Vênuses: uma visão pré-histórica do “milagre da reprodução”

12 05 2017

 

 

venusofwillendorfVênus de Willendorf, entre 24.000 a 22.000 a. E. C.; Calcário; Museu de História Natural de Viena, Áustria

 

Vênus de Willendorf talvez seja a mais conhecida das pequenas esculturas pré-históricas que representam o corpo de uma mulher e associadas a cultos da fertilidade.  Ela pertence ao grupo de estatuetas de mulheres com características  femininas exageradas, testemunhas do caráter mágico da fertilidade e da reprodução.

 

venus of lespugeVênus de Lespuge, entre 26.000 a 24.000 a. E. C.

Marfim, 15 cm de altura

Museu de Homem, Paris

 

Ankara_Muzeum_B19-36.Seated Woman of ÇatalhöyükDeusa –Mãe sentada entre duas leoas, 6.000-5000 a. E. C.

Idade Neolítica

Museu das Civilizações da Anatólia,  Ancara

 

Original_Venus_vom_Hohlefels_20150118Vênus de Hohlefels, 35.000-40.000 a.E.C.

[Até hoje a mais antiga das Vênuses]

marfim de mamute

 

Vestonicka_venuse_editVênus de Dolni Vestonice, 29.000 — 25.000 a. E. C.

O primeiro exemplo conhecido do uso de cerâmica

 

Salvar





As fantásticas girafas de Dabous!

9 03 2017

 

 

DabousGiraffeGirafas entalhadas na pedra, Dabou, Niger.

 

 

Em novembro de 1997 foram encontradas girafas entalhadas na pedra, numa região remota do deserto de Saara, conhecida como o Deserto de Tenere, que traduzido, significa o lugar onde não existe nada. O local chamado  Dabous está a meio caminho de Agadez e Arlit, no Níger e hoje dá o nome a essa arte pré-histórica. São duas girafas em tamanho natural, entalhadas por um artista anônimo, entre 9.000 a 5.000 anos atrás.  O entalhe mede cerca de 5,4 metros e é, até hoje, a maior arte rupestre animal conhecida. Elas foram encontradas por David Coulson, fotógrafo, que participava de uma expedição fotográfica ao país.  Um dos membros da expedição é o Dr. Jean Clottes, membro da Bradshaw Foundation, uma organização que se dedica à proteção e preservação desse petroglifo.

O local tem 828 outros entalhes, 704 animais (maioria bovinos) girafas, avestruzes e antílopes, uns poucos leões, rinocerontes e camelos.  Há também 61 figuras humanas e 159 desenhos indeterminados.

É ou não é sensacional?

 

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As pinturas das crianças das cavernas!

3 10 2011

Universidade de Cambridge / PA: fotografia

Uma curiosa descoberta nas cavernas no vale do Dordogne preencheu o noticiário na semana passada.  Descobriu-se que as decoração das cavernas que têm sulcos, como na foto, foram feitas por crianças pequenas, com idades entre 3 e 7 anos.  O conjunto dessas decorações parece indicar que as crianças tinham um lugar específico  dentro das cavernas ou como parte de algum sistema de creche, ou como num ambiente servindo para que elas fossem aprendizes de pintores de cavernas.    Os sulcos em questão foram feitos quando crianças passavam as mãos na superfície macia das paredes da caverna,  de maneira feita com os dedos semelhante à que é usada nos dias de hoje nas escolas para crianças pequenas. 

Esses desenhos, parte da apresentação dos pesquisadores da Universidade de Cambridge numa conferência sobre arqueologia, mostram linhas sulcadas, paralelas ou entrecruzadas, correndo sobre o vermelho da argila das paredes da caverna e são parte das decorações da Caverna dos Cem Mamutes em Rouffignac, na França.  Foram feitas aproximadamente  há 13.000 anos.

A grande parte dos desenhos feitos por crianças são estrias cobrindo não só as paredes, mas os tetos de passagens de uma câmara a outra dentro do complexo de cavernas.  Os arqueólogos chegaram a imaginar que uma das câmaras tivesse sido uma espécie que “abrigo” infantil, tal a riqueza das decorações feitas com o roçar dos dedos.  A primeira vez que se soube que crianças estavam envolvidas na decoração das cavernas foi em 2006 pelos pesquisadores Van Gelder e Sharpe da Walden University nos EUA, que passaram dois anos analisando a presença de crianças nessas cavernas.

Caverna em Rouffignac, P.A.

O estudo detalhado dessas decorações revela o trabalho de pelo menos dois adultos – ainda que possa ter havido alguns outros no local – e de crianças, sobretudo de uma menina de aproximadamente cinco anos extremamente prolífica em suas decorações.  Há algumas estrias dessas decorações feitas por mãos de criancinhas muito pequenas.  Há uma criança de 2 anos de idade que “ajudou” na decoração.  No entanto, são traços firmes demais para a idade e sugerem que a mão da criança foi orientada por um adulto.  A criança deveria estar sendo ensinada por um adulto.  A pesquisa mostra que as crianças estavam em todos os cantos das cavernas, dos lugares mais profundos e escuros, até os mais amplos e próximos da entrada.   Porque estavam fortemente presente na arte, agora é preciso descobrir o quanto estavam envolvidos na vida diária.  A decoração da caverna era uma atividade de grupo, em que participavam membros de todas as idades.

Essas decorações também são encontradas em outras cavernas na França, na Espanha, Nova Guiné e Austrália.  O tema tem sido bastante debatido por arqueólogos.  Ainda não se sabe por que os pré-históricos fizeram essas decorações.  Parece coisa mais organizada do que simplesmente uma atividade para “um dia chuvoso” lembra a Jess Cooney, uma estudante de PhD da universidade que faz parte da equipe de arqueólogos.   “Além de linhas simples, sinuosos, há estrias de animais e formas que parecem ser esboços brutos de rostos.”

A cada ano, milhares de pessoas visitam as cavernas, na região do Dordogne (oeste da França), para admirar os desenhos de mamutes, cavalos e rinocerontes, nas paredes dos 8 km de caverna que foram descobertas no século XVI.  Mas só em 1956 é que os especialistas perceberam que alguns dos desenhos eram pré-históricos. Depois, em 2006, notaram que as pinturas haviam sido feitas por crianças, com seus dedos.   

Fonte: O Estadão Online e The Guardian





Plessiossauros davam luz a seus bebês!

13 08 2011

Ilustração de um nascimento de Plessiossauro.

Novas pesquisas apontam para répteis marinhos pré-históricos – Plesiossauros – que poderiam ter sido ótimos pais, ou seja poderiam formar um núcleo familiar, porque diferente de outros répteis que se procriavam através de ovos, estes davam luz a filhotes vivos. 

F. Robin O’Keefe  da Universidade of Marshall, em Huntington, no estado da West Virginia, ao preparar um fóssil Plessiossauro para uma exposição no Museu de História Natural de Los Angeles County, na Califórnia descobriu que limpava o fóssil de uma fêmea adulta com um feto dentro dela.   A espécie, Polycotylus latippinus, que vivia a 78 milhões de anos e que pode ser facilmente identificada por um osso no membro anterior muito distinto, mostrava claramente que havia um feto dentro dessa fêmea e que não poderia ser, como havia sido sugerido, um Plesiossauro adulto que houvesse comido um bebê. Não há nenhuma evidência que leve a esta conclusão.

A evidência de gravidez é “absolutamente convincente“, disse o especialista em Plessiossauros Adam Smith , curador de ciências naturais em do Museu de Ciências em Birmingham na Grã Bretanha.   O’Keefe lembrou não ser surpreendente que répteis marinhos gestassem um embrião, porque os ovos de répteis têm casca grossa e precisam ser colocados em terra firme.  Mas isso seria muito difícil para os Plesiossauros, que além de estarem entre os principais predadores dos mares do mundo, eram animais muito grandes para subir pelas areias da praia até chegar a um local seguro para depositar seus ovos.

O surpreendente foi o achado de um único grande feto.   Levando-se em consideração o fóssil e o estágio de desenvolvimento do feto, a mãe teria 4,70 m de comprimento enquanto que o bebê teria atingido pelo menos 1,60 m, se tivesse nascido a termo. “All other Mesozoic marine reptiles had several small babies,” O’Keefe says. “Todos os outros répteis marinhos do Mesozóico tinham vários bebês pequenos“, disse O’Keefe.

Fontes: New Scientist  e Portal Terra





Mastodontes, antigos habitantes de Minas Gerais

20 04 2011
 
Mastodonte, ilustração de Jorge Blanco, 2005.

Há muito tempo, digamos há 60.000 anos atrás, uma parte de Minas Gerais era habitada por uma considerável população de mastodontes.  Mastodontes eram antepassados dos elefantes que conhecemos nos dias de hoje.  Eles viviam tanto na América do Norte como na América do Sul, e deixaram de existir há 10.000 anos atrás. 

Os mastodontes tinham aproximadamente 3 metros de altura e pesavam próximo de 7 toneladas, eram herbívoros, comiam folhas e ramos de árvores, gramíneas e frutos. Por causa disso, seus dentes eram adaptados à digestão de folhas macias. 

O nome científico dos mastodontes brasileiros é Stegomastodon waringi .  Seu tamanho era semelhante ao do elefante asiático e um pouco menor do que mastodontes encontrados em outros lugares das Américas.

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Os fósseis de um grande grupo de mastodontes, com  indivíduos de todas as idades, de bebês a idosos  – quase 40 animais , o maior grupo das Américas – foram descoberto na cidade de Araxá em Minas Gerais.  A morte desses paquidermes  pode ter sido causada por uma grande enchente que enterrou todos os membros dessa mesma “tribo” ao mesmo tempo.  

O mastodonte não habitava só a área de Minas Gerais.  Era na verdade um animal bastante comum no território brasileiro;  vestígios de sua existência aparecem em 23 dos nossos estados.  Sendo animais tão interessantes é uma pena que tenham ficado sem estudo por muito tempo.  Mas eis que alguém com boa visão e espírito empreendedor, o paleontólogo Leonardo Avilla da Unirio, decidiu há alguns anos estudar os ossos desses mastodontes que haviam ficado esquecidos nas gavetas do Museu de Ciência da Terra.  Financiada pela Faperj sua pesquisa rende ótimas informações sobre a vida na pré-história brasileira e conhecimento do hábitos e costumes desses antigos animais. 

No próximo mês de maio dos dias 11 a 13 acontecerá a terceira edição da JORNADA de ZOOLOGIA DA UNIRIO, onde trabalhos relacionados aos grandes animais como preguiças de 6m de altura, estarão sendo apresentados.

FONTES: GLOBO, Jornal da Ciência,





Ave pré-histórica do Chile maior do que se imaginava

17 09 2010

 

Desenho indicando como seria o Pelagornis chilensis

Novo estudo por arqueólogos que conseguiram reconstruir 70% do esqueleto do Pelagornis chilensis, uma ave marinha que viveu cerca de 10 milhões de anos atrás no Chile, constata a gigante envergadura de suas asas de  no mínimo, 5 metros.

O cálculo é baseado na análise de ossos das asas preservados. Estudos anteriores apontavam que a maior envergadura de um pássaro chegava a mais de 6 metros, porém eram baseados em fósseis fragmentados, não inteiros, como neste caso.

A evolução dos pássaros largos, por assim dizer, tinha como objetivo evitar a competição com outros pássaros“, disse Gerald Mayr, líder da equipe e paleontólogo alemão do Instituto de Pesquisa e Museu de História Natural Senckenberg. “Pássaros com asas maiores voavam mais longe e caçavam suas presas mais facilmente no oceano“, completou.

Embora estes animais se pareçam com criaturas de Jurassic Park, eles são aves verdadeiras, e seus últimos representantes podem ter coexistido com os primeiros seres humanos na África do Norte“, disse Gerald Mayr.

Bico serrilhado.

A ave pertence a um grupo conhecido como pelagornithids, informalmente chamado de pássaro ósseo-dentado. Eles são caracterizados por seu longo bico fino e dentado, como se tivesse dentes. Esses “dentes” provavelmente teriam sido usados para capturar presas escorregadias em mar aberto, tais como peixes e lulas.

Uma das causas de sua extinção, apontam os especialistas, pode ser seu peso, já que com envergadura tão grande seu peso aumentava e sua velocidade e capacidade de voo eram prejudicadas.

O conhecimento do tamanho máximo que pode ser atingido por um pássaro é importante para compreender a física por trás de como os pássaros voam. Este novo fóssil, portanto, pode ajudar cientistas a avaliar melhor as limitações físicas e anatômicas em aves muito grande.

