Todos os caminhos levam a Roma

25 04 2017

 

 

roads to rome

 

 

O imperador Augusto (63 a. E.C. —  19 E. C.) era um homem que gostava de dados.  Colocou na cidade de Roma, capital do império, uma pedra com a distância de Roma a todas as cidades mais importantes do domínio imperial.  Mais tarde Constantino iria se referir a esta pedra como o “umbigo de Roma” [Umbilicus Urbis Romae].  Esta é a origem da expressão “todos os caminhos levam a Roma”.   Os romanos construíram 87.000 Km de estradas pavimentadas à volta do Mediterrâneo, no auge do império.

Para dar uma ideia da grandeza do império, estima-se que haja em todo o Brasil 212.798 km de estradas pavimentadas (dados de 2010).





Na tradição clássica: Teseu e o Minotauro

6 04 2017

 

 

b1e2b62db38cc97fbe8d0660c97d85f7Teseu e o minotauro, Séculos II-III

Mosaico romano

Província Récia, Império Romano

Bibliothek der Universität Fribourg, Suíça

 

 

Teseu foi um grande herói grego, filho de Egeu.  Governou Atenas por 30 anos, de 1234 a 1204 a. E. C. É um herói porque entre outros feitos, conseguiu matar o Minotauro, que se encontrava no centro de um labirinto.  O Minotauro, um ser fantástico, metade touro, metade homem, era filho do rei Minos.

Um acordo de guerra depois que Minos derrotou Egeu, pai de Teseu, fez com que Minos cobrasse uma recompensa: de nove em nove anos, sete rapazes e sete moças de Atenas iriam a Creta.  Lá, entrariam no labirinto onde seriam devorados pelo Minotauro, um ser monstruoso.

Na terceira vez que a seleção de jovens para o sacrifício foi feita, Teseu decidiu que isso era demais. Substituiu um dos jovens rapazes indicados para morrer no labirinto e rumou para Creta. Teve, no entanto, ajuda de Ariadne, filha do rei Minos, que enamorada por Teseu, sugeriu ao jovem que entrasse no labirinto segurando um novelo de lã, cuja ponta ela estaria segurando na porta de entrada.   Teseu desenrolaria o fio de Ariadne até chegar ao centro do Labirinto onde, encontraria o Minotauro.  Depois de enfrentá-lo, e matá-lo, bastava enrolar o fio de onde estava, seguindo o caminho de volta até a porta de entrada onde ela o esperava.  E assim foi feito, Teseu matou o Minotauro e voltou vitorioso para o lado de Ariadne.

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Esmerado: Camafeu romano do século I da Era Comum

30 11 2016

 

 

retrato-de-juliafilha-do-imperador-tito-2ametade-sec-i-ec-agua-marinhas-assevodos-moldura-carolingia-sec-ix-srodeado-por-9safiras-e-6-perolas-bibliotheque-nationale-de-france-parisRetrato de Júlia, filha do Imperador Romano Tito, 2ª metade do século I

Entalhe, água-marinha assinada Evodos

Moldura Carolíngea, século IX, rodeada por nove safiras e seis pérolas

Bibliothèque Nationale, Cabinet des Medailles, Paris, França.

 

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Em três dimensões: Giambologna

26 07 2016

 

 

Giambolognas-Rape-of-the-Sabine-Women-3O rapto das Sabinas, 1583

Giambologna (Florença, 1524-1608)

Mármore, 410 cm

Loggia della Signoria, Florença

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O amor de Rafael: La Fornarina, ou Margarita Luti

30 03 2016

 

La_donna_velata_v2Jovem com véu [Margarita Luti], 1516

Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)

óleo sobre madeira, 82 x 61 cm

Palazzo Pitti, Florença

 

 

Há dois meses postei uma nota de Stendhal sobre um quadro de Rafael Sanzio, pintor da Renascença italiana. Era o retrato de  uma jovem mulher, provavelmente de sua amante, conhecida como La Fornarina [a padeira, ou a filha do padeiro]. A paixão de Rafael por Margarita Luti, a jovem retratada foi amplamente conhecida. Vasari — autor da primeira compilação das vidas dos artistas italianos — não a menciona mas se referiu a Rafael como um homem que gostava muito da companhia de mulheres, um sedutor. Mais tarde, depois da morte de Rafael, em publicações posteriores o nome de Margarita Luti foi ligado ao de Rafael.  Nunca houve identificação clara de que essa modelo era de fato Margarita.  O artista pintou diversos retratos em que essa jovem aparece, mas não há até agora prova concreta de identificação.

Jovem com véu de 1516, mostra Rafael no seu melhor estilo.  Grande delicadeza na pintura dos tons de pele, nas cores, prestimoso retratar dos tecidos. Um cuidado muito acima dos já espetaculares retratos anteriores.

 

FornarinaLa Fornarina, ou Retrato de uma jovem mulher, 1519

Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)

óleo sobre madeira, 85 x 60 cm

Galleria Nazionale d’Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma

 

No retrato do Palácio Barberini em Roma, posterior ao encontrado  no Palazzo Pitti, vemos um Rafael mais enfatuado com sua modelo?  Sem qualquer joia exceto a pérola no cabelo,que já aparecia no retrato anterior, acima, e a fita azul amarrada no braço, local que Rafael escolheu para assinar a obra; com um belo turbante oriental, última moda na época, a jovem seminua parece fazer um pequeno esforço para cobrir os seios. É uma pose  associada às esculturas de Vênus, cujas cópias romanas dos originais gregos estavam à disposição do pintor. Vênus a deusa do amor é assim associada ao retrato da jovem mulher.

Mais tarde, depois da morte de Rafael, foi descoberta na Vila Hadriana em Tívoli, uma escultura em mármore, de origem grega, provável cópia de Praxíteles, cuja pose muito se assemelha à pintura de Rafael.

 

Mediceische Venus / griech.Plastik - Medicean Venus / Greek Sculpt./ C1st BC - Venus dite de Medicis / Statue grecque Vênus, dita Vênus de Médici, século I a.E.C.
Cleomenes , d’après Praxíteles
Mármore, 153 cm de altura
Encontrada em 1680 na Vila Hadriana, Tívoli
Galleria degli Uffizi, Florença





Stendhal visita o palácio Barberini em Roma, II

15 02 2016

 

 

cenci

Beatrice Cenci *, 1662

Ginevra Cantofoli (Itália, 1618-1672)

Anteriormente atribuído a Guido Reni (Itália, 1575 -1642)

óleo sobre tela, 65 x 49 cm

Galleria Nazionale d’Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma

 

* Hoje esse quadro é chamado de Sibil  e atribuição dada à pintora italiana do Barroco, Ginevra Cantofoli.

 

 

“O segundo retrato precioso da Galeria Barberini é obra de Guido: é o retrato de Beatrice Cenci de que se vê tantas gravuras imperfeitas. Esse grande pintor colocou no pescoço de Beatrice um insignificante pedaço de pano e cobriu-a com um turbante; temeu que a verdade chegasse ao horrível se reproduzisse exatamente as vestes que ela mandara fazer para aparecer na execução e os cabelos em desordem de uma pobre jovem de dezesseis anos que se abandona ao desespero. A cabeça é bela e suave, o olhar muito doce e os olhos muito grandes: têm o aspecto aturdido de alguém que é surpreendido no momento em que verte lágrimas ardentes. Os cabelos são louros e muito belos. Essa cabeça nada tem do orgulho romano e desta consciência de suas próprias forças que se surpreende às vezes no olhar confiante de uma filha do Tibre, di una figlia del Tevere, como elas dizem de si mesmas com altivez. Infelizmente as meias tintas se transformaram em rouge de brique durante esse longo intervalo de duzentos e trinta e oito anos que nos separam da catástrofe cujo relato se vai ler.”

 

 

Em: Crônicas italianas, Stendhal, tradução de Sebastião Uchoa Leite, São Paulo, Editora Max Limonad: 1981, p. 101





Stendhal visita o palácio Barberini em Roma, I

7 02 2016

 

 

FornarinaLa Fornarina, ou Retrato de uma jovem mulher, 1519

Rafael Sanzio (Itália, 1483-1520)

óleo sobre madeira, 85 x 60 cm

Galleria Nazionale d’Arte Antiga, Palazzo Barberini, Roma

 

 

“A galeria deste palácio está agora reduzida a sete ou oito quadros; mas quatro deles são obras-primas: de início o retrato da célebre Fornarina, amante de Rafael, de autoria do próprio Rafael. Esse retrato cuja autenticidade não pode ser posta em dúvida, pois existem cópias da mesma época, é totalmente diferente da figura que, na galeria de Florença, é dada como o retrato da amante de Rafael, e que foi gravado, com essa indicação, por Morghen. O retrato de Florença não é de Rafael. Em homenagem ao prestígio desse grande nome poderia o leitor perdoar essa pequena digressão?”

 

 

Em: Crônicas italianas, Stendhal, tradução de Sebastião Uchoa Leite, São Paulo, Editora Max Limonad: 1981, p. 101

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O retrato a que Stendhal se refere é o seguinte:

port_womLa Fornarina ou Retrato de uma jovem mulher, 1512

Sebastiano del Piombo (Itália, 1485-1547)

óleo sobre madeira, 68 x 55 cm

Galleria degli Uffizi, Florença

 








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