Trova da insensatez

12 07 2017

 

 

juntos, arthur sarnoffIlustração Arthur Sarnoff.

 

 

Na insensatez da paixão

que me pega, e não tem cura,

deixo de lado a razão

e dou razão á loucura!

 

(Marina Bruna)





O espelho, poesia de Geraldo Carneiro

7 07 2017

 

 

 

b7a56c34a359a0ed2ad0b7650ae72519Mulher ao espelho, 1948

Paul Delvaux (Bélgica, 1897-1994)

óleo sobre tela

Coleção Particular

 

 

O espelho

 

Geraldo Carneiro

 

do outro lado um estranho

faz simulações como se fosse

um demônio familiar

é sempre noite, um assassino sonha

com mulheres assassinadas em série

sob as palmeiras de Malibu

o mundo é só uma ficção plausível

a imagem que baila ao rés-da-lâmina

é um último e improvável vestígio

da existência de Deus

o resto são ecos de outras faces

gestos de espanto e despedida

a música dos relógios, a morte

 

Em:  Folias metafísicas, Geraldo Carneiro, Rio de Janeiro, Relume Dumará: 1995





Trova do suspiro

12 06 2017

 

 

cozinha, bolo, menina, ajudando

 

 

 

O suspiro está perfeito,

mas é tão pequenininho

que deve ter sido feito

com ovos de … passarinho!

 

(Ana Maria Motta)





Trova do coração

24 05 2017

 

 

Walter M Baumhofer 3.jpgIlustração de Walter M. Baumhofer.

 

 

O coração de quem ama

é misterioso e profundo:

Tem o calor de uma chama

e a imensidade de um mundo!

 

(José Nogueira da Costa)





Trova do sorriso

21 05 2017

 

 

sorria,John AthertonSorria, ilustração de John Atherton, 1948, capa, Saturday Evening Post.

 

 

O sorriso é flor de sebe,

perfume de resedá.

Anima a quem o recebe,

embeleza a quem o dá.

 

(Nair Starling)





Trova do dinheiro

19 05 2017

 

 

ganhar quantoTio Patinhas quer saber quanto vai ganhar, © Estúdios Disney.

 

 

Conhecida e ingênua farsa.

Quem fala mal do dinheiro,

regra geral, nem disfarça…

Corre atrás dele primeiro!

 

(Nair Starling)





Escola de samba, poema de P. Carlos de Araújo

18 05 2017

Baile, s/d

Menase Vaidergorn (Brasil, 1927)

óleo sobre tela, 40 x 60 cm

 

Escola de Samba

P. Carlos e Araújo

Ginga marota

no passo do samba

aí bateria

segura a cuíca

aperta o pandeiro.

Corpos pulando

bamboleando na ponta do pé.

Parada no ar, meia volta,

o couro come.

Cabrocha assanhada

que pula pro lado

e pula pra frente

teu corpo balança

no ritmo quente.

O dia inteiro

trabalhou no tanque

mas de noite é rainha

puxa o passo na quadra,

seus pés, tão rápidos,

não se vêem.

Só poeira

mistura de ginga e suor.

O corpo quente

cabelos soltos

braços polidos

sorriso livre

avermelhado

dentadura branca

saia de chita

pompons azuis.

Depois, a chuva

pancada forte

vendaval

correrias

coreto vazio

cuíca no chão.

Em: O inimigo oculto, P. Carlos de Araújo, Rio de Janeiro, Ed. Gávea: 1988.








%d blogueiros gostam disto: