A matemática da leitura, de Raphael Montes

6 03 2017

 

 

 

aritmeticaPato Donald evita o teste de matemática , © Estúdio Walt Disney

 

 

 

“Penso que todo mundo já chegou a ter essa sensação: quando você se dá conta de que irá morrer algum dia e que não vai dar tempo de ver aquele total de séries e filmes que gostaria. Ou, pior, quando você faz as contas do número de livros que é possível ler em uma vida inteira. Caso você leia pelo menos um livro por semana — o que é muito —, você faz 48 leituras por ano. Considerando que você viva até os 90 anos, mas tenha começado a ler semanalmente aos 15, a estimativa é que consiga ler somente 3.500 livros antes de morrer. Três mil e quinhentos! É angustiante. Não bastassem todos os clássicos do cinema e da literatura que vale a pena conhecer, novos filmes, livros e séries são lançados aos montes a cada ano.”

 

 

Em: “FOMO”, Raphael Montes, O Globo, 6/03/2017, 2º caderno, página 6.

 





A decisão de ser escritor, por Raphael Montes

23 08 2016

 

 

Juan Lascano (Argentina 1947)O livro e o estudo

Juan Lascano (Argentina, 1947)

óleo sobre tela

 

 

 

“…em uma noite chuvosa, naquela mesma colônia de férias em Pentagna, eu estava com minha tia-avó Iacy quando ela me entregou um exemplar de “Um estudo em vermelho”. Eu nunca havia lido um livro que não fosse daqueles obrigatórios na escola. Fiz cara feia, não queria ficar lendo, mas minha tia-avó insistiu e, afinal, por que não? Estava chovendo!

Quando percebi, tinha mergulhado de cabeça naquele universo, investigando crimes com Sherlock Holmes, tenso pelo que viria nas páginas seguintes e ansioso para chegar ao final. Naquela madrugada mesmo, terminei o livro. Eu estava em êxtase, como só ficamos quando nos deparamos com uma revelação, com todo um mundo novo e cheio de possibilidades. Ainda naquelas férias, li “A volta de Sherlock Holmes” e dois infanto-juvenis de Sidney Sheldon: “O fantasma da meia-noite” e “A perseguição”. Ainda naquelas férias, resolvi que seria escritor.

Fiz meus primeiros contos e, logo depois, um romance policial nunca publicado. Depois, vieram os outros livros. Naquela madrugada chuvosa, descobri que ilusão, surpresa, fantasia e encenação podem conviver em um mesmo lugar: nos livros. Mágica e atuação permeiam na mente do escritor. Sem falar no ócio, fundamental para alimentar as boas ideias. Por isso, escrevo livros, roteiros e, semanalmente, esta coluna. De certo modo, continuo a ser aquele moleque na dúvida do que vai ser quando chegar lá, quando crescer.”

 

 

Em: “O que você vai ser quando crescer”, Raphael Montes, O Globo, 1/08/2016, 2º caderno, página 6.

 

 

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Raphael Montes e a literatura que diverte

18 05 2016

Sally Storch (EUA, 1952) Trem Nordeste ao crepúsculo, 2005, ost,75 x 75 cmTrem nordeste ao crepúsculo, 2005

Sally Storch (EUA, 1952)

óleo sobre tela, 75 x 75 cm

 

 

“É uma pena, mas a verdade é que, no Brasil, pega mal fazer algo simples, emocionante e divertido. Na literatura, por exemplo, a ideia vigente é a de que o livro que diverte é necessariamente subliteratura. E, em via oposta, o livro que não diverte, aquele que é impenetrável, um eterno marasmo entre as linhas, é necessariamente literatura de qualidade. Os dois extremos estão errados.”

 

 

Em: “A Antinarrativa”, Raphael Montes, O Globo, 18/11/2015, 2º caderno, página 6.





Em comemoração ao dia do Livro, desafio de Raphael Montes

28 04 2016

 

 

Laura Mostaghel, (EUA) At home by the sea, glicée, 18 x 25 cmEm casa à beira-mar

Laura Mostaghel (EUA, contemporânea)

Gravura Glicée, 45 x 64 cm

 

 

No dia 25 de abril Raphael Montes, em sua coluna semanal no jornal carioca O Globo, publicou uma crônica deliciosa sobre livros e leitura, em homenagem ao Dia Mundial do Livro que havia sido comemorado no sábado anterior, dia 23 de abril.  Trago aqui seu desafio aos leitores, no intuito de dar incentivo à leitura.

 

“Àqueles que costumavam ler, mas perderam o hábito, que passem na livraria mais próxima e comprem o lançamento que chamar sua atenção. Comecem a ler nesta mesma noite (e tentem terminar até meados de maio, no máximo!).

A quem já gosta de ler, o desafio é outro: nas próximas semanas, conquiste um novo leitor. Seja paciente e evite a imposição. Ler deve ser prazeroso, antes de tudo. Busque indicar gêneros que vão ao encontro do perfil do leitor. Perguntar quais seus filmes e músicas favoritos costuma ajudar a encontrar o livro ideal.

Por fim, o desafio aos que não gostam de ler: permita-se viver essa experiência. Comece por algum livro cuja história o atraia. Se não gostar, pule para outro, sem medo de largar no meio. Experimente livros de todos os gêneros e estilos, desde suspensa até poesia. Existe um universo incrível a ser desvendado. Vá em frente sem medo de ser feliz!”

 

 

Em: “Para quem não gosta de ler”, Raphael Montes, O Globo, 25/04/2016, 2º caderno, página 6.





A Boa História, texto de Raphael Montes

1 03 2016

 

Ilia Galkin,(Russia, 1860-1915) Lendo, leituraLendo

Ilya Galkin (Rússia, 1860-1915)

óleo sobre tela

 

 

“Infelizmente na cultura brasileira, existe a noção de que contar uma boa história é algo menor, de mero “entretenimento”; o verdadeiro artista cria obras rebuscadas, de difícil compreensão, repleta de silêncios e incongruências.”

 

Em: “A Antinarrativa”, Raphael Montes, O Globo, 18/11/2015, 2º caderno, página 6.





Raphael Montes sobre diversão e qualidade na literatura

20 11 2015

 

 

Robert daley(EUA)-Diane, 75 x 100, col partDiane

Robert Daley (EUA,contemporâneo)

óleo sobre tela, 75 x 100 cm

www.robertdaley.com

 

 

“Na história da literatura brasileira, em algum momento, criou-se a noção de que diversão e qualidade são elementos obrigatoriamente dissociados: o que diverte não tem qualidade, o que tem qualidade não diverte. Nessa lógica deturpada, onde se situam autores como Machado de Assis, Pedro Nava e Jorge Amado? Teríamos que assumir que “Memórias póstumas de Brás Cubas”, por exemplo, é um livro de qualidade literária que não diverte ou que é um livro divertido, mas sem qualquer profundidade artística. Ambas as ideias são absurdas. Machado unia os dois lados e, assim, fazia boa literatura…”

 

Em: “A Antinarrativa”, Raphael Montes, O Globo, 18/11/2015, 2º caderno, página 6.





A boa literatura: Raphael Montes

22 10 2015

 

 

Wiggins, Toby, Natalie-Reading-50-x-40-cm-20-x-16-inches-oil-on-canvasNatalie lendo

Toby Wiggins (GB, contemporâneo)

óleo sobre tela, 80 x 50 cm

Coleção Particular

www.tobywiggins.co.uk

 

 

A boa literatura investiga a alma humana e seus desejos mais recônditos.”

 

Raphael Montes

 

Em: “Escritores jovens”, Raphael Montes, O Globo, 21/10/2015, 2º caderno, página 8.








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