Trova da liberdade

18 08 2019

 

 

 

bird-cage-art-floral-birdcage-by-canvas-artworkAutoria desconhecida.

 

 

Por mais conforto e carinho

numa gaiola dourada,

a ave não esquece o ninho

e a liberdade ceifada.

 

(Severino Campelo)

 

 





Trova do meu gato

9 08 2019

 

 

 

gato com menina Anne_MortimerIlustração de Anne Mortimer.

 

 

O meu gato é meu amigo…

Em casa, na falta dela,

assiste a T V comigo,

do futebol à novela.

 

(Dari Pereira)





“A festa de São João”, poesia de Cornélio Pires

29 07 2019

 

 

 

PAPAS STEFANOS. Festa junina - o.s.m. - 80 x 60 cm - assinado no cid.Festa junina

Papas Stéfanos (Grécia/Brasil, 1948)

óleo sobre madeira, 8- x 60 cm

 

 

A festa de São João

 

Cornélio Pires

 

No casarão antigo da Fazenda,

tudo é jogos, brinquedos e festança:

na varanda do lado jogam prenda

e no salão o baile não descansa;

 

A fogueira, tão célebre na lenda,

estala em labaredas.  Canta e dança,

o povo do batuque, na contenda,

aos pulos e aos requebros da folgança.

 

No cururu manhoso a caboclada,

rasca nas violas, canta ao desafio,

provocando constante gargalhada,

 

Depois, das diversões cortando o fio,

o povo em procissão, de madrugada,

vai lavar o São João, além, no rio.

 

Cornélio Pires (Brasil, 1884 — 1958).





Trova do adeus

25 07 2019

 

 

 

adeus, a e martyIlustração, A. E. Marty

 

 

Meu lenço, na despedida,

tu não viste, em movimento:

lenço molhado, querida,

não pode agitar-se ao vento.

 

(Carlos Guimarães)





Uma amiguinha, poesia infantil de Zalina Rolim

20 07 2019

 

 

 

art frahmIlustração Art Frahm

 

 

Uma amiguinha

 

Zalina Rolim

 

É inteligente e graciosa;

Mais limpa, que ela, não há:

Focinhito cor-de-rosa,

E chama-se Resedá.

Muito orgulhosa e faceira,

Não quer saber da cozinha,

E, à sesta, sob a roseira,

Dorme um sono de rainha.

Gosta do sol, ama as flores,

Corre por todo o jardim,

E tem, no dorso, em três cores,

A maciez do cetim.

Em pequenino açafate,

Todo acolchoado e felpudo,

De vivo tom escarlate

Tem o berço de veludo.

É toda mimos da sorte,

Gatinha de estimação,

Defende-a, contra o mais forte,

Das patas vivo arranhão.

Mas é boazinha e correta;

Não provoca ásperos tratos;

Somente mostra-se inquieta,

Se escuta rumor de ratos.

Então – adeus, gentileza! –

É toda instinto animal,

De um salto, atira-se à presa…

E é como as outras, tal qual.





São Paulo, poesia de Ribeiro Couto

24 06 2019

 

 

 

Durval Pereira,Lago Santa Cecília,60 x 80 cm,óleo sobre tela,1960Largo de Santa Cecília, 1960

Durval Pereira (Brasil, 1918- 1984)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

 

São Paulo

 

Ribeiro Couto

 

São Paulo da garoa intermitente,

Da penumbra que às vezes coadjuva

A nostalgia… — Quem, meu Deus, não sente

Um pouco desse ambiente… desta “Chuva”…

 

A chuva fina molha a paisagem lá fora,

O dia está cinzento e longo… um longo dia!

Tem-se a vaga impressão de que o dia demora…

E a chuva fina continua, fina e fria,

Continua a cair pela tarde, lá fora.

 

Da saleta fechada em que estamos os dois,

Vê-se, pela vidraça, a paisagem cinzenta:

A chuva fina continua, fina e lenta…

E nós dois em silêncio, um silêncio que aumenta

Se um de nós vai falar e recua depois.

Dentro de nós existe uma tarde mais fria…

Ah! para que falar? Como é suave, brando

O tormento de adivinhar — quem o faria?

As palavras que estão dentro de nós chorando…

 

Somos como os rosais que, sob a chuva fria,

Estão lá fora no jardim se desfolhando,

Chove dentro de nós… Chove melancolia…

 

 

Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 239-40.

 





Trova dos jangadeiros

17 06 2019

 

 

 

VAN DIJK, Wim (1915 1990)Jangada de Ceará, o.s.t. 46 x 55. Assinado cid e verso, datado 1988Jangada do Ceará,  1988

Win Van Dijk (Holanda/Brasil, 1915-1990)

óleo sobre tela,  46 x 55 cm

 

 

Conversas de marinheiro

ouço nas conchas do mar.

São almas de jangadeiros

Que não puderam voltar.

 

(Hegel Pontes)








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