilustração: Margarita Philosophica, 1503, à esquerda o matemático romano Boethius (475-524), à direita o matemático grego, Pitágoras (570 AC- 475AC).

 

Isso indica que cálculo mental ‘recicla’ antigo sistema neuronal, originariamente dedicado ao espaço físico.  O processo mental de somar e subtrair utiliza o mesmo circuito cerebral que controla o movimento dos olhos para a direita ou a esquerda, segundo pesquisadores franceses.

 

A descoberta indica que o cálculo mental “recicla” um antigo sistema neuronal, originariamente dedicado a visualizar e compreender o espaço físico, para poder realizar esta tarefa mais complicada.  A explicação neurobiológica é que atividades como a escrita e a matemática são recentes demais para que a seleção natural dedique mecanismos cerebrais específicos, afirma um estudo publicado nesta quinta-feira, 7, na revista Science.

 

André Knops, do Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica da França, e cientistas utilizaram dados de ressonâncias magnéticas para ensinar um software a prever a direção da movimentação do olhar de várias pessoas, para a direita ou a esquerda, com base na atividade neuronal do cérebro.

 

Os pesquisadores pediram aos indivíduos para realizar cálculos mentais – somas ou subtrações -, e comprovaram que o programa podia prever que exercícios tinham realizado, só com base no registro da atividade cerebral.

 

As pessoas estudadas pelo computador resolveram os problemas matemáticos usando números e outros símbolos e conjuntos de pontos, mas, em todos os casos, o movimento do olho para a direita foi relacionado com a soma, enquanto para a esquerda significava subtração.

 

abacus jillian tamaki

Abacus, Ilustração de Jillian Tamaki ( Canada)

 

 

A exceção foram os participantes árabes, que leem da direita para a esquerda tanto números quanto palavras, e nos quais aconteceu o contrário, disse Knops.  O estudo confirma que o desenvolvimento da matemática nos humanos não provém de uma nova parte “matemática” do cérebro, mas usa uma já existente para codificar as operações aritméticas.   Neste caso, o circuito que já tinha sido desenvolvido para os movimentos espaciais à esquerda e à direita demonstrou ser adequado para subtrair e somar números.

Os resultados da pesquisa podem servir para adaptar melhor a aprendizagem da matemática às características dos processos mentais implicados, acrescentou.

 

No entanto, segundo o cientista, já há provas sólidas de que pelo menos a divisão e a multiplicação dependem de diferentes tipos de representação que não estão tão ligados à dimensão esquerda-direita.

 

Neste caso, parece desempenhar um papel mais importante recorrer a dados pertencentes à memória de longo prazo“, explicou.

 

O ESTADO DE SÃO PAULO





Mulher desenvolveu terceiro braço fantasma

10 04 2009

shivaSHIVA

 

 

 

Segredos da mente, segredos do cérebro:

 

 

 

 

Médicos da Suíça conseguiram comprovar a existência de um terceiro “braço fantasma” em uma mulher que sofreu um derrame. A paciente de 64 anos havia perdido as funções de seu braço esquerdo após o acidente cerebral. Mas poucos dias depois, ela desenvolveu um “terceiro membro”, que ela dizia enxergar e usar para tocar objetos e até coçar o braço direito.

 

Usando exames de ressonância magnética, especialistas do Hospital Universitário de Genebra confirmaram que o cérebro da mulher emitia comandos ao “braço fantasma” e reconhecia suas ações.

 

Raro

A paciente diz que seu novo membro fica à sua esquerda e tem uma cor de leite, “quase transparente”. Segundo o neurologista Asaid Khateb, chefe da equipe que analisou as imagens cerebrais, trata-se de um caso extremamente raro em que o paciente não somente sente o membro imaginário, como também o enxerga e o movimenta voluntariamente.

 

O médico disse ainda que esta é a primeira vez que se mede a atividade cerebral a partir do contato com um membro fantasma. O fenômeno do membro fantasma está normalmente associado com pessoas que sofreram amputação. Segundo cientistas, entre 50% e 80% delas descrevem sensações de tato e dor na parte retirada.

 

As descobertas da equipe foram divulgadas na revista especializada Anais da Neurologia.

 

 

 

 

 

FONTE: Portal Terra





Visão-cega

29 12 2008

francisco-goya-cabra-cega-1788ost-40x41cmmuseu-do-prado

Cabra-cega, 1788

Francisco Goya, Espanha, 1746-1828

Óleo sobre tela, 40 x 41 cm

Museu do Prado, Madri

 

 

 

Nas ante-vésperas de Natal o programa Morning Edition da National Public Radio em Washington DC levou ao ar um estudo feito por cientistas na Suiça, sobre um homem, um médico, conhecido unicamente por suas iniciais [TN] que tendo dois AVCs  alguns anos atrás, um em cada lado de seu cérebro, ficou sem visão, porque a área do cérebro atingida foi o córtex occipital.

 

Testado continuamente, confimou-se que apesar de seus olhos estarem perfeitos, ele estava totalmente cego.  Não podia ver objetos colocados na sua frente e passou a usar uma bengala para se locomover.  Perguntado se podia ver, sua resposta era, “ não, sou cego.”

 

Mas a neurologista Beatrice de Gelder quis estudar mais a fundo o caso de TN.  Junto a Universidade de Tilburg na Holanda e ao Massachusetts General Hospital em Bostos, ela e seus colegas repetiram muitos testes no paciente TN para se certificarem de que ele estava de fato cego.

 

Depois disso ele lhe deram um teste: um caminho com obstáculos num corredor.  Os obstáculos foram feitos por objetos do dia a dia. Um cesta de papel, típica, uma pilha de livros.  Todos tinham tamanhos e formatos diferentes, confirmou Gelder.

 

O paciente TN foi então instruído a andar pelo corredor.  Não demos a ele nenhuma instrução sobre obstáculos, ou qualquer outra informação.  De modo que ele não estivesse alerta para os obstáculos,  Gelder continuou.

 

TN andou pelo corredor, mas ao invés de ir em linha reta, ele cuidadosamente evitou os obstáculos andando à volta deles.  Ele não chegou a tocar em nenhum dos obstáculos, e nós ficamos abismados, disse Gelder, que publicou o resultado do experimento no número mais recente da revista Current Biology.

 

TN ficou surpreso com a alegria dos pesquisadores.  Sem saber que havia obstáculos à sua frente ele não entendia a animação geral.   Que resulta na prova de que realmente existe o que se pode chamar de visão cega (blind sight).  Mesmo depois que a parte mais importante do cérebro foi destruída, TN ainda tinha as partes mais primitivas de seu cérebro intactas e elas são capazes de fazer parte do processo visual, sem que a pessoa com a deficiência esteja consciente disso.  Afinal de contas, uma das mais básicas funções do sistema de visão é ajudar um animal a desviar de obstáculos ou de predadores.  TN ainda tem alguma habilidade visual apesar de não estar consciente disso.

 

O professor de ciências psicológicas, Steven Hackley, disse que o estudo de pacientes como TN certamente ajudará os cientistas a determinarem a natureza da consciência.   Comparando o mesmo processo mental tanto consciente como inconsciente, será possível determinar que partes do cérebro são essenciais e como a consciência aflora.

 

Liberalmente traduzido do artigo no site da NPR.





Sirva algo quente para causar uma boa impressão!

24 10 2008

Ilustração: Maurício de Sousa

 

Hoje pela manhã o programa de rádio ALL THINGS CIONSIDERED, da National Public Radio em Washington DC teve um segmento muito interessante sobre a diferença na percepção que temos,  de pessoas que acabamos de encontrar, quando temos em nossa mão um copo de conteúdo quente ou de conteúdo frio.  Quero dizer, você está tomando uma xícara de chá quente.  Tem esta xícara na mão.  De repente você é apresentado a alguém.  A sua tendência será de achar que esta pessoa, que você acaba de encontrar é uma pessoa amável, simpática, generosa.  Enquanto que se você tivesse nas mãos um copo de açaí gelado, sua tendência seria de achar o novo conhecido frio, antipático.

Este estudo conduzido pela Universidade de Yale foi cuidadosamente controlado.  Voluntários – estudantes – não sabiam quando o estudo começaria.  A conclusão depois de muitos testes foi que depois de segurar alguma coisa quente, mesmo que por segundos, o nosso julgamento de uma pessoa até então desconhecida é muito mais positivo, do que se segurarmos alguma coisa gelada.  

Há indicadores de que algumas emoções começam primeiro no corpo humano e só mais tarde são registradas pelo cérebro.   O estudo, feito por Lawrence Williams, professor na Universidade de Colorado, foi estudado Poe ele durante sua monografia, quando doutorando da Universidade de Yale; e foi publicado nesta semana na revista SCIENCE.  Andreas Meyer-Lindberg, diretor do Instituto Central para Saúde Mental da Alemanha, corrobora com estas descobertas, lembrando que alguns cientistas acreditam que tanto o medo quanto a felicidade são emoções que começam primeiro como uma reação física, que manda uma mensagem para o cérebro  nos permitindo sentir a emoção.

Para o artigo inteiro e para o áudio do programa, clique AQUI.





Novas sobre a nossa memória!!!!!

13 09 2008

 

A persistência da memória, 1931, Salvador Dali (Espanha

A persistência da memória, 1931, Salvador Dali (Espanha 1904-1989) 24 x 33 cm, MOMA, NY

Como funciona a nossa memória ainda é para todos nós um mistério.  O assunto continua fascinando e hoje há novidades vindas dos estudos de cientistas da Universidade da Califórnia em Los Angeles, UCLA, e do Instituto Weizmann de Ciências em Israel.  Juntos eles estudam a habilidade do ser humano de guardar, resgatar e recriar memórias.

Na última edição da revista Science, os cientistas envolvidos nesta pesquisa revelaram que ao estudarem pacientes que sofrem de epilepsia, colocando eletrodos nos seus cérebros para localizarem a origem de seus ataques epiléticos antes de os submeterem a tratamento cirúrgico no Centro Médico UCLA, estes cientistas puderam simultaneamente  confirmar a formação de memórias através da atividade de neurônios no cérebro.  

A medida que os pacientes se submeteram à pesquisa de resgatar memórias de vídeos que haviam observado anteriormente, os sinais percebidos no cérebro pelos cientistas foram tão claros que depois de algum tempo, antes mesmo do paciente dizer de que vídeo se lembrava, os cientistas foram capazes de saber a qual vídeo o paciente iria se referir simplesmente pela localização da ignição de neurônios no cérebro.

O mais interessante do ponto de vista do estudo da neurociência, é que esses neurônios não agiam sozinhos, mas eram parte de uma cadeia, de um circuito, de centenas de milhares de células que se orquestravam para responder aos estímulos criados  pelos vídeos.  Isto explicaria e confirmaria a existência das memórias espontâneas, que são trazidas á superfície quando os mesmos neurônios que foram requeridos para a gravação da primeira memória, são requisitados de novo.  Já se suspeitava há muito tempo que existia esta ligação entre a reativação dos neurônios no hipocampo com o resgate de uma experiência passada, ainda que não houvesse provas em definitivo.    O Dr. Itzhak Fried, professor de neurocirurgia da UCLA e da Universidade de Tel Aviv explica que “o ato de  reviver uma experiência  passada, na nossa memória, é a ressurreição da atividade de neurônios do passado”.

Estas descobertas ajudarão em muito o nosso entendimento sobre a memória humana e principalmente sobre como ela funciona para que se possa em futuro próximo auxiliar pacientes com epilepsia e Alzheimer na reconquista da memória episódica que freqüentemente é a mais afetada e que mais rapidamente se deteriora nas pessoas com estas doenças.

Nos estudos feitos com ratos, neurocientistas já haviam detalhado células no hipocampo sensíveis ao local em que o animal se encontra.  Estudos mostraram que ratos exibem uma atividade típica dos neurônios no hipocampo de tal forma previsível, que cientistas são capazes de prever o comportamento espacial de ratos colocados num labirinto.  É possível que a memória humana tenha se desenvolvido de maneira semelhante.

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Este post é uma combinação do artigo publicado no wordpress abaixo e no jornal New York Times.

  

 

 

 

http://biosingularity.wordpress.com/2008/09/13/how-memories-are-made-and-recalled/

 

http://www.nytimes.com/2008/09/05/science/05brain.html?_r=1&partner=rssnyt&emc=rss&oref=slogin

 

 








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