Minutos de sabedoria: Olavo Bilac

11 10 2018

bote-fe-no-brasil

 

 

“A pátria não é a raça, não é o meio, não é o conjunto dos aparelhos econômicos e políticos: é o idioma criado ou herdado pelo povo.”

 

Olavo Bilac





Sublinhando…

18 05 2016

 

Remy boquirenMoça com livro

Remy Boquiren (Filipinas, 1940)

 

 

“Pois só quem ama pode ter ouvido
capaz de ouvir e entender estrelas.”

 

 

Olavo Bilac (Brasil, 1865-1918), em Via Láctea, 1888, XIII [Ouvir estrelas].





Domingo, poesia de Olavo Bilac

31 01 2016

 

 

BUSTAMANTE SÁ, Rubens Forte (1907 - 1988) - Figuras no cotidiano, o.s.t. - 46 x 56 cm.Figuras no cotidiano

Rubens Bustamante Sá (Brasil, 1907-1988)

óleo sobre tela, 46 x 56 cm

 

 

Domingo

 

Olavo Bilac

 

 

Domingo… Os sinos repicam

Na igreja, constantemente,

E todas as ruas ficam

Alegres, cheias de gente.

 

Todo um dia de ventura…

Como o domingo seduz!

O homem, cansado, procura

Ter paz, ter ar, e ter luz.

 

Paradas e sem trabalho,

Dormem na roça as enxadas;

Dormem a bigorna e o malho

Nas oficinas fechadas.

 

Também, meninos cansados,

Os vossos livro deixai!

Deixai lições e ditados!

Dormi! Sorride! Cantai!

 

Fechem-se as aulas! E o bando

Ruidoso das criancinhas

Livre se espalhe, voando,

Como um bando de andorinhas!

 

Deus, quando o mundo fazia,

Sete dias trabalhou,

E ao fim do sétimo dia

Do trabalho descansou…

 

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, 17 ª edição, pp- 47-8.





Música Brasileira, soneto de Olavo Bilac

1 12 2015

 

 

Candido Portinari,Samba,1956,ost,BancoCentraldoBrasil, BrasiliaSamba, 1956

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela

Pinacoteca do Banco Central do Brasil, Brasília

 

 

Música Brasileira

 

Olavo Bilac

 

Tens, às vezes, o fogo soberano

Do amor: encerras a cadência, acesa

Em requebros e encantos de impureza,

Todo o feitiço do pecado humano.

 

Mas, sobre essa volúpia, erra a tristeza

Dos desertos, das matas e  do oceano:

Bárbara poracé, banzo africano,

E soluços de trova portuguesa.

 

És samba e jongo, xiba e fado, cujos

Acordes são desejos e orfandades

De selvagens, cativos e marujos:

 

E em nostalgias e paixões consistes,

Lasciva dor, beijo de três saudades,

Flor amorosa de três raças tristes.

 

Originalmente publicado em Tarde, Livraria Francisco Alves, RJ, 1919, p.p. 16-17. Aqui em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, ed. Manoel Bandeira, 3ª edição, Rio de Janeiro, Departamento da Imprensa Nacional:  1951. pp: 231.





Sublinhando…

21 10 2015

 

 

Pietro Rotari (Verona, 1707-1762) -- Jovem lendo,sanguinea e bico de pena sobre papel. 13 x 15 cmMuseu de Castelvecchio VeronaJovem lendo

Pietro Rotari (Verona, 1707-1762)

sanguinea e bico de pena sobre papel, 13 x 15 cm

Museu de Castelvecchio, Verona

 

 

“Como a palmeira tens a majestade,
E dela tens a desgraçada sorte:
A avareza da sombra e da piedade.”

 

Olavo Bilac (Brasil, 1865 -1918), Palmeira Imperial.





Cântico das árvores, poesia de Olavo Bilac, no Dia da Árvore

21 09 2015

 

 

Plantar, Britta Barlow, GoodHousekeeping1927-05Ilustração de Britta Barlow, Revista Good Housekeeping, maio de 1927.

 

 

Cântico das árvores

 

Olavo Bilac

 

 

Quem planta uma árvore enriquece

A terra, mãe piedosa e boa:

E a terra aos homens agradece,

A mãe os filhos abençoa.

 

A árvore, alçando o colo, cheio

De seiva forte e de esplendor

Deixa cair do verde seio,

A flor e o fruto, a sombra e o amor.

 

Crescei, crescei na grande festa

Da luz, de aroma e da bondade,

Árvores, glória da floresta!

Árvores vida da cidade!

 

Crescei, crescei sobre os caminhos,

Árvores belas, maternais,

Dando morada aos passarinhos,

Dando alimento aos animais!

 

Outros verão os vossos pomos:

Se hoje sois fracas e crianças,

Nós, esperanças também somos

Plantamos outras esperanças!

 

Para o futuro trabalhamos:

Pois, no porvir, novos irmãos,

Hão de cantar sob estes ramos,

E bendizer as nossas mãos!

 

-x-

Este poema foi musicado pelo maestro Francisco Braga.

 

Em:  Apologia da árvore, Leonam de Azeredo Penna, Rio de Janeiro, IBDF: 1973, p. 137.

 





O tempo, poesia de Olavo Bilac

27 08 2015

 

Dulac-FatherTime-1906-LO velho tempo, ilustração de Edmond Dulac, 1906

 

 

O tempo

Olavo Bilac

 

 

Sou o Tempo que passa, que passa,

Sem princípio, sem fim, sem medida!

Vou levando a Ventura e a Desgraça,

Vou levando as vaidades da Vida!

 

A correr, de segundo em segundo,

Vou formando os minutos que correm…

Formo as horas que passam no mundo,

Formo os anos que nascem e morrem.

 

Ninguém pode evitar os meus danos…

Vou correndo sereno e constante.

Desse modo, de cem em cem anos,

Formo um século e passo adiante.

 

Trabalhai, porque a vida é pequena

E não há para o Tempo demoras!

Não gasteis os minutos sem pena!

Não façais pouco caso das horas!

 

 

Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, 3º livro de leitura, especial para o Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Agir: 1952, p. 91








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