Júbilo e tristeza: DNA de dinossauros não pode ser recuperado

18 10 2012

Cena do filme Parque dos dinossauros, I.

Foi com um misto de júbilo e tristeza que li esta semana que o DNA de dinossauros não poderá ser recuperado.  A ideia de que Michael Crichton se valeu para escrever o livro de suspense e aventura Jurassic Park, que nas mãos de Steven Spielberg se tornou um sucesso de bilheteria no cinema, não é viável.  Minha alegria veio de saber que não passaremos pelos perigos possíveis de termos, nas mãos de governos ou companhias particulares inescrupulosos, a possibilidade de criação dessas feras.  Mas tristeza porque tenho uma curiosidade imensa, que não conseguirá ser satisfeita, em relação a esses seres bestiais.

Tudo já indicava, no mundo científico, que a “reconstituição dos dinossauros” não seria possível.  Mas na dúvida havia sempre uma pequena brecha, uma centelha de esperança, de vermos um dia um dinossauro vivo, até que cientistas na Nova Zelândia descobriram o tempo máximo de estocagem de material genético.

Cena do filme Parque dos dinossauros, I.

Depois que a célula morre, enzimas começam a desfazer os ligamentos entre os nucleotídeos que formam a estrutura do DNA. Micro-organismos ajudam então na decomposição.  No entanto, a expectativa de manutenção das características de DNA são em geral dependentes da proximidade de água, que aumenta a rapidez da decomposição. Água na terra onde se encontra um osso de dinossauro, por exemplo, deveria poder estabelecer o ritmo de degradação do DNA.

Foi justamente essa determinação que se mostrou bastante difícil, principalmente porque há muitos fatores tais como temperatura, ataque de micróbios, condições do meio ambiente, oxigenação que podem alterar a velocidade do processo de decomposição. Comparando DNA de diferentes idades da mesma espécie assim como diferentes níveis de decomposição, os cientistas foram capazes de determinar que em 521 anos o DNA perde metade das conexões entre nucleotídeos.

Mas ainda há muito que se descobrir.  Os pesquisadores afirmaram que a idade do DNA afeta quase 38% da degradação – eles usaram ossos do moa, para o estudo.  Outro fatores tais quais preservação, maneira de estocagem de produto escavado, a química do solo e até mesmo a época do ano em que o animal morreu podem contribuir como fatores que diferenciam os níveis de degradação, fatores que ainda precisam ser estudados.

E lá se vai a porta da esperança de se ver um desses animais do passado, talvez, um preso em âmbar, “renascido”.  A porta se abre mais cautelosa, oferecendo só uma frestinha de esperança…  Mas quem sabe?  Talvez, num futuro longínquo possamos ainda reviver, ressoprar a centelha da vida num desses animais pré-históricos…

FONTES: Terra, Nature





Pato Donald, fonte de inspiração em Hollywood, na Ciência e no Japão

16 02 2011
Tio Patinhas considera uma história para roteiro de filme, ilustração Walt Disney.

—-

Muita gente que conheço se surpreende com a coleção de quadrinhos que tenho.  A maioria foi comprada depois de adulta.  A surpresa também acontece quando as pessoas percebem que tenho muitas vezes a pachorra de tirar fotos de alguns quadrinhos para postagem neste blog.  Este é um dos meus instrumentos de comunicação visual.  Muitos quadrinhos conseguem, numa só cena, contar uma idéia ou uma historieta inteira, principalmente quando estamos familiarizados com seus personagens. 

Lá em casa histórias em quadrinhos nunca foram proibidas.  Aliás, nenhum tipo de leitura foi proibido.  Meu gosto pelos quadrinhos vem desde pequenina, sempre os li e minha mãe também.  Ela era uma ávida leitora de gibis.  Papai, que era mais chegado aos textos científicos por sua própria profissão, também se deliciava com as invenções do Professor Pardal, chegando a conversar conosco sobre as possibilidades dessa ou daquela invenção estar no caminho certo de uma nova descoberta.  Todos nós na família éramos adeptos do  Pato Donald, que foi sempre um preferido; mais até do que o Mickey.  Mas sabíamos de cor e salteado todos os nomes dos personagens das revistinhas – inclusive os nomes dos personagens coadjuvantes e um dos passatempos favoritos de quando éramos crianças, nas longas viagens de carro, consistia em  nomearmos os diversos personagens de Patópolis, dos mais óbvios aos mais insignificantes. 

—–

—-

Pateta lê os quadrinhos do jornal, ilustração Walt Disney.

—–

—–

Ontem, para minha surpresa, meu marido me mandou um link para um artigo na revista CRACKED: 5 amazing things invented by Donald Duck, seriously, [5 coisas surpreendentes inventadas pelo Pato Donald, verdade.].  Neste longo ensaio sobre os quadrinhos do Pato Donald como fonte de inspiração, D. McCallum mostra, passo a passo,  como dois filmes de sucesso, vindos de Hollywood, têm semelhanças descabidas nas sequências de texto com histórias famosas dos personagens de Patópolis.

Entre os roteiros baseados nas histórias dos quadrinhos do Pato Donald estão:

1)      A origem, [Inception](2010), de Christopher Nolan,  cujos sonhos de personagens em comum, de roubo de pensamentos, de purgatório psicológico e de fuga do inconsciente transcorrem na mesma sequencia em que aparecem nas história  Tio Patinhas e o sonho de uma vidaUncle Scrooge and the Dream of a Life-time, publicada em 2002, 8 anos antes do filme.   

2)      Indiana Jones e os caçadores da Arca Perdida, ( Raiders of the Lost Arc] (1981) de Steven Spielberg, baseado na história de George Lucas.  Não, não, não, não não!  Aparentemente Lucas e Spielberg se inspiraram separadamente em duas histórias do Tio Patinhas.  Steven Spielberg admitiu que duas idéias:  a pedra que o ídolo deslanchou e o raio que corre atrás de Indiana Jones, foram inspirados na história – Sete Cidades de CibolaThe Seven Cities of Cibola, publicada em 1954.  Já Lucas se inspirou na história de 1959, The Prize of Pizarro, O Prêmio de Pizarro, com o corredor de flechas e os nativos hostis em perseguição a Indiana Jones.  Ambos Spielberg e Lucas admitem terem se inspirado no Tio Patinhas por serem grandes fãs de suas histórias.

O robô traz a solução de um problema para o Professor Ludovico, ilustração Walt Disney.

—-

—-

Na ciência aplicada, as histórias do Pato Donaldo também foram fonte de inspiração.  O dinamarquês Karl Kroyer, em 1964 seguiu a idéia da história The Sunken Yacht, os seja, O Iate submerso, escrita por Carl Barkes e publicada em 1949, quinze anos antes.   Inspirado, achou a solução para trazer à tona um navio que havia afundado na costa do Kuait.  Kroyer conseguiu suspender o navio cargueiro em questão enchendo-o com 27 milhões de bolas flutuantes injetadas através de um tubo.   Quando quis patentear sua idéia, teve problemas.  Sua solução foi aceita na Alemanha e na Grã-Bretanha.  Mas quando quis patenteá-la na Holanda, não aceitaram o caso, pois a idéia havia sido publicada anteriormente, na revista do Pato Donald.  Na história O Iate Submerso, os sobrinhos do Pato Donald, trazem das profundezas do mar, um navio do Tio Patinhas que havia afundado.  Procurando por uma solução bem baratinha, — e não poderia ser diferente — o método que usaram foi simples: encheram-no de bolas de pingue-pongue.   Visitem o site da Cracked, para observarem tanto os desenhos de Kroyer como a história do Donald, e terão a certeza de que o governo holandês estava correto.

Foi Carl Barkes (EUA, 1901-2000), que escrevia as histórias do Pato Donald, quem antecipou a descoberta de uma nova molécula nos quadrinhos de  1944.  A história se chamava The Mad CientistO cientista maluco, e girava em volta de um trabalho de ciências que Luizinho, Huguinho e Zezinho faziam para a escola.  Tentando ajudar, Donald, acaba levando uma pancada na cabeça e descobrindo um explosivo chamado “Duckmite”, [“Patomite”].  Nesta história, em uma espécie de transe, Donald descreve uma molécula CH2, aparentemente 20 anos antes dela mesma ser descoberta ou melhor encontrada, pelo mundo científico. 

Tio Patinhas e Pato Donald, ganham uma carona graças à revista que deram de presente ao carroceiro em um lugar longínquo, ilustração Walt Disney.

—-

—-

Talvez a maior influência que Carl Barkes e principalmente seus personagens possam ter tido através das histórias do Tio Patinhas e consequentemente, Pato Donald e seus familiares, tenha sido sobre o cartunista, desenhista e ilustrador Ozamu Tesuka (Japão 1928-1989), um magaká, ou melhor, um desenhista de mangás, conhecido também como  O Pai dos Mangás [apesar de não ter sido o criador dos mangás, ele leva esse cognome por ter popularizado o gênero], O Padrinho dos Anime,  e O Criador do Astro Boy, entre outros personagens de mangás.   Ozamu Tesuka é o primeiro reconhecer sua dívida com Carl Barkes, na criação dos mangás, a qual se dedicou logo após o término da Segunda Guerra Mundial.  Todos os anos até sua morte mandava um cartão de Boas Festas a Carl Barkes com agradecimentos sobre sua influência no seu trabalho.

Esse artigo de D. McCallum, vale a pena ler, inteiramente.  O que temos aqui é apenas um sumário de seu trabalho e mesmo que você possa não entender inglês vá até o site do artigo para ver as ilustrações de todos os pontos aqui mencionados.    O autor promete que há mais fatos de interesse sobre o Pato Donald, no livro editado pela Cracked chamado: You Might Be a Zombie and Other Bad News: Shocking but Utterly True Facts, Plume: 2010.  

Com essa nota de humor, deixo aqui um pequeno vídeo de Astro Boy, com vozes lusitanas.  Divirtam-se.

—–

—–

—–

VÍDEO DO ASTRO BOY:

—–

—–

 








%d blogueiros gostam disto: