Papalivros, um grupo de leitura, 15 anos de existência!

16 04 2018

 

 

30708363_10216448248102687_3601373864887582720_nBolo de comemoração dos Quinze Anos do Grupo de Leitura Papalivros

Da Graça Pâtisserie, em Copacabana

 

 

Em março de 2003, três meses após o meu retorno ao Brasil, pensei abrir caminho para novas amizades e atiçar fogo nos velhos relacionamentos depois de décadas fora do país. Resolvi fazer no Rio de Janeiro um grupo de leitura nos moldes que conhecera no estrangeiro.

Nos Estados Unidos, nos meus primeiros anos, tive o apoio da Secretaria de Estudantes Estrangeiros da Universidade Johns Hopkins.  Através deles fui apresentada a maneiras de complementar  renda e também, modos de me integrar à vida do país, o que incluiu pertencer a grupos que se encontravam não mais do que uma vez por mês.

Participei de grupos de culinária, onde a cada mês uma pessoa mostrava em sua cozinha, como fazer uma especialidade de seu país de origem.  Participei de grupo de estudos (leituras) de história da Europa. E antes mesmo de completar seis meses no país, entrei para um grupo de leitura. Grupos de leitura são comuns nos EUA.  Morei por muitos anos no país, em três diferentes estados e no Distrito de Columbia e em todos os locais fui membro de um grupo de leitura.

É um meio de se conhecer pessoas, de descobrir afinidades, aprofundar o conhecimento geral.  Ainda me lembro com prazer de algumas leituras dos dois anos em que pertenci ao primeiro grupo, na cidade de Baltimore: John Steinbeck, Of mice and men;  John Fowles, The MagusThe once and future king, T. H. White, All creatures great and small, James Herriot, Watership Down, Richard Adams, Breakfast of Champions, Kurt Vonegut,  Burr, Gore Vidal.  Desses tornei-me fã de Vidal, de Vonegut, e Fowles.  E apaixonada pela história do Rei Artur. Em outros grupos de leitura, conheci dezenas de autores americanos e estrangeiros que me roubaram o coração e a atenção.  E mais, fiz grandes amizades nesses grupos.  Pessoas com afinidades.  E aprendi, sobretudo, a respeitar os gostos de cada um, a ouvir as opiniões dos outros sem interferir e a aceitar que cada um de nós tem gosto único e que ele pode mudar através dos anos.

Minha intenção de abrir um grupo de leitura aqui no Rio de Janeiro, cidade de festa, sol, samba e extroversão, foi recebida com surpresa e descrença. Mas à maneira americana, fui pragmática.  Segui em frente até ver no que dava.  E deu samba.  Muito além das minhas expectativas.  Neste mês de abril o Grupo de Leitura Papalivros (nome escolhido por votação logo no primeiro encontro) completa 15 anos de existência.  Começamos com seis pessoas.  Minhas primas, minha cunhada, uma amiga de mamãe.  Quinze anos depois, ainda temos sete membros que entraram no primeiro ano, dos familiares só minhas primas. Somos 22 pessoas, todas mulheres, mas já foi um grupo misto. Somos leitoras.  E amigas. Nossas idades variam dos 34 anos aos 90.  E continuamos muito amigas, a cada ano, mais amigas.

15 anos, 180 livros, 180 encontros, sem nenhuma falha.  É para nos orgulharmos de nós mesmas, do nosso comprometimento, que melhor acontece quando a verdadeira amizade brota e é cuidada.  Que venham mais 15 ou 30.  É um prazer pertencer a esse grupo.

 

 





Os grupos de leitura selecionam os melhores do ano!

13 12 2016

 

 

gilberto-geraldo-livros-oleo-sobre-tela-60x80-cm-acieNatureza morta com livros

Gilberto Geraldo (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

Dois grupos de leitura votaram nos livros lidos durante o ano.

