Resenha: “Autobiografia”, Agatha Christie

21 11 2018

 

 

 

Bryce Cameron Liston, An Enchanting Tale, 2013, ost, 50 x 40 cmHistória fascinante, 2013

Bryce Cameron Liston (EUA, 1965)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

 

 

Muito me surpreendi com a Autobiografia da Agatha Christie.  Boa surpresa.  Esta é uma leitura feita por uma profissional da escrita: fácil de ler, interessante, repleta de informações pessoais, culturais e sobre hábitos da época.  Foram quase 600 páginas que me deixaram com gosto de quero mais.  Não é qualquer um  que consegue isso. Na virada de 2018 tomei decisão de ler mais livros de outros segmentos além de ficção/romance.  Ando interessada em memórias.  Gosto daquelas que colocam a vida do autor no contexto da época.  Esta é uma delas.

Neste livro, aprendi sobre costumes da época (virada do século XIX para o XX) que são interessantes de pontuar. Hábitos e maneira de pensar eram diferentes.  Uma das surpresas foi saber da existência de uma tal “carroça de banho de mar” que as mulheres na primeira década do século XX usavam.  Era realmente uma carroça, com rodas, e uma tendinha de madeira em cima para a troca de roupas.  Elas eram puxadas para um lugar mais fundo do mar para mulheres poderem nadar. Veja foto abaixo.  Eu já conhecia regras que circunscreviam os banhos de mar para mulheres, mas essa foi a primeira vez que soube desses carrinhos.

Há observações sobre o comportamento das mulheres que quero ressaltar. Em 1919, Agatha Christie teve um filha. Quando Rosalind está com dois anos e pouco, em 1922, Archie Christie, seu marido, tem oportunidade de trabalhar viajando por um ano de navio, através dos países que faziam parte da Commonwealth Britânica. Agatha não se estressa.  Deixa a filha com a mãe e a irmã e uma babá e vai viajar pelo mundo por um ano inteiro, por todas as colônias inglesas. Hoje, em pleno século XXI, a mesma classe média alta, pelo menos aqui no Brasil, ou até mesmo nos EUA, acharia estranha essa decisão.  Como?  Não ver sua única filhinha, tão pequenina por um ano inteiro?  Num mundo sem SKYPE, sem Whatsap, sem internet, sem a facilidade de telefonemas internacionais?

 

_91ef5ccf1284b8b0f82a9a455f25e2d8f9e6811c (2)

 

Também é interessante notar que Agatha Christie é capaz de viajar sozinha através de muitos países.  Estamos falando de viagens antes da Segunda Guerra Mundial.  Sozinha.  Por que?  Porque quase todos os países por que passa são protetorados ingleses.  As leis inglesas protegiam essa mulher, que na Inglaterra da época já tinha bastante mais liberdade do que em outros cantos do mundo.  Se formos comparar com o presente, 2018, praticamente 100 anos depois das aventuras de Agatha Christie, nós mulheres, não podemos viajar sozinhas, como turistas, mala em punho, pela maioria dos países por onde ela passou no Oriente Médio.  Essa é uma diferença enorme.  Depois da independência desses países leis que restringem deslocamento de mulheres, baseadas no Alcorão ou em costumes locais,  deixaram de dar apoio a essa liberdade feminina.

O leitor tem também a oportunidade de descobrir que Agatha gostava bastante de esportes e com seu primeiro marido, esteve entre os primeiros europeus a praticar surfe em pé na prancha, quando nesta mesma viagem de 1922/23 estiveram no Havaí.  E numa época em que carros eram raros, ela já dirigia seu próprio.  No fundo, o que mais me surpreendeu nesta autobiografia foi perceber como ela foi uma mulher moderna.  Muito moderna. E com seu sucesso literário tomou para si o poder, o poder de decidir o que queria, de fazer o que queria, quando queria, sem dar satisfações.

 

young-agatha-christie-1926Agatha Christie, 1926

É claro que para os fãs de Agatha Christie ler sua autobiografia será interessante para conhecer que ideias apareceram em seus livros como resultado da própria vivência da escritora.  Curioso saber da surpresa dela com o próprio sucesso, e que, com o tempo, ela não se acanhava de fazer bom uso do dinheiro que lhe veio às mãos, comprando imóveis e remodelando-os.  Quando precisava de uma renda maior, para ajudar nas obras, para colocar mais uma viagem na agenda, Agatha Christie admite, sem pudor, que se sentava à mesa, para escrever um conto ou um romance que lhe trouxesse dinheiro.  Talvez seja por isso que conta mais de 80 títulos de sua autoria.

Outro aspecto que esquecemos quando falamos da Dama do Mistério é que ela também se sobressaiu na dramaturgia.  São dela as duas peças de teatro de maior sucesso no mundo, no século XX.  A ratoeira [The Mouse Trap], foi encenada, ininterruptamente desde 1952 até hoje. Testemunha de acusação [Witness for the prosecution] de 1953.

É difícil resenhar uma vida tão completa da escritora que mais vendeu livros no mundo, ficando em terceiro lugar, depois da Bíblia e Shakespeare. Calcula-se em 4 bilhões de exemplares.  Agatha Christie teve uma vida repleta.  Viveu bem e intensamente.  Deixou  80 livros policiais e de contos, 19 peças de teatro e 6 romances usando o pseudônimo Mary Westmoreland.  Suspeita-se que ainda haja outras obras com outra identidade.

 

bathing11Carroça de banho.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Curiosidade sobre Shakespeare

11 04 2016

 

 

01actorsAtores da Comédie Française, 1712

Jean-Antoine Watteau (França,1684-1721)

óleo sobre madeira, 20 x 25 cm

Hermitage, São Petersburgo, Rússia

 

 

Shakespeare era um homem bastante confortável financeiramente quando morreu.  Não era muito rico.  Mas tinha fortuna maior do que a de se todos os seus colegas de trabalho da companhia de atores a que pertencia, conhecida como King’s Men.  Mas sua situação financeira não chegou a se igualar às fortunas adquiridas pelos donos do teatro e seus gerentes.  O grande rival de Shakespeare, Ben Jonson, esse sim ficou muito rico.  Diferente de Shakespeare, Jonson se recusou a ser um acionista na companhia teatral, preferindo o patrocínio da aristocracia e as grandes comissões pelos ricos eventos de entretenimento, algo que Shakespeare nunca fez.

 

 

Informações no artigo: How rich was Shakespeare? de Robert Bearman, na Revista Prospect de março de 2016.





Centros culturais, sua manutenção, responsabilidade e educação

31 01 2013

João Fahrion-bastidores,1951, ost

Bastidores, 1951

João Fahrion (Brasil, 1898-1970)

óleo sobre tela, 130 x 130cm

Raramente abordo neste blog assuntos do cotidiano. Tenho tentado ser uma ilha de referências  culturais sem ligações à política ou ao dia a dia no país. Mas há ocasiões em que se faz necessário um posicionamento. Tendo a tragédia do incêndio na Boate Kiss, de Santa Maria, RS, como pano de fundo,  descobrimos ao ler o  jornal O Globo desta manhã, que a cidade do Rio de Janeiro tem 49 espaços culturais funcionando que não exibem alvará – ou seja permissão de funcionarem para aqueles fins.  Fiquei pasma.  Esses centros culturais incluem estabelecimentos municipais e estaduais.  Para surpresa de todos são lugares conhecidíssimos e freqüentados por milhares de cariocas e turistas: teatros municipais  [Carlos Gomes, Gonzaguinha, Café Pequeno, Sérgio Porto, Ziembinski, Maria Clara Machado,Teatro do Jockey, Sala Baden Powell, Teatro de Marionetes Carlos Werneck]; teatros estaduais [Artur Azevedo, Mario Lago, Glaucio Gill, Armando Gonzaga]; museus, centros de referência e centros culturais da prefeitura [Memorial Getúlio Vargas, Centro Coreográfico da Cidade do Rio de Janeiro, Hélio Oiticica, Laurinda Santos Lobo, Oduvaldo Vianna Filho (Castelinho do Flamengo), Parque das Ruínas, Prof. Dyla Sylvia de Sá, Centro Calouste Gulbenkian]; museus estaduais [Museu do Ingá, Casa de Oliveira Viana, Carmen Miranda, Museu dos Teatros, Casa de Euclides da Cunha, Museu da Imagem e do Som, Escola de Artes Visuais, Casa França-Brasil]; bibliotecas Populares da Prefeitura [Botafogo-Machado de Assis. Campo Grande-Manuel Ignácio da Silva Alvarenga, Ilha do Governador—Euclides da Cunha, Maré – Jorge Amado, Irajá—João do Rio, Jacarepaguá—Cecília Meireles, Santa Teresa – José de Alencar, Tijuca – M. Marques Belo]; bibliotecas estaduais [Niterói]; lonas culturais [Gilberto Gil, Elza Osborne, Sandra de Sá, Renato Russo, Terra, Jacob do Bandolim, Herbert Vianna, João Bosco, Hermeto Pascoal e Carlos Zéfiro]; locais em funcionamento, sem alvará, sem permissão do Corpo de Bombeiros.

Lembrei-me então de uma postagem antiga nesse blog que gerou controvérsia, leva o título Museus nos Estados Unidos Passam por Mudanças, lá defendo que temos centros culturais em demasia no Rio de Janeiro, que não podemos continuar usando a cultura como guarda-chuva de proteção a prédios antigos.  Muitas associações de bairro, com medo de que um construtor compre casa e terreno em área nobre,  e com isso aumente o número de pessoas em bairros selecionados, pedem que casas antigas, algumas delas com valor arquitetônico questionável, sejam transformadas em centro cultural.  É praticamente só nessa hora que nos lembramos da cultura.  Ela serve de mãe generosa, ama de leite, justificativa única, contra empreendimentos imobilários na cidade. Não estou com isso defendendo o crescimento sem controle da área urbana da cidade, mas este deverá ser restringido de outra maneira.

NELITO CAVALCANTI( 1933 - 2008),MPB 538, ast,51 x 60cmMPB 538

Nelito  Cavalcanti (Brasil, 1933-2008)

acrílica sobre tela, 51 x 60 cm

Não se trata só de descaso da prefeitura.  Muita dessa responsabilidade, eu diria até mais da metade, é nossa.  Não só porque continuamos a eleger pessoas que estão mais interessadas em seu próprio benefício do que na sociedade.  Não é isso, unicamente.  É que fechamos os olhos: ” não vou me meter, pra quê?  Está bem assim..” é uma resposta natural, porque reclamar e fazer alguma coisa dá trabalho.  Até escrever este texto dá trabalho, não é copiado, tenho que pensar e sentar aqui e reclamar. Mas a mentalidade de “Para quê arranjar sarna para me coçar?” é generalizada.  E se você reclama muitas vezes é vista como uma pessoa cri-cri, que não tem mais o que fazer, que quer impedir uma excelente causa, que quer colocar freios na cultura, nas ideias dos outros.  Temos uma história imoral com a manutenção nessa cidade.  Manutenção de qualquer bem, público ou privado.   Deixamos que tudo aconteça. O problema é sempre dos outros, de preferência do governo. Se esse não fosse o caso, como então explicar marquises desabando de edifícios em ruas movimentadas, como  aconteceu há cinco anos na  Nossa Sra de Copacabana no Rio?  Janelas despencam de edifícios na cidade.  Sabemos que o desastre do Edifício Liberdade no centro do Rio de Janeiro, poderia ter sido evitado, caso o síndico tivesse feito seu papel. Fato é que fazemos vista grossa.  Todos nós. A sociedade carioca é responsável por esses crimes.  Porque temos que exigir dos nossos síndicos, temos que contribuir com as taxas extras para manter fachadas, manter calçadas, manter as saídas de incêndio abertas, manter os extintores de incêndio com manutenção em dia.  É nosso interesse, não podemos simplesmente dizer que os bombeiros não vieram aqui, portanto não vou fazer nada.  Agora, me digam como pode o Teatro Sérgio Porto, no Humaitá, funcionar sem autorização dos bombeiros há cinco anos?  Como pode o dono de uma boate — uma das casas mais populares de Botafogo,  —  dizer que não tem alvará porque é quase impossível conseguí-lo, quando sua competição tem? De acordo com a prefeitura são 374 boates, casas de shows e casas de festas com alvará de funcionamento ativo na cidade. Como que ele não consegue? Ninguém quer assumir responsabilidade.

VIDAL,Sérgio,Café carioca,2008,ast,120 x 80

Café Carioca, 2008

Sérgio Vidal (Brasil, 1945)

acrílica sobre tela, 120 x 80 cm

A decisão de voltar a discutir o assunto de casas de cultura foi também em solidariedade com os empresários da Lapa que temem uma caça às bruxas.  Acredito que assim como o Patrimônio Histórico pode proteger as fachadas de bairros como a Lapa, poderia também apresentar soluções de como fazer com que essas construções possam ser utizadas para os fins que seus donos desejam.  Não adianta só proibir.  Tem que mostrar como solucionar o problema, que é de todos nós, é a nossa herança cultural.  Não queremos que os edifícios da Lapa se deteriorem, queremos que sejam protegidos mas usáveis.  Quando passeei pela Espanha — e vou usar a Espanha como exemplo, porque fiquei muito impressionada com o trabalho de preservação arquitetônica lá —  vi diversas soluções que poderiam muito bem ser aplicadas a conjuntos arquitetônicos como os da Lapa.  Há de haver vontade de todas as partes envolvidas.  O empresário não é só um monstro, como tende-se a pensar por aqui.  Sem ele muito do que nós consideramos “alma carioca” não existiria.  Não há mal algum em se ganhar dinheiro, em explorar um filão cultural.  Temos sim que ter responsabilidade.  E essa tem que ser de todos nós.  A coisa mais irritante na nossa cidade é pensar que cultura só pode ser fomentada pelo governo, pelo dinheiro público.  Cultura pode e deve ser mantida pelo dinheiro particular.  O dinheiro público deve ser colocado na educação.  Com educação, temos pessoas que consomem e gastam com a cultura.  Sem ela, não temos nada.





Vanitas e os arlequins de Ado Malagoli

20 02 2012

Arlequim e o gato preto, 1956

Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)

óleo sobre tela, 61 x 49 cm

Instituto de Arte, UFRGS

A obra de Ado Malogoli sempre me encantou.  Mas, nessa época carnavalesca, em que o pensamento circula a volta de fantasias e canções e que, sem me dar conta, colombinas, pierrôs e arlequins surgem no meu inconsciente, evocados por um refrão de marchinha ou no verso solto de um folião, lembrei-me dos diversos arlequins que Malagoli pintou.

Muitos são os artistas que se dedicaram seguidamente às imagens do trio de zanni — empregados domésticos — personagens originários da Commedia dell’ Arte.  Picasso é só um dentre os muitos europeus que exploraram o tema.  E como não havia um roteiro específico regendo a interação desses personagens, já que eles faziam parte de companhias de teatro de improviso, cada espetáculo era diferente, com peripécias e desfechos diversos.  Mas cada personagem agia sempre dentro dos limites pré-estabelecidos, que toda a platéia conhecia. Com a variação de histórias, a comédia era única à cada cidade visitada, mas Arlequim continuava sabido, Colombina namoradeira, Pierrô ingênuo.  Aos poucos, do século XVI ao século XVIII, essas características se modificaram.  Antoine Watteau, pintor francês, esteve entre os primeiros a representar esses personagens com uma maior carga emocional  do que lhes havia sido atribuída até então.

Os comediantes italianos, 1719-20

Antoine Watteau ( França, 1684-1721)

óleo sobre tela, 81 x 67 cm

National Gallery, Washington DC

Já tratei aqui no blog das diversas ondas de popularidade, através dos séculos desses três personagens, que parecem desaparecer por algum tempo para depois voltarem com força. [O sumiço dos Arlequins, Pierrôs e Colombinas…].  O interesse renovado nesses personagens no século XIX, nas artes visuais, fica focado sobretudo na figura de Pierrô, que se torna trágica, sofredora, injustiçada, triste, vitimizada.

Sem trupe itinerante,  sem improviso, personagens convencionais, estereotipados,  perderam suas funções e já não eram utilizados.  No entanto, eles representavam aquilo que é humano: a esperteza, a inconstância, a ingenuidade.  Ficou difícil deixá-los morrer.  Temos sempre à nossa volta esses tipos.  São nossos irmãos, pais, tios, amigos, primos.  São nós mesmos.  São como nos vemos e como vemos os outros.  A libertação dos zanni, de seus limites, trouxe drama para Pierrô, que durante o romantismo do século XIX, tornou-se  o romântico injustiçado por natureza.

Duelo depois do baile, 1857

Jean-Léon Gerôme (França, 1824-1904)

óleo sobre tela, 37 x 54 cm

The Walters Art Gallery, Baltimore, Md.

Um exemplo da carga emocional do Pierrô no século dezenove está representado no quadro de Gerôme, onde a figura de Pierrô é mostrada ferida, como consequência de um duelo pós-baile.  Nada mais romântico, nada mais dilacerante para corações mal-entendidos e ingênuos.  No entanto, passado os meados do século XIX,  nenhum dos três personagens da Commedia dell’ Arte parece conquistar terreno na pintura.  Ocasionalmente vemos um deles, mas com os movimentos artísticos do realismo ao impressionismo, deu-se menos importância ao pesado conteúdo dramático que Pierrô parecia representar.  O interesse dos artistas estava em outras áreas, em grande parte fundamentadas nas questões de percepção da luz e forma, como vemos no impressionismo.  Arlequim e Pierrô retornam nas últimas décadas do século.  Diferentes.  Suas vestimentas de cores contrastantes atraem pelo potencial à estilização.  Pierrô, em geral de traje branco com pompons contrastantes, oferece a possibilidade de um ensaio sobre os tons de branco, enquanto Arlequim trajado de malha em losangos coloridos oferece um “quebra-cabeças” natural para o pintor.  Não é à toa que a dupla Arlequim e Pierrô frequenta muitas telas de Cézanne em diante.

Mas é o século XX que traz Arlequim à cena, onde  passa a protagonizar grandes telas, importantes, trazidas ao centro do mundo artístico pelas mãos de Picasso.  Ele adquire, um aspecto mais sério.  Do conquistador, esperto, sem palavra, traquinas de séculos atrás conservou só a característica de conquistador e ganhou densidade ao refletir alguns dissabores, talvez até mesmo uma angústia hamletiana. Não foi à toa que Picasso se identificou com ele e não só uma vez, mais em um número incontável de representações, foi Arlequim quem tomou o lugar do pintor, um alterego.

No Lapin Agile, 1905

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela

MET  [The Metropolitan Museum of Art], Nova York

No quadro acima Picasso se autoretrata como Arlequim no bar Lapin Agile [A lebre ágil].   Nesse meio tempo Pierrô quase sai de cena.  Volta no final da década de 20 e nos anos 30. Transforma-se em modelo preferencial no movimento Art Deco não só nas artes gráficas como também na cerâmica e escultura.  Ficam de fora o drama, a tristeza e a fragilidade.  Pierrô passa a ser código do estilo da época, é adotado como adorno.

Esta divisão, esses dois caminhos seguidos pelos personagens da Commedia dell’ Arte nas artes visuais, no século XX, encontra diferentes seguidores no Brasil.  Se observarmos dois dos mais importantes artistas cubistas das primeiras décadas do século XX, Picasso e Juan Gris, podemos ver claramente a evolução das duas tendências que vieram a afetar a arte moderna brasileira.

Arlequim com violão, 1919

Juan Gris (Espanha, 1887-1927)

óleo sobre tela

Artistas como Antonio Gomide, Yara Tupinambá e Adelson do Prado — todos entre os que se dedicaram seguidamente ao tema dos personagens da Commedia dell’ arte — continuaram na evolução natural do  cubismo sintético — o movimento decorativo —  cujo maior expoente é Juan Gris.  Eles mostram em suas telas os passos seguintes ao que havia sido proposto anteriormente.

Pierrô e Colombina, 1922

Antônio Gomide (Brasil, 1895-1967)

óleo sobre cartão, 41 x 31 cm

Acervo de John Graz

Arlequim, 2007

Yara Tupinambá (Brasil, 1932)

acrílica sobre tela, 30 x 30 cm

Arlequim, 1980

Adelson do Prado (Brasil, 1944)

óleo sobre tela, 61 x 50 cm

Ado Malagoli está entre os pintores brasileiros que deram à imagem de Arlequim um conteúdo emocional semelhante ao que Picasso procurava.  Não está sozinho.  Gino Bruno, Inimá de Paula, João Quaglia seguem a trilha aberta por Picasso.

Arlequim, 1955

Gino Bruno (Itália, 1899 — Brasil, 1977)

óleo sobre tela, 65 x 50 cm

Arlequim, 1957

Inimá de Paula (Brasil, 1918 – 1999)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm

Além do arlequim ter sido um tema para o qual Ado Malagoli se voltou com alguma frequência a intensidade emocional de suas telas provoca uma reação semelhante a que temos quando Picasso se retratava como Arlequim.

Arlequim, década de 1950

Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)

óleo sobre madeira,  35 x 27 cm

Arlequim, 1982

Ado Malagoli (Brasil, 1906-1944)

óleo sobre tela

Arlequim, s/d

Ado Malagoli (Brasil, 1906 – 1994)

óleo sobre tela, 81 x 60 cm

Arlequim com gato preto, década de 1980

Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)

óleo sobre tela

Não tenho os detalhes da obra que serviu de capa do livro de Mário Quintana sobre o pintor.

É forte o impacto desses arlequins quando os vemos em grupo.  Parecem envelhecer frente aos nossos olhos. Colocá-los em ordem por ano de produção poderia ser ainda mais interessante.  E quantos mais haverá?  Não sei.  Eu mesma me surpreendo com o número que consegui captar.  Infelizmente,  acredito que não haja um catalogue raisonné da obra de Ado Malagoli.  Fica aqui a idéia, o projeto para algum futuro historiador da arte, quem sabe até mesmo para o museu no Rio Grande do Sul que leva o seu nome.  Porque a carga emotiva dessas imagens merece a nossa atenção; elas projetam mais do que a roupa colorida de um zanni.  Elas dialogam com os arlequins de Picasso.  A seriedade da expressão facial, as cores sizudas, os corpos rígidos nos convidam a refletir.  Eles nos levam à introspecção por se mostrarem introspectivos.

Ado Malagoli parecia estar dialogando com seus pares.  Um diálogo imagístico, sem duvida.  Sua obra tem grande afinidade com a de Picasso.  Mas o convite à introspecção é dos grandes artistas.  O tema, Vanitas, é universal.  Um mero arlequim, um zanni, um personagem na comédia da vida parece o meio perfeito para lembrar que nem tudo é comédia, nem tudo  é carnaval ou folia.  Em espírito, esses retratos são um momento mori . Eles lembram a passagem do tempo,  a finitude da vida.  Com a mesma intenção da idéia por trás da obra de um  pintor francês, e grande ilustrador de livros, Dutriac, que em 1895 pintou o quadro, Revelação preocupante.

Revelação preocupante, 1895

Georges Pierre Dutriac ( França)

óleo sobre tela.

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2012





O sumiço dos Arlequins, Pierrôs e Colombinas…

6 03 2011
Aqui está, a Peregrina, fantasiada de Pierrete,  num Carnaval da segunda metade do século XX.

Sexta-feira passei por uma escola quando os alunos voltavam para casa.  Estavam vestidos com fantasias de super-heróis, fiéis aos figurinos saídos das telas do cinema, de Branca de Neve e fadas à moda de Walt Disney.  O Carnaval mudou.   Sou do tempo em que as crianças ainda se fantasiavam de outros personagens além daqueles dos desenhos animados.   Fantasias para meninos eram sempre mais difíceis, e meus irmãos aderiram, é verdade, a esse esquema de cinema muito antes de mim, principalmente para evitarem os trajes de tirolês, vestidos ano após ano.  Embarcaram logo  na de Super-Homem.  Mas foram também xerife do oeste americano, sheik e  uma grande variedade de piratas.

—–

—-

Pierrete, 1922

Emiliano Di Cavalcanti ( Brasil, 1897-1976)

óleo sobre tela,  78 x 65 cm

—–

—–

Nossas fantasias não eram compradas prontas.  Eram pensadas em janeiro, logo depois da festa do Dia de Reis e repensadas levando em conta a praticidade,  facilidade de desenho, beleza e conforto .  Os trajes eram construídos aos poucos, costurados por mãe, avó, tia solteira, empregada, babá ou qualquer outra pessoa que pudesse usar agulha, linha ou cola.  Saíamos nos 3 dias de Carnaval com as versões de trajes tradicionais que nossos pais imaginavam para nós.   Aos tenros 2  e 3 anos (a mesma fantasia foi usada), fui  uma sedutora odalisca.  Depois fui baiana, cigana, índia, pirata, tirolesa e,  já adolescente, Violeta Scragg, personagem dos quadrinhos do caipira Ferdinando, de Al Capp, cuja Corrida do Dia de Maria Cebola povoara a imaginação da geração de minha mãe.  Além disso, como mostra  a foto acima,  saí num longínquo Carnaval de Pierrete.    Mas de Pierrete?  — podem perguntar…  Essa fantasia não é de Colombina?  Não, não, não… não, não.   Minha mãe, professora de língua e literatura, não queria que eu me vestisse de Colombina, porque ela não tinha, como diríamos, assim um tão bom caráter…  Preferiu me vestir de Pierrete, a forma feminina do Pierrô.

—-

—-

O desespero de Pierrô, também conhecido como Pierrô Ciumento,  1892

James Ensor (Bélgica, 1860-1949)

óleo sobre tela, 117 x 167 cm

—-

—-

O trio Arlequim, Pierrô e Colombina,  originais da Comédia dell’Arte, do teatro italiano do século XVI, aparecia em grande número entre crianças e adultos em outros Carnavais cariocas.  Sua popularidade tem raízes mais recentes do que o século XVI.   O tema, durante o século XIX,  sob a influência do romantismo francês, ganhou popularidade em todas as artes, trazendo para  primeiro plano o sofrimento de Pierrô, enamorado por Colombina, cujo afeto não conquista.  O triângulo amoroso, a derrota de Pierrô para Arlequim, tornou-se, então,  a variação favorita da antiga tradição italiana.   Originalmente, cada qual tinha um papel específico, e o desfecho de suas aventuras teatrais podia sempre variar, desde que os personagens se mantivessem dentro do esperado.  Arlequim era um empregado, um  servo esperto, conquistador dos corações femininos, que  desejava Colombina.  Esta por sua vez, era uma empregada, frívola, inconstante no amor, e esperta nas suas conquistas, flertava com todos e não era de ninguém.  Nem Arlequim, nem Pierrô originalmente conseguiam conquistar seu coração.

—-

Pierrô, 1918

Pablo Picasso ( Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela

Museu de Arte Moderna de Nova York

 

—–

Os três personagens, que voltaram a preencher o espaço imaginário da cultura européia nas últimas décadas do século XIX e nas primeiras do século XX, estão hoje praticamente desaparecidos do carnaval carioca, porque não refletem mais as nossas preocupações.  O amor não correspondido, sofrido, chorado deixou de ser um meio de se cantar nos 3 dias de folia.   O Carnaval do passado tinha como parte de seu roteiro musical duas faces:  as músicas irreverentes, licenciosas, às vezes repletas de non-sense, que burlavam os limites morais vigentes e o lado sentimental que refletia os amores não-correspondidos, o sofrimento da dor de cotovelo, das brigas amorosas, da procura pelo par perfeito.  As primeiras eram cantadas nas marchinhas agitadas, puladas, ritmadas no pé, como acontece, por exemplo,  com o clássico O teu cabelo não nega.

—-

Arlequim, s/d

Clarence K Chatterton ( EUA, 1880-1973)

Óleo sobre tela.

—–

—–

 Eram as marchas-rancho, os sambas mais lentos, as músicas que refletiam o outro lado da alma,  retratando o desespero sentimental de um amor não correspondido, traído, sofrido.   Para isso, a imagem do Pierrô era moeda corrente na poesia.  Não fazemos mais um Um Pierrô apaixonado,/Que vivia só cantando,/Por causa de uma Colombina/ Acabou chorando… Acabou chorando… Nem tampouco cantamos Tristeza/ Por favor vai embora/ A minha alma que chora/Está vendo o meu fim.   Sentimentos que refletem filosofias da vida amorosa, como aparecem em:  Eu perguntei a um mal-me-quer / Se meu bem ainda me quer/ Ela então me respondeu que não / Chorei, mas depois/Eu me lembrei / Que a flor também é uma mulher/Que nunca teve coração… já não são mais cantados ou frustrações como no clássico, Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim./Ai meu bem, não faz assim comigo não! Você tem, você tem que me dar seu coração! Já não encontram forte eco na alma carioca.

