O trigo, texto de Coelho Neto

11 12 2012

Armando Romanelli,Trigal, 1989, OST40 x 50

Trigal, 1989

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre tela, 40 x 50 cm

O trigo

Coelho Neto

Por todo o vasto Éden espalhou-se, maravilhado e risonho, o olhar do primeiro homem.

Viu as florestas frondosas, em cujas franças rendilhadas esgarçava-se o nevoeiro da manhã; viu as campinas alegres pelas quais numerosos rebanhos se apraziam; viu os montes de encostas de veludo; viu os rios claros, largos, retorcidos em meandros, discorrendo por entre as margens de ervaçais floridos e acenoso arvoredo; viu as fontes borbulhando em bosques aceitosos.

Animais de várias espécies cruzavam-se pelos caminhos – leões de juba altiva, elefantes monstruosos, antílopes e corsas, leopardos e gazelas e aves de plumagem branca ou de penas variegadas junto a ribeiras tranqüilas, vogando em ínsula de flores, pousadas em ramos ou atravessando os ares, alegrando com o seu concerto o silêncio grandioso.

Os frutos ofertavam-se nos galhos, as flores desfaziam-se das pétalas recamando a alfombra e esparzindo o aroma dos ares.

O home, ainda incerto, ia e vinha, ora parando à beira das águas que o refletiam, ora chegando à ourela dos bosques, saindo às várzeas, mudo, em êxtase contemplativo.

Deus, que de longe o assistia com o seu olhar, achava-o perfeito, airoso e forte, digno de ser o senhor do mundo e de todas as criaturas.

O sol ardia estivo e, de toda terra exuberante, exalava-se um hausto cálido, uma respiração abrasada que amolecia e adormentava.

As folhagens encolhiam-se, murchando; as flores pendiam lânguidas nos caules; os animais refugiavam-se nos bosques ou penetravam as furnas tenebrosas; as próprias águas desciam lentas, com preguiça, sob a irradiação cáustica da luz que refulgia tremulamente no azul diáfano.

Deus errou em passos lentos pelas silenciosas veredas e toda pedra que seus pés tocavam fazia-se luminosa, com rebrilhos faiscantes e cores admiráveis.  Era aqui um seixo que se ensangüentava em rubi, ali um calhão esverdeando-se em esmeralda, outro tomava um colorido flavo ou roxo e, mirificamente, iam-se todos transformando e adquirindo cor, desde o tom lácteo da opala até o esplendor cerúleo da ametista, desde o límpido fulgir do diamante ao lampejo solar dos prazios amarelos. As areias faziam-se de ouro, rutilando, como haviam ficado mo leito do córrego em que o Senhor, depois de haver plasmado o homem com o barro sanguíneo, lavou e refrescou as mãos benéficas.

Foi-se o Criador encaminhando a um campo que ondulava e sussurrava às aragens e que era um trigal.

Nele entrando, sem que as pombas e as calhandras se assustassem, a frescura convidou-o ao repouso.

Deitou-se e os trigos fecharam-se suavemente formando um ninho aromal e sombrio onde o sono foi agradável.

Já as roxas nuvens anunciavam o crepúsculo quando, ao suave prelúdio dos rouxinóis, abriram-se os olhos divinos. Deus, que gozara a delícia do sono, ergueu-se. Então, mansamente, uma voz meiga elevou-se no campo louro.

— Senhor, que vos não pareça de vaidoso a minha requesta, não é por orgulho que vos falo, senão porque me sinto por demais miserando na grandeza de vossa criação. Fizestes a árvore sobranceira dando-lhe o tronco, dando-lhe os ramos, vestindo-as de folhas, cobrindo-a  de flores e ainda a carregais de frutos; as suas frondes altas topetam com as nuvens. Aos que não destes grandeza e força, ornaste com a raça mimosa da flor; só eu, pobre de mim! Fui esquecido por vós. Quando vos vi chegar para mim tive vexame de receber-vos, tão pobre sou! Trigo mísero.

Era o trigo que assim falava.

Parou o Senhor a escutá-lo e, compadecido das suas palavras, estendeu a mão abençoando-o:

Agasalhaste o meu sono com a pobreza, trigo tenro e frágil, deste-me generoso abrigo e resguardaste-me do sol. Não fique memória na terra de uma ingratidão d’Aquele que mais a detesta e, para que o exemplo sirva e aproveite, abençôo-te e amerceio-te com a força e com a Graça.

Fraco, darás o alimento essencial; mísero, encerrarás em ti o mistério divino. Será o pão e serás a hóstia e assim, com a tua franqueza, suplantarás a árvore mais vigorosa e com a tua humildade serás maior que o sol.

No teu seio desabrocharão as papoulas e, dentro em pouco, a flor virá anunciar-te a espiga e a espiga dará a farinha branca, que será força nos homens e sacrário da minha essência. Assim Deus, engrandecendo-os, responde à esmola dos pequeninos.

Disse, e, contente, mais com o que fizera ao trigo do que com a criação de todo o universo maravilhoso, ao clarear da lua, quando os rouxinóis cantavam, remontou ao céu entre os anjos que foram, em coros, pelos ares claros, apregoando a sua onipotência e a sua misericórdia.

Em: Coelho Neto e a ecologia no Brasil, 1898-1928, org. Eulálio de Oliveira Leandro, Imperatriz, MA, Editora Ética: 2002





5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.

5 06 2012

Brasil, lençóis maranhenses.

O que você vai fazer hoje, para preservar o meio ambiente?

Brasil, Serra Gaúcha.

O que você vai mudar no seu dia a dia para preservar o meio ambiente?

Brasil, cavalos selvagens em Roraima.

Quantas árvores você vai plantar neste ano?

Brasil, Canyon Guartelá, PR.

Vai organizar um mutirão para limpar o rio mais próximo de sua casa?

Brasil, Pantanal Matogrossense.

Que tal comer carne bovina só uma vez por semana? ou por mês?

Brasil, Chapada da Diamantina, BA.

Não lave mais as calçadas!

Pense bem, nas pequenas coisas, nos pequenos gestos que cada um de nós pode fazer para preservar o nosso planeta.

E aja!

É o seu futuro, é o futuro de seus filhos, netos, bisnetos, das gerações seguintes que estão nas suas mãos.

Levante-se, arregace as mangas e trabalhe para um futuro melhor!





Uma verdadeira história de re-nascimento, para nos alegrar nessa Páscoa!

6 04 2012

Quatro dos dezoito patinhos zarros de Madagascar, nascidos em cativeiro.

Dezoito patinhos, filhotes de zarros, os patos selvagens mais raros do mundo, nativos de Madagascar e em processo de extinção, nasceram ontem em um centro de reprodução em cativeiro, onde estão sendo monitorados. Com esse pequeno número de filhotes, cientistas deram um passo incrível para a recuperação da espécie, já que com esta “explosão populacional”, aumenta-se em 30% toda a população mundial conhecida, do gênero Aythya innotata, hoje  reduzida a 60 patos adultos.

No final dos anos 90, cientistas acreditavam que os zarros de Madagascar estivessem extintos.  No entanto, alguns espécimes foram redescobertos em 2006, depois que uma expedição ao Lago Matsaborimena – também conhecido como Lago Vermelho – revelou a existência de 22 zarros.  Só 22 desses patos cor de canela que pareciam livres na natureza.

Os grupos Wildfowl and Wetlands Trust e Durrell Wildlife Conservation Trust, que coordenaram o projeto de reprodução, disseram que esse tipo de iniciativa pode salvar as espécies em extinção.  As duas entidades de conservação da natureza lançaram uma missão de emergência para garantir a sobrevivência da espécie em 2009. O objetivo era coletar ovos para começar um programa de reprodução em cativeiro. Eles pegaram 24 ovos dos ninhos do Lago Matsaborimena. Inicialmente os ovos foram sendo chocados dentro de uma banheira de hotel, enquanto o centro de reprodução estava sendo construído em Antsohihy, na ilha próxima da costa da África.

Os filhotes que nasceram nestas condições inusitadas agora estão dando à luz a sua primeira ninhada. “Estes patinhos representam um passo incrível na luta para salvar os zarros da extinção“, diz o biólogo Glyn Young, da Durrell Wildlife Conservation Trust.

Ambientalistas dizem que a espécie continua a ser extremamente vulnerável à extinção de eventos únicos como a poluição ou surto da doença.

Dr. Glyn Young, um biólogo de conservação com Durrell Wildlife Conservation Trust, um dos parceiros no programa de melhoramento, disse: “Sete anos atrás, as pessoas pensavam que este pássaro já estivesse extinto, mas a descoberta de uma população pequena e agora a chegada desses patinhos levou a esperança real de que as aves possam um dia voltar à natureza novamente.”

