Não te rendas, poema de Mario Benedetti

6 04 2020

 

 

arne westerman (EUA, 1927-2017)Leitura no sofá

Arne Westerman (EUA, 1927 – 2017)

 

 

Não te rendas

 

Mário Benedetti

 

Não te rendas, ainda estás a tempo

de alcançar e começar de novo,

aceitar as tuas sombras

enterrar os teus medos,

largar o lastro,

retomar o voo.

 

Não te rendas que a vida é isso,

continuar a viagem,

perseguir os teus sonhos,

destravar os tempos,

arrumar os escombros,

e destapar o céu.

 

Não te rendas, por favor, não cedas,

ainda que o frio queime,

ainda que o medo morda,

ainda que o sol se esconda,

e se cale o vento:

ainda há fogo na tua alma

ainda existe vida nos teus sonhos.

 

Porque a vida é tua, e teu é também o desejo,

porque o quiseste e eu te amo,

porque existe o vinho e o amor,

porque não existem feridas que o tempo não cure.

 

Abrir as portas,

tirar os ferrolhos,

abandonar as muralhas que te protegeram,

viver a vida e aceitar o desafio,

recuperar o riso,

ensaiar um canto,

baixar a guarda e estender as mãos,

abrir as asas

e tentar de novo

celebrar a vida e relançar-se no infinito.

 

Não te rendas, por favor, não cedas:

mesmo que o frio queime,

mesmo que o medo morda,

mesmo que o sol se ponha e se cale o vento,

ainda há fogo na tua alma,

ainda existe vida nos teus sonhos.

Porque cada dia é um novo início,

porque esta é a hora e o melhor momento.

Porque não estás só, por eu te amo.





Hoje é dia de feira: frutas e legumes frescos!

22 02 2017

 

 

 

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Natureza morta com mangas

Júlio Eduardo Morando (Uruguai/Brasil, 1945)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Diego Alfonso Más

28 08 2014

 

 

Diego Alfonso MasO ginete polonês, 2005

Diego Alfonso Más (Uruguai,1974)

óleo sobre tela,  130 x 73 cm

www.diegoalfonsomas.com





Patrimônio Cultural da Humanidade: Colônia del Sacramento

14 08 2014

 

 

In Uruguay - Colonia del Sacramento

 

Uruguai:

Bairro histórico da cidade de  Colônia do Sacramento

 

Colônia del Sacramento foi fundada por portugueses em 1680, que aproveitaram a posição estratégica do local para montar um ponto de defesa na margem norte do Rio da Prata, de frente para Buenos Aires. Este é o único exemplo de planejamento urbano que não segue as regras espanholas de ruas paralelas e cruzadas, impostas pelas “Leis das Índias”. Ao invés disso a cidade tem ruas que seguem a topografia do terreno, ainda que dependente de sua função militar. Os prédios modestos em dimensão e aparência mostram a fusão de tradições portuguesas e espanholas nos métodos de construção.

 





No cinema, um romance epistolar indiano que encanta: “The Lunchbox”

27 03 2014

Christine Comyn -- contemplaçãoContemplação

Christine Comyn (Bélgica, 1957)

Aquarela sobre papel

Em 2008 quando terminei a leitura de A Trégua de Mário Benedetti sabia que havia lido um romance que me afetara profundamente. Mas não tinha imaginado que de quando em quando, me lembraria dessa obra pequenina e potente do escritor uruguaio.  Hoje, passados seis anos, sua presença ainda se faz sentir.  Sábado, quando saí do cinema depois de ver o filme indiano The Lunchbox, quase imediatamente me lembrei dos pequeninos capítulos, quase parágrafos únicos, verdadeiras pedras preciosas de sutileza, que compõem  A Trégua, fazendo do romance a joia rara que me encantou.

Há inúmeros paralelos entre o filme indiano e o romance uruguaio. Ambos são brilhantes. São sutis nas emoções que revelam. E tratam de ritos de passagem.  Em geral usamos esse termo para descrever a literatura centrada em um adolescente que por uma determinada aventura se torna adulto, como no livro de J. D. Salinger, O apanhador no campo de centeio. Mas aqui trata-se de homens adultos à beira da aposentadoria, que por motivos diversos se encontram em situações semelhantes, capazes, talvez, de reencontrar o gosto pela vida. Em ambas as obras, mesmo que por diferentes meios, a sutileza dos sentimentos é tocante.

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Em meio a pilhas de papéis nas mesas dos escritórios, vivendo em um estado quase mecânico, em total solidão, os personagens principais do livro e do filme passam pela vida quase desapercebidos, resignados, incapazes de reivindicar uma existência melhor.  Competentes, mas com suas vidas sem brilho.  E eis que por uma pequena intervenção do destino um raio de luz passa por uma porta entreaberta trazendo a possibilidade de outra vida.  Talvez.  A narrativa em ambos os casos é por meio de elipses, no texto são as entradas no diário de Martín Santomé; no filme são os recados deixados por Irrfan Khan no papel de Saajan Fernandez. Irmãos na delicadeza dos sentimentos, na sutileza da narrativa essas duas obras primas dificilmente são esquecidas.

No filme a extraordinária interpretação de Irrfan Khan, que preenche o seu papel com uma simples mudança no olhar precisa ser ressaltada. E a beleza de Nimrat Kaur, um boa atriz com certeza, não pode ser ignorada. Um belíssimo filme,  poesia em imagens.  Se tiver a oportunidade, não perca.





Imagem de leitura — Vicente Puig

9 06 2011


Jovem lendo, 1927

Vicente Puig ( Espanha, 1882- Argentina, 1965)

óleo sobre tela, 47 x 49 cm

Casa de Leilão Castells & Castells — Montevideu, 2007

Vicente Puig nasceu na Catalunha, na Espanha em 1882.  Seus primeiros estudos de  pinttura foram em Barcelona.  Mais tarde foi para a Alemanha, Munique, onde estudou por 3 anos, seguindo em direção a Roma.  Mais tarde dedicou-se à pintura am Madri e em Paris onde trabalhou no ateliê de Cormon.   Emigrou então para Montevideu no Uruguai onde permaneceu por algum tempo.  Lá foi diretor do Círculo de Belas Artes.   Depois foi para Buenos Aires, onde permaneceu por 45 anos.  Além de professor de pintura na cidade portenha, também expôs nos salões da década de 1920 quando ganhou diversos pr~emio.  Morreu em 1965, em Buenos Aires.





Português nas escolas públicas no Uruguai

22 04 2009

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A ministra uruguaia da Educação e Cultura, Maria Simón, anunciou que a partir de 2010 seu país terá o ensino do português como segundo idioma nas escolas públicas. O anúncio foi feito na 12ª Conferência Ibero-Americana de Ministros da Cultura, que se realiza esta quarta-feira em Portugal.

 

Este ano (o ensino do português) começa nos Centros de Línguas, que são locais onde as pessoas podem aprender idiomas estrangeiros de graça. No próximo ano (letivo) vamos começar nas escolas públicas“, afirmou. Além do português, os Centros de Línguas já ensinam o inglês e o francês e alguns também têm aulas de alemão e italiano.

 

Segundo a ministra, a introdução do português no currículo escolar deverá ser gradual. “Vamos começar pela fronteira, onde é mais fácil, por que existe o bilinguismo. Há casos de crianças cuja língua materna é o português. Muitos na região da fronteira falam uma espécie de dialeto, o portunhol, que vemos não como algo negativo, mas como uma possibilidade de ampliar os conhecimentos para as duas línguas”.

 

Ela acredita que em cinco anos todos os estudantes uruguaios estarão aprendendo o português e em 11 o idioma será de conhecimento generalizado. “Acho que estarão todos falando português em mais seis anos, quando terminarem o ensino fundamental. Para nós, o ensino do português é o cumprimento de uma das nossas obrigações com o Mercosul e esperamos que os outros também cumpram.”

 

Algumas escolas poderão adiantar o processo, começando antes do que está previsto. “Na nova legislação, reservamos uma verba para cada escola – por meio dos Conselhos de Participação, em que participam os pais e a comunidade – decidir o que fazer. Podem decidir fazer uma reforma no estabelecimento ou ensinar uma língua estrangeira, como o russo, no caso de uma coletividade em que grande parte da população seja de origem russa.

 

Simón considera que a ampliação do ensino de línguas vai ser uma forma de diminuir o abismo social no país. “Até agora, apenas as escolas privadas ofereciam o ensino de línguas, o que gerava uma diferença de oportunidades. Sou professora titular da Universidade de Engenharia e muitos dos livros são em inglês. Nós oferecemos um curso gratuito de inglês técnico na faculdade, optativo, mas isso não é a mesma coisa.”

 

 

Para as aulas de português, a ministra não prevê a contratação de professores brasileiros, mas a formação dos uruguaios. “Até agora temos intercâmbio com Portugal, que nos ofereceu os cursos de formação e livros“.

 

Os cursos também poderão ser dados com a ajuda de computadores – no Uruguai, cada criança que está na escola tem a partir deste ano um computador. “O professor poderá atuar como mediador. Ele pode não ter a pronúncia perfeita, mas pode ajudar a corrigir quando as crianças repetirem as palavras do programa de computador de ensino do português“.

 

 

Texto de Jair Rattner – BBC Brasil

 





Maria de Sanabria, de Diego Bracco

26 02 2009

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Um bom romance histórico sempre me fascinou, principalmente quando o autor, como o uruguaio Diego Bracco, é um professor de história e tem o cuidado de colocar as fontes, ou a documentação em capítulo à parte como é o caso no livro Maria de Sanabria [ Rio de Janeiro, Record: 2008]. A vantagem destes romances quando são escritos por um historiador é que temos a impressão de aprender mais do que se estivéssemos sentados numa sala de aula atentos às explicações dos cuidados necessários, por exemplo, com a organização de uma expedição à América do Sul no século XVI.

 

E é esta exatamente a história fascinante que nos leva a conhecer bem mais de perto Maria de Sanabria, a organizadora da chamada expedição das mulheres  que atravessou o Atlântico em 1550.  Seis anos são necessários para que o grupo expedicionário tendo  chegado a Santa Catarina, depois de uma estadia muito difícil na costa do Brasil, que durou dois anos, procure, mais ao norte, a proteção dos portugueses na província de  São Paulo e finalmente chegue a Assunção, no Paraguai, um vilarejo ainda diminuto em 1556.  Lá, Maria de Sanabria se estabelece para ficar.  Seu filho do primeiro casamento tornou-se um monge franciscano e mais tarde um “dos grandes protagonistas da vida religiosa e intelectual no Rio da Prata.”  Enquanto que seu filho do segundo casamento, Hernandarias foi três vezes governador e grande protagonista civil e militar no Rio da Prata, uma figura de grande importância na história do Paraguai, da Argentina e do Uruguai.

 

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A vantagem deste romance é que podemos adentrar a vida diária, o desenrolar das tarefas comuns da época e entender as razões e as necessidades destas pessoas, melhor ainda do que se estivéssemos lendo uma tese de mestrado, descrevendo detalhes do dia a dia das limitações e dos compromissos que estavam implícitos numa família burguesa e também o que era ou não prescrito para uma mulher em Sevilha, neste período.  

 

É de grande virtude o fato deste historiador ser um ótimo contador de histórias.  Na verdade, Diego Bracco já foi honrado com o Prêmio de Narrativa da Universidade de Sevilha e com o Prêmio Revelação da Feira do Livro do Uruguai com o seu romance anterior:  El mejor de los mundos.  Digo isto, porque apesar de detalhes interessantíssimos, a narrativa corre suavemente, cheia de aventura e imprevistos, cheia de ação e simpatia para com Maria de Sanabria, de tal forma que as 270 páginas deste livro são lidas rapidamente, como num bom livro de aventuras.  

 

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Escritor e historiador Diego Bracco.

Há no entanto grande cuidado com a verdade histórica.  A descrição por exemplo dos preparativos da saída de Sevilha podem nos dar um gostinho desta preciosa maneira de contar a história:

 

Na última terça-feira de janeiro de 1550, a catedral de Sevilha recebeu com pompa e circunstância os que se preparavam para participar da expedição.  Depois da primeira missa da manhã, todos foram em procissão até o cais, levando uma imagem abençoada de Nossa Senhora das Mercês.  Os poucos que deviam conduzir a nau rio abaixo e os muitos que se juntariam a eles em Sanlúcar de Barrameda despediram-se como quem deixa uma festa e promete se encontrar na seguinte.  Pouco tempo, poucas e precisas manobras e uma única vela foram suficientes para que a embarcação desse início à viagem.  Uma multidão de curiosos fez seu rumor pairar sobre o navio que começava a se afastar em direção à desembocadura do rio.  Atrás da esteira d’ água, como se quisessem alcançar os que se distanciavam, ouviam-se risadas prognosticando infernos e também bênçãos lançadas como beijos no ar; prantos de mães pressentindo o pior e aclamações aos heróis que voltariam distribuindo ouro. [p. 150].

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Mas além de este ser um ótimo romance, além de ser rico em detalhes de época, um outro aspecto que o faz sensacional é justamente o resgate da história desta corajosa mulher, que se rodeou de outras mulheres para ganhar um espaço na história, para fazer, sua, a aventura do século.  Gosto de ver que as gerações de hoje e de amanhã, diferentemente da minha, têm e terão exemplos de mulheres corajosas e aventureiras que existiram de verdade.  Mulheres cujos retratos podem servir de exemplo de vida para todas as meninas e jovens que ainda hoje  vêem seus sonhos de aventura desconsiderados, minados, cerceados por costumes, pela família, por limitações que não lhes pertencem.   Leiam o livro, vale a pena!





Um mestre da sutileza: Mario Benedetti

10 07 2008

 

 

Homem sentado lendo, 2004, Ivan Dario Hernandez (Venezuela, 1955)

Homem sentado lendo, 2004, Ivan Dario Hernandez (Venezuela, 1955)

Há dois dias luto com a minha inabilidade de escrever sobre este pequeno grande livro, A Trégua, do escritor uruguaio Mário Benedetti, originalmente publicado em 1960. Talvez antes dos dias de hoje eu não tivesse a maturidade para apreciar a complexa realidade emocional de Martín Santomé, protagonista da história.  Para fazer justiça a este texto triste, irônico e inigualável, e ainda por cima, tão correto psicologicamente, é preciso uma certa vivência, uma apreciação das limitações de vida que nos são impostas e simultaneamente que impomos a nos mesmos! 

 

Benedetti é um mestre da sutileza.  A leveza com que retrata a angústia pessoal, existencial de Martin Santomé é usada de maneira tão precisa quanto imagino o gesto de um cirurgião usando laser, cortando  finas camadas de pele, desvendando sentimentos só encontrados no mitocôndrias das tormentas pessoais.

 

O livro é narrado através das entradas num diário de Martin Santomé, um homem comum, da classe média, que enviuvando cedo, educa seus três filhos sem voltar a se casar.  Suas perspectivas de felicidade parecem ter-se esgotado.  Mas há uma sincera acomodação a esta realidade talvez nem tão promissora.

 

Em poucas páginas entendemos o abismo que sente em relação a seus três filhos e a difícil situação familiar que eles têm entre si.  Em poucas entradas em seu diário compreendemos a mesmice e a solidão deste empregado de uma firma de autopeças que depois de 25 anos de trabalho diário encontra-se à beira da aposentadoria, sem nenhuma perspectiva de poder mudar o seu destino.  Na verdade, este questionamento interno, existencial, parece sempre subjugado aos rituais burocráticos, à luta pela simples sobrevivência.

 

Eis que aparece Laura Avellaneda, uma jovem, da idade de seus filhos, que assim como  Martín conjuga da falta de perspectiva na vida, aparecendo mais acomodada do que seus anos de juventude nos levariam a considerar típicos.  Um relacionamento entre eles começa — a trégua — a que o título se refere, o hiato, na sua luta constante pela sobrevivência.

 

Este romance traz uma renovação na vida dele e uma esperança na dela.  A história, no entanto, é mais sobre a realidade psicológica de Martin do que sobre o romance.  E lê-lo é um prazer inesgotável. Devorei o livro.  É pequeno: 186 páginas.  Uma beleza!

Mas, a pergunta que me perseguiu foi: por que acredito que este livro não poderia ter sido escrito por um autor brasileiro?  Já quebrei a cabeça querendo respondê-la e não estou satisfeita com as minhas respostas, apesar de acreditar que a melancolia, que a aceitação de uma vida muito regrada e limitada, que o conformismo deste homem de 50 anos não são nossos.  Não pertencem ao campo psicológico da cultura brasileira, que no meu entender está ligada à fênix, a ave que renasce das cinzas.   Porém, é uma impressão apenas.

 

 

 

 





A casa de papel, de Carlos Maria Dominguez

25 06 2008

A Casa de Papel de Carlos Maria Dominguez

Acabo de ler A Casa de Papel do escritor argentino Carlos Maria Dominguez.   Lê-se numa tarde, com tempo suficiente para degustar o texto e para reler as partes mais interessantes.  É um livro pequeno, quase um conto prolongado.  Uma novela, no sentido mais tradicional da palavra, são 98 páginas. E, no entanto, é uma delícia entrar no mundo mágico de Dominguez e nos encontrarmos nesta sala de espelhos que ele criou tão cuidadosamente.

 

O livro mostra o comportamento de colecionadores de livros ou mesmo de colecionadores em geral.  Porque suas atitudes, não importa o que colecionem, (quer sejam caixinhas de fósforo, porcelana japonesa ou livros), suas paixões, suas manias e estranhezas, são todas as mesmas.   Carlos Maria Dominguez nos faz pensar nos excessos, no comportamento extremo.  Seu livro questiona onde fica aquela linha divisória, invisível, que marca a diferença entre o comportamento do louco e a maneira de ser de quem é considerado normal.    Seu foco são  livros.  Ele explora as conseqüências da paixão por livros como objetos e guardiões de idéias.  Mostra também  as armadilhas, os perigos, de comprar, armazenar e colecionar  livros.  Onde e quando parar?  Quem determina o limite?   Que limite?   E com destreza ele faz a pergunta que é o pesadelo de qualquer amante de livros:  qual deles guardar, como guardar, onde e por quanto tempo?  Depois de algum tempo o que se deve fazer com os  livros que você sabe que não irá mais ler?  

 

Na verdade, A Casa de Papel é uma grande reflexão na arte de ler, de estudar e na arte de se colecionar livros e idéias.  O texto está repleto de alusões literárias.  Diversos escritores e suas curiosas vidas são mencionados.  A referência mais central ou talvez eu deva dizer a referência mais entremeada no texto, a que mostra maior afinidade com o livro, é a história do escritor Joseph Conrad, publicada em 1917, que leva o título de Linha de Sombra.  Nesta história um marinheiro que quer deixar a vida no mar é seduzido a fazer uma última viagem na qual ele será o capitão do navio.  Ele aceita.  A viagem se transforma num pesadelo e os homens no navio ficam desesperados e à beira da loucura.  Será que colecionar pode levar a um tipo de loucura?  Onde está a linha que separa o são,  do doente quando o assunto é colecionar?

 

É impossível ler-se esta jóia de uma só vez sem perder muito de seu charme e tampouco de perder todas as possíveis reviravoltas e afinidades a outros livros que conhecemos.  Este é um texto muito compacto:  uma segunda leitura certamente enriquece a experiência.  Leia uma vez, e depois de novo.  Você não se arrependerá. Vai adorar.

 

Carlos Maria Dominguez

 

 

 

 

 

 

                  Carlos Maria Dominguez








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