Nossas cidades: Olinda

17 08 2015

 

 

JOSÉ BENIGNO RIBEIRO - Igreja de São Pedro - Olinda PE - ost - 50 x 61 - datado 2005Igreja de São Pedro, Olinda, 2005

José Benigno Ribeiro (Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 50 x 61 cm





Nossas cidades — Maceió

5 01 2015

 

 

ROSALVO RIBEIRO (1865 - 1915),Paisagem de Maceió, óleo sobre madeira, 11 x 17 cmPaisagem de Maceió, s/d

Rosalvo Ribeiro (Brasil, 1865-1915)

óleo sobre madeira, 11 x 17 cm

 





O Natal à moda brasileira

18 12 2011





Versinho do pica-pau — Manoel Xudu, repentista

14 06 2011

Admiro um pica-pau

Numa madeira de angico

Que passa o dia todim

Taco-taco, tico-tico

Não sente dor de cabeça

Nem quebra a ponta do bico

Manoel Xudu Sobrinho, (São José do Pilar, PB, 1932-  Salgado de São Félix, PB, 1987) poeta repentista.





O que o Brasil tem a ver com as mudanças climáticas?

4 01 2009

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Por mais que eu quisesse começar este ano com uma nota sobre os livros que li e estou lendo, com alguma coisa sobre as artes, sinto-me, em vista das chuvas de hoje em Santa Catarina, na obrigação de voltar a falar da imperiosa necessidade que temos de fazer alguma coisa pra diminuir o aquecimento global.  

Qualquer carioca notou que esta primavera que passou foi mais para inverno do que para primavera, com chuvas constantes e muito poucos dias de sol.  Estas mudanças já estavam previstas.  É só darmos uma olhadela no portal da FIOCRUZ, chamado Museu da Vida, para vermos como não houve nenhuma surpresa para aqueles que estão envolvidos diretamente com as ciências do meio ambiente.  Assim sendo, copio e colo aqui o que li no Museu da Vida.

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O que o Brasil tem a ver com as mudanças climáticas?

O Brasil tem tudo a ver com as mudanças climáticas. Apesar de não estarmos entre os maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo, contribuímos significativamente com o total das emissões mundiais.

Além disso, somos donos da maior floresta tropical do mundo, a floresta amazônica. Viva, ela é uma importante “seqüestradora” de carbono e, portanto, uma grande aliada no combate às mudanças climáticas.

Derrubada, ela pode vir a ser uma grande inimiga, liberando grande quantidade de carbono na atmosfera. Cabe a nós decidir o que fazer dela!

E ainda, como dependemos fortemente de recursos naturais diretamente ligados ao clima, como na agricultura e na geração de energia hidrelétrica, podemos ser duramente atingidos pelas mudanças climáticas.

Conclusão: nós brasileiros temos muito o que refletir, debater e fazer para enfrentar as mudanças climáticas. Nesta seção, vamos ver como o Brasil tem contribuído para as mudanças climáticas, os impactos que elas podem ter no país e o que podemos fazer para evitar conseqüências mais drásticas. 

 

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– Contribuição brasileira para as mudanças climáticas


O Brasil é responsável por algo em torno de 4% das emissões globais de gás carbônico. É pouco em comparação com os principais países emissores desse gás – Estados Unidos, Rússia, China e Japão –, mas é uma quantidade expressiva diante dos desafios atuais.

As queimadas e o desmatamento na Amazônia respondem por mais da metade das emissões totais brasileiras de gás carbônico.

O uso de combustíveis fósseis nos setores energético e de transporte também contribui bastante para a intensificação do efeito estufa. Por causa dele, o Brasil libera por ano de 80 a 90 milhões de toneladas de carbono.

As hidrelétricas e as usinas de carvão também estão entre as contribuições negativas do Brasil.

As hidrelétricas emitem quantidades expressivas de metano. Já as usinas a carvão mineral causam grande impacto ambiental, não só pelas emissões de gás carbônico, mas também pelos resíduos e pela a poluição resultante de suas atividades. 

 

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– O impacto das mudanças climáticas no Brasil  


Algumas pessoas acreditam que o furacão Catarina, que atingiu o Rio Grande do Sul e Santa Catarina em 2004, e a seca na Amazônia em 2005 sejam conseqüências das mudanças climáticas. Mas não há provas de que isso é verdade.

Por outro lado, relatórios divulgados pelo IPCC em 2007 apontam impactos preocupantes das mudanças climáticas em lugares como a Amazônia, o semi-árido nordestino e as regiões litorâneas do Brasil.

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Amazônia


Até agora, a temperatura não tem aumentado de forma preocupante na floresta amazônica. Mas alguns modelos de previsão do clima mostram que a temperatura poderá subir, até 2100, de 4 a 8º C nessa região, e a quantidade de chuvas poderá diminuir, levando a um processo chamado de savanização da Amazônia.

Um dos possíveis impactos desse aumento de temperatura no bioma amazônico é o aumento na freqüência de secas na Amazônia Oriental, com perdas nos ecossistemas, na floresta e na biodiversidade local.

O aumento de temperatura e redução da umidade devem ter impacto no transporte de umidade e de chuvas para o sudeste brasileiro, afetando a geração de energia hidrelétrica nessa região.

Além disso, com a savanização da Amazônia, as condições serão mais favoráveis para o alastramento de queimadas, devido a redução da umidade da floresta.

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Nordeste


Parte da região do semi-árido nordestino poderá se tornar árida, devido a redução das chuvas e do aumento da temperatura da região.

A recarga dos lençóis freáticos locais poderá ficar comprometida, sofrendo uma redução grande em sua capacidade de armazenamento.

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Sudeste


No Sudeste, o aumento das chuvas previsto deverá ter impacto direto na agricultura, dando origem a inundações e deslizamentos de terra. Cidades como Rio de Janeiro e São Paulo deverão ser afetadas.

Em longo prazo, a savanização da Amazônia ( quer dizer, a mudança de floresta para savana)   poderá diminuir a capacidade da floresta em fornecer umidade ao Sudeste, afetando o regime de chuvas na região.

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– Como o Brasil pode ajudar no combate às mudanças drásticas no clima?


Ainda que o Brasil não tenha uma meta definida de redução de emissões de gases de efeito estufa, como os países desenvolvidos signatários do Protocolo de Quioto, estamos comprometidos com a estabilização dos gases de efeito estufa em níveis que assegurem a vida no planeta.

Há claras possibilidades de redução das emissões brasileiras. Uma delas é a simples aplicação e o cumprimento das leis ambientais do país, que proíbem muitas das atividades que levam hoje a queimadas e ao desmatamento. Só isso já teria um grande efeito, reduzindo a área desmatada e, assim, diminuindo muito as emissões brasileiras. 

O reflorestamento também tem grande potencial na redução das emissões brasileiras. Para isso, bastaria promover o replantio em áreas degradas e marginais abundantes no território brasileiro.

As florestas em crescimento absorveriam, através da fotossíntese, o gás carbônico da atmosfera, contribuindo para a redução do efeito estufa.

O Brasil pode contribuir ainda investindo em energia renovável. Apesar de ter quase metade de sua energia baseada em fontes renováveis, ainda há como avançar no uso da energia dos ventos e do Sol.

Deve-se também estimular o uso do álcool e do biodiesel como combustível e investir em sistemas mais eficientes e mais baratos de transporte coletivo, como ônibus e metrô, e na construção de ciclovias seguras. 

Na agricultura, é preciso desenvolver e disseminar entre os agricultores técnicas menos nocivas ao meio ambiente. Além disso, novos cultivos devem ocupar áreas degradadas recuperadas e não biomas que estão ameaçados.

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Dos prazeres da mesa nordestina…

19 12 2008

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Natureza morta com abacaxi, melão

e outras frutas tropicais, 1640s

Albert Eckhout, Flandres (1610-1666)

Óleo sobre tela, 90 x 90 cm

Museu Nacional da Dinamarca

Aos domingos comíamos sarapatel de porco, servido com farinha seca e pimenta malagueta, algumas gotas de limão sobre a carne.  Bebíamos vinho verde português, comprado em pipa na mercearia de Antônio Maia, na cidade da Paraíba.  Mesmo criança eu já gostava de bebidas espirituosas.  Até hoje perambulo pelos restaurantes do Rio de Janeiro em busca de um sarapatel parecido com aquele, mas em vão.  Persigo pelas ruas a mágica impressão do odor, espalhado pela brisa, de carne fresca da chã-de-dentro, mocotó ou chambaril; ao fechar os olhos, na cama, vejo o pirão dourado, minha boca se enche de saliva quando penso no maxixe, quiabo ou jerimum-de-leite; passo a mão na seda de uma camisa e sinto a suavidade dos molhos de couve que cresciam no quintal da casa; verto lágrimas com saudades da bacalhoada das sextas-feiras; sinto meu estômago se revirando, com desejo de um bredo cozinhado no azeite, feijão e peixe de coco, servidos na Quaresma.  E não há nenhum Natal em casa luxuosa do Rio de Janeiro que ofereça algo tão delicioso como os pastéis de nata da Librada, ou os filhoses de palito embebidos em mel claro, feitos por Donata.

 

As sobremesas do engenho também me deixaram impressão profunda.  As frutas eram mais saborosas do que todas as que provei no Rio de Janeiro, mesmo as maçãs ou peras importadas não se igualavam às bananas e laranjas que Donata preparava, em talhadas, misturadas com farinha, ou aos abacaxis, às perfumadas mangas, aos abacates.  O café que se tomava após as refeições era colhido na fazenda.  Nunca havia aguardente à mesa, mas sempre um licor de cacau, ou de anis, importados.  Na ceia, como no primeiro almoço, comíamos angu de caroço, broas de milho seco, canjica de milho verde, pamonha, raramente faltando macaxeira e inhame, e batata-doce, cozida ou assada.  

 

Ao lado da casa-grande ficava um pomar, rodeado por uma cerca viva de limoeiros.  Dava laranja, banana-maçã, carambola, graviola, araticum, maçaranduba, jambo amarelo, abacaxi, jatobá, jenipapo, cajá, uma infinidade de frutas, lembro-me de todas elas, das cores de suas cascas, de seus perfumes, das épocas em que floresciam e frutificavam e de quais passarinhos gostavam de bicar essa ou aquela.  Cultivadas apenas para os membros da família e os agregados, as frutas eram tantas que até as levávamos para serem vendidas nas feiras aos sábados, no povoado de Cachoeira, assim como farinha de mandioca, milho verde, fava, caldo de cana, mel, enfim, tudo o que não era usado na alimentação dos moradores da casa-grande e dos cassacos.  Em torno do pomar ficavam as roças bem cuidadas, que produziam com fartura.  A vida no engenho tinha como centro a mesa de mogno da cozinha.

 

 

A Última Quimera, Ana Miranda.

 

 

Ana Maria Nóbrega Miranda (Fortaleza, 1951) é uma poetisa e romancista brasileira.

 

 

Obra:

 

Anjos e Demônios (poesia) 1979

Celebrações do Outro (poesia), 1983

Boca do Inferno (romance), 1989

O Retrato do Rei (romance), 1991  

A Última Quimera (romance), 1993

Desmundo (romance), 1996

Amrik (romance), 1997

Dias & Dias (romance), 2002

 

 

Albert Eckhout (Groningen, 1610 — 1666) foi um pintor, artista plástico e botânico flamengo. É autor de pinturas do Brasil holandês envolvendo a população, os indígenas e paisagens da região Nordeste do Brasil. Viajou também por outras regiões da América, antes de retornar à Europa.

 

 

 

 

 








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