O projecto de conservação, que também envolve o Wildfowl e Wetlands Trust (WWT), o Fundo Peregrine, Asity Madagascar e o governo de Madagáscar, estuda a população selvagem de zarros para entender por que ela está em declínio e onde seria o melhor lugar para liberar o grupo de criado em cativeiro.

Entre as preocupações dos cientistas  está a taxa de sucesso muito baixa de reprodução, quando deixados à natureza, por exemplo, no Lago Matsaborimena, o último lugar natural e selvagem onde eles se congregaram.

Peter Cranswick, diretor de recuperação de espécies em WWT, disse: “Embora Lake Matsaborimena seja o último esconderijo para os patos, está longe de ser ideal como um habitat.  Nossas investigações iniciais sugerem que há pouco alimentoe isso pode ser responsável pela baixa sobrevivência dos patinhos, nascido no lugar. Na verdade, eles estão morrendo de fome”

Cranswick disse que a equipe havia identificado alguns lagos onde as condições físicas eram potencialmente boas  como lugares reprodutores para os zarros.  Mas como acredita-se que a pesca  seja um fator responsável pelo declínio da população de patos zarros  e as comunidades locais dependem da pesca, o sucesso de um esquema de reintrodução dos patos à natureza depende de apoio local, das comunidades e de se encontrar uma solução que beneficie a moradores e aos pássaros.

Fontes: Terra, The Daily Mirror





Pescaria no Avanhandava, texto de Francisco de Barros Júnior

24 11 2009

Pescando, 1894

José Ferraz de Almeida Júnior (Brasil, 1850-1899)

óleo sobre tela, 64 x 85 cm

Coleção Particular

A minha primeira pescaria no Avanhandava foi feita em companhia de um senhor, advogado em Penápolis, e de seu filho, estudante do terceiro ano da nossa Politécnica, ambos fanáticos pescadores.

Era em maio, e as águas límpidas tinham seu nível muito baixo.  Os dourados, à montante do salto, vinham até sua borda, mas evitavam descer, certamente advertidos pelo instinto,  da quase impossibilidade de retorno.  Na corredeira rasa onde ficavam, eram fisgados com facilidade.  Para atingir esse local, tínhamos de entrar pela margem direita e atravessar o canal –mestre quase na boca do salto, com água pela cintura.  A passagem era perigosíssima, e disso fui advertido, mas pai e filho estavam acostumados a vencê-la.  Venceram com facilidade, passando de uma para outra pedra submersa, colocadas como batentes da porta desse canal.  Quando chegou a minha vez, fiquei como o Colosso de Rodes, de pernas tão abertas, que não podia comandar os músculos para prosseguir ou voltar.  Deveria, quando dei o passo, aproveitar o impulso para vencer a passagem, em lugar de estender a perna tateando, medroso de me faltar apoio.

Fiquei nessa posição sem rolar no abismo, porque quando tombava, instintivamente procurei amparar-me na vara que levava na mão direita, e esta firmou-se em alguma fenda de pedra, mantendo-me em equilíbrio.  Nessa insegura posição, passei momentos angustiosos, sentindo claramente rondar-me a morte.  Por fim, numa prece íntima implorando auxílio divino, reuni as forças que se iam esgotando e retrocedi, não sem cair sentado, com água até o pescoço.  Desisti da empresa e fiquei a ver de longe as ferradas seguidas dos companheiros que matavam os dourados com golpes das costas do facão, atravessavam-lhes nas guelras uma correia e a prendiam na cinta, prosseguindo a pescaria.  Avançavam contra a correnteza, com uma profundidade média de um metro e iam lançando a linhada para a frente.  Os dourados abocanhavam a isca, mal esta tocava a superfície, ou logo ao iniciar a descida.  Com a pequena profundidade, brigavam pouco.  Quando a carga lhes pesava, iam depositar os peixes sobre uma pedra que aflorava à superfície, e continuavam.  Quando voltaram, traziam seis dourados de três a seis palmos, e mais não pescaram pela dificuldade do transporte.

Fiz essa pescaria com esses amigos de um dia, cujos nomes, por mais que me esforce não posso recordar, e segui para Corumbá.

Regressei um mês depois com intenção de ficar em Penápolis e fazer, em tão excelente companhia, nova pescaria no lindo salto.  

Nem cheguei a ficar, pois quando me dispunha a descer a bagagem, fui abordado pelo pai do rapaz.  Estava de luto fechado.

Uma semana depois voltou com o desditoso filho e passou o primeiro passo perigoso, prosseguindo a pescaria.  Ao jovem sucedeu o que me havia acontecido, e não podendo firmar-se, rolou no abismo.  Um pescador que estava embaixo, na margem do canal, o viu tombar, sumir-se no turbilhão e surgir adiante, desgovernado, debatendo-se desesperadamente, a fronte sangrando de larga ferida.

Era tal a velocidade da descida, que, chicoteando-o com a sua linha, na esperança de fisgá-lo com o anzol, não mais pode alcançá-lo e o corpo sumiu-se entre os cachões de espuma, para só ser encontrado três dias depois, vários quilômetros mais abaixo.

Desta vez depois de inúmeras dificuldades, conseguimos um pirangueiro para a rodada.  A triste lembrança acudiu-me à memória, desde que cheguei ao majestoso salto, até que fisguei o primeiro dourado de uns três palmos.  Durante os dois quilômetros que descemos, consegui pegar quatro dourados.  Dois, mais ou menos do tamanho do primeiro, e o último de seis palmos, que brigou bastante antes de ser embarcado,.

Na volta, aludindo à tragédia, o pirangueiro, um dos que procuraram o corpo, indicou o poço onde fora encontrado já bastante atacado pelos peixes. (*)

Não tive mais vontade de pescar nesse dia, e no seguinte voltei para S. Paulo, sem aproveitar os que me restavam de férias.

 

 

(*) Recentemente soube que no mesmo passo perigoso, haviam perecido anos depois, o pai e um tio do infeliz estudante, quando aquele tentava salvar o irmão.  

Em:  Caçando e pescando por todo o Brasil, 3ª série: no planalto mineiro, no São Francisco, na Bahia, de Francisco de Barros Júnior, São Paulo, Melhoramentos: s/d, pp. 34-36

Francisco Carvalho de Barros Júnior (Campinas, 14 de dezembro de 1883 — 1969) foi um escritor e naturalista brasileiro que ganhou em 1961 o Prêmio Jabuti de Literatura, na categoria de literatura infanto-juvenil.

Francisco Carvalho de Barros Júnior, patrono da cadeira n° 16 da Academia Jundiaiense de Letras, colaborou em vários jornais e revistas e é o autor da série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil, um relato de viagens pelo Brasil na primeira metade do século XX, descrevendo diversos aspectos das regiões visitadas (entre outros botânica, animais e populações caboclas e indígenas).

Obras:

Série Caçando e Pescando Por Todo o Brasil

Primeira série: Brasil-Sul, 1945

Segunda Série: Mato Grosso Goiás, 1947

Terceira Série: Planalto Mineiro – o São Francisco e a Bahia, 1949

Quarta Série: Norte,  Nordeste,  Marajó, Grandes Lagos, o Madeira, o Mamoré, 1950

Quinta Série: Purus e Acre, 1952

Sexta Série: Araguaia e Tocantins, 1952

Tragédias Caboclas, 1955, contos

Três Garotos em Férias no Rio Tietê, 1951, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraná, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Paraguai, infanto-juvenil

Três Escoteiros em Férias no Rio Aquidauana, infanto-juvenil





Novas espécies de coral são achadas em Galápagos

10 09 2009

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Cientistas descobriram  novas espécies de coral perto das Ilhas Galápagos, na costa do Equador, alimentando esperanças de que as formações podem ser mais resistentes ao aquecimento dos oceanos do que se acreditava.

O pesquisador Terry Dawson, da Universidade de Southampton, na Grã-Bretanha, que realizou a pesquisa marinha, disse que foram encontradas “cinco ou seis espécies novas para a ciência“, além de “três outras que são novas para as Galápagos e são semelhantes a espécies encontradas em lugares como o Panamá e a Costa Rica“.

 

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Dawson acrescentou que também foi achada uma espécie que os cientistas acreditavam ter desaparecido após a última grande manifestação do fenômeno El Niño, entre 1997 e 1998.

O projeto de três anos, que procura auxiliar o governo do Equador na preservação do ecossistema das Galápagos, concentrou-se em duas ilhas – Wolf e Darwin – no noroeste do arquipélago.

 

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Alga Darwin

 

El Niño
A descoberta levanta duas questões, disse Dawson. A primeira hipótese é que os corais seriam mais resistentes ao aquecimento das águas decorrente do El Niño do que se acreditava. A segunda é que os corais podem estar se adaptando e se tornando mais resistentes ao fenômeno.

O pesquisador admite, contudo, que há pessimismo no mundo científico quanto ao futuro dos corais. Em longo prazo, se os corais não forem destruídos pelo aquecimento das águas, podem acabar vítimas da acidificação dos mares.

Esse fenômeno é provocado pela concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que também provoca o aquecimento global. Recifes de coral são formados por depósitos de carbonato de cálcio deixados ao longo de milhares de anos por bilhões de pequenos organismos chamados pólipos de coral.

 

Fonte:  Portal Terra





Novas espécies de rãs, víboras, e mais descobertas no Nepal

10 08 2009

O escorpião Heterometrus nepalensis, catalogado em 2004 no Nepal, pode alcançar 8 cm de comprimento

O escorpião Heterometrus nepalensis, catalogado em 2004 no Nepal, pode alcançar 8 cm de comprimento.  Foto: WWF-Nepal

 

Mais de 350 novas espécies de animais e vegetais foram descobertas na região do Himalaia oriental na última década apesar das ameaças causadas pelo aquecimento global, anunciou nesta segunda-feira a ONG WWF (World Wide Fund for Nature). O catálogo, com dados coletados entre 1998 e 2008, apresenta 244 raridades de plantas, 16 anfíbios, 14 peixes, duas aves, dois mamíferos e pelo menos 60 invertebrados.

 

A pequena rã voadora Rhacophorus suffry, registrada em 2007, utiliza as membranas das longas patas avermelhadas para deslizar pelo ar

A pequena rã voadora Rhacophorus suffry, registrada em 2007, utiliza as membranas das longas patas avermelhadas para deslizar pelo ar.  Foto: WWF-Nepal

 

Entre as novas espécies, encontram-se rãs voadoras, o menor cervo do mundo, o fóssil de uma espécie de lagarto com mais de 100 milhões de anos e a perigosa víbora venenosa Trimeresurus gumprechti. Os achados foram realizados por um grupo internacional de cientistas em uma região da cadeia montanhosa que compreende desde o Butão e o noroeste da Índia até o norte da Birmânia, do Nepal e o sul do Tibete (China).  A pequena rã voadora Rhacophorus suffry, registrada em 2007, utiliza as membranas das longas patas avermelhadas para deslizar pelo ar. O Muntiacus putaoensis, considerado a menor espécie de cervo do mundo, foi descrito em 1999 e não ultrapassa os 80 cm de altura e 11 kg.

 

Identificada em 1999 no Estado indiano de Assam, a rã gigante Leptobrachium smithi possui um olho dourado que impressiona os cientistas

Identificada em 1999 no Estado indiano de Assam, a rã gigante Leptobrachium smithi possui um olho dourado que impressiona os cientistas.  Foto: WWF-Nepal

 

Em 2002, os cientistas observaram pela primeira vez a Trimeresurus gumprechti, uma víbora venenosa perigosa que é capaz de atingir 1,3 m de comprimento. No entanto, os especialistas acreditam que existam exemplares maiores. Do ponto de vista científico, conforme a WWF, um dos descobrimentos mais importantes foi o fóssil da espécie de lagarto pré-histórico Cretacegekko burmae, com mais de 100 milhões de anos. O resto fossilizado do réptil foi encontrado em uma mina de âmbar no vale de Hukawng, norte da Birmânia.

 

Trimeresurus grumprechti, vibora veneneosa

A Trimeresurus gumprechti, uma víbora venenosa perigosa, foi vista pela primeira vez em 2002.  Foto: WWF-Nepal

 

O Himalaia oriental abriga uma diversidade biológica que inclui 10 mil espécies de flora, 300 mamíferos, 977 aves, 176 répteis, 105 anfíbios e 269 tipos de peixes de água doce. Além disso, a região concentra a maior população de tigres de Bengala do planeta e a última com a ocorrência do rinoceronte indio.

 

Fontes:  TERRA

WWF-NEPAL





Olha o passo do elefantinho!

