Da minha mesa de trabalho

21 01 2017

 

 

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DA MINHA MESA DE TRABALHO – nesta semana: Lisianto híbrido, branco e lilás.

 

 

Toda minha vida adulta, enquanto morava nos EUA, dediquei-me aos direitos das mulheres.  Estive em marchas, em Vigílias à Luz de Vela, abracei com centenas de outros manifestantes o prédio do Congresso. Fui membro da NOW — National Organization for Women, gritei nas ruas “Equal pay for equal work”. Levei marido, amigos, enteado, todos que eu conhecia, às marchas comigo, vestidos de branco, cor das sufragistas. Dei todo tipo de apoio que me era  possível pelo direitos da mulher.  Suei horrores na cozinha assando bolos para vender em bazares de levantar fundos para a causa e também servi de intérprete gratuitamente para a Planned Parenthood. Fiz o que estava às minhas mãos.  Dedicada assim como centenas de outras mulheres que conheci e que ainda fizeram muito mais.  Essa luta pela igualdade de direitos é a luta da minha geração, da geração pós Glória Steinem, pós queima de sutiãs, pós radicalismo.  Nunca a deixei de lado mas confesso que, com o tempo, me acomodei.

Não pensei que ainda teríamos que voltar às ruas para defender os direitos da mulher, como aconteceu hoje em todas as grandes cidades americanas, no final da segunda década do século XXI.  Para mim, essa luta tinha um gosto amanhecido, de coisa passada do ponto.  Erro meu.

Agora mais do que nunca esse ativismo é necessário. Estou com a televisão ligada.  Atenta ao movimento de resistência aos projetos do presidente Donald Trump.  Se colocados em prática, seus planos serão um grande passo em retrocesso para toda a nação. Estou orgulhosa de ver milhares, possivelmente milhões de americanos, nas ruas, continuando essa luta, procurando justiça

LIVROS sobre a mesa:  O Príncipe dos Canalhas, Loretta Chase; Tempo é dinheiro, Lionel Shriver; O museu do silêncio, Yoko Ogawa; Três cavalos, Erri de Luca.





Da minha mesa de trabalho

31 10 2016

 

 

dsc01530Nesta semana, cravinas com pétalas de bordas vermelhas na leiteirinha da minha avó.

 

Primavera. Para mim neste apartamento isso significa FORMIGAS. De onde elas vêm? Acho que de dentro das paredes. Essas flores, que você vê na foto são foco e atenção de diversos tipos de formiga. Minha mesa parece organizada e limpinha? Porque todos os dias limpo sua superfície com álcool e mais de uma vez por semana, passo remédio contra formigas? Já passei horas seguindo caminhos, longas filas de trabalhadeiras… que desaparecem aqui ou ali, por debaixo de um rodapé, na fresta de uma janela de correr. Vai que um dia o edifício, que esconde tantos seres cai por causa dos formigueiros dentro dele?

As flores que compro as atraem. Principalmente as flores, como essas cravinas, que têm uma coloração artificial: as bordas vermelhas. Fora os crisântemos brancos, praticamente todas as outras flores, coloridas e alegres, chamam para si formiguinhas famintas, que encontram os caminhos mais trabalhosos para chegar os seus caules.

As Formigas é o título de um livro de grande sucesso de Bernard Weber. Ficção científica em três volumes. Eu estava prestes a dizer que não gosto de ficção científica, mas não é verdade. Gosto. Mas sou muito seletiva. Gostei de Haruki Murakami 1Q84, que considero uma das obras primas deste século. Gostei de Fahrenheit 451, que li há muitos anos. E de muitos outros. Fiquei no primeiro volume dessa série chamada O Império das Formigas. Mas muitos leitores que conheço gostaram. O autor nos mostra como elas construíram um universo paralelo. Não consigo parar de pensar neste livro enquanto me defendo diariamente das tropas invasivas de formigas na minha mesa de trabalho. Chamemos as papa-moscas, as lagartixas e demais controladores da super população de formigas, porque assim como está não dá.

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Livros lidos, esperando respectivas resenhas:

A garota do trem — Paula Hawkins

A última palavra — Hanif Kureishi

Guerra de gueixas — Nagai Kafu

Balzac e a costureirinha chinesa, Dai Sijie

O fuzil e a caça — Yasushi Inoue

Enclausurado — Ian McEwan

Dois extras:

Lido há anos e aqui para textos no blog:

As confissões do meu tio Gonzaga, de Luís Jardim.

Leitura no meio —

Night of Many Dreams de Gail Tsukiyama

Sem aparecer na foto, mas lendo no Kindle:

Sapiens:uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari

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