Fontes: Revista Galileu, Terra.





O homem foi da África para a Grã-Bretanha há 950.000 anos

8 07 2010

Representação artística da vida há 800.000 nas margens do Tâmisa.
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Arqueólogos britânicos apresentaram nesta quarta-feira um tesouro em ferramentas de pedra e restos fossilizados de plantas e animais que foram encontrados em Norfolk, Reino Unido. Segundo os pesquisadores, os achados indicam que os primeiros seres humanos chegaram à região há 950 mil anos, vindos da África, e estabeleceram-se na região de Happisburgh, que seria o berço da civilização britânica.

Pelas peças encontradas, os arqueólogos afirmam que a população na época não era pequena e sim formada por milhares de indivíduos. Com testas baixas e grossas sobrancelhas, esses seres humanos primitivos caçavam grandes animais como mamutes, veados e alces gigantes, além de praticar a pesca.

 

Arqueólogos na costa de Norfolk.

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Pela similaridade com outro homem pré-histórico encontrado na Espanha, que era canibal, os cientistas suspeitam que essa população também tivesse essa característica. O homem  pré-histórico teria entrado na Grã-Bretanha através de uma ponte de terra extensa que, em seguida desapareceu, mas que ligava a Inglaterra à  Europa continental.

De acordo com os arqueólogos, os achados, provavelmente, levarão a uma reavaliação dos conhecimentos sobre a adaptação e os recursos dos primeiros seres humanos na região, pois mostram que eles tinham conhecimento e tecnologia para sobreviver em climas mais rigorosos.

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 Entre os fósseis encontrados, um dente de mamute (à esquerda), restos de uma hiena (centro) e uma mandíbula de castor gigante extinto. As peças foram exibidas no Royal Institution, em Londres.  Foto AP.
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Os artefatos de pedra são extremamente importantes porque eles não só são muito mais antigos do que outros achados na região, mas estão associados a um único conjunto de dados ambientais, que dá uma imagem clara da vegetação e clima da época. Isso indica que os primeiros seres humanos que viveram no Reino Unido sobreviveram em um clima mais frio do que a região apresenta hoje“, afirma o Dr. Nick Ashton, um dos responsáveis pela descoberta.

O sítio das descobertas se encontra a 135 milhas a nordeste de Londres e está localizado num  antigo curso do rio Tâmisa.   Os planos de densa lama e os pântanos do seu antigo estuário e existentes também na costa funcionavam como enorme área para  caça. Na época as margens do rio eram cobertas  por uma floresta de coníferas e habitadas  por uma grande quantidade de animais: mamutes, rinocerontes, elefantes, tigres dente de sabre, cavalos, alces, veados, ratazanas e hienas,  tão  grandes  quanto  leões;  todos percorriam os bancos de areia do rio.  Quando a caça era escassa, algas, tubérculos e mariscos teriam ajudado na alimentação diária.  Além disso, o homem em Norfolk provavelmente não hesitou  em  se servir das  carcaças descartadas pelos  grandes felinos.  Mas o caçador também foi caça; com tigres dente de sabre e hienas tão grandes como leões provando serem formidáveis predadores.

Não existem cavernas na área investigada, o que sugere que este homem construiu abrigos primitivos para se manter protegido do frio. Algumas das pedras descobertas tinham entalhes, sinal de que eles conseguiam trabalhar bem com a madeira. E apesar de vestígios das caçadas e dos animais abatidos estejam às margens do rio, locais de habitação ainda estão para serem descobertos.

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Milhares de ancestrais do ser humano caçavam e pescavam animais como mamutes, alces gigantes e veados.

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O clima da época era semelhante ao encontrado hoje no sul da Escandinávia.  As temperaturas no verão eram tão quentes quanto as da Grã-Bretanha atual, mas os invernos eram prolongados  com temperaturas  variando entre  0 ° C  e 3C .  É possível que o cabelo do corpo possa ter ajudado esses nossos antepassados a se manterem aquecidos, mas é provável que eles tenham usado peles de animais como roupas e que já dominavam o uso do fogo — embora essa evidência ainda está por ser encontrada.

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FONTES:  Terra, The truth behind the scenes








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