Violeta, poesia de Raquel Naveira

18 04 2017

 

 

 

manet bouquet-of-violets-1872Ramo de violetas, 1872

Edouard Manet (França, 1832 – 1883)

óleo sobre tela, 22 x 27 cm

Coleção Particular

Violeta

 

Raquel Naveira

 

 

Estou em perigo:

Uma angústia,

Um desejo de morrer,

Minhas pétalas murcham

Num roxo mortiço,

Perco o viço,

De amor tão intenso

Desfaleço.

 

Estou em perigo:

Uma felicidade,

Um deleite,

Minhas raízes sugam húmus,

Encharcam-se,

Amoleço.

 

Estou em perigo,

Nada no mundo me vale nesse transe;

Num jardim cheio de sombras

Permaneço.

 

Quando Ele me toma

Entre seus dedos de sol

E me sopra ânimo e coragem,

Fortaleço.

 

Sem encontrar apoio na terra,

Sem poder subir ao céu,

Vivo frágil,

Presa num caule suspenso.

 

 

Em: Casa e Castelo, Raquel Naveira, São Paulo, Escrituras: 2002, p.61

 

 

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Trova da quermesse

13 04 2017

 

 

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Nos leilões e nas quermesses

das festas de nossa aldeia,

apesar de minhas preces,

foste prenda em mão alheia!

 

 

(Roberto Medeiros)





O nome da gente, poesia Pedro Bandeira

12 04 2017

 

árvore de familia treecarpiÁrvore da família Donald. ©Estúdios Disney.

 

 

O nome da gente

 

Pedro Bandeira

 

Por que é que eu me chamo isso

E não me chamo aquilo?

Por que é que o jacaré

Não se chama crocodilo?

 

Eu não gosto

do meu nome,

não fui eu

quem escolheu.

Eu não sei porque se metem

com um nome que é só meu!

 

O nenê

que vai nascer

vai chamar

como o padrinho,

vai chamar

como o vovô,

mas ninguém vai perguntar

o que pensa

o coitadinho.

 

Foi meu pai quem decidiu

que o meu nome fosse aquele.

Isso só seria justo

se eu escolhesse

o nome dele.

 

Quando eu tiver um filho,

não vou pôr nome nenhum.

Quando ele for bem grande,

ele que escolha um!

 

 

Em: Cavalgando o arco-íris, Pedro Bandeira,  São Paulo, Moderna: 1984, páginas 12-13.

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Trova da ida à igreja

9 04 2017

 

Andrew Loomis, Church, Vintage, Illustrations,Igreja, ilustração de Andrew Loomis.

 

 

Ela possui tal encanto,

que quando na igreja entrou,

em vez de beijar o santo,

foi o santo que a beijou.

 

 

(José Nogueira da Costa)

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Um dia de chuva, poema de Alberto Caeiro

30 03 2017

 

 

Carmelo gentil Filho,(Brasil, 1955) São Paulo Antiga, ost, 60 x 80 cmSão Paulo antiga

Carmelo Gentil Filho (Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 60 x 80 cm

 

 

Um dia de chuva

 

Alberto Caeiro

 

Um dia de chuva

é tão belo

como um dia de sol.

Ambos existem;

cada um como é.

 

 

Em: Poemas completos de Alberto Caeiro, Mensagem, Fernando Pessoa, Lima, Peru, Los Libros Mas Pequeños del Mundo: 2011, página, 296

 

 





Trova do nosso ninho

29 03 2017

 

 

 

Andorinha8 wallpaperNinho de andorinhas.

 

 

Nosso ninho, bem tecido,

com fios de lealdade,

sempre estará protegido

contra chuva e tempestade.

 

(José Lucas de Barros)

 

 

 

 

 

 

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Trova das rosas

17 03 2017

 

 

primavera-no-jardim-vasos-plantas-joseph-b-platthouse-and-garden-1926-03Primavera no jardim, Joseph B. Platt, capa da revista House and Garden, março 1926.

 

 

Mesmo pisando em espinhos

por travessias penosas,

em todos os meus caminhos

farei plantio de rosas!

 

 

(Dodora Galinari)

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