Pitangueira, poesia de Palmira Wanderley

14 05 2015

 

TúlioMugnaini (Brasil, 1895-1975), Paisagem,ostcm, 27x 30cmColeção ParticularPaisagem

Túlio Mugnaini (Brasil, 1895-1975)

Óleo sobre tela colado em madeira, 27 x 30 cm

Coleção Particular

 

 

Pitangueira
 

Palmira Wanderley

 

 

Termina Agosto… A pitangueira flora…

A úmbela verde cobre-se de alvura;

E, antes que Setembro finde a aurora,

Enrubece a pitanga… Está madura.

 

Da flor, o fruto é de esmeralda, agora…

Num topázio, depois, se transfigura,

E, pouco a pouco, um sol de estio a cora,

Dando a cor dos rubis à canadura.

 

A pele é fina, a carne é veludosa,

Vermelha como o sangue, perfumosa

Como se humana a sua carne fosse…

 

Do fruto, às vezes, roxo como o espargo,

A polpa tem um travo doce-amargo,

— O sabor da Saudade, amargo e doce…

 

 

Em: Panorama da Poesia Norte- Rio-Grandense, Rômulo C. Wanderley, Rio de Janeiro, Edições do Val: 1965, p. 144-5.








%d blogueiros gostam disto: