Uma amiguinha, poesia infantil de Zalina Rolim

20 07 2019

 

 

 

art frahmIlustração Art Frahm

 

 

Uma amiguinha

 

Zalina Rolim

 

É inteligente e graciosa;

Mais limpa, que ela, não há:

Focinhito cor-de-rosa,

E chama-se Resedá.

Muito orgulhosa e faceira,

Não quer saber da cozinha,

E, à sesta, sob a roseira,

Dorme um sono de rainha.

Gosta do sol, ama as flores,

Corre por todo o jardim,

E tem, no dorso, em três cores,

A maciez do cetim.

Em pequenino açafate,

Todo acolchoado e felpudo,

De vivo tom escarlate

Tem o berço de veludo.

É toda mimos da sorte,

Gatinha de estimação,

Defende-a, contra o mais forte,

Das patas vivo arranhão.

Mas é boazinha e correta;

Não provoca ásperos tratos;

Somente mostra-se inquieta,

Se escuta rumor de ratos.

Então – adeus, gentileza! –

É toda instinto animal,

De um salto, atira-se à presa…

E é como as outras, tal qual.





Pessoas são diferentes, poesia infantil de Ruth Rocha

13 05 2019

 

 

 

lindasLuluzinha, Glória e Plínio da revista em quadrinhos Luluzinha, criação de Marjorie Henderson Buell.

 

 

 

Pessoas são diferentes

 

Ruth Rocha

 

São duas crianças lindas

Mas são muito diferentes!

Uma é toda desdentada,

A outra é cheia de dentes…

 

Uma anda descabelada,

A outra é cheia de pentes!

Uma delas usa óculos,

E a outra só usa lentes.

 

Uma gosta de gelados,

A outra gosta de quentes.

Uma tem cabelos longos,

A outra corta eles rentes.

 

Não queira que sejam iguais,

Aliás, nem mesmo tentes!

São duas crianças lindas,

Mas são muito diferentes.

 





Guarda-chuvas, poesia infantil de Rosana Rios

2 05 2019

 

 

 

DSC01042Monica pega chuva voltando do mercado, Ilustração Maurício de Sousa.

 

 

 

Guarda-chuvas

 

Rosana Rios

 

Tenho quatro guarda-chuvas

todos os quatro com defeito;

Um emperra quando abre,

outro não fecha direito.

 

Um deles vira ao contrário

seu eu abro sem ter cuidado.

Outro, então, solta as varetas

e fica todo amassado.

 

O quarto é bem pequenino,

pra carregar por aí;

Porém, toda vez que chove,

eu descubro que esqueci…

 

Por isso, não falha nunca:

se começa a trovejar,

nenhum dos quatro me vale –

eu sei que vou me molhar.

 

Quem me dera um guarda-chuva

pequeno como uma luva

Que abrisse sem emperrar

ao ver a chuva chegar!

 

Tenho quatro guarda-chuvas

que não me servem de nada;

Quando chove de repente,

acabo toda encharcada.

 

E que fria cai a água

sobre a pele ressecada!

Ai…





Ninho, poesia infantil de Miguel Torga

24 04 2019

 

 

 

43b5b877650df623ea9df470e80481bcDesconheço a autoria.

 

 

Ninho

 

Miguel Torga

 

 

Sei um ninho.

E o ninho tem um ovo.

E o ovo, redondinho,

Tem lá dentro um passarinho

Novo.





A abelha, poesia infantil de Rosa Clement

6 04 2019

 

 

 

abelhaAbelha feliz, ilustração anônima, acredito ser brasileira.

 

 

A Abelha

 

Rosa Clement

 

A abelha voou, voou.

Queria molhar o pé

e pousou na minha xícara

cheia de leite e café.

 

A abelha voou, voou.

desenhando um coração.

Queria provar um pouco

da geléia no meu pão.

 

A abelha voou, voou

Queria voar no céu

e eu que queria provar

um pouquinho de seu mel.

 

A abelha voltou, voou.

Queria me deixar feliz.

Achou que eu era um doce

e pousou no meu nariz.

 

(2010)





Poesia infantil: Casamento Perfumado, de Antônio Gedeão

11 02 2019

 

 

 

Primavera Better Homes and Gardens 1929-07Primavera, capa da Revista Better Homes & Gardens, julho 1929.

 

 

 

Casamento Perfumado

 

Antônio Gedeão

 

Queria certa donzela

de olfato bem apurado

que o seu casamento fosse

de sempre o mais perfumado.

Seu nome era Rosa Branca

Cravo Vermelho seu noivo

madrinha, D. Açucena,

padrinho, o senhor D. Goivo.

Sua grinalda enfeitou

com flores de laranjeira

e na sua mão levou

um ramo de erva cidreira.

Seus pajens, os Manjericos;

Violetas, suas aias,

seu pai, o senhor Junquilho

Madressilva em lindas saias.

Veio dizer a cozinheira

que ía tudo perfumar:

“trago salsa e hortelã

para pôr no seu jantar.

Que belo aroma que dão

a canela e o coco

para perfumar os bolos

vou juntar vinho do Porto.

A bela Erva-Luísa

veio para servir o chá

como é toda perfumada

que belo jeito me dá.

Diga-me lá D. Rosa,

se mais perfumes deseja.”

Haverá um casamento

que mais perfumado seja?

 

Em: Obra Poética, António Gedeão, Edições JSC, Lisboa: 2001





Quem diria… — poesia infantil de Alzira Chagas Carpigiani

28 12 2018

 

 

 

http://csaimages.com/images/istockprofile/csa_vector_dsp.jpg

 

 

Quem diria…

 

Alzira Chagas Carpigiani

 

O gambá agora
anda elegante,
passa até perfume
e desodorante.
Ele pôs um fim
na tal história
do fedor danado.
Quer saber por quê?
Eu conto o segredo:
– O gambá cheiroso
está apaixonado!

 








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