Natureza maravilhosa — Peixe mandarim

15 09 2013

mandarin fish7Peixe Mandarim.  Foto: Life of Sea.

O peixe-mandarim (Synchiropus splendidus) vive na água salgada em lugares de clima tropical. Mede de 6 a 10 centímetros de comprimento. Vive escondido em fendas nos recifes de coral e alimenta-se de pequenos animais marinhos que passam próximo de seu esconderijo; também come pequenas quantidades de algas e outros flocos que possam lhe servir de alimento. Vive no Pacífico.





Ecos de Alfred Hitchcock, mais uma nota sobre o meio ambiente

3 01 2011

Céu e água, 1938

M.C. Escher ( Holanda, 1898-1972)

Xilogravura

A pequena cidade de Beebe ( 4.500 habitantes), no estado de Arkansas, nos Estado Unidos, foi surpreendida ontem, dia 2 de janeiro, quando pássaros mortos começaram a cair do céu.   Oficiais do Serviço Florestal tiveram que ir de casa em casa recolhendo os pássaros mortos dos jardins da cidade.  Foram ao todo entre 4.000 a 4.500 pássaros recolhidos dos telhados, jardins, dos galhos de árvores.   Não se sabe exatamente a causa deste homicídio em massa.  “Pode ser relacionado ao tempo, ou talvez até mesmo ao stress”, explicou  a Comissão de Pesca e Vida Selvagem do estado.  Fogos de artifício detonados à meia noite do dia 31 podem ter aumentado o estress dos pássaros.   Os pássaros recolhidos serão analisados.

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No entanto, há um ano atrás mais ou menos, no mesmo estado de Arkansas, na imdeiações da cidade de Franklin, pássaros também “choveram” do céu.  O culpado do homicídio em massa fora um fazendeiro que colocara veneno na sua fazenda e os pássaros morreram em 24 horas.

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Mas alguma coisa muito estranha está acontecendo em Arkansas.  Em 30 de dezembro, milhares de peixes apareceram mortos em Roseville, Arkansas.  Morte até agora inexplicável.!

FONTE: Reuters





Mercúrio na Baía de Guanabara, RJ

17 04 2009

baia-com-pescadorVista parcial da Baía de Guanabara, RJ, com pescador e o Corcovado ao fundo.  Foto:  Ladyce West

 

 

 

 

 

 

 

 

O jornal O Globo de hoje, na seção Ciências, traz um artigo sobre os níveis de mercúrio encontrados nos animais que freqüentam as águas da Baía de Guanabara no Rio de Janeiro.  

 

Estudo feito pelo biólogo Jaílson Fulgêncio de Moura da Escola Nacional de Saúde Pública (Enso/Fiocruz) mostra que as águas da Baía de Guanabara apresentam altos níveis de contaminação por mercúrio.  Como já explicamos aqui neste blog [ Aumenta o nível de mercúrio no oceano, 16/4/2009] todos nós sofremos com o envenenamento por mercúrio.  Mas os problemas são ainda piores para as mulheres grávidas, cujo consumo de mercúrio pode causar problemas neurológicos nos fetos.

 

Jaílson de Moura analisou o nível de mercúrio nos golfinhos que visitam a Guanabara, mais especificamente o boto-cinza, que se alimenta de peixes, entre eles muitos peixes consumidos pelo homem.    O estudo, iniciado em 2002, se concentrou no golfinho, porque este mamífero em geral acumula em seu organismo substâncias contaminantes encontradas no meio ambiente.  

 

Além do mais, trata-se de uma espécie que ocorre até cinqüenta metros de profundidade, ou seja, é um animal de regiões costeiras, que são as que sofrem mais impacto das atividades humanas, explicou o biólogo.

 

As águas da Baía de Guanabara recebem uma grande quantidade de dejetos industriais, o que explica o aparecimento do mercúrio nos golfinhos estudados.  Além do mais estes botos vivem aproximadamente 30 anos, o que ajuda aos especialistas a analisar o tempo de exposição e consumo de mercúrio que estes animais tiveram ao longo de suas vidas.

 

Apesar de não termos os níveis assustadores de contaminação de mercúrio já encontrados em golfinhos na Ásia, cada vez mais, vemos a necessidade de imediata atenção na recuperação das águas da Guanabara, na limpeza, na despoluição da baía.

 

 

 





Aumenta o nível de mercúrio no oceano

16 04 2009

peixes-henry-carrieres

Peixes, sd

Henri Carrières [Henri Laurent Yves Carrières]

(França, 1947—radicado no Brasil desde 1952)

Óleo sobre tela

 

 

 

 

Num artigo da revista NATURE, cientistas alertam para o aumento dos níveis de mercúrio no Oceano Pacífico.  Isso pode significar que mais metilmercúrio, uma neurotoxina humana formada quando o mercúrio é metilado por micróbios, se acumule em peixes marinhos como o atum.

 

Tradicionalmente a preocupação com a concentração de mercúrio na atmosfera era o centro das preocupações entre cientistas.  Mas agora estes números estão começando a se ampliar e busca-se,  num quadro mais amplo, o ciclo do mercúrio. As diretrizes do governo norte-americano quanto ao teor aceitável de metilmercúrio em peixes está agora sob revisão.

 

Elsie Sunderland, bióloga da Universidade Harvard, e seus colegas procuram por um possível mecanismo para a metilação de mercúrio no oceano.  Não se sabe exatamente de que maneira o mercúrio atmosférico – quer lançado diretamente no oceano, quer transportado pelos rios ou depósitos costeiros – é metilado e por fim absorvido pelos peixes.  Desta maneira representa uma das fontes primárias de exposição humana ao metilmercúrcio.

 

Os pesquisadores recolheram amostras na parte leste do Pacífico Norte, uma área que também havia sido monitorada em cruzeiros de pesquisa conduzidos por cientistas norte-americanos em 1987 e 2002.  Eles estimam que o mercúrio metilado seja responsável por altas taxas de até 29% de todo o mercúrio contido nas águas do oceano.  Menores concentrações estão presentes em massas de água mais profundas. A análise dos dados desenvolvidos pelo grupo indica que a deposição atmosférica de mercúrio  pode duplicar até 2050.  Se considerarmos os níveis existentes em 1999.

 

A equipe de Sunderland também encontrou uma relação entre os níveis de mercúrio metilado e carbono orgânico. Partículas de carbono orgânico, originado de fitoplâncton ou outras fontes, podem oferecer superfícies sobre as quais os micróbios seriam capazes de metilar mercúrio no oceano, sugerem os pesquisadores. O mercúrio metilado seria posteriormente liberado na água.

 

Não temos ainda um mecanismo causal para o fenômeno, mas ele parece estar vinculado ao bombeamento biológico do oceano“, diz Sunderland. Resultados anteriores de observações conduzidas no Pacífico Sul e na região equatorial do mesmo oceano, ela acrescenta, localizaram concentrações semelhantemente altas de metilmercúrio nos locais onde a atividade biológica era mais elevada. A conexão tem implicações para a mudança do clima e para o ciclo do mercúrio. Oceanos mais quentes e mais produtivos, com mais fito plâncton e mais peixes, poderiam elevar o volume de mercúrio metilado que termina nos pratos humanos.

 

 

 

 

pescadores-painting Pescadores em Copacabana, RJ.  Foto: Ladyce West

 

 

 

Os pesquisadores acham provável que as águas no oeste do Pacífico devem estar recebendo mercúrio por causa da elevação das emissões atmosféricas da Ásia.  De lá este mercúrio estaria se deslocando para a região o nordeste do Pacífico.  No momento, o oceano está refletindo as cargas de mercúrio geradas por deposição atmosférica no passado, diz Sunderland.

 

Daniel Cossa, do Instituto Francês de Exploração e Pesquisa Marítima (Ifremer), em La Seyne-sur-Mer, e seus colegas que também trabalham com o nível de mercúrio no mar, recolheram dados sobre mercúrio no Mar Mediterrâneo, para artigo a ser publicado em maio pela revista Limnology and Oceanography.

 

Os dois estudos indicam que nem todo o mercúrio metilado vem diretamente de fontes costeiras ou fluviais.  Eles conseguiram confirmar que ocorre metilação em profundidades moderadas nas águas oceânicas, como diz nicola Pirrone, co-autor do estudo dirigido por Cossa e diretor do Instituto de Poluição Atmosférica do Conselho Nacional de Pesquisa italiano, em Rende.

 

O oceano é um grande espaço em branco” no ciclo do mercúrio, diz Pirrone, que também comandou a avaliação científica sobre o mercúrio conduzida no ano passado pelo Programa Ambiental das Nações Unidas.

 

Robie Macdonald, cuja especiadade tem se concentrado nos estudos do nível de  mercúrio nas águas do Oceano Ártico.  Diz que embora o mercúrio na atmosfera tenha se elevado em cerca de 400% nos últimos 100 a 150 anos, as concentrações parecem ter aumentado em apenas 30% nos oceanos. “Nós estivemos tão ocupados observando a atmosfera que não nos preocupamos com o oceano.  Ambos os estudos são realmente importantes.  É preciso chamar a atenção da comunidade científica quanto aos efeitos e riscos do mercúrio em geral“.

 

Quaisquer medidas de controle do metilmercúrio, porém, precisam levar em conta que volume vem de fontes naturais inevitáveis e que volume é gerado por fontes antropogênicas como a combustão de combustíveis fósseis, aponta Pirrone.

 

Há pressão pelas companhias de alimentos que produzem peixes enlatados para que não se faça necessário colocar nos rótulos de latas como as de atum, o  nível de metilmercúrio nos peixes para consumo alimentar.   No início deste ano, um tribunal da Califórnia decidiu que as empresas que produzem atum em lata não precisarim informar em suas embalagens sobre o teor de metilmercúrio em seus produtos. A  FDA [Food and Drug Administration] está avaliando suas normas quanto ao risco de consumo de metilmercúrio em peixes.

 

 

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Peixes, Mercado dos Pescadores, Posto 6, Copacabana, RJ.  Foto: Ladyce West

 

 

 

 

 

 

Como é que o metilmercúrio se acumula no peixe?  Apesar de o mercúrio surgir naturalmente no meio ambiente, a fonte primária do metilmercúrio, encontrado no peixe, é a poluição industrial. Através da chuva o mercúrio pode se acumular em riachos, rios, lagos e oceanos onde, através da ação de organismos anaeróbicos, é transformado quimicamente em metilmercúrio.  Os peixes absorvem o metilmercúrio ao alimentarem-se de organismos aquáticos. Peixes maiores e com uma vida mais longa alimentam-se de outros peixes, ao longo da sua vida, acumulando assim níveis maiores de metilmercúrio. O cozimento do  peixe ou sua exposição ao calor, infelizmente, não reduz os níveis de mercúrio.

 

Lembramos que no Brasil o metilmercurio é bastante encontrado em rios.  O mercúrio como se sabe, é  usado em jazidas de ouro, com a finalidade de separar o metal precioso do minério bruto.  Aqui já se tornou  um problema ambiental de alcance global. De fato, o mercúrio descartado no processo contamina as águas de rios, usadas para a lavagem dos minérios. Esse metal, pesado e extremamente tóxico, é acumulado nos organismos de espécimes da fauna e da flora. Se peixes contaminados por mercúrio forem consumidos na alimentação humana, há sérios riscos de desenvolvimento de uma doença que ataca o sistema nervoso, chegando, em casos extremos, a ser fatal.

 

A enfermidade decorrente da intoxicação por mercúrio foi descoberta por ocasião do pior caso de contaminação humana já causada pelo metal, na baía japonesa de Minamata, na década de 50.  A “doença de Minamata” afeta o sistema nervoso e o cérebro, causando dormência nos membros, fraquezas musculares, deficiências visuais, dificuldades de fala, paralisia, deformidades e morte. O metilmercúrio também ataca os fetos durante a gestação, sendo que até mesmo fetos de mães aparentemente saudáveis podem ser gravemente afetados.  Os fetos e recém-nascidos são muito sensíveis aos efeitos do metilmercúrio que provoca dano ao sistema nervoso central (SNC: cérebro e medula espinal).  A gravidade do dano está diretamente relacionada à dosagem recebida. Muitos dos efeitos no SNC são parecidos àqueles observados na paralisia cerebral, e acredita-se que o metilmercúrio seja a causa de uma forma de paralisia cerebral.

 

O metilmercúrio —  que é uma substância orgânica derivada do mercúrio – também vem sendo usado para preservar sementes de grãos.  Surtos de envenenamento por este metal também têm ocorrido pela ingestão de sementes de grãos ou carnes de animais que se alimentaram desses grãos

 

Fontes:  Portal Terra, Canal Ciência, Enciclopédia Ilustrada da Saúde, Produtos Naturais

 

 

 

 

 





O cheiro do medo: ratos e peixes na berlinda.

31 08 2008

 

De acordo com o resultado de uma pesquisa feita na Suíça e noticiada no programa da rádio NPR nos EUA:  All Things Considered  (21-8-2008 )  pelo jornalista Christopher Joyce,  sabemos  hoje que o medo tem o seu próprio cheiro e também que ele vem do feromônio do  alarme, que animais produzem quando sob influência do estresse.  

 

Os cientistas ainda não sabem como tudo funciona.  Sabem que há um órgão no nariz dos ratos que detecta o feromônio do alarme.  Isto quer dizer que de fato existe o tal cheiro do medo.   O órgão que sente este cheiro é chamado de gânglio de Grueneberg, que são uma trouxinha de células próximas a ponta do focinho do rato.

 

Na Universidade de Lausanne, a bióloga, Marie-Christine Broillet separou quantidades de ar de gaiolas em que ratos envelhecidos foram submetidos à eutanásia.   Quando os pesquisadores expuseram ratos jovens e saudáveis a este ar, os neurônios do gânglio de Grueneberg se modificaram.  E o comportamento dos ratos também se modificou: correram para o lado oposto da gaiola e viraram estátuas, não se mexiam.

 

Para a confirmação da descoberta, submeteram ratos a outro teste, desta vez, removendo as células de percepção do glânglio.  Estes ratos, por sua vez, não demonstraram nenhum alarme quando expostos ao feromônio do medo.  Não houve reação alguma. 

 

É interessante notar que há um outro ser vivo que parece usar constantemente sua habilidade de detectar através de um feromônio, situações de alarme.   São os peixes.  Quando atacados por um peixe maior, eles secretam uma substância pela pele, a que se deu o nome em alemão de schreckstoff, que significa “coisa de grito”.

 

O alarme dado pelos peixes de perigo à vista, está sendo estudado pelo zoólogo Nathaniel Scholz, que tem se dedicado ao estudo de quanto a poluição das águas afeta a abilidade dos peixes de perceber uma situação de alarme, de sentir o schreckstoff.  Até o momento sua pesquisa descobriu que o cobre presente nos elementos urbanos poluidores da água proíbe os peixes de perceberem quando estão correndo perigo.  Em outras palavras,  eles não conseguem cheirar o feromônio do medo.  





Sucesso! BIO-EYES um projeto para o estudo da ciência.

26 08 2008
Paulistinhas

Paulistinhas

BIOLHOS  — esta foi a melhor tradução que encontrei para o nome de um projeto de grande sucesso nos EUA — chamado Bio-EYES – que até o momento compreende as cidades de Baltimore, em Maryland, Filadélfia na Pensilvânia e South Bend no estado de Indiana.  Este programa de incentivo aos estudos, direcionado a crianças pobres, de bairros carentes destas cidades, propaga conhecimentos de ciências naturais, incentiva os estudos da genética e ajuda a demonstrar métodos científicos de pesquisa aos que muitas vezes nem pensariam que poderia haver um futuro para eles em semelhante setor.

 

Como quase todo bom projeto, BIO-EYES surgiu organicamente, como por acaso, para preencher um vazio no seio das comunidades pobres.  Não foi pensado por um governo e então aplicado.  Cresceu de uma necessidade e se enraizou pela infinita boa-vontade dos muitos profissionais que o lideram.  Começou inicialmente de graça, num laboratório local, servindo a uns poucos alunos.  Hoje é uma ONG que já cobre as necessidades de tres comunidades em cidades distantes, entre si, mas semelhantes em carência.

 

Em 2001, o biólogo americano Dr. Steven A. Farber acabava de inaugurar seu primeiro laboratório na universidade Thomas Jefferson na Filadélfia.  Um sonho de qualquer cientista que se preze, este laboratório repleto com maquinaria de ponta, levava o seu nome na porta, uma indicação que de que as pesquisas ali realizadas estavam todas sob sua responsabilidade.  Enquanto ainda desempacotava caixas de papelão e em meio a muita bagunça, Dr. Farber fazia planos para continuar a pesquisa que vinha fazendo sobre a genética da digestão de gorduras.  Por isso, seu laboratório, comportava além dos instrumentos científicos esperados um aquário onde cardume de peixes Paulistinhas fazia repetidas viagens de um canto ao outro, movendo-se incessantemente.  O Danio rerio nome científico do peixinho listrado que no Brasil chamamos de Paulistinhas é um dos seres mais usados em alguns tipos de experimentos científicos hoje em dia por serem de manutenção barata, por se reproduzirem rapidamente e por terem seus corpos transparentes, o que ajuda em muito o entendimento de qualquer processo biológico.  

 

Desde 1993, todos os anos, no dia 24 de abril, nos EUA, há a campanha [“Take your kid to work Day”]  Leve seu filho para o trabalho hoje,  uma campanha nacional (hoje em dia inclui o Canadá também) organizada para expor crianças ao ambiente de trabalho de seus pais, deixá-las curiosas sobre o mundo adulto, assim como, no futuro, ajudá-las a decidir sobre planos de carreira.  Crianças de 6 a 15 anos participam deste evento, no país inteiro.  Em 2001, enquanto ainda arrumava seu laboratório, alguém guiando um grupo de crianças pelo hospital vizinho sugeriu:  “ Ei, depois dessa visita, passem lá no laboratório do Dr. Farber para verem o aquário com os Paulistinhas.”

 

As crianças que visitaram o então recém inaugurado laboratório ficaram fascinadas.  Naturalmente intrigadas por animais, neste laboratório elas foram apresentadas ao elementos básicos da ciência biológica podendo apreciar os órgãos internos dos peixes – porque são translúcidos – puderam achar maneiras de descobrir o peixe macho do fêmea,  puderam “caçar” um macho e uma fêmea para serem colocados num aquário exclusivamente usado para reprodução e  na discussão sobre a aparência dos futuros peixinhos chegaram às linhas gerais do estudo de genética.  Todos estes conhecimentos foram passados de maneira esquemática, mas bastante interessante para instigar os alunos a considerarem as ciências seriamente.  Dr. Farber mostrou às crianças através de seu poderoso microscópio o coração dos peixes vivos bombeando células vermelhas.  O sucesso foi imediato.  E logo, logo, sem ter feito qualquer plano, seu laboratório virou parada obrigatória para qualquer turma de estudantes das escolas de nível básico e médio em dias de excursão.    

 

Na verdade, foram tantas as visitas que estas começaram a perturbar o projeto de pesquisa do Dr. Farber.  Assim, ele se dirigiu ao diretor da instituição.  Juntos acharam que havia bastante interesse para justificar uma posição para um professor de nível básico para servir de guia para os visitantes.  Procuraram então por uma maneira de financiar um professor por ano, para esta posição.  O professor, eles sabiam, tinha a maneira correta de interessar ainda mais os alunos visitantes.  Sabia exatamente como trazer um mundo de informações ao nível de conhecimento dos jovens.  

 

Assim foi o início da ONG BIO-EYES que tem como objetivo levar conhecimento cientifico às crianças na escola além de promover a curiosidade e o estudo da ciência.  Quando a ONG  — pelo menos na cidade de Baltimore — descobre que há um aluno ou aluna com talento para as ciências, com aptidão e gosto para este tipo de trabalho a ONG dirige o aluno a uma das escolas públicas modelo que dão maior incentivo aos estudos das ciências.  Hoje o projeto é bem mais elaborado.  BIO-EYES trabalha em direto contato com cada professor interessado em trazer sua turma e por uma semana as crianças são responsáveis por anotar nos “cadernos científicos” que lhes são dados suas observações junto aos peixinhos no aquário.   A descoberta ainda na idade tenra de talento em potencial entre esses alunos vindos de áreas e de famílias carentes é um dos grandes objetivos da organização.  

 

Nestes 7 anos de existência o sucesso vem quase que de imediato, revelado no número de cartas que as crianças escrevem depois das visitas, demonstrando interesse em seguirem uma profissão que inclua o que elas viram na visita ao laboratório e na observação dos cardumes de Paulistinhas, nos aquários de experimentos.  

 

 

Este artigo foi baseado na entrevista dada pelo Dr. Farber à jornalista do New York Times Claudia Dreifus, publicada no dia 29 de julho de 2008, com o título: A Conversation With Steven A. Farber: To Teach Genetics, Zebra Fish Go to School.  [Conversa com Steven A. Farber — Ensinado genética, Paulistinhas vão à escola].

 








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