“A valise do professor”, de Hiromi Kawakami

8 06 2014

 

 

NicolasChaperonhermesVenus & Hermes; painting by Nicolas ChaperonHermes e Vênus

Nicolas Chaperon (França, 1612-1656)

óleo sobre tela, 110 x 134 cm

Museu do Louvre, Paris

 

 

Meu conhecimento da tradição literária japonesa é nula. Conheço alguns escritores contemporâneos, mas não o suficiente para poder colocar a obra de Hiromi Kawakami em contexto. Assim, minha leitura de A valise do professor é feita pelos padrões e associações ocidentais. A história de uma simplicidade cativante, contada de modo direto sem rebuscados, de fácil leitura, retrata a vida de duas pessoas solitárias, que se reconhecem, que mantêm um relacionamento morno, e que encontram, no final, uma maneira mais íntima de se relacionarem. Elas são: Tsukiko uma mulher de 38 anos, solteira, que passa muitas de suas noites em um bar, sozinha, bebendo e comendo, sem grandes amigos e o Professor, de quem ela havia sido aluna, que viúvo, também, leva uma vida semelhante, só. Encontram-se em um bar e aos poucos desenvolvem uma amizade, fortemente enraizada na alimentação e na bebida. Apesar dos mais de 30 anos de idade que os separam, Tsukiko e o professor desfrutam de uma relação satisfatória para ambos.

 

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Este é um romance delicado de grande sensibilidade às diferentes exigências que cada um tem para se relacionar com o mundo. Por trás dessa simples história há algo que nos preenche, que nos fascina. Talvez seja porque corresponde ao que trazemos no seio da cultura ocidental: o arquétipo de Mercúrio ou Hermes como psicopompo, um ser que guia a nossa percepção sobre o mundo que nos cerca e media os nossos desejos inconscientes. Neste romance o professor exerce esse papel, o de guia, o papel de psicopompo, abrindo o caminho para que uma nova Tsukiko apareça e saia de seu casulo, que bata asas e viva a vida. E o ponto alto dessa instrução vem com introdução dela ao amor. O professor como um bom guia da alma, oferece novas oportunidades para que Tsukiko aprimore seus sentidos. Ele a acompanha e a ensina a transitar entre os extremos que a vida lhe apresenta. E oferece também uma passagem segura para o conhecimento de sua própria alma. Até mesmo na lida com o submundo ele a guia — dos sonhos e pesadelos à aceitação da morte.

 

Hiromi-Kawakami-c-Tomohiro-Muta-1013x1024Hiromi Kawakami

O título, que se refere à valise que o professor leva consigo a todos os lugares, corresponde ao arquétipo, pois trabalha com o símbolo da transição, o levar algo de um lugar ao outro. Não importa o conteúdo dessa valise, o que importa é que é o símbolo da viagem, da transição entre dois mundos esteja presente. Quando Tsukiko finalmente recebe a valise e a preserva, sabemos que ela entendeu e está pronta para assumir o papel do professor. Está, de agora em diante, incumbida em ser a facilitadora entre mundos, para quem dela necessite.

 

 





O que você faz para ser feliz?

1 01 2014
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Símbolo chinês da felicidade

Feliz Ano Novo!

 A felicidade… Sua busca está na moda.

Estudos em neurologia, sociológicos e de direito examinam, no mundo inteiro, neste preciso momento, o que é a felicidade.  E mais, se é um direito do indivíduo. Termos chegado a esse debate representa um passo enorme na história da humanidade: um  módico dos direitos humanos foi alcançado por uma parte significativa da população mundial ou não estaríamos a discutir com tanto ardor um sentimento tão completamente subjetivo.

A música de Clarice Falcão “O que você faz para ser feliz?” usada recentemente como jingle para o anúncio de um supermercado na televisão, revela um importante conhecimento, mesmo com seu jeitinho de cultura pop: a felicidade, como a beleza, está nos olhos de quem vê, ou nesse caso, de quem sente. Ela depende exclusivamente de você. Daquilo que você escolhe, do que você constrói.  Ela requer autoconhecimento e auto-aceitação. Ela está presente, aí dentro de você. É preciso só despertá-la…

Que 2014 lhe traga o autoconhecimento necessário à sua felicidade.





Precisa prestar atenção? Ouça Mozart

22 07 2013

musica romanticaPato Donald quer ouvir música romântica, ilustração Walt Disney.

Uma recente pesquisa parece dar apoio ao que muitos já sabiam na prática, inclusive esta Peregrina: escutar Mozart – a pesquisa fala de minuetos —  ajuda à concentração das pessoas que conseguem então ignorar informações irrelevantes ao seu redor. Os sons suaves de um minueto de Mozart aumentam a capacidade de crianças e idosos na concentração durante as tarefas que têm que cumprir e ignorar informações irrelevantes.

O estudo chegou a conclusão também que músicas dissonantes têm o efeito oposto, mas que podem ajudar quando precisamos chegar a uma aceitação ou a um acordo entre sentimentos opostos, como por exemplo a aceitação da morte de uma pessoa próxima.

O estudo liderado por Nobuo Masataka da Universidade de Kyoto e Leonard Perlovsky da Universidade de Harvard continua outro estudo feito anteriormente pela mesma equipe, que descobriu que ouvir Mozart nos ajuda a lidar com a dissonância cognitiva, com o profundo desconforto que sentimos quando nos damos conta que duas de nossas crenças estão em desacordo. Juntos, esses resultados sugerem que a música pode nos ajudar a ver com mais clareza, uma situação complexa ou confusa.  E, a  lidar com ela de forma muito mais eficiente.

Para maior detalhamento:  Pacific Standard





A mulher de vermelho e branco de Contardo Calligaris e a ambiguidade

11 11 2011

O que você vê nesta imagem?

Depois da leitura do excelente romance A mulher de vermelho e branco, de Contardo Calligaris, [ Cia das Letras: 2011] eu gostaria de poder rever meu primeiro professor em teoria da percepção, Antônio Gomes Penna (1917-2010), para dizer, “valeu mestre”, o senhor me preparou para a boa interpretação de texto e das artes visuais.  A  realidade é plural.  É a soma do que vemos e do que não vemos.  Mas, através desses anos, como historiadora da arte, o conhecimento da gestalt raramente se fez óbvio, pelo menos ostensivamente.  A razão é simples: a ênfase tem sido na historiadora e não no teórico das artes visuais.  A  história da cultura ocidental através das artes plásticas e da literatura prevaleceu sobre as teorias da percepção, se isso pode de fato acontecer, porque a  história também está sujeita a interpretações diversas,  não sendo fixa nem sedimentada.  Como tudo mais,  é a soma do que  vemos e do que não vemos.  O romance de Contardo Calligaris é uma fascinante e deliciosa aventura, contagiante e sedutora, no mundo das nossas percepções daquilo que nos rodeia, daquilo que nos afeta e até mesmo da interpretação dos nossos sonhos.

Mas não se enganem, A mulher de vermelho e branco é antes de tudo uma ótima história, contada de maneira simples, direta, sem muitos rodeios literários.  É um quase-thriller.  Digo um quase-thriller porque as aventuras que se desenrolam ao longo do caminho são mais de ordem intelectual.  Até mesmo o perigo é mais potencial do que factual, se bem que tão importante quanto.  Mas há um fio condutor de suspense até a última página, quando temos que reconsiderar tudo o que poderíamos ter imaginado e somá-lo ao que já considerávamos como certo.

A trama se passa em seis meses de 2003 com duas atualizações em 2010 e 2011 e retrata a vida do psicanalista Carlo Antonini, dentro e fora de seu consultório: vida profissional e particular.  São os dois aspectos de sua vida que se entrelaçam: ora o psicanalista, ora o homem comum nos ajudam a construir o enredo.  Seguindo seus passos e suas divagações, considerando os amigos, as conversas e, em particular, uma paciente entramos com ele na difícil arte de interpretar a realidade que se apresenta aos seus olhos.  A mulher de vermelho e branco não deixa de ser um envolvente ensaio prático sobre a ambiguidade, um documento lúdico que demonstra como as condições do observador modificam a importância do que é percebido.  

Nessa narrativa tudo tem muitas faces.  Tudo é a soma de todos os seus componentes tanto os percebidos quanto os que estão distantes do nosso conhecimento: as pessoas têm diferentes nacionalidades, vão e vêm de diferentes países, falam pelo menos duas diferentes línguas com familiaridade.  São famílias com mais de uma identidade, vindas de diversos lugares do mundo.  Duas mulheres, que a princípio parecem diametralmente opostas, ambas com singular dualidade entre seus nomes de batismo e os nomes pelos quais vêm a ser conhecidas, apresentam comportamentos que, por base em um evento, parecem se modificar no inesperado oposto do que haviam sido até então.  Ambas podem ou não ser suspeitas de atos de violência, mas ambas também podem demonstrar fragilidade e doçura. Até mesmo o psicanalista Carlo Antonini que narra o romance, que trafega com familiaridade entre São Paulo, Nova York e Paris, que muda de língua como se muda de roupa, considera a ambivalência do dentro e do fora de seu consultório, de seus motivos e até do que a vida poderia ter sido.  E ainda é confrontado com a ambivalente leitura que faz daqueles que o rodeiam, dos amigos e conhecidos. Não é que a realidade esteja sempre em questionamento na narrativa, é ela que se apresenta camaleonesca, múltipla, facetada e precisa ser ajustada à medida que os personagens dão vazão à fluidez de suas vidas.

Contardo Calligaris

Mais do que um romance, uma aventura ou um thriller,  A mulher de vermelho e branco é um exemplo do trabalho da psicologia cognitiva.  Ele demonstra que a realidade é ambígua, que cada pessoa, fato ou evento pode mudar de acordo com a interpretação que deles fazemos. E, no final, quase somos surpreendidos,  não necessariamente pela trama.  Mas quando consideramos o efeito da ambiguidade em tudo que nos cerca.  Como conseguimos navegar ao longo de nossas vidas sem maiores embates, sem grandes desentendimentos, quando não podemos compreender tudo o que nos cerca?  Parece fantástico, miraculoso até:  se cada um de nós percebe o mundo de maneira tão diferente,  tudo deveria contribuir para um caos ainda maior do que o que enfrentamos, para o oposto da ordem.    Vale a leitura.  Recomendo.





Tédio: que fazer com ele?

25 08 2011

Cascão entediado, ilustração Maurício de Sousa.

As férias de julho acabaram, mas ainda escutamos os ecos das reclamações dos filhos, sobrinhos ou crianças e adolescentes da família nesse período:  “Não tem nada pra fazer…”   O tédio que parecia ser impossível de aparecer nas férias quando as olhávamos das salas de aula, de repente, se instala em casa e as crianças que se voltam  para a TV, passam o dia no sofá, trocando os olhos de sono e sem entusiasmo.  Hoje me lembrei dessas expressões de fastio, pois venho de ler um artigo O tédio pode ser bom para você [Boredom is good for you, study claims], que enumera as boas conseqüências do enfado.  Sim, elas existem. 

O enfado, fastio, tédio, aborrecimento acontece com todas as pessoas, quer elas sejam idosas ou adolescentes, crianças ou adultos.  E contrário ao que muitos pensam o tédio não é uma conseqüência da solidão.  É comum, numa crise de enfado, invejarmos as pessoas que têm muitos amigos, porque parece que ela conseguem evitar o fastio.  Mas as relações superficiais, que podemos desenvolver em grandes números freqüêntemente levam a uma sensação de vazio, e acabamos por questionar se aqueles que têm muitos amigos não são de fato amigos de ninguém, como bem demonstra o médico francês Gilles R. Lapointe, no artigo Truques para combater o tédio [Des trucs pour vaincre l’ennui], que lembra também que a solidão não tem efeitos negativos.   Há diversas maneiras de reagirmos ao tédio.  Podemos chorar, comer, dormir, beber, gritar.  Mas podemos também: ler, estudar, trabalhar, escrever.  É importante aprender desde cedo, desde criança, a lidar com o enfado, para construir maneiras positivas de  encará-lo, maneiras que poderemos levar à nossa fase adulta.

Cascão farto de tédio, ilustração Maurício de Sousa.

Para salvar as nossas consciências de qualquer culpa que possamos ter tido vendo nossas crianças aborrecidas com a “falta do que fazer”,  vou ajudar relembrando pontos positivos desse comportamento:

1 – O tédio estimula a mente para dentro de si mesma.  A conseqüência é a reflexão.  Pensar em causas e conseqüências,  encontrar seus próprios valores.

2 – O tédio também aumenta a criatividade.  Inovações em geral são conseqüência de alguém achar que há de haver uma “solução melhor” para uma tarefa específica.

3 – O tédio é um dos elementos essenciais para o adormecimento da mente e em conseqüência, para o sono.

4 – O tédio pode levar as pessoas a desempenharem tarefas em prol da sociedade em geral.  Um exemplo: doar sangue, ser voluntário num abrigo para idosos.

5 – O tédio também ensina a paciência.  E explorar esse sentimento ajuda a construir caráter.  Além de ensinar que nem tudo na vida é divertimento.

6 – O tédio ensina a fazermos bons amigos de nós mesmo ou seja, aprendemos que estar só não significa estar entediado. 

Cascão não se aguenta de tédio, ilustração Maurício de Sousa.

O tédio acontece com todas as pessoas, quer sejam idosas ou adolescentes, crianças ou adultos.  Mas se o enfado se instala na sua vida, troca a sua rotina, faz com que você esteja constantemente triste, se ele atrapalha,  pode ser resultado de um estado psicológico depressivo, talvez causado por uma perda de um ente querido, por ansiedade, angústia.  Quando você passa a achar que sua vida perdei o sentido e o tédio se instalou, aí sim, é um caso mais sério, mais delicado.  Esse tédio, quando parece instalado no dia a dia deve ser controlado, combatido mesmo, de uma forma positiva:  procurar os amigos, lembrar-se de que você não está sozinho é o início de uma solução a longo prazo.  Rever amigos é uma excelente maneira de combater o fastio.  Saia de casa, do seu ambiente familiar, faça um esforço para tomar um caminho diferente para o mercado, tomar um ônibus e vá até o fim da linha.  Veja coisas novas e diferentes, sem precisar fazer muito esforço.   Redescubra alguns interesses, explore um hobby deixado de lado. 

Comece por Identificar as causas de seu tédio e faça uma lista das pequenas mudanças em sua vida que poderão tirá-lo desse predicamento.  “A inércia leva à morte psicológica”, diz Gilles R. Lapointe.   Mova-se, crie, invente,  produza, visite pessoas, faça uma boa ação, mas acima de tudo:  MOVA-SE.

É importante organizar o seu tempo, principalmente para ter uma vida bem equilibrada entre lazer e trabalho.   Separe dentre as pessoas que você conhece aqueles que são os verdadeiros amigos e aqueles que são conhecidos.  Os amigos sinceros em geral são poucos.   Dedique-se a eles.

Mas lembre-se de que é normal ficar entediado.  E muita coisa boa, mudanças positivas podem vir das pequenas atitudes que tomamos para enfrentá-lo.  O tédio é quase sempre essencial à criatividade.

FONTES:

VIRAGE, The Guardian 





Meninas: maior igualdade, melhor em matemática

9 01 2010

Um estudo realizado nos EUA mostra que, em países onde há mais igualdade entre os sexos, as meninas tendem a ter um melhor desempenho em matemática do que os meninos – apesar de terem menos confiança do que eles na matéria.

A pesquisa, realizada em três universidades americanas e publicada na revista da Associação Americana de Psicologia, mostra ainda que a falta de confiança das meninas em suas habilidades, no mundo inteiro, pode explicar por que elas acabam optando menos por carreiras em ciência, tecnologia, engenharia e matemática.  “Estereótipos sobre inferioridade feminina em matemática são um contraste claro com os verdadeiros dados científicos“, disse Nicole Else-Quest, professora de psicologia da Villanova University e principal autora do estudo.

Nossos resultados mostram que as meninas obtêm os mesmos resultados que os meninos quando recebem as ferramentas educacionais corretas e têm modelos de mulheres que fazem sucesso na carreira científica.”  Else-Quest e sua equipe analisaram dados de dois estudos internacionais que, juntos, englobam mais de 493 mil estudantes entre 14 e 16 anos, em 69 países.

Um estudo se concentra no conhecimento geral do aluno sobre matemática, e o outro avalia a habilidade de cada um de usar suas habilidades matemáticas no mundo real, além de verificarem o nível de confiança do estudante e o quanto acreditavam que saber matemática seria importante em suas carreiras.    Segundo os cientistas, os resultados apresentavam poucas diferenças em relação ao sexo do aluno, mas havia muitas variações entre meninos e meninas de país para país.

Os pesquisadores também perceberam que, em países onde o nível da educação das mulheres e seu envolvimento político era melhor, as meninas tendiam a ter um melhor desempenho em matemática.   “Esta análise nos mostra que, enquanto a qualidade da educação e o currículo afetam o aprendizado das crianças, também pesam o valor que escolas, professores e pais dão a ele. As meninas podem ter um desempenho igual ao dos meninos se forem incentivadas“, afirmou Else-Quest.

Fonte: Terra





Literatura do absurdo melhora habilidades cerebrais!

20 09 2009

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Uma recente pesquisa, publicada na revista Psychological Science indica que a literatura do absurdo estimula o nosso cérebro.

Travis Proulx [Univ. da Califórnia, Santa Bárbara] e Steven Heine [Univ. da British Columbia], psicólogos, descobriram que a nossa habilidade de encontrar semelhanças e sentido é estimulada quando nos absorvemos na literatura do absurdo.  E mais interessante ainda: habilitando-se essa capacidade, ela reaparece aprimorada para resolver outras tarefas ou problemas fora do campo da leitura.

Essa descoberta é o resultado de uma pesquisa que inclui dois testes diferentes.  No primeiro 40 participantes canadenses, universitários, leram uma de duas versões diferentes da história de Franz Kafka:  O médico do interior.  Numa das versões, que foi um pouco modificada do original, “a narrativa começa a ser cortada, gradativamente, acabando abruptamente depois de uma série de trechos desordenados” disseram os pesquisadores.  Foram incluídas também, junto com o texto, ilustrações bizarras que nada tinham a ver com a história.  

 

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Na segunda versão, a história foi submetida a revisões: retiraram as partes sem conexão; colocaram uma narrativa convencional e acompanharam o texto com ilustrações relevantes ao sentido do mesmo.

Mais tarde, todos os participantes viram algumas séries de 45 letras, e foram instruídos a copiá-las.  Foram também informados que essas séries, de 6 a 9 letras cada, continham um padrão dificilmente decifrável.

Depois ainda, os participantes foram apresentados a novas séries, algumas das quais seguiam os padrões anteriores, enquanto que outras não.  E, foram instruídos a marcar as séries que seguiam o mesmo padrão.

Os que leram a história absurda selecionaram um maior número de séries consistente com o padrão.  Mas, ainda de maior relevância, “tiveram maior acuidade na identificação de séries de letras que teriam genuinamente seguido o padrão”, disseram os psicólogos.   Isso sugere que “os mecanismos cognitivos que são responsáveis pelo aprendizado instintivo da regularidade estatística” se aprimoram quando lutamos para achar significado numa narrativa fragmentada.

 

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Num segundo experimento, pediu-se aos participantes que se lembrassem de ocasiões em que eles se comportaram de maneiras diversas. Foram, então, instruídos a considerar a idéia de que “tinham duas pessoas diferentes habitando o mesmo corpo”. Este teste,  também obteve resultados semelhantes: quem havia seguido a literatura do absurdo, conseguiu melhores resultados em achar as séries das letras. Melhor do que outros membros do grupo de estudo.  “A divisão no desenrolar de um argumento com as diferentes unidade de ser  pareceram motivar as pessoas a acharem novas e diferentes associações em séries”.

Os psicólogos, Proulx e Heine, acreditam que essas experiências demonstram a necessidade humana de impor ordem no que nos atinge, criando parâmetros de significado.  Qualquer aparente ameaça a esse processo parece “ativar uma válvula que procura por um significado, que quando é ativado se lembra de qualquer outro tipo de associações a fim de restaurar um significado”.

 

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Então tudo indica que o filósofo Viktor Frankl estava correto quando enunciou: O homem está perpetuamente a procura de significado.  E se um romance de absurdo, à maneira de Kafka, parece estranho na superfície, pelo menos ele garante que nossos cérebros se acendam e procurem intensmente um significado num padrão aparentemente invisível.  Isso é, de fato, muito melhor do que acordarmos uma manhã para descobrirmos que nos tornamos numa barata gigante. 

 

FONTE:  Miller-Mccune








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