30 07 2009

Filhote passeia entre adultosFOTO: AFP

 

O zoológico Whipsnade, na cidade britânica de Bedfordshire, apresentou nesta terça-feira um filhote de elefante asiático. O bebê, que nasceu há seis dias (22/7/2009) pesando 126 kg, já passeia entre os adultos.

Recentemente (5/7/2009) o zoológico Taronga, na Austrália comemorou o nascimento de um outro bebê de elefante asiático, nascido com 120 kg.

 

Filhote de elefante asiático nasce com 126kg

FOTO: AFP

 

No passado esses elefantes podiam ser encontrados nos territórios que abrangem grande parte da Ásia. Hoje existem só pequenas comunidades,  espalhadas em zona florestais, por vários países: Índia, Tailândia, Bangladesh, Butão, Brunei, Camboja, China, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar (antiga Birmânia), Nepal, Sri Lanka e Vietname. O desaparecimento dos habitats naturais empurrou estes animais para junto das populações.

Esses elefantes se alimentam principalmente de ervas e folhas de árvore. No entanto, parecem demonstrar gostar muito de produtos da horta.  Isso causa um problema sério para as populações que vivem próximo ao habitat desses paquidermes, pequenos agricultores vêem as suas culturas devastadas, rapidamente.

 

Filhote britânico

FOTO: AFP

 

Os elefantes asiáticos atingem 3 metros de altura, têm orelhas pequenas e defesas um tanto leves. Machos e fêmeas, atingem a maturidade sexual por volta dos 14 anos.  O tempo de gestação de um bebê elefante varia entre os 18 e os 22 meses.  Ao cabo desse tempo nasce apenas uma cria.  A espécie é muito utilizada pelo homem como animal de guerra, em trabalhos florestais e como meio de transporte.

Seu único predador natural é o tigre, que na maioria das vezes ataca os filhotes, porém existem casos registrados de tigres caçarem elefantes adultos.  Em circunstâncias normais a expectativa de vida de um elefante asiático é 60 anos.

 

filhote de elefante asiatico, zoo de Bedfordshire, Inglaterra

FOTO: AFP

 

As principais diferenças entre este e o elefante-africano são: costas mais arqueadas, orelhas menores, 4 unhas nas patas traseiras em vez de 3, 19 pares de costelas em vez de 21, ausência de presas de marfim nas fêmeas.

Na religião hindu, o elefante-asiático está associado a Ganexa, o deus da sabedoria.





A crise econômica afeta os animais dos zoológicos nos EUA.

28 07 2009

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Desde abril deste ano, que a rede de notícias ABC tem dedicado algumas de suas reportagens ao sofrimento dos grandes zoológicos dos EUA a partir da crise econômica.  Com seus orçamentos sofrendo grandes cortes, não só no financiamento dos governos como nas doações de instituições particulares, os zoológicos se vêem numa situação difícil tendo que escolher entre os empregos dos funcionários ou a eliminação de alguns animais de suas coleções.  Tudo isso acontecendo justo no momento em que famílias, limitadas nos seus orçamentos por causa da crise, têm procurado os parques zoológicos como um bom entretenimento, de custo baixo, apropriado a bolsos mais esquálidos, neste período de férias de verão.  

 

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Cisnes, veados, antílopes, porcos-espinho, guanacos e morcegos, por exemplo, estão entre os animais que sairão das coleções do Zoológico do Bronx, em Nova York, que por incrível que pareça é mantido por uma das maiores instituições de preservação da natureza, a Wildlife Conservation Society.

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O zoológico do Bronx, que tem 114 anos de existência, é um dos mais conhecidos e considerados zôos do mundo, mas mesmo assim sofre com a economia periclitante no país.   Como ponto turístico de valor, sua administratção teme que a instituição venha a ser conhecida como um zoológico sem animais.   Desde que a WCS reduziu seu orçamento anual por 15 milhões de dólares, cortes tiveram que ser feitos.  O zoológico do Bronx não é o único a sofrer durante a crise.  Outros zôos dos estados de Kansas, Connecticut, Missouri, Maryland acham-se em circunstâncias semelhantes, tendo que lidar com orçamentos minguantes e gerenciamento de dietas e nutrição para seus hóspedes do mundo animal.  Além disso, qualquer corte feito não pode retirar das exposições as principais atrações para o público porque aí sim, este público deixaria de vez de visitar os parques zoológicos e contribuir para o orçamento de manutenção dessas instituições com o valor das entradas e dos gastos nas lojas de lembranças.  É uma verdadeira saia justa que cada administrador de zoológico tem que considerar.  

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Na maioria dos casos quem sofre primeiro são os humanos.  Viagens, treinamento, propaganda, serviços profissionais e almoxarifado foram reduzidos.  Depois disso, se um equilíbrio financeiro não é encontrado, são os animais que sofrem pequenos cortes.  Estes vêm em geral na redução de gastos de manutenção, com ênfase dada a uma dieta menos variada.  E alguns são escolhidos para irem para outro endereço.  

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A maioria dos diretores de zoológicos sabe que retirar animais de suas coleções dilui o valor da instituição.   Mas o que não podem aceitar é ter que se descuidarem dos animais.  Este é o limite para todos os zoológicos.  Todos vêem a segurança e a saúde de seus animais como item de primeira ordem.  Mas as instituições estão sofrendo e ver que o zoológico do Bronx, mantido pela WCS, sofre com a crise econômica tanto quanto outros zôos, está soando um sinal de alarme para toda a sociedade americana.  

Fontes:

ABC  — 30/4/2009

ABC  — 11/7/2009





Salvem os macacos bugios, no RS!

18 04 2009

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Preocupado com a matança equivocada de macacos bugios no Rio Grande do Sul, um pesquisador da Pontifícia Universidade Católica (PUCRS) decidiu lançar uma campanha para alertar a população. Nos últimos meses, a mídia gaúcha tem noticiado casos de pessoas que matam os bugios para prevenir a disseminação da febre amarela.

 

Sensíveis à doença, os macacos são os primeiros a adquiri-la, e a sua morte serve como um aviso para que os órgãos de saúde pública iniciem campanhas de vacinação. “Algumas pessoas pensam que os bugios transmitem a febre amarela aos humanos, o que é totalmente errado”, explica o pesquisador Júlio César Bicca-Marques, autor da iniciativa e especialista em ecologia, comportamento, cognição e biologia da conservação de primatas

 

No dia 3, ele começou a enviar emails e contatar os órgãos de imprensa para falar sobre o problema e intitulou a campanha Proteja seu anjo da guarda. A idéia é espalhar a informação de que o agente transmissor é um mosquito, e não os macacos. O projeto tem o apoio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Porto Alegre e outras instituições.

 

Por adoecerem primeiro, os primatas dão às autoridades informações valiosas sobre a circulação do vírus. “Por isso, matá-los seria como dar um tiro que sairá pela culatra”, completa Júlio César.

 

Principais espécies de macaco do Rio Grande do Sul, os bugios preto e ruivo, que pesam 6 kg em média, vivem sob risco de extinção. Com o habitat natural reduzido pela substituição de florestas, eles já enfrentavam caçadores e comerciantes de animais silvestres antes de virarem alvo da população.

 

 

 

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Macaco Bugio.  Foto: Denis Ferreira Neto.

 

 

É importante lembrar que a febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus que é transmitido por mosquitos. Existem dois tipos: a febre amarela urbana, erradicada do Brasil por volta da década de 1960, e a febre amarela silvestre. Os vetores (agentes responsáveis pela transmissão) da forma silvestre são mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, enquanto a forma urbana pode ser transmitida pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue.

 

 

A febre amarela silvestre já provocou a morte de algumas pessoas e de muitos bugios em uma extensa área do Rio Grande do Sul desde o final de 2008. No entanto, ao contrário da maioria das pessoas, os bugios são extremamente sensíveis à doença, morrendo em poucos dias após contraí-la. Esses macacos já estão ameaçados de extinção no Estado devido à destruição de seu hábitat natural (as florestas), à caça e ao comércio ilegal de mascotes.

 

Os bugios NÃO transmitem a febre amarela para o homem e NÃO são os responsáveis pelo rápido avanço da doença no Estado. Eles são as principais vítimas. As mudanças climáticas e a degradação ambiental provocadas pelo homem são as principais responsáveis pelo recente aparecimento de inúmeras doenças infecciosas no Estado. Especialistas acreditam que o avanço da doença tem sido facilitado pelo deslocamento de pessoas infectadas ou pela dispersão dos mosquitos ou outro hospedeiro ainda desconhecido.

 

Esta é uma combinação de dois artigos escritos por Júlio César Bicca-Marques, Professor Titular, Grupo de Pesquisa em Primatologia da Faculdade de Biociências/PUCRS.

 








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