Um olho na Serra do Mar e outro na China: devastação e replantio

30 01 2011
Tecido estampado com paisagem chinesa.

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Dois eventos nesse início de ano deveriam nos fazer redobrar os cuidados com o meio ambiente —  imediatamente!   As chuvas devastadoras na Serra do Mar, e o anúncio do governo da China admitindo que seus esforços no combate à desertificação do país  (muito maiores do que os que fazemos por aqui) estão simplesmente colocando o avanço do deserto em cheque e que serão necessários pelo  menos 300 anos para que a China consiga recuperar a área perdida para o deserto de terra produtiva e de florestas. 

O programa chinês para retomada do deserto é a maior campanha de replantio do mundo.  Mesmo assim,  serão necessários mais de três séculos  para que o equilíbrio ambiental volte a se estabelecer.   Não será para a geração dos nossos filhos, nem dos nossos netos, nem bisnetos.  Estamos a 15 gerações de um equilíbrio ecológico na China, se eles mantiverem os esforços ambientais nos termos que têm hoje.

Mais de um quarto do território chinês está coberto por deserto ou terra sob os efeitos de desertificação, enquanto que só 14% da China está coberta de florestas, a maioria destes territórios em zonas montanhosas. As últimas grandes extensões de floresta estão no nordeste da Manchúria.

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Tecido com estampado oriental.

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O processo de desertificação foi causado por uma série de fatores, alguns deles conhecidos nossos: excesso de pastagem e de técnicas agrícolas inadequadas, exploração agrícola e madeireira ilegais e queimadas.  Estes fatores consumiam até 5.000 quilômetros quadrados de floresta virgem, na China, a cada ano.   A indústria de móveis também tem seu papel de responsabilidade no desastre ecológico chinês: ela engole grandes quantidades de madeira chinesa, assim como madeira cortada ilegalmente da floresta tropical da Indonésia e em outros lugares vizinhos.

De 1990 a meados dos anos 2000 a China passou de importadora de produtos de madeira,  para um dos principais exportadores mundiais de madeira, móveis e piso.  O custo foi o meio ambiente.  Além disso, a China é um grande consumidor de papel.  Apesar de muito do papel usado na China já ser reciclado, a demanda é muito maior do que a oferta. 

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Papel de parede com cena oriental.

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O desmatamento chinês já é responsável pelo declínio de 4% das chuvas naquele país inteiro e de 15% no período da estiagem, na área de Xishuangbanna de Yunnan, onde 50% da floresta já desapareceu. 

No entanto, esses imensos esforços nos últimos 10 anos ainda não são o suficiente para a recuperação ambiental da China e do mundo.  Como o Sr. Liu Tuo, responsável pelo programa de reflorestamento do país explicou: “Há cerca de 1.730.000 quilômetros quadrados de terras degradadas na China, além de cerca de 530.000 quilômetros quadrados que deveriam ser tratados.”  Para nossa referência: 1.730.000 Km²  é um território maior do que estado do Amazonas.  O replantio tem sido de 1.717 km² por ano.

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 O processo recente de desmatamento na China, trouxe consequências severas para a população, e examinando o caminho chinês talvez possamos aprender a meio caminho, o que não fazer, e o que não deixar fazerem. 

O corte das florestas para uso da madeira e do pastoreio transformou  grandes áreas da província de Qinghai em deserto. Nesse meio tempo, grandes extensões de floresta também foram cortadas nas províncias de Sichuan e Shaanxi.  O corte das árvores e conseqüente destruição da floresta trouxe como resultado a erosão da bacia do rio Yangtze, que por sua vez foi responsável por inundações devastadoras, desabamentos e deslizamentos de terra que já mataram milhares de pessoas, destruíram estradas além de causar bilhões de dólares de danos. O desmatamento sem freios tornou até os mais delicados regatos de água doce em rios de água marrom enlameada.   Deslizamentos das encostas montanhosas já desarborizadas tem sido um dos mais importantes fatores para a inundação excessiva do rio Yangtze.

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Tecido com estamparia de cena chinesa.

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Desde 1998 grandes projetos de reflorestamento estão sendo implantados. A China proibiu a indústria madeireira em florestas naturais, destinou US $ 10 bilhões para projetos de reflorestamento e planejou gastar US $ 1 bilhão por ano durante 30 anos para expandir as áreas protegidas. Para reduzir o consumo de madeira a China impôs uma taxa de 5% ao piso de madeira e até mesmo aos pauzinhos, tradicionais objetos no consumo das refeições.  Cortadores das indústrias madeireiras foram treinados para plantar árvores enquanto que exploração da madeira foi completamente proibida em algumas áreas das províncias de Sichuan e Hubei.

O esforço governamental não é de hoje.  Começou  na década de 1970 quando o plantio de milhões de árvores transformou em florestas muitas áreas que já estavam estéreis.  Foram as enchentes anuais  e a erosão do terreno os principais motivos dessa empreitada governamental.  O que foi ótimo, porque  fez também uma contribuição significante contra o aquecimento global, já que as florestas plantadas são responsáveis por re-absorverem um boa quantidade de gás carbônico.   Foram 35 bilhões de árvores plantadas  ao longo de 4.500 km no norte da China que formaram um cinturão verde.  O plantio tem sido feito em faixas de terreno de um quilômetro e meio de largura e tem tido 70% de sucesso de sobrevivência das plantas nas áreas de reflorestamento.  Outro cinturão de árvores foi plantado no sudoeste da China, como medida de proteção aos tufões.  

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Tecido para estofado com estamparia oriental.

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O plano original, e alcançado, era cobrir 20% das áreas devastadas até 2010, através do programa de plantio de árvores.  O plantio de árvores é considerado um dever cívico na China, que deve ser realizado por todas as pessoas.   Depois das enchentes do Yangtze, em 1998, uma proibição do corte de florestas naturais foi imposta e o reflorestamento maciço na bacia hidrográfica do Yangtze foi levado adiante.  Terraços em declives superiores a 25º foram plantados com gramíneas, arbustos e árvores.  Grandes extensões de terras aráveis foram convertidas em pastagens, florestas e lagos típicos de zonas úmidas.  

 Como funciona?  —  Parte do trabalho de reflorestamento é feito por garimpeiros que cavam os buracos, e que recebem como pagamento por um dia de trabalho, quatro ou cinco pacotes de macarrão instantâneo, que eles consomem ao seco, porque não há água potável disponível.

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Tecido com estamparia de paisagem com flores e passarinho.

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Acho um absurdo o que o governo chinês paga aos seus conterrâneos para o plantio de mudas. E não estou aqui defendendo que se faça no Brasil, semelhante exploração de outro ser humano.  Mas acredito que temos que fazer muito mais do que estamos fazendo.

Temos culturalmente duas características que nos levam a perder muito tempo: queremos agradar a todos  (mãe, pai, avô, cachorro e periquito) e adoramos teorizar.  A primeira característica é difícil de ser contornada.  Podemos dar uma olhada no nosso código civil para vermos porque muitos criminosos conseguem não serem punidos.  Há sempre mais uma chance a ser dada, há sempre um aspecto que os inocenta (da infância pobre à falta de conhecimento da lei).  Somos um país de “coitadinhos”.  É difícil para o brasileiro ser durão, porque precisa ser querido por todos.  Haja visto a nossa preocupação com o que os outros países pensam de nós.  Tivemos um presidente da República que personificou essa característica ao extremo e o povo o adora, talvez até mesmo por isso.

O segundo traço do nosso caráter é tão arraigado quanto o primeiro, pois vem de uma tradição luso-francesa, acadêmica, em que tudo precisa ser teorizado, estudado, debatido.  E quando finalmente chegamos a alguma conclusão, o tempo já nos passou para trás.  Somos excelentes debatedores desde que saibamos nossas teorias, é claro.  Tendemos a ver tudo sob a luz de perfis políticos, sociais e filosóficos e perdemos muito, muito tempo com blá, blá, blá, com debates sem importância, equivalentes à descoberta de quantos anjos cabem na cabeça de um alfinete.  Isso é um resquício de uma aristocracia  do saber,  formada por  uma meia-dúzia de gatos pingados que tinham alguma educação e por uma nobreza que deixava os intelectuais entrarem nos seus salões para divertí-la e para que ela também se sentisse culta.  Uma atitude que não cabe numa democracia, numa sociedade com a nossa,  que hoje, mesmo com as falhas que temos na educação, é muito mais pluralista de pensamentos, experiência e saber.  Essa habilidade de discutir, de debater teorias, só satisfaz ao ego dos debatedores, que acreditam que o debate em si, já é alguma coisa.  E saem das discussões felizes com a impressão de que fizeram algo, qua contribuiram, mas que deixam para os outros, os  menos intelectuais, a tarefa de sujar as mãos, ou melhor, de colocar as mãos na massa.  

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Tecido estampado com araras no ninho.

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Cresci aqui no Brasil, me formei numa das melhores escolas brasileiras, o Colégio Pedro II, grande incentivador de debates. Fiz aqui, também, alguns anos de faculdade, mas saí do Brasil, me formei lá fora e vivi no estrangeiro mais de duas décadas: em mais de um país e em três continentes.  Posso dizer que invejo o pragmatismo americano e o orgulhoso espírito empreendedor espanhol.  E desejaria que pudéssemos aprender com ambos um pouco mais:  que fôssemos mais à luta, de maneira pragmática do que simplesmente com debate; que fôssemos mais rápidos no gatilho, mais ambiciosos por soluções.  E finalmente menos apegados à burocracia da mente. 

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Tecido para estofado com araras.

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Então, o que precisamos fazer para que não aconteça com o Brasil, com a Serra do Mar, com a Mata Atlântica, o que aconteceu na China?  O que precisamos fazer para que não tenhamos que esperar 15 gerações — pode ser até que os humanos já não possam viver Nesta Terra — para que haja um equilíbrio ecológico?  Quais são os próximos passos para que as cenas bucólicas da natureza em paz com o ser humano não existam unicamente na pintura de tecidos de hoje ou dos séculos passados? 

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Veja a enchente de 1998 no Rio Yangtze:
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Fontes: ItamaratyUSGS, BBC, Facts and details





Projeto inglês plantará 1.000.000 árvores em 4 anos

5 12 2010
Ilustração, autor desconhecido.-

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No dia 2 de dezembro, passado, o governo britânico anunciou um programa de plantio de 1.000.000 um milhão de árvores nas zonas urbanas da Inglaterra.  Um plano semelhante não havia sido posto em prática desde 1970.  O projeto planeja o plantio dessas árvores ao longo de quatro anos.  

O programa será introduzido com o apoio de organizações de proteção à flora já existente.  O hábito da jardinagem é comum na Inglaterra e as autoridades reconhecem que o auxílio das entidades florestais locais, associado ao entusiasmo da população, será de grande valia, já que se saberia que árvores melhor se adaptam a cada local.  

Na Inglaterra, país com uma área de 130. 410 km², [Para referência: o Brasil tem uma área total de 8.514.876,599 km², ou seja, cabem nele 62,5 Inglaterras] plantam-se aproximadamente seis milhões de árvores por ano.  O objetivo desse projeto é aumentar esse número para 20 milhões de árvores pelos próximos 50 anos.  

Em junho desse ano, disse Hilary Allison, diretora da Woodland Trust, disse, “lançamos nossa campanha Quanto Mais Árvores Melhor [More trees, more good] para pautar que precisamos de duas vezes mais árvores nativas e bosques para que a nossa vida selvagem continue a sobreviver e para preservação do meio ambiente.  Escolas, grupos comunitários , parceiros corporativos donos de grandes extensões de terra, nos  apoiaram entusiasticamente.”  

Para que o programa de plantio de 1.000.000 de árvores seja bem sucedido será preciso ter o apoio integral da população, fazendo disso um “hábito nacional”.  

Griff Rhys Jones, presidente da Civic Voice, uma organização que tem como objetivo tornar lugares mais agradáveis, bonitos e distintos, lembra que  esse projeto será a maneira perfeita para as pessoas das comunidades se encontrarem, para vizinhos se conhecerem.

FONTE: BBC





BOAS NOTÍCIAS DO RECIFE!

29 04 2009

plantando_uma_rosa_65x45cm_-_2000

 

 

 

Um grupo de voluntários aproveitou o feriado de Tiradentes, na terça-feira da semana passada, para plantar várias espécies no município do Cabo de Santo Agostinho, na região metropolitana do Recife. Cerca de 70 voluntários, a maioria crianças,  participaram do mutirão de reflorestamento.  Pelo menos 200 árvores típicas da Mata Atlântica foram plantadas em um terreno de oito hectares localizado na zona rural da comunidade de Vila do Rosário, área de preservação ambiental. Ao lado de cada muda, foi colocada uma placa com o nome de quem a plantou.

 

A psicóloga Goreti de Sá mora na região há 12 anos. Ela e outras duas pessoas tiveram a idéia de criar um centro de vivência ecológica para colocar em prática ações de preservação da natureza.

 

– Nossa intenção é mensalmente juntar um grupo de pessoas sensíveis à natureza e plantar árvores – explica.

 

O motorista de transporte público Gilberto Vasconcelos foi um dos coordenadores do mutirão.  Ele criou, há dois anos, o projeto “Adote uma árvore”. Ele sonha conseguir plantar em Pernambuco cem mil mudas de árvores. Com tanta gente ajudando, Gilberto Vasconcelos acredita que esse desejo pode virar realidade.

 

Quando eu decidi colocar essa estimativa de cem mil árvores plantadas, eu não imaginava a dimensão que esse projeto ia tomar. Muitos apoiaram esse projeto, comunidades, crianças e universitários. Espaço para plantar é que não vai faltar – diz.

 

O projeto Adote uma árvore foi criado pela preocupação de Gilberto Vasconcelos com a degradação do meio ambiente.  Seu objetivo é plantar 100 mil árvores na Região Metropolitana do Recife.

 

Para fazer essa ação solidária, o motorista, que mora do bairro de Aguazinha, conta com a ajuda dos passageiros. “Alguns passageiros que regulamente andam no meu veículo, juntam garrafas pet para ajudar no meu projetoAdote uma árvore – serviço ambiental”, explica.

 

As garrafas servem para separar as mudas das plantas e são recolhidas não só com os passageiros voluntários, mas também no lixo. “A questão de optar pelo uso das garrafas é para economizar. Um saco de muda custa R$ 0,20. Parece pouco, mas para quem pretende plantar 100 mil árvores é bastante. Onde eu iria arrumar R$ 20 mil para comprar só em saquinhos?

 

Eu tenho o maior prazer de fazer isso. Muitas pessoas perguntam por que eu gasto meu dinheiro com isso”, conta o motorista plantador de árvores. “Para mim não existe dinheiro que pague a satisfação de ver uma árvore nascer, crescer e purificar o ar que a gente respira”, disse.

 

 

Fonte: O Globo








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