“Demonstração Matemática”, texto de Teodoro de Morais

22 03 2015
Jantar em famíliaAutoria da ilustração, desconhecida.

 

Demonstração Matemática

 

Nas férias, ao chegar do colégio, onde estivera interno todo o ano, o Eduardo andava à espreita de uma oportunidade para mostrar aos pais quanta cousa aprendera. Ao jantar, chegou-lhe, enfim, o ensejo. Papai e mamãe iam ficar deslumbrados com a sua sapiência.

— “Papai, aí, nesse prato a sua frente, quantos croquetes pensa o Sr. ver? Dois não é assim?

— Nem mais nem menos: isso mesmo, respondeu o pai.

— Pois eu vou provar ao Sr. que são três. Aqui está um; aqui estão dois. 2 + 1 são 3. Logo… há três croquetes no prato.

— Mas onde estava eu com os olhos?! Perfeitamente são três croquetes. Vejo-os agora. Com que clareza você demonstra! Que grande matemático você vai dar! Você merece uma recompensa. Vamos repartir os croquetes. Quinoca ficará com o primeiro, porque é a mamãe; eu ficarei com o segundo, porque sou o papai; e você, Eduardo, ficará com o terceiro inteirinho, porque foi você quem o achou.

 

[Exemplo de narrativa com conversação]

 

Em: Flor do Lácio, [antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário) p. 227.

 

Theodoro Jeronymo Rodrigues de Moraes (Brasil, 1877-1956)Professor paulista. Formado pela Escola Normal Secundária de São Paulo, em 1906.

Obras:

A leitura analítica, 1909

Como ensinar leitura e linguagem nos diversos anos do curso preliminar, 1911

Meu livro: primeiras leituras de acordo com o método analítico, 1909

Meu livro: segundas leituras de acordo com o método analítico, 1910

Cartilha do operário: para o ensino da leitura…, 1918 e 1924

Sei ler: leituras intermediárias, 1928

Sei ler: primeiro livro, 1928

Sei ler: segundo livro , 1930

 





Uma professora dedicada, texto de Carmem L. Oliveira

30 10 2014

 

“Por toda noite Pintarroxa debateu. A aurora encontrou-a resolvida: não ia esmorecer à primeira dificuldade. Tinha fé no combate das idéias. Acreditava que a escola era o laboratório da cidadania. Reanimou-se a alma guerreira. Armou-se e saiu para o torvo crocitar do mundo.

Ao fim de três semanas, o número de alunos na sala de aula tinha triplicado. Pintarroxa os provocava, pedindo histórias sobre os animais do cerrado. Professora e alunos se deleitavam em romances de jaguatirica, tamanduá-mixirra, jaratataca. (Embora nada tivesse causado tanto alvoroço quanto a evolução do caso do elefante do circo que deixou em escombros a garagem de Nilo Romeiro.) Outras vezes era ela que apresentava retratos de maravilhas: a neve, a baleia. Tudo tinha nome, que ia para o quadro-negro e era copiado nas lousas individuais. Pintarroxa instituiu também a prática de as meninas corrigirem as lousas dos meninos e os meninos as das meninas. Era uma confusão dos diabos mas, pelo menos em Cupim, fortaleceu-se a crença da superioridade intelectual da mulher”.

Em: Trilhos e quintais, Carmen Lúcia de Oliveira, Rio de Janeiro, Rocco:1998.





Anedota, “O Sonâmbulo”, texto de Humberto de Campos

6 06 2014

 

 

soneca 14Ilustração Walt Disney, quadrinho de uma revista Zé Carioca.

 

 

O Sonâmbulo

 

Humberto de Campos

 

Certo indivíduo, conhecido como vivedor, aboletou-se, no caminho de sua vida, no solar dum homem bonacheirão e abastado, que lhe abrira as portas para um descanso ligeiro. Nos primeiros dias, o dono suportou galhardamente o hóspede, oferecendo-lhe o melhor trato, fornecendo-lhe a melhor cama, o melhor vinho, os melhores charutos. Passada, porém, a primeira quinzena, começou a pensar em um meio, que não fosse grosseiro, de livrar-se do importuno, e achou-o. Tinham os dois acabado de almoçar e repousavam, lendo jornais e fumando “havanas”, à sombra das árvores. De repente, o hospedeiro recosta-se pesadamente na cadeira, cerra os olhos, deixa cair a folha e o charuto, simulando um sono profundo. E, como em sonho, principia a falar: “Vejam só: que maçada! Esse cavalheiro vem, aloja-se em minha casa, come, bebe, fuma, diverte-se, e nada de entender que sua presença já me está sendo desagradável! Será possível que ele não compreenda isso?” – E, soltando um suspiro, pulou da cadeira, esfregando os olhos: “Que diabo! É eu dormir depois do almoço, vêm-me logo os pesadelos. E que sonho mau tive eu! Parece até que falei alto, não?” – E o outro, que de cenho cerrado, prestava atenção a tudo: “É exato; você esteve por aí falando; e eu, como vi que se tratava de cousas de sonho, procurei não ouvir para não ser indiscreto. As palavras dos homens só têm valor, mesmo, quando eles as proferem acordados”. – E o hóspede continuou na casa por mais três anos e quatro meses, isto é, até a transferência da propriedade, comendo do melhor prato, dormindo na melhor cama, bebendo do melhor vinho, fumando os melhores charutos.

 

[Exemplo de narrativa humorística]

 

Em: Flor do Lácio,[antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário)p. 215





Anedota do “Tiro ao Alvo” de Teodoro de Morais

30 05 2014

 

 

 

Bogdanov-Belsky (1868-1945).Belsky, Nikolai Petrov (1868-1945) In the villageschoolNa escola da aldeia

Nikolai Bogdanov-Belsky (Rússia, 1868-1945)

óleo sobre tela

 

Tiro ao alvo

 

Teodoro de Morais

 

Dois soldados faziam exercícios de tiro e não conseguiam acertar no alvo. Um oficial que vinha passando, parou e ficou a observá-los. Vendo que as balas se perdiam, aproximou-se dos recrutas e os admoestou:

— “Que falta de jeito a de vocês! Como acertar sem alvejar? Apontem primeiro… Vocês precisam aprender a dormir na pontaria. Sem isso, babau! é bala perdida… Vejam, é assim”.

O oficial toma um dos fuzis e atira. A bala passa à direita do alvo. O instrutor oficioso não se desconcerta. Volta-se para o soldado e diz:

–“Viu, seu bicho? Era assim que você estava atirando”.

Aponta a segunda vez, dispara a arma, e a bala recalcitrante passa à esquerda do alvo. O oficial não se dá por achado nem perde o entono.  Volta-se para o segundo recruta e diz:

–“Viu você também seu desajeitado? Era assim que você estava atirando”.

Enfim, uma terceira bala atinge o alvo. Diz então o oficial aos dois recrutas boquiabertos de admiração:

–“Aí está como eu atiro. Aprendam. Não é difícil”.

 

***

Em: Flor do Lácio,[antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário)p. 260

 

Theodoro Jeronymo Rodrigues de Moraes (Brasil, 1877-1956)Professor paulista. Formado pela Escola Normal Secundária de São Paulo, em 1906.

Obras:

A leitura analítica, 1909

Como ensinar leitura e linguagem nos diversos anos do curso preliminar, 1911

Meu livro: primeiras leituras de acordo com o método analítico, 1909

Meu livro: segundas leituras de acordo com o método analítico, 1910

Cartilha do operário: para o ensino da leitura…, 1918 e 1924

Sei ler: leituras intermediárias, 1928

Sei ler: primeiro livro, 1928

Sei ler: segundo livro , 1930





Os três talismãs, texto de Teodoro de Morais

4 11 2013

pai e filhosIlustração sem autoria, do livro “At Work and Play”, Merton-McCall Readers: 1937.

Os três talismãs

Teodoro de Moraes

“– Que é preciso para aprender? perguntou um filho ao pai.

– Para aprender, para saber e para vencer, respondeu o pai, é preciso buscar os três talismãs: a alavanca, a chave e o facho.

– E onde encontrá-los? interroga o filho.

– Dentro de ti mesmo, explica o pai. Os três talismãs estão em teu poder e serás poderoso, se quiseres fazer uso deles.

– Não compreendo, diz o filho, cada vez mais intrigado. Que alavanca é essa?

– A tua vontade. É preciso querer, é preciso remover obstáculos para aprender.

– E a chave?

– O teu trabalho. É preciso esforço para dar volta à chave e abrir o palácio do saber.

– E o facho?

– A tua atenção. É preciso luz, muita luz, para iluminar o palácio. Só assim poderás ver com clareza e descobrir a verdade, que vence a ignorância.”

 

[Exemplo de conversação no texto]

Em: Flor do Lácio,[antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário)p. 158.

Theodoro Jeronymo Rodrigues de Moraes (Brasil, 1877-1956)Professor paulista. Formado pela Escola Normal Secundária de São Paulo, em 1906.

Obras:

A leitura analítica, 1909

Como ensinar leitura e linguagem nos diversos anos do curso preliminar, 1911

 Meu livro: primeiras leituras de acordo com o método analítico, 1909

 Meu livro: segundas leituras de acordo com o método analítico, 1910

Cartilha do operário: para o ensino da leitura…, 1918 e 1924

 Sei ler: leituras intermediárias, 1928

 Sei ler: primeiro livro, 1928

Sei ler: segundo livro , 1930





Quadrinha do primeiro livro

10 11 2011

 

 

Não sou mais analfabeto!

Felizmente já sei ler!

Este meu primeiro livro

Vai-me dar muito prazer!

(Walter Nieble de Freitas)





Quadrinha infantil sobre os dentes

13 10 2011

Coma bem, coma de tudo,

Pois a nossa dentição

Em grande parte depende

Da boa alimentação.

(Walter Nieble de Freitas)








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