15 de novembro — Dia da República

15 11 2013

Delfim da Câmara (1834–1916)Retrato de D. Pedro II, 1875, ost, 127 × 95 cm, Museu Histórico Nacional (MHN)Rio de JaneiroRetrato de D. Pedro II, 1875

Delfim da Câmara (Brasil, 1834- 1916)

óleo sobre tela, 127 x 95 cm

Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro

“Em visões de luz, de paz, de glória
aguardarei sereno no meu jazigo,
a justiça de Deus na voz da História.”

(Pedro de Alcântara, [D. Pedro II], no poema, Terras do Brasil)





Pátria, poema de Pedro Canísio Braun

28 10 2012

Pátria

Pedro Canísio Braun

Entre as coisas mais bonitas
De tantas que Deus nos deu
Há uma que se destaca
É a Pátria onde se nasceu.

Pátria não é um sentimento
No sentido figurado
Pátria é um recanto de terra
Que nos deixa enfeitiçado.

Pátria é o ar que se respira
Comida que mata a fome
É a coragem de assinar
Cidadão antes do nome.

Por fim Pátria é a natureza
Campo, serra, sol e mar
Pedaço de céu na terra
Que Deus nos deu para amar.





Canto da minha terra, Olegário Mariano, para o dia 15 de novembro

14 11 2008

 

No dia 15 de novembro comemoramos a Proclamação da República.  É um momento para pensarmos neste nosso país.  E por que não pensar no que o faz maravilhoso?  Com esta intenção lembro aqui do poema de Olegário Mariano. 

 

 

 

 

 

 

 

paisagem-bustamante-sa

Paisagem de Campos do Jordão, s/d

Rubens Fortes Bustamante Sá (RJ 1907- TJ 1988)

Óleo sobre tela

Coleção particular, Rio de Janeiro

 

 

Canto da minha terra

 

Olegário Mariano

 

 

Amo-te, ó minha terra, por tudo o que me tens dado:

Pelo azul do teu céu, pelas tuas árvores, pelo teu mar;

Pelas estrelas do Cruzeiro que me deixam anestesiado,

Pelos crepúsculos profundos que põem lágrimas no meu olhar;

 

Pelo canto harmonioso dos teus pássaros, pelo cheiro

Das tuas matas virgens, pelo mugido dos teus bois;

Pelos raios do sol, do grande sol que eu vi primeiro…

Pelas sombras das tuas noites, noites ermas que eu vi depois;

 

Pela esmeralda líquida dos teus rios cristalinos,

Pela pureza das tuas fontes, pelo brilho dos teus arrebóis;

Pelas tuas igrejas que respiram pelos pulmões dos sinos,

Pelas tuas casas lendárias onde amaram nossos avós;

 

Pelo ouro que o lavrador arranca das tuas entranhas,

Pela bênção que o poeta recebe do teu céu azul,

Pela tristeza infinita, infinita das tuas montanhas,

Pelas lendas que vêm do Norte, pelas glórias que vêm do Sul;

 

Pelo teu trapo de bandeira que flâmula ao vento sereno,

Pelo teu seio maternal onde a cabeça adormeci,

Sinto a dor angustiada do teu coração pequeno

Para conter a onda sonora que canta de amor por ti.

 

Em:  Toda uma vida de poesia: poesias completas, Olegário Mariano, em dois volumes, José Olympio: 1957, Rio de Janeiro, 1° volume.

 

 

 

Olegário Mariano Carneiro da Cunha, (PE1889 —  RJ 1958). Poeta, político e diplomata brasileiro.

 

Obras:

 

Angelus (1911)

Sonetos (1921)

Evangelho da sombra e do silêncio (1913)

Água corrente, com uma carta prefácio de Olavo Bilac (1917)

Últimas cigarras (1920)

Castelos na areia (1922)

Cidade maravilhosa (1923)

Bataclan, crônicas em verso (1927)

Canto da minha terra (1931)

Destino (1931)

Poemas de amor e de saudade (1932)

Teatro (1932)

Antologia de tradutores (1932)

Poesias escolhidas (1932)

O amor na poesia brasileira (1933)

Vida Caixa de brinquedos, crônicas em verso (1933)

O enamorado da vida, com prefácio de Júlio Dantas (1937)

Abolição da escravatura e os homens do norte, conferência (1939)

Em louvor da língua portuguesa (1940)

A vida que já vivi, memórias (1945)

Quando vem baixando o crepúsculo (1945)

Cantigas de encurtar caminho (1949)

Tangará conta histórias, poesia infantil (1953)

Toda uma vida de poesia, 2 vols. (1957)

 

 

 





Dia do Imigrante: 25 de junho

26 06 2008

Domingos Eduardo Lopes, cerca 1910

            Domingos Eduardo Lopes, cerca 1915.

Talvez por ter vivido muitos e muitos anos fora do Brasil, as questões relativas aos imigrantes são sempre de grande valor para mim.  Não importa de que terra você venha e para que terra você vá.  Há sempre alguns temas que são perpétuos: uma saudade imensa, um inexplicável vazio preso a um lugar que já não existe.  Um lugar que deixou de existir como o lembramos.  Diferente da morte de um familiar, o exílio, quer seja voluntário ou não, é a morte de um contexto, é a morte de uma identidade.  E, a não ser que o imigrante seja extremamente flexível, raramente voltará a ter um lar.  Não me refiro aqui a uma casa de alvenaria, mas ao sentimento de lar, de conforto íntimo, que é uma chama dentro de nós e que quando vivemos onde nascemos ela consegue se expressar, se refletir no nosso ambiente.  Para um imigrante, ela vive quase apagada, queimando devagarinho no peito.  Um imigrante sempre traz dentro de si um lugar intangível, dolorido, que contém uma essência daquilo que ele é e que jamais demonstra.

 

Sou a favor da imigração.  Acho por exemplo que o Brasil pode e deve receber mais imigrantes do que recebe.  E como vivi muitos anos nos EUA conheço de perto o enriquecimento cultural que os imigrantes trazem consigo.  É fenomenal.

 

Na procura de saber mais do único avô imigrante que tive, nos anos que morei em Portugal, procurei pela aldeia em que ele nasceu:  aldeia de Canavezes, na região de Valpaços.  Ele saiu de lá aos 11 anos, chegando ao Brasil, acompanhado de sua mãe viúva que vinha se encontrar com o único sobrinho, já radicado no Brasil. Chegaram aqui no ano da Proclamação da República, 1889.  Ainda tenho comigo todos os seus documentos.  Seu passaporte.  Nunca mudou de nacionalidade.  Nasceu português e assim morreu em 1946.  A ele vai esta homenagem hoje.  Não o conheci.  Nem ele me conheceu.  Mas tenho profundo orgulho deste menino que saiu de um lugar perdido no mundo, (porque se foi difícil chegar a sua aldeia em 1989, cem anos antes deveria realmente ter sido uma viagem inacreditável a saída de lá para o Brasil).    Eu me orgulho daqueles dois, mãe e filho, que vieram para o Brasil para uma vida melhor.

 

Quando visitei a igreja de Canavezes, eu, que nem posso me considerar uma pessoa religiosa, me ajoelhei e agradeci aos céus que protegeram minha bisavó Júlia e meu avô Domingos, naquela aventura da imigração.  Porque não tivessem eles saído de lá, que futuro seus filhos teriam tido?  Poderiam seus filhos ter-se tornado engenheiros, químicos industriais e físicos como o fizeram?  Não.  Eles não teriam tido esta oportunidade.  Lembro-me de ter-me emocionado muito neste vilarejo em 1989.  Foi um dos poucos lugares em Portugal onde tive contato direto com o analfabetismo adulto.  A procura de talvez algum parente ainda, bati em portas, aqui e ali. Um grupo de pessoas se lembrava de alguém com a combinação de nomes que tínhamos, pergunta lá e acolá, num instante a aldeia toda sabia da nossa existência.  Nisso um casal nos convidou para sua casa e lá, depois de termos chegado à conclusão de que os seus parentes não poderiam ser os nossos, pediram que lêssemos uma carta. Ela chegara há anos, mas há muito tempo não a ouviam de novo.   Foi uma lição.

 

Então fica aqui o meu testemunho, o meu orgulho e agradecimento a esta corajosa bisavó e a seu filho, este avô de Trás-os-montes,  este avô a quem devo os cabelos louro-escuros e talvez a pele clara dos celtas.  Talvez,  porque entre os meus bisavós, aí sim, ainda tenho mais imigrantes. De oito bisavós, seis são desta mesma região: norte de Portugal (Minho e Trás-os-montes) e Galícia.  Mas esta é uma outra história. 

 

Que os imigrantes sejam bem vindos!  Êta gente corajosa!

 








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