Da minha mesa de trabalho

12 09 2016

 

 

dsc01444Nesta semana, crisântemos. Não resisti a esses crisântemos brancos.  Estão muito lindos e repolhudos.

 

O ponto alto da minha semana foi a visita à exposição no Centro Cultural Banco do Brasil. Um grupo não muito grande de quadros dos museus d’Orsay e  l’Orangerie na França, dos pintores pós impressionistas. Caso vocês não se lembrem  entre eles estão van Gogh, Gauguin, Seurat, e Paul Cézanne entre muitos outros.  A exposição é um espetáculo.  E pode ser vista e lida diversas vezes, pois a cada obra conseguimos fazer conexões com outras obras que conhecemos.

Tenho amigos que me disseram que não precisavam ir porque já tinham visto esses museus nas viagens à França.  Sinto muito por eles.  Pois  tenho certeza de que se surpreenderiam.

Uma coisa é ver esses quadros no museu em Paris, entre centenas de outros.  Outra é vê-los selecionados, destacados, em outro ambiente. De repente, as coisas mudam de proporção.  Nossa memória é colocada em cheque.  “Este quadro era mesmo tão grande assim?”  “O amarelo dessas flores era tão claro?”. Re-avaliamos. Tudo é diferente, não importa quantas vezes você tenha ido a Paris visitar museus.

Essa exposição é íntima. Chega-se bem perto dos quadros expostos. Há pouca gente na frente.  Aliás é surpreendente: cheguei no sábado às 10:40 e entrei direto, sem filas.  Por que?  Por que o carioca não está prestigiando essa exposição?  Quando você vai conseguir ver essas obras com a calma, com a aproximação que você consegue no CCBB? Se você ama arte e quer aprender sobre a arte e sobre os artistas, não perca.  É uma exposição extraordinária. Vá.

 

SERVIÇO:

O TRUNFO DA COR

O pós-impressionismo do Musée d’Orsay e do Musée e l’Orangerie

20 de julho a 17 de outubro de 2016

Quarta a segunda, 9h às 21h

CCBB – Centro Cultural do Banco do Brasil

Rua Primeiro de Março, 66. Centro, RJ

 

 

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dsc01429Slide show sobre as obras em exposição.

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No museu van Gogh, poesia de Marialzira Perestrello

18 04 2016

 

 

unnamedBoulevard de Clichy, 1887

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 46 x 55 cm

Museu van Gogh, Amsterdã

 

 

No museu van Gogh

Marialzira Perestrello

 

 

I

 

Já te conhecia tanto, poeta danado!

Num mundo de demônios

Só Théo era teu anjo.

 

Visitando esses quadros,

caminho em tua vida.

1887, 1888, Boulevard de Clichy,

essa paisagem, esse bosque tranquilo,

essa sombra, essa luz,

tu, impressionista calmo, aceito.

Onde teu mundo caótico?

 

Depois,

árvores ameaçadas,

céus em fogo em Saint Remy-Provence.

Nesse auto-retrato

braço e paleta unidos, fundidos.

Ah! Vincent!

pintavas com tua própria alma.

 

 

Em: Mãos dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 15





Matilda da Toscana, o peixe e o anel

4 04 2016

 

 

Hugo-v-cluny_heinrich-iv_mathilde-v-tuszien_cod-vat-lat-4922_1115adMatilda da Toscana, início do século XII

Iluminura do manuscrito Vita Mathildis

de autoria de Donizo.

[Aqui, Matilda no papel de interventora a favor da absolvição de Henrique IV, junto ao abade Hugo de Cluny].

 

É curioso como histórias que aprendemos há tempos às vezes retornam, assim do nada, trazidas por um fio puxado dos confins da memória, de tal modo que nem nós mesmos entendemos como viemos a nos lembrar dessa ou daquela informação.  Estou lendo o livro Bonita Avenue do autor holandês Peter Buwalda e encontrei logo no primeiro capítulo referência ao conto do peixe e do anel, que neste romance é atribuído a uma passagem (uma anedota) de Vladimir Nabokov.  Essa atribuição me deixou surpresa.  Eu a conheço como parte do folclore belga.

Todos os meus caminhos me levaram ao estudo da Bélgica e da Holanda.  Se houve um território na Europa que mais mudou de mãos através dos séculos, esse foi um deles.  Foi francês, flamengo, espanhol, holandês, alemão, católico e protestante.   Deu-nos não só as raízes do capitalismo, do mercantilismo, da classe média, da bolsa de valores, da tolerância religiosa, assim como nos deu Bosch, Bruegel, de Rubens, Rembrandt e Vermeer a Ensor, van Gogh e Mondrian, de René Magritte a Delvaux e Folon.

Pois a história do peixe e do anel também aparece na Bélgica e está ligada à fundação da Abadia de Nossa Sra. de Orval, fundada em 1132.  Matilda da Toscana ou Matilda de Canossa era uma poderosa rainha medieval que visitando as terras da região de Gaume [Florenville], quando já se encontrava viúva, perdeu o belo anel de casamento em uma fonte. Matilda ficou muito contrariada e em desespero rezou fervorosamente para que o anel fosse encontrado.  Eis que uma truta, de repente, salta da água segurando em sua boca o anel da Rainha Matilda.  Grata pela resposta aos seus pedidos a rainha então exclamou: “Este é um verdadeiro Vale de Ouro” [Val d’Or], batizando, naquele momento, a região que veio a ser conhecida como Orval. E foi lá que os monges cisterciences decidiram construir um monastério.








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