O tempo, poesia de Olavo Bilac

27 08 2015

 

Dulac-FatherTime-1906-LO velho tempo, ilustração de Edmond Dulac, 1906

 

 

O tempo

Olavo Bilac

 

 

Sou o Tempo que passa, que passa,

Sem princípio, sem fim, sem medida!

Vou levando a Ventura e a Desgraça,

Vou levando as vaidades da Vida!

 

A correr, de segundo em segundo,

Vou formando os minutos que correm…

Formo as horas que passam no mundo,

Formo os anos que nascem e morrem.

 

Ninguém pode evitar os meus danos…

Vou correndo sereno e constante.

Desse modo, de cem em cem anos,

Formo um século e passo adiante.

 

Trabalhai, porque a vida é pequena

E não há para o Tempo demoras!

Não gasteis os minutos sem pena!

Não façais pouco caso das horas!

 

 

Em: Criança Brasileira, Theobaldo Miranda Santos, 3º livro de leitura, especial para o Estado de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Agir: 1952, p. 91





As virtudes, poesia de Alphonsus de Guimaraens

7 08 2015

 

3 girlsTrês meninas, autoria desconhecida.

 

As virtudes

 

Alphonsus de Guimaraens

 

 

São três irmãs, são três flores,

feitas de raios de luz.

Plantou-as, entre fulgores,

a mão santa de Jesus.

 

Uma é a Fé, outra, a Esperança,

vem a Caridade após…

Feliz de quem as alcança!

Vivem sempre junto a nós.

 

São belas como princesas.

A Caridade  é talvez,

neste mundo de incertezas,

a mais formosa das três.

 

 

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, pp: 62-3





Um poema — para todos — de Miguel Torga

26 05 2015

 

 

leitura, distração, georges lepape, vogueDistração, gravura George Lepape.

 

 

Um poema

Miguel Torga


Não tenhas medo, ouve:
É um poema
Um misto de oração e de feitiço…
Sem qualquer compromisso,
Ouve-o atentamente,
De coração lavado.
Poderás decorá-lo
E rezá-lo
Ao deitar
Ao levantar,
Ou nas restantes horas de tristeza.
Na segura certeza
De que mal não te faz.
E pode acontecer que te dê paz…


Miguel Torga, Diário XIII





Sonatina lunar, poema para crianças de Mário Quintana

19 05 2015

 

 

noite, Yan Nascimbene casaNoite, ilustração de Yan Nascimbene.

 

Sonatina lunar

 

Mário Quintana

 

Os padeiros da lua
Derrubam farinha
Na noite retinta.
Quem ganha? É o chão
Que se pinta e repinta
De giz e carvão.
Rendilha de aranha
Na face encantada,
Moedinha de prata
Escondida na mão,
Minh’alma menina
Fugiu para a mata.
Meu coração
bate sozinho
no velho moinho
da solidão.
Até eu me fujo…
Eu sou o corujo,
Olhar enorme
Que nunca dorme.
Nana, nana
Nina, nina,
Alma menina…
E sonha comigo
Como eu era dantes!
Os padeiros da lua
Derrubam farinha…
O chão se repinta
De giz e carvão…
Sonha, Menina,
Na mata assombrada
Enquanto o moinho
Vai rangendo em vão.

 

Em: Apontamentos de história sobrenatural, Mário Quintana, Rio de Janeiro, Objetiva:2012





As doces rosas-dos-ventos, poesia de Stella Leonardos

1 05 2015

 

 

vendedor-de-cataventos, sérgio bastosVendedor de cataventos, Sérgio Bastos.

 

 

As doces rosas-dos-ventos

 

Stella Leonardos

 

 

— Onde estás, vendedor de pirulitos,

Fazedor das ventoinhas de papel?

Daqueles cataventos tão bonitos?

Daquelas gostosuras cor de mel?

Tu que adoças as ruas com teus gritos

E que marcas os ventos nas calçadas:

Me dá de novo os sonhos infinitos

Das tuas rosas que são quase aladas!

— Queres minhas ventoinhas? Há-de tê-las.

Criança grande! Por que te agradam tanto?

— Não são ventoinhas: são almas de estrelas

De um céu ingênuo que foi céu de encanto.

 

 

Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.79





O cisne, poema de Geir Campos

6 02 2015

cisnes brancos, alice haversCisnes Brancos

Alice Havers (Inglaterra, 1850-1890)

O Cisne

Geir Campos

Pluma e silêncio, vinha pela vida

aceita com resignação, conquanto

talvez em hora alguma pretendida.

Pressente no ar o aviso da partida

— urge tentar o eterno: um voo, um canto,

um gesto nunca ousado, alguma prece…

Canta, e se vai. O canto permanece.

Em: Antologia Poética para a Infância e a Juventude, selecionado por Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro:1961,p. 86.

 

 

 

 

 

 

 

 

 





O grilo, poesia infantil de Almir Correia

7 11 2014

 

 

insetosIlustração de livro escolar americano, década se 1960, sem indicação de autor.

 

O Grilo

 

Almir Correia

 

O grilo

gritou no saco

gritou no papo

do sapo

gritou no poço

gritou na cara do moço

gritou no mato

gritou no

sa

………..pato.

 

E de repente

pra espanto da gente

não gritou mais.








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