Menina loura, poesia de Stella Leonardos

15 03 2017

 

 

VAN DIJK, WIN (1915-1990)RetratodeMariaCatarina Douat,ost, 1957,95 X 60Retrato da menina Maria Catarina Douat, 1957

Win van Dijk ( Holanda/Brasil, 1915-1990)

óleo sobre tela, 95 x 60 cm

 

 

Menina Loura

 

Stella Leonardos

 

(Para Leilá)

 

 

É uma sílfide dançando.

É uma infanta adolescendo.

Cabelo de ouro brilhando.

Alvor de lírio crescendo.

 

Coração de cristal puro,

Alma de rosa nevada,

Sonha trepada no muro.

E não sabe que é uma fada.

 

 

Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p.51





Canção da Primavera, poesia de Mário Quintana

2 10 2016

 

 

primavera-menina-com-boneca-marie-cramerPrimavera, ilustração de Marie Cramer.

 

 

Canção da Primavera

 

Mário Quintana

 

 

Primavera cruza o rio,

Cruza o sonho que tu sonhas.

Na cidade adormecida

Primavera vem chegando.

Catavento enlouqueceu,

Ficou girando, girando,

Em torno do catavento

Dançamos todos em bando.

 

Dancemos todos, dancemos,

Amadas, mortos, Amigos,

Dancemos todos até

Não mais saber o motivo….

Até que as paineiras tenham

Por sobre os muros florido!

 

 

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 121-2.





Rosinha da Roda, poesia de Stella Leonardos

24 05 2016

 

 

Edvard_Munch_-_Four_Girls_in_Åsgårdstrand_-_Google_Art_ProjectQuatro meninas em Åsgårdstrand, 1903

Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)

óleo sobre tela, 87 x 111 cm

Museu Munch, Oslo

 

 

Rosinha da Roda

 

Stella Leonardos

 

 

Elas eram quatro rosas

Sendo cada qual mais bela.

A vermelha, a cor de rosa.

A de corola amarela…

Mas a quarta era Rosinha,

Branca branca, bem singela.

Levou-a Deus manhãzinha.

Que era rosa de anjo, aquela.

 

 

Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.63





Elogio do Bem, poesia de Cleómenes Campos

10 02 2016

 

colheita de frutasDesconheço a autoria dessa ilustração.

 

Elogio do bem

Cleómenes Campos

 

 

Amigo, faze o bem: esse prazer dispensa

a maior recompensa:

 

— Aqueles frutos saborosos

que o teu vizinho colhe, às vezes, a cantar,

custaram com certeza, os trabalhos penosos

de alguém que já sabia

que nunca em sua vida, os colheria…

 

Mas nem por isso os deixou de plantar.

 

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 87.





O tempo, poesia de Olavo Bilac

27 08 2015

 

Dulac-FatherTime-1906-LO velho tempo, ilustração de Edmond Dulac, 1906

 

 

O tempo

Olavo Bilac

 

 

Sou o Tempo que passa, que passa,

Sem princípio, sem fim, sem medida!

Vou levando a Ventura e a Desgraça,

Vou levando as vaidades da Vida!

 

A correr, de segundo em segundo,

Vou formando os minutos que correm…

Formo as horas que passam no mundo,

Formo os anos que nascem e morrem.

 

Ninguém pode evitar os meus danos…

Vou correndo sereno e constante.

Desse modo, de cem em cem anos,

Formo um século e passo adiante.

 

Trabalhai, porque a vida é pequena

E não há para o Tempo demoras!

Não gasteis os minutos sem pena!

Não façais pouco caso das horas!

 

 

Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, 3º livro de leitura, especial para o Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Agir: 1952, p. 91





As virtudes, poesia de Alphonsus de Guimaraens

7 08 2015

 

3 girlsTrês meninas, autoria desconhecida.

 

As virtudes

 

Alphonsus de Guimaraens

 

 

São três irmãs, são três flores,

feitas de raios de luz.

Plantou-as, entre fulgores,

a mão santa de Jesus.

 

Uma é a Fé, outra, a Esperança,

vem a Caridade após…

Feliz de quem as alcança!

Vivem sempre junto a nós.

 

São belas como princesas.

A Caridade  é talvez,

neste mundo de incertezas,

a mais formosa das três.

 

 

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 62-3





Um poema — para todos — de Miguel Torga

26 05 2015

 

 

leitura, distração, georges lepape, vogueDistração, gravura George Lepape.

 

 

Um poema

Miguel Torga


Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz…


Miguel Torga, Diário XIII








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