——–

Pierrô desconsolado, 1907

Witold Wojtkiewicz ( Polônia, 1879 — 1909)

Têmpera sobre madeira,  65 x 80 cm

Museu de Naradowe, Posnan, Polônia

—-

No século XXI, o romantismo sofrido, chorado, o amor não correspondido não tem mais lugar com foliões e nem mesmo nas composições carnavalescas.  A “tristeza que não tem fim, felicidade sim”, foi-se junto com as marchinhas carnavalescas, os lança-perfumes, o confete jogado sobre uma bela fantasia e as serpentinas de papel colorido;  o triângulo amoroso daqueles personagens renascentistas parece falar a um público diferente.  Carrega em si  preconceitos passados, reflete um momento romântico longínquo, que não tem mais razão de ser.  Éramos mais reprimidos, e sofríamos mais com os desencontros amorosos, dávamos peso às nossas tristes sinas, que se valorizavam quanto mais estivessem em descompasso com a alegria carnavalesca.

—–

—-

A hora azul, s/d

Federico Armando Beltrán Masses ( Espanha, 1885-1949)

óleo sobre tela

—-

—-

Hoje, somos mais livres em ação e sentimento.  As mulheres conquistaram direitos, os homens responderam à altura.  Como um todo, vivemos menos regidos por regras sociais.  Sabemos, apesar de nem sempre aceitarmos, que ninguém é de ninguém: nem no Carnaval, nem o ano inteiro.  Não precisamos esperar pelos 3 dias de folia  para extravasarmos  nossos amores; para expressarmos nossas frustrações amorosas, para darmos voz aos nossos sentimentos mais íntimos.  Talvez este tenha sido o grande  legado da popularização da psicologia.   Não precisamos da loucura de domingo à Terça-feira Gorda para pularmos a cerca, para flertarmos com um desconhecido, trocarmos de amor acreditando que  escondidos pelas máscaras, podemos quase tudo sob a proteção do anonimato.   A verdade é que podemos fazer tudo o que quisermos o ano inteiro.

—-

—-

Pierrô, s/d

William Orpen ( Irlanda, 1871-1931)

aquarela

—–

—-

Pierrô, sofrendo por amor, parece por demais trágico para conviver com a alegria extrovertida do carnaval de rua.  A pesada presença de seu contínuo sofrimento, de seu abandono;  os ombros caídos do desacreditado em si mesmo, não combinam com as novas regras sociais que ditam um estado de perpétua felicidade.  Não condizem tampouco com a auto-estima elevada requerida pelos novos padrões sociais, pregados a quatro ventos nas revistas, nos jornais e na televisão.  Somos todos lindos, bonitos,  alegres e felizes.  A julgar pelos slogans corriqueiros temos que nos  sentir bem, a qualquer preço e a qualquer hora;  estar orgulhosos de nossa aparência e de nossas conquistas; estar bem-resolvidos.   Hoje, a tristeza do Pierrô,  a profundidade de seu desconsolo acabam deslocados.  Eles refletem um estado de alma ao mesmo tempo inocente e alheio, ambos sentimentos de pouca empatia para esta geração de foliões.

—-

—-

Pierrô, 1977

Adelson do Prado, ( Brasil, 1944)

acrílica sobre tela, 73 x 50 cm

Coleção Particular.

—-

—-

De fato, o final do século XX se caracteriza pela redução da imagem do Pierrô de uma figura trágica para a do palhacinho alegre e cantador, um boneco engraçadinho, mimoso, apropriado para os quartos de crianças e para as capas de cadernos escolares das meninas pré-adolescentes.   Pierrô se despoja, a cada década da carga emocional que o abateu de meados do século XIX aos anos que antecedem o final da Segunda Guerra Mundial.   Sua imagem, bastante fascinante para as abstrações do período Art-Deco, nas décadas de 20 e 30 ,  vai se estilizando à medida que o século XX chega ao fim.   E perde, aos poucos, a tri-dimensionalidade emocional que o caracterizara no passado.  Torna-se um exercício decorativo, um tema de geometria a ser explorado e consumido em massa, favorecendo os redondos pompons, o triângulo de seu chapéu a fofura de sua gola embabadada , a perpétua lágrima no rosto, — ou seria uma tatuagem? — aludindo à sua poesia através de um violão.

—-

Arlequim e Pierrô, mangá.

—-

—-

Mas, para os que possam estar preocupados, deixe-me lembrar que isso não significa o fim de Pierrô, ou do trio a que pertence.   O pêndulo fará seu percurso natural e voltará a trazer para o proscênio o trio italiano.   Sua aparição no final do século XVI durou até meados do século seguinte;  depois sumiu como tema nas artes gráficas só para ter um renascimento no século XVIII, nas pinturas de Watteau  e de seus contemporâneos.  Ressurgiu das cinzas no século XIX até meados do século seguinte.  Quem estiver vivo daqui a algumas décadas  verá a reaparição do trio, talvez com outros aspectos de suas personalidades enfatizados, para refletirem o gosto cultural da época, mas eles voltam.  Quando personagens teatrais refletem características humanas verdadeiras, eles podem passar por momentos esquecimento,  até que alguém se lembre de mostrá-los mais uma vez, mas com uma nova roupagem.  É esperar para ver.

©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2011





Precisa financiar o seu projeto artístico? Veja!

22 02 2011

Multidão from MULTIDAO on Vimeo.





Catadores de Sonhos, uma peça que estreia dia 11 aqui no Rio de Janeiro

5 01 2011

 

Catadores de Sonhos – Utopia com Atores e Alpinistas discute a possibilidade de concretizar os sonhos, o poder de ampliar a imaginação e expandir o pensamento. Transitando na fronteira de linguagens – teatro, música, dança, vídeo e alpinismo, a peça se apropria do tema Utopia para ilustrar a busca de realizações. A estreia está marcada para o dia 11 de janeiro no Teatro Gláucio Gill, às 21h. A grande novidade fica por conta da presença de dois alpinistas em cena, que conduzem os atores para a atmosfera idílica da utopia. Quebrando a gravidade, o espaço é recriado, gerando novas possibilidades que as salas de espetáculos normalmente não oferecem.

O espetáculo é dirigido e escrito por Jadranka Andjelic, diretora sérvia, que há dois anos se estabeleceu definitivamente no Brasil. Desde então, desenvolve uma parceria duradoura com a produtora e diretora de cinema Eveline Costa. No começo de 2010, o espetáculo Cidade In/Visível chegou aos vagões do Metrô Rio, transportando os passageiros para a história da cidade. E o novo projeto Catadores de Sonhos reforça uma característica forte da dupla: a necessidade de realizar teatro que inspira reflexão.

A peça é encenada dentro e fora do prédio, usando a própria arquitetura do teatro como recurso. Os alpinistas escalam e “dançam” na parede, interagindo com atores, músicos e imagens. Seguindo o rastro de pesquisas que integram linguagens estéticas à discussão de problemáticas sociais, o projeto também abrange a importância de acreditar nos sonhos dentro da sociedade contemporânea.

O roteiro é livremente inspirado em fontes literárias variadas como Alberto Mangel e Giani Guadalupi, autores do livro Dicionário de Lugares Imaginários – um guia de viagem por espaços existentes apenas no terreno da ficção; Milorad Pavitch, autor de O Dicionário Khazar; Peter Handke, Santos Dumont, Oscar Wilde, Hakim Bay e utopias atuais de coletivos como o norte-americano Critical Art Ensemble, o antigo periódico anarquista Ação Direta e ativismos modernos.

O processo criativo conduzido pela diretora Jadranka aproveita a experiência de cada um dos envolvidos e a expansão do espaço cênico é evidente pela utilização quase constante de imagens projetadas em grandes telas. As imagens/vídeos criam o espaço em que o ator, músico e alpinista vai atuar. A trilha sonora original, composta por Thiago Trajano, também dá ênfase ao clima onírico do espetáculo, mesclando o tradicional a ritmos atuais.

“Catadores de Sonhos estimula as pessoas a terem uma visão mais ampla sobre o futuro, a persistirem e lutarem pelos seus sonhos, pois as mudanças são possíveis”, acrescenta Jadranka.

“A Utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar“. (Eduardo Galeano)

Ficha técnica:

Direção e dramaturgia: Jadranka Andjelic

Atores: Andréa Maciel, Patrick Sampaio e Ander Simões

Alpinistas: Felipe Edney e Eduardo Rodrigues

Direção de imagens, espaço cênico e objetos: Eveline Costa

Figurinos: Lydia Quintaes

Música, violão e direção musical: Thiago Trajano

Clarineta: Whatson Cardozo

Cello: Saulo Vignoli

Iluminação: Daniela Sanchez

Assistência de iluminação: Kadu Moratori

Fotografia: Carol Chediak

Programação visual: Rogerio Cavalcanti

Assistência de edição: Pedro Salim

Produção executiva: Rodrigo Lopes

Assistência de produção: Ferinha

Direção de produção: Eveline Costa

Produção: Sequência f i l m e s, músicas e cênicas

Assessoria de Imprensa: RPM Comunicação

Contabilidade: Valdilene Telhado Duarte

Operação de vídeo: Pedro Salim, Rodrigo Lopes e Pedro Coqueiro

Operação de luz: Kadu Moratori

Serviço:

Terças e Quartas, às 21h.

De 11 de janeiro a 02 de fevereiro

Local: Teatro Gláucio Gill

Endereço: Praça Cardeal Arcoverde s/n°

Duração: 60 minutos

Classificação indicativa: Livre

Ingressos: R$ 20 – inteira; R$10 – meia entrada

—-








%d blogueiros gostam disto: