Trova do caminho

21 09 2021

Não te desvies da estrada,

buscando atalhos bisonhos;

a vida não vale nada

se sufocares teus sonhos…

 

(Ercy Maria Marques de Faria)





Trova da partida

18 08 2021
Ilustração de Ethel Parkinson,

 

 

Partir é quase morrer.

É deixar na despedida

um pouco do próprio ser

e muito da própria vida…

 

(Izo Goldman)





Trova da Primavera

5 08 2021
Ilustração, Cicely Mary Barker

 

 

A Primavera explodiu
em folhas e cores novas!
Quem fez tudo ninguém viu                      
mas as flores são as provas…


(Clevane Pessoa de Araújo Lopes)





Jardim, poesia infantil de Henriqueta Lisboa

22 07 2021
Ilustração de Corinne Malvern
 

Jardim

 

Henriqueta Lisboa

 

 

— Menina faceira

de laço de fita

não vás tão bonita

sozinha ao jardim.

Se pensar Beija-Flor

que teu laço é flor,

pelos ares levará

um anel dos teus cabelos.

 

— Mamãe, não tenha cuidado,

eu sei dar laço bem dado.

 

— Menina trigueira

de faces vermelhas

no jardim sem teu irmão

não fiques, não.

 

Se Beija-Flor imagina

que teu rosto é flor,

menina, minha menina,

de certo um beijo te dá.

 

— Quando ele me der um beijo,

nas minhas mãos estará.

 

Em: O menino poeta, Henriqueta Lisboa, (Edição ampliada) Imprensa Oficial de Belo Horizonte, Governo do Estado de Minas Gerais: 1975, pp 65-66





Trova do telefone

19 07 2021
Ilustração Carl Shreve

 

Telefonei-te, outro dia

e ninguém me respondeu.

Confundi-me, que ironia!

— Teu telefone era o meu.

 

(Alberto Lima)

 





Namorados, poesia de A. Isaias Ramires

5 07 2021
Namorados

 

A. Isaias Ramires

 

Vão-se os dois, de braços dados,

felizes, os namorados,

pelos caminhos, sorrindo…

Permita Deus, entretanto,

que jamais um desencanto

desperte um sonho tão lindo!

 

A vida só tem encanto

para quem vive sorrindo!…

 

 

Em: Cascalhos: sonetos, poemas, trovas, A. Isaias Ramires, Rio de Janeiro: 1986, p. 38





Trova das lembranças

15 06 2021
Ilustração de Steven Noble.

 

Lembranças, quem não cultiva ?

Afinal, a nossa mente,

faz questão de manter viva,

além do fruto, a semente…

 

(Nélio Bessant dos Santos)





10 de junho, dia de Camões

10 06 2021

Senhora de vermelho

Beatrice Offor (GB, 1864-1920)

óleo sobre tel, 108 x 82 cm

Bruce Castle Museum, Londres

 

 

Soneto

 

Luís de Camões

 

Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns termos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprezo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, pera cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa
Aqui falta saber, engenho e arte.





Trova do nosso encontro

31 05 2021
Ilustração, Laurence Stephen Lowry, R.A. (1887-1976)

Um pelo outro, passamos,

com os olhos fitos no chão…

_ Mas, com que ardor nos olhamos

com os olhos do coração!

(Lilinha Fernandes)





Estrangeiro, poesia de Reynaldo Valinho Alvarez

24 05 2021

Figura

Darel Valença (Brasil, 1924-2017)

Desenho, 54 x 25 cm

 

 

Quando o tempo no vento se eterniza,
a estranheza do mundo é mais precisa.

 

 

Estrangeiro

 

Reynaldo Valinho Alvarez

 

Sou estrangeiro em todos os lugares.

Inútil procurar-te, aldeia minha.

Subo de escada todos os andares,

com a fria espada a acutilar-me a espinha.

Não sou daqui nem sou de lá. Perdi-me

na indecisão de becos e de esquinas.

Como o pardal diante do gato, vi-me

apanhado por garras assassinas.

Os mapas pendurados nas paredes

riem de mim como insensíveis redes,

rasgando os peixes que já não fogem mais.

Prenderam-me entre muros que abomino

e toda noite entoam-me seu hino

de insultos, gritos e ódios triunfais.

 

Em: A faca pelo fio: poemas reunidos, Reynaldo Valinho Alvarez, Rio de Janeiro, Imago: 1999, p.61








%d blogueiros gostam disto: