A palmeira, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

4 09 2019

 

 

 

ANYSIO DANTAS - Tropicana I , serigrafia tiragem 76-100, assinado no canto inferior direito e datado de 1985. 89 x66 cm.

Tropicana I, 1985

Anysio Dantas (Brasil, 1933 – 1990)

serigrafia tiragem 76-100, 89 x 66 cm

 

 

A palmeira

 

Walter Nieble de Freitas

 

Alta, esguia, majestosa,

De uma beleza sem par,

Contemplo a esbelta palmeiraaaaa

Banhada pelo luar.

 

A seus pés um lago azul,

Onde em calma ela se mira,

Põe na paisagem noturna

Cintilações de safira.

 

De longe, chega em surdina

A voz rouca das cascatas:

É a sinfonia dos rios

Soluçando serenatas.

 

Nessa hora em que a noite é um templo,

E o firmamento, um altar,

Sob os círios das estrelas

Em silêncio a vi rezar.

 

Na linguagem da saudade,

O coração da palmeira,

Pedia as bênçãos do céu

Para a terra brasileira.

 

 

Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 61-62





Pessoas são diferentes, poesia infantil de Ruth Rocha

13 05 2019

 

 

 

lindasLuluzinha, Glória e Plínio da revista em quadrinhos Luluzinha, criação de Marjorie Henderson Buell.

 

 

 

Pessoas são diferentes

 

Ruth Rocha

 

São duas crianças lindas

Mas são muito diferentes!

Uma é toda desdentada,

A outra é cheia de dentes…

 

Uma anda descabelada,

A outra é cheia de pentes!

Uma delas usa óculos,

E a outra só usa lentes.

 

Uma gosta de gelados,

A outra gosta de quentes.

Uma tem cabelos longos,

A outra corta eles rentes.

 

Não queira que sejam iguais,

Aliás, nem mesmo tentes!

São duas crianças lindas,

Mas são muito diferentes.

 





Trova da cigana

13 03 2019

 

 

 

71C2QzjDwUL (2)Ilustração de Mucha.

 

 

Em amor eu sou cigana,

não divido com ninguém…

E sendo, dele, tirana,

sou dele escrava também…

 
(Aída Rodrigues Frango)

 

 

 

 





Trova do acordar

6 02 2018

 

 

acordar John_Gannam, junho 1948, St Narys blankletsIlustração de John Gannam, 1948.

 

 

Entra o sol pela vidraça

e em teu leito empalidece,

deslumbrado pela graça

que teu corpo lhe oferece.

 

 

(Durval Mendonça)

 

 

 

 





Caboclo Espirituoso, história contada em versos

1 09 2014

 

 

péChico Bento tem um pensamento desagradável, ilustração de Maurício de Sousa.

 

Caboclo Espirituoso

[de uma história contada por meus avós]

 

 

Walter Nieble de Freitas

 

 

“Nhô” Vicente, certo dia,

Montando o lindo alazão,

Foi fazer uma visita

Ao compadre Sebastião.

 

Cavalgou horas e horas,

Chegou ao entardecer:

Sua barriga roncava

De vontade de comer!

 

Ao vê-lo abrir a porteira,

“Nhô” Sebastião diz contente:

— Até que um dia compadre,

Você se lembrou da gente!

 

Apeie, vamos chegar.

Não repare na palhoça.

Como é que vai a comadre?

Vá entrando que a casa é nossa!

 

Tenho muito o que contar,

Sente-se aí no banquinho.

Você sabe que morreu

A mulher do Vadozinho?…

 

Também, a sogra do Zeca,

A jararaca mordeu:

A velha não sentiu nada

E a pobre cobra morreu!…

 

Sem perceber que a visita,

De fome quase morria,

“Nhô” Sebastião, na conversa,

Longas horas consumia…

 

“Nhô” Vicente paciencioso,

Tudo ouvia sem falar;

Porém, a sua barriga

Não parava de roncar!

 

Notando que seu amigo

Parecia nada ouvir,

Sentiu, o dono da casa,

Que o melhor era dormir.

 

Nesta altura, perguntou-lhe

Numa rural cortesia:

— O compadre lava os pés?

Vou mandar vir a bacia.

 

Respondeu-lhe “Nhô” Vicente,

— Isso não! de modo algum!

Acho muito perigoso

Lavar os pés em jejum.

 

 

Em: Barquinhos de papel, poesias infantis de Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Editora Difusora Cultural: 1961, pp: 75-78.





Os sapatinhos, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

22 04 2014

sapateiroIlustração de livro escolar britânico da década de 1950. Veja.

 

Os sapatinhos

Walter Nieble de Freitas

Sapateiro, bate sola,

Bate sola, sem parar,

Faze já os sapatinhos

Para o “seu” doutor calçar.

Bate sola, martelinho,

Vamos, pois, bem trabalhar:

São três horas e às quatro

“Seu” doutor vai-se casar.

Bate sola, martelinho,

Bate sola sem cessar:

“Seu” doutor é a pessoa

Mais ilustre do lugar!

Quando à noite “seu” doutor

Com a noiva for dançar:

— Que lindíssimos sapatos!

Toda gente vai falar.

Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 45-46

 

 

NB: Agradeço ao blog Tú Lisa, yo Conda, a referência à ilustração usada nesta postagem.

 





Quadrinha das pedras no caminho

6 10 2013

jardinagem anne andersonIlustração de Anne Anderson

Quando as pedras do caminho
causam lágrimas e dores,
basta um gesto de carinho
para mudá-las em flores.

(Lucina Long)








%d blogueiros gostam disto: