Resenha: “A resistência” de Julián Fuks

26 02 2017

 

 

 

 

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Figuras, 1956

Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956)

técnica mista sobre papel, 50 x 66 cm

 

 

 

Meu grupo de leitura se dividiu a favor e contra o livro A resistência, de Julián Fuks.  Somos vinte.  Foi meio a meio.  Para minha surpresa estou do lado dos que gostaram.  Surpresa porque eu e o Prêmio Jabuti temos tido através dos anos visões opostas de valor. Minha discordância tem sido sistemática.  Em geral, prefiro os segundo e terceiro colocados ou nenhum deles.  Portanto, já começo a ver Julián Fuks como exceção.  Ou será que meus parâmetros estão mudando?  Fica a dúvida.  Qualquer que seja a resposta, o fato persiste, li o livro, fui até o fim (acreditem-me não tenho pena de deixar livros de lado, se não gosto), e ao final gostei da experiência.

O que me pegou nessa pequena obra, foi o tom. Bom narrador, Julián Fuks navega com  destreza do início ao fim, através das inúmeras reflexões do personagem principal. Tom e voz narrativa são valores difíceis de quantificar, mas, para mim, são a porta de entrada para leitura. Além disso,  A resistência  combina o gênero da memória com reflexão, combinação que ao longo dos anos tem-se tornado um dos meios narrativos que mais me satisfazem.

 

 

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A história trata de uma obsessão: o narrador, Sebastián, quer entender o que levou o irmão mais velho a se afastar emocionalmente do resto da família na época em que se tornava um jovem rapaz. O narrador é um de três filhos de um casal de imigrantes argentinos que se estabeleceu em São Paulo. O filho mais velho foi adotado, ilicitamente, ainda na Argentina, no período em que o casal se esforçava, sem sucesso, para ter filhos.  Adotaram afinal um menino, na mesma época de instabilidade política no país que eventualmente os levaria a imigrar para o Brasil.

Acredito que no afã do marketing, na vontade de seduzir o leitor com um assunto politizado, de vanguarda,  tomou-se a infeliz decisão de enfatizar passagens da política argentina, como se fossem centrais à trama. Ainda que a palavra ‘resistência’ tenha tido um cunho político, principalmente durante governos ditatoriais, aqui a política não passa de evento circunstancial, cortina de fumo, distração ilusória que encobre a verdadeira trama, explicitamente colocada no primeiro parágrafo do livro. “…Meu irmão é adotado, mas não quero reforçar o estigma que a palavra evoca, o estigma que é a própria palavra convertida em caráter.  Não quero aprofundar sua cicatriz e, se não quero, não posso dizer cicatriz.” Aí está toda linha dramática do texto. Quanto mais Sebastián pretende não aludir à adoção do irmão, mais ele é incapaz de esquecê-la; mais ele resiste. Como não pode se referir a ela, mesmo que essa adoção, seja conhecida  por todos os familiares, inclusive o adotado, ela se torna o elefante branco familiar, invisível e não reconhecido problema, estatelado no dia a dia da família, imóvel e ocupando um grande espaço, aquilo que todos resistem a admitir.

 

 

 

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Julián Fuks

A procura pela memória, pelo fatos, ações, circunstâncias do passado que justificariam o comportamento do irmão mais velho, fazem com que o narrador desenvolva uma linha narrativa primorosa, revendo mais de uma vez, por diferente ângulo não só os eventos do passado como suas próprias reações, questionando-se sempre. Evoca e medita sobre o passado em comum com Sebastián e com a família e explora as possibilidades daquilo que lhe é desconhecido. Esmiúça tudo, sem resultado plausível. A resolução vem do próprio irmão adotado, numa catártica explosão, muito bem desenvolvida. Este é um belo livro.  Meditativo.  Reflexivo.  Um livro que extrapola a história contada. Recomendo.

 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.

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Criança brasileira

12 10 2016

 

 

alice-soares-brasil-1917-2005-menina-e-suas-bonecas-retrato-de-moema-soares-aos-seis-anos-103-x-943-cmMenina e suas bonecas

[Retrato de Moema Soares aos seis anos]

Alice Soares (Brasil, 1917-2005)

Óleo sobre tela, 103 x 94 cm

 

 

santa-rosa-meninos-com-peixes-osm-cid-dat-42-33-x-41-cmMeninos com peixes, 1942

Tomás Santa Rosa (Brasil, 1909-1956)

óleo sobre madeira,  33 x 41 cm

 

 

antonio-paim-vieira-1895-1988-azulejos-menina-e-gatoMenina com gato

Antônio Paim Vieira (Brasil, 1895-1988)

Pintura em azulejos

 

 

john-graz-menino-com-passarosMenino com pássaros, 1971

John Graz (Suíça/Brasil, 1891-1980)

óleo sobre tela, 34 x 26 cm

 

 

robertodesouza1943menina-no-quartoast875x70cmMenina no quarto

Roberto Souza (Brasil, 1943)

acrílica sobre tela, 87 x 70 cm

 

 

artur-timotheo-da-costa-1882-1923-o-menino-oleo-s-tela-47-x-37-assinado-datado-1917-e-localizado-rioO menino, 1917

Artur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1923)

óleo sobre tela, 47 x 37 cm

 

 

aurelio-dalincourt-brasil1919-1990menina-oleo-sobre-eucatex-24-x-19-cmMenina, s.d.

Aurélio d’Alincourt (Brasil, 1919-1990)

óleo sobre tela, 24 x 19 cm

 

 

joaquim-tenreiro-oleo-s-madeira-datado-1945-medindo-sem-mold-35-cm-x-46-cmMenino, 1945

Joaquim Tenreiro (Portugal/Brasil,1906 – 1992)

óleo s madeira, 35 cm x 46 cm

 

 

dias-ramos-meninas-acrilico-sobre-tela-120-x-100-cmMeninas

Ricardo Dias Ramos (Brasil, 1952)

acrílica sobre tela, 120 x 100 cm

 

 

rui-de-paula-ost-70-x-50Crianças e patos

Rui de Paula (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 70 x 50 cm

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Coisas de criança…

12 10 2016

 

 

natalia-com-palhacinhos-marysia-portinariNathalia com palhacinhos, 1999

Marysia Portinari (Brasil, 1937)

óleo sobre tela, 100 x 80 cm

 

 

djanira-menino-com-patinete-ost-cid-dat-59-1003-x-811-cmMenino com patinete, 1959

Djanira da Motta e Silva (Brasil, 1915-1979)

óleo sobre tela, 100 x 81 cm

 

 

gabriela-dantes-homenagem-ao-ano-internacional-da-crianca-ost-43-x-53cm-1979-localizado-salvador-baHomenagem ao ano internacional da criança, 1977

Gabriela Dantes (Uruguai/Brasil, 1914)

óleo sobre tela, 43 x 53 cm

 

georgina-de-albuquerque-menino-ose-32x27cm-assinadoMenino

Georgina de Albuquerque (Brasil, 1885-1962)

óleo sobre eucatex, 32 x 27 cm

 

 

santa-rosa-garoto-com-pipa-osm-dat-42-33-x-41-cmGaroto com pipa, 1942

Tomás Santa Rosa ( Brasil, 1909-1956)

óleo sobre madeira, 33 x 41 cm

 

 

gino-bruno-brinquedos-oleo-sobre-tela-60-x-80-cmBrinquedos

Gino Bruno (Itália/Brasil, 1899-1977)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

joao-machado-serigrafia-69-100-imperio-da-infancia-ii-medidas-50-x-70-cmImpério da infância II

João Machado (Brasil, contemporâneo)

serigrafia, 50 x 70 cm

 

 

marcio-pita-brincando-de-roda-50-x-70-cmBrincando de roda

Márcio Pita (Brasil, 1958)

óleo sobre tela, 50  x 70 cm

 

 

claudio-dantas-baixa-temporadaBaixa temporada, 2010

Cláudio Dantas (Brasil, 1959)

óleo sobre tela, 90 x 120 cm

 

 

reynaldo-fonseca-brasil-1925criancas-no-patio-gicle-sobre-tela-80-x-1-00Crianças no pátio, 1980

Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925)

óleo sobre tela, 100 x 130 cm

 

 

portinari_meninosbrincandooleo-sobre-tela-1955-60-x-72-5-cmMeninos brincando, 1955

Cândido Portinari (Brasil, 1903-1962)

óleo sobre tela, 60 x 72 cm

 

 

waldomiro-santanna-1952menino-na-bicicletaoleo-sobre-placa40-x-50-cmMenino na bicicleta

Waldomiro Sant’Anna (Brasil, 1952)

óleo sobre placa, 40 x 50 cm

 

darcy-penteado-menino-brincando-ost-dat-1973-med-50-x-40-cmMenino brincando, 1973

Darcy Penteado (Brasil, 1926-1987)

óleo sobre tela, 50 x 40 cm

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