 

Ao Pé da Letra

(grupo formado por 18 pessoas, leu 12 livros este ano):

 

1 — Um homem chamado Ove, de Fredrick Backman

2 — Infiel, de Ayaan Hirsi Ali

3 — A mulher desiludida, de Simone de Beauvoir

4 — O romance inacabado de Sofia Stern, de Ronaldo Wrobel

5 — Dom Quixote, de Cervantes

6 — A garota de Boston, Anita Diamant

7 – Imperatriz Orquídea, Anchee Min

8 – Pequena abelha de Chris Cleave

9 – A elegância do ouriço de Muriel Barbery

10 – O último amigo, Tahar Ben Jelloun

11 – Cavalos roubados, Per Petterson

12 – O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman

 

 

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Melhor livro do ano:

 

a-elegancia-do-ourico1º lugar — A elegância do ouriço

Muriel Barbery

Editora Cia das Letras, 2008, 352 páginas

 

SINOPSE: À primeira vista, não se nota grande movimento no número 7 da Rue de Grenelle: o endereço é chique, e os moradores são gente rica e tradicional. Para ingressar no prédio e poder conhecer seus personagens, com suas manias e segredos, será preciso infiltrar um agente ou uma agente ou por que não? duas agentes. É justamente o que faz Muriel Barbery em A “Elegância do Ouriço”, seu segundo romance. Para começar, dando voz a Renée, que parece ser a zeladora por excelência: baixota, ranzinza e sempre pronta a bater a porta na cara de alguém. Na verdade, uma observadora refinada, ora terna, ora ácida, e um personagem complexo, que apaga as pegadas para que ninguém adivinhe o que guarda na toca: um amor extremado às letras e às artes, sem as nódoas de classe e de esnobismo que mancham o perfil dos seus muitos patrões.

 

12443009_1121336827886049_827048097_n2º lugar — O romance inacabado de Sophia Stern

Ronaldo Wrobel

Editora Record: 2016, 256 páginas

 

SINOPSE: Autor de Traduzindo Hannah, livro finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2010, Ronaldo Wrobel constrói um thriller instigante neste novo romance. Na trama, o protagonista Ronaldo vive com a avó, Sofia Stern, em Copacabana. Ela é uma refugiada da guerra: nasceu na Alemanha em 1919 e veio para o Brasil às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Quando Ronaldo encontra um diário da avó perdido no apartamento, percebe que as histórias de sua juventude revelam paixões, traições e conflitos. Ele decide trazer os fatos à tona e embarca numa viagem para preencher as lacunas do relato.

 

Capa_Um homem chamado Ove.indd3º lugar — Um homem chamado Ove

Fredrik Backman

Editora Alfaguara: 2015, 352 páginas

 

SINOPSE — Sucesso de vendas na Suécia, uma história divertida e emocionante sobre como uma única pessoa pode mudar a vida de outras — e ter sua própria vida mudada por elas.
Ove tem cinquenta e nove anos e não gosta muito das pessoas. Afinal, hoje em dia ninguém mais sabe trocar um pneu, escrever à mão ou usar uma chave de fenda.
Ninguém mais quer trabalhar e assumir responsabilidades. Todo mundo é jovem, usa calça justa e só quer saber de internet. Para Ove, uma sociedade em que tudo se resume a computadores e café instantâneo só pode decepcioná-lo.
Como se isso não bastasse, a única pessoa que ele amava faleceu. Sem sua esposa, a vida de Ove perdeu a cor e o sentido. Meses depois, ele toma uma decisão: vai dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, Ove aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma.
Um romance comovente que mostra como amor e bondade podem ser encontrados nos lugares mais inesperados.

 

Papalivros

(grupo formado por 20 pessoas, leu 12 livros este ano):

1 — Nora Webster, Colm Tóibin

2 — Um homem chamado Ove, Fredrik Backman

3 — O rouxinol, Kristin Hannah

4 — Bonita Avenue, Peter Buwalda

5 — O ruído das coisas ao cair, Juan Gabriel Vásquez

6 — O romance inacabado de Sofia Stern, Ronaldo Wrobel

7 — A maleta da Sra. Sinclair, Louise Walters

8 — Esnobes, Julian Fellowes

9 — A garota de Boston, Anita Diamant

10 — A garota no trem, Paula Hawkins

11 — Cinco esquinas, Mario Vargas Llosa

12 — O papel de parede amarelo, Charlotte Perkins Gilman

 

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Melhor livro do ano

 

o_rouxinol_1444939285531952sk1444939285b1º lugar — O Rouxinol

Kristin Hannah

Editora Arqueiro: 2015, 428 páginas

 

SINOPSE —  França, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes.
Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.
Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.
Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O Rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.
Separadas pelas circunstâncias, divergentes em seus ideais e distanciadas por suas experiências, as duas irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra – e talvez pagar um preço inimaginável por seus atos de heroísmo.

 

a_garota_no_trem_1454108802454388sk1454108802b2º lugar — A garota no trem

Paula Hawkins

Editora Record:2016, 378 páginas

 

SINOPSE — Todas as manhãs, Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio de galpões, caixas dágua, pontes e aconchegantes casas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes a quem chama de Jess e Jason , Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal. Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess na verdade Megan está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota No Trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.

 

 

Capa_Um homem chamado Ove.indd3º lugar — Um homem chamado Ove

Fredrik Backman

Editora Alfaguara: 2015, 352 páginas

SINOPSE — Sucesso de vendas na Suécia, uma história divertida e emocionante sobre como uma única pessoa pode mudar a vida de outras — e ter sua própria vida mudada por elas.
Ove tem cinquenta e nove anos e não gosta muito das pessoas. Afinal, hoje em dia ninguém mais sabe trocar um pneu, escrever à mão ou usar uma chave de fenda.
Ninguém mais quer trabalhar e assumir responsabilidades. Todo mundo é jovem, usa calça justa e só quer saber de internet. Para Ove, uma sociedade em que tudo se resume a computadores e café instantâneo só pode decepcioná-lo.
Como se isso não bastasse, a única pessoa que ele amava faleceu. Sem sua esposa, a vida de Ove perdeu a cor e o sentido. Meses depois, ele toma uma decisão: vai dar fim à própria vida. No entanto, cada uma de suas tentativas é frustrada por algum vizinho incompetente que precisa de ajuda. Mas, quando uma estranha família se muda para a casa ao lado, Ove aos poucos passa a encarar o mundo de outra forma.
Um romance comovente que mostra como amor e bondade podem ser encontrados nos lugares mais inesperados.

 

Que 2017 traga bons livros a esses dois grupos de leitores.

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Uma grosa de livros lidos

12 04 2015

Young Woman in the Reading Room in a Library, Thomas Jakob RichterJovem na biblioteca

Autoria disputada. Charpentier?  Thomas J. Richter ?

óleo sobre tela.

 

 

Hoje o grupo de leitura Papa-livros completa 12 anos de atividades ininterruptas.  Foram 144 livros lidos.  Uma grosa.  Não é um pequeno sucesso.  Num país em que poucos têm o hábito da leitura essa é uma etapa a ser comemorada.  Das 20 pessoas ativas 4 estão nele desde o primeiro ano,  3 são “fundadoras” (pertencem desde de o primeiro encontro) e a quarta, a partir do segundo encontro. Mas temos algumas com 11 e 10 anos de grupo, 8 e assim por diante.

O grupo de leitura já passou por muitas transformações. Começou na casa de uma de nós. Hoje se encontra em lugar público. Já fomos um grupo misto, hoje somos só mulheres.  Decidimos que preferimos assim. Já tivemos falecimento, divórcio, reconciliação, viuvez,  netos, casamentos de filhos, divórcio de filhos, e tudo mais que aparece na vida normal de pessoas normais.  No momento, temos um filhote, bebê de menos de 1 ano, Pedro, nosso talismã. Gostamos de festas.  Fazemos duas por ano.  Hoje e no Natal. O grupo inclui pessoas dos 32 aos 86 anos. Somos católicos, judeus, budistas, ateus e tudo combinado… O que nos une é a vontade de ler.  Depois, gostamos das discussões sobre o que lemos. E aos poucos as amizades se estreitam. Mas pense bem, quantos amigos, que não trabalham com você, você vê durante o ano, pelo menos 12 vezes?  Garanto que não são muitos. Amizades não aparecem automaticamente, principalmente depois que somos adultos. No nosso caso, amizades vêm com os encontros mensais e encontros que cada um tem com membros do grupo, à parte, durante o mês. Com telefonemas. Com uma foto mandada por email; uma mensagem por celular. Encontros fora do grupo são incentivados, pois só assim as amizades conseguem florescer; se solidificam.

Incentivo todos que gostam de ler a participarem ou a formarem um grupo de leitura. Garanto que isso dará uma repaginada na sua vida.  É impressionante a pluralidade de reações a um livro, a uma obra, a um enredo. De repente vemos aquilo que lemos de uma forma diferente… Temos tido muito mais pedidos para entrada no grupo do que é possível atender.  O ideal são 12 pessoas.  Já havíamos aumentado para 15, por concessões a membros.  E recentemente, desde novembro do ano passado, passamos a ser 20, quando adotamos os membros órfãos do grupo de leitura Entrelinhas, nascido com a nossa bênção e que se desfez.  Ganhamos nós, porque tivemos uma renovada total, não só nas discussões como nas propostas de leitura.  Desde o início nos comprometemos a não ler os clássicos tradicionais.  Procuramos os livros que acabaram de ser lançados, ou algum que tenha impressionado alguém. Nossas discussões são informais, às vezes pendem para o lado pessoal, às vezes para a análise mais formal.  Com frequência falamos de história, de política, de problemas sociais. Muitas vezes de experiências que vivemos. Cada livro traz consigo uma variedade enorme de assuntos que podem ou não ser abordados.  Só depende da vontade do grupo.  Temos as profissões mais variadas: psicólogos e psicanalista, advogadas, escritora, arquiteta, artista plástica, ambientalista, relações internacionais, tradutora/intérprete, engenheira, mães de família, professoras de ioga, língua estrangeira e outras.

Quando fizermos quinze anos faremos uma grande festa, reunindo todos os membros presentes e passados.  Pensando longe?  Acho que não. Quando já se leu 144 livros, o que são 36 mais?  Nada… uma brisa…

Quero expressar publicamente o meu apreço a todas que contribuíram para mais um ano de atividades e sucesso. Sem a contribuição de cada uma não teríamos sucesso. Em ordem alfabética: Albertina, Ana Maria, Andréa, Chaia, Camille, Cibele, Elizabeth, Fabiana, Gisela, Inez, Léa, Luba, Lucia L., Lúcia S., Magali, Maria Eugênia, Melissa, Mônica, Rosi e Vera. Que venham mais 12 anos.  E muitos outros mais. Foi a dedicação de vocês, o comprometimento, a habilidade de se desvencilhar de obrigações uma vez por mês, a boa vontade de muitas vezes ler aquele livro que não agrada, a aceitação de que nem sempre as discussões são interessantes mas continuar para ver no que dá, a aceitação de opiniões contrárias ao que se pensa, e o respeito às decisões sempre democráticas. Por tudo isso, pelo calor humano, pela simpatia com o outro, pelo bom humor, pelo dar-se e receber, por tudo que temos feito juntas, o meu profundo agradecimento.  São vocês que fazem o grupo.  Eu, só organizo.  Aproveito para agradecer também ao nosso garçom favorito, Sr. Deusdeth, por sempre nos dar atenção tomando nota dos detalhes de cada pedido de exceção: “sem alface”, “com queijo”, “sem amendoim”, “posso substituir…”, etc. Não é fácil com 20 mulheres.  Enfim estou grata a todos. Pronta, para mais doze aventuras por ano!





Uma cadeira vazia…

4 10 2013

Edward Alfred CucuelChá no parque

Edward Alfred Cucuel (EUA,1875-1954)

óleo sobre tela

A vida é um sopro.  Disseram-me isso na semana passada quando passei uns dias um pouco desorientada: uma amiga de muitos anos morreu subitamente, em casa. Olga tinha idade.  Era uma senhora. Cabeça e corpo em ótimo estado.  Só a asma crônica dava trabalho de vez em quando. Mas estava de viagem marcada para Inhotim daqui a umas semanas e no início deste ano já havia passeado pela América Latina, em uma de suas inúmeras viagens com membros da família.

 Já conheci Olga aposentada. Havia trabalhado usando seu maravilhoso senso estético:  havia sido designer de azulejaria para uma grande companhia brasileira. Mas era uma artista fora do trabalho também, tendo se dedicado à pintura por muitos e muitos anos. Grande senso estético.  Tudo que resolvia fazer com as mãos saía bonito.  Equilibrado.  No meu aniversário, este ano, fez uma toalha de mesa para mim, belíssima, colorida, uma combinação elegante de variados chitões.  Em boutiques de cama e mesa  seria vendida por uma pequena fortuna. Era audaciosa no design. Cores vibrantes. Ideias destemidas.  Como no quadro/escultura em que ripas pintadas e espaçadas, brincavam com o espaço nulo entre elas. Que efeito!

Olga era uma das mulheres que entrou para o grupo de leitura há dez anos.  Era das mais antigas.  Veio pelas mãos de uma amiga em comum.  A amiga foi embora.  Olga ficou.  E nos deu, a todos nós, grandes lições.  Ensinou pelo exemplo.  A independência era um de seus traços mais marcantes. Além da generosidade, do senso de humor e da impaciência com os que se dedicavam às lamentações.   No grupo de leitura primava por opiniões sinceras, complexas e invariavelmente certeiras. Tinha uma maneira única de interpretar. Lembro-me de algumas ocasiões em que defendeu um livro mesmo quando dezesseis outras pessoas o criticaram.  O cemitério de Praga, de Umberto Eco, foi um desses.

Estava sempre disposta a fazer algum programa cultural.  Ávida por visitar exposições de arte, por participar de uma palestra. Colocava-se em situações que favoreciam falar inglês e francês, para não perder a fluência em ambas as línguas. E generosa, dispunha-se a dividir conosco sua bela residência.  E nós adorávamos.  Foi lá que celebramos alguns encontros do grupo.  Foi lá que recebemos escritores para um bate-papo com o grupo. Foi uma real participante do Papa-livros.  Deixa 16 amigas que sentirão muito sua falta.  Estou entre elas.

olga abramson 1927-2013Olga Abramson

1927-2013





Papa-livros: Guia de discussão para o livro Um dia, de David Nicholls, leitura terminada em 18/10/ 2011

16 11 2011

Conversa Fiada, 1908

Rupert Bunny (Austrália, 1864-1947)

óleo sobre tela

A boa recepção, a popularidade imediata, que este livro teve tanto na Inglaterra, sua terra natal, onde foi publicado em 2009, assim como nos Estados Unidos – um país avesso às publicações estrangeiras – assim como a imediata filmagem do romance, numa produção para ser lançada em circuito aberto, aqui no Brasil em breve, fez com que muitos achassem tratar-se simplesmente de uma obra comercial, sem qualquer outro valor que valesse uma discussão mais aprofundada.  No entanto, é inescapável a realização de que a obra de David Nicholls [veja resenha nesse blog] falou a muitos, a uma geração inteira, nascida por volta de 1970 e a tantos outros que mantêm seus espíritos abertos a novas e interessantes aventuras.   O livro retrata dois personagens de  1998 a 2007, a cada capítulo um ano se passou.  Com detalhes pontuais de cada época, percebe-se a mudança de tempo e de atitudes não só dos dois protagonistas, como da sociedade à volta.

Sugestão de perguntas: 

1 – Logo no início, quase na apresentação dos personagens, tanto Emma quanto Dexter fazem uma resenha de como cada um imagina o outro, no futuro.  Você considera isso um prenúncio do que virá?  São visões que se realizam? 

2 — Dexter e Emma seguem seus diferentes caminhos, quase como lados opostos de uma mesma geração, de um mesmo grupo de pessoas.  Em que eles se opõem?  O que eles têm em comum, apesar de vidas aparentemente opostas? 

3 – A vida que Emma segue, seus diferentes “empreguinhos” são consistentes com o que ela diz querer da vida?   E Dexter?  Segue um caminho consistente com seus valores?  Quais são esses valores?

 4 – Dexter acha que Emma tem baixa auto-estima, que ela não se valoriza.  Você concorda?  Por que ele estaria notando isso sobre a amiga?

 5 – Dexter tem um comportamento auto-destruidor.  Auto-destruição está com frequência ligada à baixa auto-estima.  Por que ele sofreria dessa percepção de si mesmo, já que era atraente, sedutor e tinha uma carreira de sucesso? 

6 – A medida que eles se aproximam dos 30 anos há uma diferença de atitudes nas suas vidas.  Cada um dá uma guinada.  Emma se acha velha, e tem um caso amoroso que jamais teria pensado possível.  Dexter por outro lado também se encontra envolvido com Sylvie.  A reação de cada um deles com a aproximação dos 30 anos é condizente com suas vidas?  O que elas demonstram?  

7 –  Ambos vão separadamente a um casamento.  Este é um momento pivô no romance.  O que cada um descobre a respeito de si mesmo nessa ocasião?

8 —  O que muda no relacionamento deles depois que Emma tem sucesso como escritora e Dexter está num caminho oposto, tendo que lidar com sua falência profissional?

9 —  Como esse romance difere de e o que tem em comum com outros romances em que um envolvimento romântico entre um homem e uma mulher acontece?  

10 – David Nicholls por vezes parece se ater a pequenos incidentes na narrativa, coisas que não parecem importantes.  Até mesmo alguns personagens, que mais tarde se tornam importantes, têm sua estréia no romance como se fossem coadjuvantes de muito menor valia.  O que esta maneira de narrar traz dá ao leitor?  Por que ela foi usada?

11 – A narrativa de uma vez por ano exige que o leitor preencha em muitos parênteses em aberto sobre a vida de cada um dos personagens principais, sobretudo quando no dia 15 de julho de um determinado ano, nada de grandioso ou importante parece ter acontecido.  Essa ferramenta de narrativa é eficaz?  O que ela tem como objetivo? 

12 – Você acredita que esse romance conseguiu fazer um retrato convincente da geração que descreve?





Papa-livros, leitura para setembro: Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel

8 09 2011

Evasão, 2008

Abderrahmane Chaouane (Argélia, 1958)

óleo sobre tela

Leitura para SETEMBRO, discussão nesse blog a partir do dia 20

Traduzindo Hannah, de Ronaldo Wrobel

SINOPSE

O sapateiro judeu Max Kutner é convocado para trabalhar na censura postal do regime Vargas, traduzindo cartas do iídiche para o português em busca de subversivos. Enquanto lida com o peso na consciência, Max se apaixona por uma desconhecida através de suas cartas e, determinado a encontrá-la, descobre mais do que pretendia – inclusive sobre si mesmo.

EDITORA: Record

Ano: 2010

Número de páginas:  272

A arte de Abderrahmane Chaouane






Papa-livros: Guia de discussão do livro Cada Segredo, de Laura Lippman, leitura terminada em 08/2011

28 08 2011

Chá no jardim, 1917

Fernand Blondin (Suíça, 1887-1967)

óleo sobre tela, 84 x 102cm

Mark Murray Fine Paintings

Este é um livro de suspense.  Laura Lippman é uma escritora bastante conhecida e detentora de diversos prêmios na categoria de mistério e suspense.  A maior parte de suas obras é situada na cidade de Baltimore, no estado de Maryland,  nos Estados Unidos.  Baltimore é uma das poucas cidades americanas que tem maioria negra, próximo a 65% da população.   Mas é uma cidade com grande pluralidade de americanos de outras origens.  Os descendentes de irlandeses e de italianos formam uma grande percentagem da população.  Há também muitos descendentes de poloneses e outros imigrantes de ascendência européia.  Levando em conta esse panorama, o romance Cada Segredo, explora os preconceitos de origem e de cor da pele que determinam o comportamento de diversos personagens na trama.   Este é o ponto em comum de todos os personagens.

1) Como e que personagens mostram comportamento preconceituoso?

2) Além do preconceito de cor da pele, há também preconceitos de origem, de classe social e de religião.  Como eles são retratados?

3) Você acredita que a maneira de representar esses preconceitos é essencial ao desenvolvimento da trama?

4) A autora preencheu muitos detalhes sobre a vida de cada personagem dando informações sobre o passado de cada um e sobre sentimentos complexos que os fazem agir dessa ou daquela maneira.    Você acha que todos esses detalhes foram necessários?  Eles enriqueceram a sua experiência na leitura ou eles desviaram a sua atenção da solução do crime?

5) Alguns personagens tentam influenciar a ação da polícia.  De que maneira eles fazem isso?  São bem sucedidos?  Por que eles não conseguem deixar a polícia resolver o crime por si própria?  Qual é o interesse de “guiar” a mão da polícia?

6) A solução do crime cometido foi satisfatória?

7) Duas meninas de 10-11 anos vão para a cadeia, pagar pela morte de um bebê.  Elas saem da cadeia aos 18 anos.  A filha de um juiz tenta exercer sua influência para que elas sejam julgadas como adultas.  Que diferença faria isso?

8 ) Quais as diferenças entre a sociedade americana e a brasileira quando o crime de assassinato é perpetrado por uma criança de 10-11 anos?

9) Nos Estados Unidos o crime de assassinato não prescreve.  Ou seja, o processo de procura de um assassino está sempre em aberto, nunca é arquivado, até que o crime seja resolvido, mesmo que décadas tenham se passado.  Compare essa estipulação da lei americana com as leis brasileiras.  O que você endorsa?

10) A literatura de mistério e de suspense no Brasil ainda engatinha.  Temos bons autores, mas se comparada com a produção americana estamos bem aquém.  Quais seriam as razões dessa diferença, já que há milhares de leitores desse gênero no Brasil?

Para participar desse debate, sugiro que você leia o livro.  Coloque suas opiniões aqui.  Como fiel da balança a Peregrina irá monitorar as respostas a essa postagem e editar caso seja necessário cada uma das respostas.  Obrigada por pedirem o debate,  que ele seja proveitoso.








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