Rio de Janeiro, minha cidade natal!

21 04 2017

 

 

 

 

VIRGÍLIO DIAS - Bar Amarelinho - Óleo sobre tela - 70 x 100VIRGÍLIO DIAS - Bar Amarelinho - Óleo sobre tela - 70 x 100Bar Amarelinho

Virgílio Dias (Brasil, 1956)

óleo sobre tela, 70 x 100 cm

 





Lembranças das procissões no Rio de Janeiro, Ladyce West

14 04 2017

 

 

ROMANELLI, ARMANDO (1945). Procissão, óleo s eucatex, 20 X 20. Assinado no c.i.d. e no verso datado (1979).Procissão, 1979

Armando Romanelli (Brasil, 1945)

óleo sobre eucatex, 20 x 20 cm

 

 

Fui surpreendida por uma pequena procissão passando pela minha rua no Domingo de Ramos. Surpreendida porque moro, há muitos anos, a meio quarteirão de uma igrejinha do século XIX, tombada pelo IPHAN, na rua principal do bairro.  Não me lembro dessa procissão no calendário da minha janela. Foi pequena, mas muito linda e delicada, cantada, e percorreu rapidamente a rua onde moro.  Essa procissão recorda a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, evento mencionado nos quatro evangelhos cristãos. Da igreja minha vizinha só me lembro da procissão de Sexta-feira Santa, talvez a mais triste das procissões católicas. Silenciosa, ela percorre o bairro, no meio da tarde, ao som de uma catraca levada pelo padre, que é tocada a cada cinquenta metros, quando todos param por alguns segundos e logo retomam seu caminho.

Procissões eram mais comuns no Rio de Janeiro. Tenho lembranças de infância de imensas procissões, em outro bairro carioca.  Venho de uma família católica semi-praticante.  Meu pai, filho de um provedor da Igreja de Santa Luzia no centro da cidade e de uma católica dedicada à teosofia, foi educado inicialmente em escola de padres e depois no Colégio Pedro II. Físico e químico industrial era católico perfunctório.  Minha mãe, professora de línguas, filha de um advogado agnóstico e uma católica, ficou mais religiosa à medida que os anos chegaram. Resultado: três filhos, uma superficialmente católica, um católico seriamente praticante e um seriamente agnóstico.  Íamos à missa nas ocasiões especiais.  Papai raramente.  Fomos batizados, fizemos primeira comunhão.  Mesmo sem grande comprometimento religioso havia ritual e respeito quando passavam as procissões.  Morávamos num edifício antigo construído no estilo Art Nouveau com as típicas janelas-portas, muitas vezes chamadas de portas francesas, que, de cada cômodo, se abriam numa sacada que dava para a frente da rua.  Quando as procissões passavam, em dias especiais, mamãe tirava do armário duas colchas bordadas e outra de origem italiana em veludo grená com desenhos em amarelo ouro — que eu me lembre, nunca usadas em outras ocasiões — e colocávamos essas colchas nas sacadas, penduradas por sobre o patamar, como se fossem grandes e respeitosas bandeiras homenageando a procissão que passava.  Lembro-me de ter visto, mais de uma vez,  uma procissão em particular que passava à noite, com as pessoas segurando velas, protegidas por cones de papel, para que as chamas não se apagassem. Cena muito impressionante para essa menininha. Um pouco depois de completar meus sete anos nos mudamos e nunca mais tive a oportunidade de encontrar tanto fervor religioso nas ruas do Rio de Janeiro. Só aos 22 anos, quando fui ao Peru, com uma bolsa de estudos, encontrei procissão semelhante em fervor e devoção, além de ver também janelas dos sobrados no centro de Lima com parapeitos cobertos com colchas, tapetes e panos coloridos. Era a procissão celebrando o dia de San Martin de Porres, santo peruano, que tem o curioso atributo de levar uma vassoura na mão.

Quando finalmente me dediquei ao mestrado em história da arte, encontrei em  quadros europeus dos século XVIII e XIX cenas que me remeteram à infância, com  sacadas cobertas com colchas e veludos nas ocasiões religiosas, hábito que mais tarde, por pura curiosidade, descobri vir desde os tempos da Baixa Idade Média, dos grandes festivais na praça principal das cidades.  Uma pena que tenhamos perdido esse belo e respeitoso hábito, que nos liga diretamente às nossas origens europeias.

©Ladyce West, Rio de Janeiro: 2017

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Um passeio ao Pão de Açúcar, texto de Pedro Nava

23 03 2017

 

 

Felisberto Ranzini (1881 - 1976) Pão de Açúcar Aquarela 33 x 50 cm.Pão de Açúcar

Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)

Aquarela sobre papel, 33 x 50 cm

 

 

“UMA COISA FABULOSA que fiquei devendo ao noivado de minha prima foi a excursão que fizemos ao Pão de Açúcar nos bondinhos aéreos inaugurados em 1912 e 1913. Tinham quatro para cinco anos e eram uma novidade que o Joaquim Antônio queria comparar com os que vira na Europa. Combinou-se o passeio e ele próprio me incluiu no grupo dizendo que “mestre Pedro vai conosco”. Éramos ele, eu, a noiva, tia Candoca e a Mercedes Albano. Para essa coisa meio esportiva que era a ascensão que ia ser feita, vesti meu terno número um, o Joaquim Antônio colarinho duro de pontas viradas, a Maria e a Mercedes grandes chapéus e vestidos escuros, a futura sogra sedas, veludos pretos e uma toque alta de pluma póstero-lateral. Exatamente, pois possuo os retratos tirados nesse dia inesquecível. Lanchamos na Urca — chá, torradas, sanduíches, mineral e para mim, tudo isso e o céu também — gasosa! Subimos depois do por do sol e o acender das luzes da cidade nas alturas do Pão de Açúcar dos ventos uivantes. Não sei dos outros. No cocuruto eu desci um pouco no declive que dá para o maralto, sentei no granito e olhei. Jamais reencontrei coisa igual senão quando, em Capri, subi à casa de Axel Münthe e no dia em que sobrevoei Creta para descer em Heraclion. Estavam presentes todas as cores e cambiantes que vão do verde e do glauco aos confins do espetro, ao violeta, ao roxo. Azul. Marazul. Azurescências, azurinos, azuis de todos os tons e entrando por todos os sentidos. Azuis doce como o mascavo, como o vinho do Porto, secos como o lápis-lazúli, a lazulite e o vinho da Madeira, azul gustativo e saboroso como o dos frutos cianocarpos. Duro como o da ardósia e mole como os dos agáricos. Tinha-se a sensação de estar preso numa Grotta Azzurra mas gigantesca ou dentro do cheiro de flores imensas íris desmesuradas nuvens de miosótis hortênsias — só que tudo rescendendo ao cravo — flor que tem de cerúleo o perfume musical de Sonata ao Luar. Malva-rosa quando vira rosazul. Aos nossos pés junto à areia de prata das reentrâncias do Cara-de-Cão, ou do cinábrio da Praia Vermelha, o mar profundo abria as asas do azulão de Ovale e clivava chapas da safira que era ver as águas das costas da Bahia. Escuro como o anilíndigo do pano da roupa que me humilhava nos tempos do Anglo-Mineiro. Mas olhava-se para os lados de Copacabana e das orlas fronteiras além de Santa-Cruz e o meitleno marinho se adoçava azul Picasso, genciana, vinca-pervinca. As ilhas surgiam com cintilações tornassóis e viviam em azuis fosforescentes e animais como o da cauda seabrindo pavão, do rabo-do-peixe barbo, dos alerões das borboletas capitão-do-mato da Floresta da Tijuca. Olhos para longe, mais lonjainda — e horizontes agora Portinari, virando num natiê quase cinza, brando, quase branco se rebatendo  para as mais altas das alturas celestes azul celeste azur só possível devido a um sol de bebedeira derretendo os contornos as formas e virando tudo no desmaio turquesa e ouro e laranja dos mais alucinados Monets Degas Manets Sisleys Pissarros. Mas súbito veio o negro da noite acabando a tarde impressionista. As luzes se acenderam em toda a cidade mais vivas na fímbria orlando o oceano furioso. Eu nem me lembro como vim rolando Pão de Açúcar abaixo aos trancos e barrancos daquele dia vinho branco…”

 

 

Em: Chão de Ferro: memórias 3, Pedro Nava, Rio de Janeiro, José Olympio:1976, 2ª edição, pp. 129-30.





Rio de Janeiro, minha cidade natal!

10 03 2017

 

 

 

j. victtor leblon-95-anos, ast, 95 x 190 cm

Leblon, 95 anos

J. Victtor (Brasil, 1957)

acrílica sobre tela, 95 x 190 cm

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Rio de Janeiro, minha cidade natal!

24 02 2017

 

 

 

eliseu-meneses-de-lemos-jokey-club-brasileiro-rio-de-janeiro-ost-assinado-no-canto-inferior-direito-medindo-60-x-80Jockey Club Brasileiro, Rio de Janeiro

Eliseu Meneses de Lemos (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm





Rio de Janeiro, minha cidade natal!

17 02 2017

 

 

 

cesar-barralfim-de-tarde-arpoador46-x-61-cm-osm-ass-cidFim de tarde, Arpoador

César Barral (Brasil, 1949)

óleo sobre madeira,  46 x 61 cm





Rio de Janeiro, minha cidade natal!

10 02 2017

 

 

brito-orlando-1920-1981-ladeira-do-faria-saude-rio-oleo-s-tela-40-x-32

Ladeira do Faria, na Saúde

Orlando Brito (Brasil, 1920-1981)

óleo sobre tela, 40 x 32 cm

 

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