Imagem de leitura –Washington Allston

9 10 2016

 

 

allston-washington-1779-1843-hermia-and-helena-ca-1818Hermia e Helena, c. 1818

Washington Allston (EUA, 1779-1843)

óleo sobre tela, 77 x 64 cm

Smithsonian Museum of American Art

Salvar





Shakespeare e Cervantes: efemérides combinadas

12 04 2016

 

 

8109413_origIlustração mostrando a diferença de dias entre os calendário juliano e gregoriano, no ano e mês de sua adoção.

 

O mundo comemora este ano os 400 anos de morte de duas das maiores figuras das letras na cultura ocidental. Cervantes e Shakespeare são autores que revolucionaram as convenções estabelecidas para criações literárias. Suas influências são sentidas até hoje.

Cervantes e Shakespeare morreram no mesmo ano e, curiosamente, estabeleceu-se que ambos morreram também no mesmo dia. Mas isso não passa de uma convenção, de uma combinação do mundo literário. Não há dúvida de que ambos morreram no dia 23 de abril de 1616. Mas o dia 23 de abril de 1616 era em época diferente entre a Espanha e a Inglaterra.  Como?

Simples: enquanto a Espanha já havia adotado o calendário gregoriano em 1616, a Inglaterra ainda usava o calendário juliano, que mostra o dia 23 de abril com 11 dias de atraso.

A Inglaterra só adotou o calendário gregoriano em 1752.





Curiosidade sobre Shakespeare

11 04 2016

 

 

01actorsAtores da Comédie Française, 1712

Jean-Antoine Watteau (França,1684-1721)

óleo sobre madeira, 20 x 25 cm

Hermitage, São Petersburgo, Rússia

 

 

Shakespeare era um homem bastante confortável financeiramente quando morreu.  Não era muito rico.  Mas tinha fortuna maior do que a de se todos os seus colegas de trabalho da companhia de atores a que pertencia, conhecida como King’s Men.  Mas sua situação financeira não chegou a se igualar às fortunas adquiridas pelos donos do teatro e seus gerentes.  O grande rival de Shakespeare, Ben Jonson, esse sim ficou muito rico.  Diferente de Shakespeare, Jonson se recusou a ser um acionista na companhia teatral, preferindo o patrocínio da aristocracia e as grandes comissões pelos ricos eventos de entretenimento, algo que Shakespeare nunca fez.

 

 

Informações no artigo: How rich was Shakespeare? de Robert Bearman, na Revista Prospect de março de 2016.





Em três dimensões: Yves Pires

15 09 2015

 

 

Yves Pires - French SculptorÉs, para mim, como o alimento para a vida

[Shakespeare, soneto: LXXV, So are you to my thoughts as food to life]

Yves Pires (França, 1958)

www.yvespires.com





“O fio da vida” de Kate Atkinson, uma performance fascinante

9 11 2014

 

Salvador Collell,mujer_leyendoMulher lendo

Salvador Collell (Espanha, 1949)

óleo sobre tela

 

Dois leitores e uma mesma obra não leem a mesma história. Cada qual traz uma percepção única. Por isso trocar ideias depois de uma leitura é uma excelente opção para expandir os horizontes, um exercício de ver através dos olhos do outro. Há livros tão ricos que as possibilidades de interpretação são inúmeras, mesmo para um único leitor. Este é um deles.

Uma história de difícil resumo relata vidas paralelas de um mesmo personagem central, nascido no mesmo dia, na mesma família. Só que as variadas existências, desde a primeira, quando o bebê morre ao nascer, parecem ilustrar o conhecido Efeito Borboleta, as consequências impensáveis de a uma pequena variação na história. Essas variações podem ser tão simples quanto um acidente com um animal em uma fazenda vizinha, levar à sobrevivência ou não de uma criança que acabou de nascer, dependendo da interrupção ou não do trajeto do médico que a atenderia. É como a autora diz na página 288, Você às vezes não se pergunta… se apenas uma pequena coisa tivesse sido mudada, no passado, …. as coisas seriam diferentes?

 

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Ao contrário do que a sinopse sugere O fio da vida não oferece uma leitura ilustrativa de vidas passadas, ainda que em alguns momentos alguém se refira a esse fenômeno. Tampouco a história ilustra a ideia de re-encarnação. Não se trata disso. Pelo menos na minha leitura. Nela vejo apenas as possibilidades inerentes a uma mesma vida, realidades paralelas, vividas simultaneamente. Não, não precisamos entender física quântica para ler o livro, mas há paralelos com esse fenômeno e o caminho do entendimento pode se adequar a essa leitura. Não se trata de ficção científica, pelo menos no sentido mais estrito da classificação.

O fio da vida mostra a pluralidade que existe em cada um de nós e como cada uma dessas diferentes pessoas que poderíamos ser se desenvolveria, se qualificaria, se comportaria e até mesmo como morreria quando uma determinada virada do destino se apresenta. São diversas vidas de um mesmo personagem nascido no mesmo dia, e na mesma hora, dos mesmos pais, na mesma cidade, tendo o mesmo lugar entre os irmãos. Pode até parecer confuso, mas é uma leitura fascinante na circularidade e no aprofundamento do conhecimento que temos de Úrsula, personagem principal. Através dela se questiona: se pudéssemos viver diversas vidas em diferentes circunstâncias, o que de nós seria constante? O que faz de nós o que somos? De que é composto o núcleo do que somos? O que é a essencialidade do ser humano? Como se apresenta?

Ao fim, passado um grande número de vidas e mortes de Úrsula, somos lembrados que vida e morte podem ser tão casuais quanto qualquer outro evento. Não há garantias. Não há futuro necessariamente, o passado é justamente isso: algo que já desapareceu. Possibilidade perdida. A única coisa com que podemos contar é o momento presente.  A circularidade do universo. O tempo é um constructo, na realidade tudo flui, sem passado ou presente, apenas o agora. (p.502)

 

Kate-Atkinson-002Kate Atkinson

 

Este não é o primeiro romance de Kate Atkinson que leio. Há alguns anos li Por trás das imagens do museu, publicado no Brasil em 1998. Mas aquela obra não me preparou para esperar de O fio da vida a força narrativa da autora e a destreza com que ela consegue gerenciar personagens e tramas tão complexas: a cada curva do caminho um novo mundo se descortina. Além da trama há algo maravilhosamente bem engatado na narrativa: as alusões e citações a obras literárias conhecidas de todos nós: Shakespeare, Bacon, Heráclito, Píndaro, Hawthorne, Keats, Colette, Coleridge e muitos outros. Esses autores demonstram sua atualidade pois as citações, bem tecidas no texto, se mostram relevantes no entendimento do que nos faz humanos.

Se você prefere uma narrativa linear, esse livro não deve lhe seduzir. Mas se você aceita a experimentação literária, vai se deliciar com esse romance.  Recomendo.








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