As velhas árvores, Olavo Bilac

16 06 2020

 

 

Edgar Walter - Quadro á óleo sobre tela representando Parque com figuras.54 x 72 cmParque com figuras

Edgar Walter (Brasil, 1917-1994)

óleo sobre tela, 54 x 72 cm

 

As velhas árvores

 

Olavo Bilac

 

Olhas estas velhas árvores,  — mais belas,

Do que as árvores moças, mais amigas,

Tanto mais belas quanto mais antigas,

Vencedoras da idade e das procelas…

 

O homem, a fera e o inseto à sombra delas

Vivem livres de fomes e fadigas;

E em seus galhos abrigam-se as cantigas

E alegria das aves tagarelas…

 

É preciso, desde a infância,

Ir preparando o futuro;

Para chegar à abundância,

É preciso semear…

 

Não nasce a planta perfeita,

Não nasce o fruto maduro;

E, para ter a colheita,

É preciso semear…

 

Em: Poesias infantis, Olavo Bilac, Rio de Janeiro, Francisco Alves: 1949, pp 115-116





Eu e a árvore, poesia infantil de Martins d’Alvarez

11 05 2020

 

 

meninos na arvore

 

Eu e a árvore

 

Martins d’Alvarez

 

Quando nasci, papaizinho

plantou, em nosso quintal,

uma arvorezinha esguia,

para ver qual de nós duas

cresceria mais depressa,

qual mais alta ficaria.

 

Mamãe cuidava de mim

e papai cuidava da árvore,

toda noite e todo dia.

Mas, enquanto eu engordava,

crescendo para todo lado,

a arvorezinha subia…

 

Hoje, já estamos crescidas.

Ela bate no telhado…

Eu só alcanço a janela;

mas por vingança, eu me trepo

nos galhos, até ficar

muito mais alta que ela.

 

Em: O mundo da criança: poemas e rimas: , vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 99

 

 





“Bosquejo” poesia de Raimundo Correia

27 04 2020

 

 

Eduardo Feitosa, (Brasil, Sb do campo, 1957)mãe e filha, ostMãe e filha lendo

Eduardo Feitosa (Brasil, 1957)

óleo sobre tela

 

 

Bosquejo

 

Raimundo Correia

 

Repica o sino na matriz da vila,

Como um dia de gala…

São dez horas somente; o sol rutila,

Faísca o espelho de cristal na sala.

 

A pêndula palpita,

Compassada e monótona;  singelo,

Numa gaiola, elétrico saltita

Um canário amarelo.

 

São dez horas; erguidas

As persianas deixam ver, distantes,

Das árvore floridas

As frondes verdejantes.

 

Sutil essência de magnólia e rosa

Repassa o ambiente,,,  e a mãe a ler ensina,

Sorrindo  carinhosa,

A loura filha,  ingênua e pequenina.

 

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 24.

 

 





“Histórias ao vento”, poesia infantil de Adalgisa Nery

2 03 2020

 

 

 

vento no outonoIlustração inglesa, 1950s.

 

 

Histórias ao vento

 

Adalgisa Nery

 

O vento veio correndo

Assoviando, gritando

Que vira a lua nascendo,

Que vira a estrela brilhando,

Que o beija-flor vira voando,

Que o rio vira cantando

E o fruto amarelando.

Que vira o orvalho caindo

Sobre a relva e sobre a flor,

Que vira a abelha zumbindo

Dentro das pétalas em cor,

Que vira a semente no chão,

Nas águas, o peixe mudo,

O pastor tangendo as ovelhas

Cantando por nada e por tudo.

O vento veio correndo,

Assoviando, cantando

Que vira o mais belo mundo:

Uma criança nascendo,

Uma criança brincando,

Uma criança sorrindo, vivendo,

Uma criança cantando.

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 185.

 





Brincar de trabalhar, poesia de Renato Sêneca Fleury

30 01 2020

 

 

 

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Brincar de trabalhar

 

Renato Sêneca Fleury

 

Um brinquedo de que eu gosto

é brincar de trabalhar.

Pensam vocês, eu aposto,

que isso não é brincar.

 

Sem a gente perceber,

vai brincando e aprendendo.

Com brinquedos a fazer,

coisas úteis vou fazendo.

 

Eu já fiz a minha estante,

um limpa-pés também fiz.

Tenho brincado bastante,

mas trabalhando… quem diz?





“A foca” poesia infantil de Vinícius de Moraes

4 11 2019

 

StacyCurtis19_7aslf4Ilustração Stacy Curtis.

 

 

A foca

 

Vinícius de Moraes

 

Quer ver a foca

Ficar feliz?

É por uma bola

No seu nariz.

 

Quer ver a foca

Bater palminha?

É dar a ela

Uma sardinha.

 

Quer ver a foca

Fazer uma briga?

É espetar ela

Bem na barriga!

 

 

Em: A arca de Noé, Vinícius de Moraes, Livraria José Olympio Editora: 1984; Rio de Janeiro; 14ª edição, página 67-69.





A palmeira, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

4 09 2019

 

 

 

ANYSIO DANTAS - Tropicana I , serigrafia tiragem 76-100, assinado no canto inferior direito e datado de 1985. 89 x66 cm.

Tropicana I, 1985

Anysio Dantas (Brasil, 1933 – 1990)

serigrafia tiragem 76-100, 89 x 66 cm

 

 

A palmeira

 

Walter Nieble de Freitas

 

Alta, esguia, majestosa,

De uma beleza sem par,

Contemplo a esbelta palmeiraaaaa

Banhada pelo luar.

 

A seus pés um lago azul,

Onde em calma ela se mira,

Põe na paisagem noturna

Cintilações de safira.

 

De longe, chega em surdina

A voz rouca das cascatas:

É a sinfonia dos rios

Soluçando serenatas.

 

Nessa hora em que a noite é um templo,

E o firmamento, um altar,

Sob os círios das estrelas

Em silêncio a vi rezar.

 

Na linguagem da saudade,

O coração da palmeira,

Pedia as bênçãos do céu

Para a terra brasileira.

 

 

Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 61-62





Uma amiguinha, poesia infantil de Zalina Rolim

20 07 2019

 

 

 

art frahmIlustração Art Frahm

 

 

Uma amiguinha

 

Zalina Rolim

 

É inteligente e graciosa;

Mais limpa, que ela, não há:

Focinhito cor-de-rosa,

E chama-se Resedá.

Muito orgulhosa e faceira,

Não quer saber da cozinha,

E, à sesta, sob a roseira,

Dorme um sono de rainha.

Gosta do sol, ama as flores,

Corre por todo o jardim,

E tem, no dorso, em três cores,

A maciez do cetim.

Em pequenino açafate,

Todo acolchoado e felpudo,

De vivo tom escarlate

Tem o berço de veludo.

É toda mimos da sorte,

Gatinha de estimação,

Defende-a, contra o mais forte,

Das patas vivo arranhão.

Mas é boazinha e correta;

Não provoca ásperos tratos;

Somente mostra-se inquieta,

Se escuta rumor de ratos.

Então – adeus, gentileza! –

É toda instinto animal,

De um salto, atira-se à presa…

E é como as outras, tal qual.





Pessoas são diferentes, poesia infantil de Ruth Rocha

13 05 2019

 

 

 

lindasLuluzinha, Glória e Plínio da revista em quadrinhos Luluzinha, criação de Marjorie Henderson Buell.

 

 

 

Pessoas são diferentes

 

Ruth Rocha

 

São duas crianças lindas

Mas são muito diferentes!

Uma é toda desdentada,

A outra é cheia de dentes…

 

Uma anda descabelada,

A outra é cheia de pentes!

Uma delas usa óculos,

E a outra só usa lentes.

 

Uma gosta de gelados,

A outra gosta de quentes.

Uma tem cabelos longos,

A outra corta eles rentes.

 

Não queira que sejam iguais,

Aliás, nem mesmo tentes!

São duas crianças lindas,

Mas são muito diferentes.

 





Guarda-chuvas, poesia infantil de Rosana Rios

2 05 2019

 

 

 

DSC01042Monica pega chuva voltando do mercado, Ilustração Maurício de Sousa.

 

 

 

Guarda-chuvas

 

Rosana Rios

 

Tenho quatro guarda-chuvas

todos os quatro com defeito;

Um emperra quando abre,

outro não fecha direito.

 

Um deles vira ao contrário

seu eu abro sem ter cuidado.

Outro, então, solta as varetas

e fica todo amassado.

 

O quarto é bem pequenino,

pra carregar por aí;

Porém, toda vez que chove,

eu descubro que esqueci…

 

Por isso, não falha nunca:

se começa a trovejar,

nenhum dos quatro me vale –

eu sei que vou me molhar.

 

Quem me dera um guarda-chuva

pequeno como uma luva

Que abrisse sem emperrar

ao ver a chuva chegar!

 

Tenho quatro guarda-chuvas

que não me servem de nada;

Quando chove de repente,

acabo toda encharcada.

 

E que fria cai a água

sobre a pele ressecada!

Ai…








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