Uma amiguinha, poesia infantil de Zalina Rolim

20 07 2019

 

 

 

art frahmIlustração Art Frahm

 

 

Uma amiguinha

 

Zalina Rolim

 

É inteligente e graciosa;

Mais limpa, que ela, não há:

Focinhito cor-de-rosa,

E chama-se Resedá.

Muito orgulhosa e faceira,

Não quer saber da cozinha,

E, à sesta, sob a roseira,

Dorme um sono de rainha.

Gosta do sol, ama as flores,

Corre por todo o jardim,

E tem, no dorso, em três cores,

A maciez do cetim.

Em pequenino açafate,

Todo acolchoado e felpudo,

De vivo tom escarlate

Tem o berço de veludo.

É toda mimos da sorte,

Gatinha de estimação,

Defende-a, contra o mais forte,

Das patas vivo arranhão.

Mas é boazinha e correta;

Não provoca ásperos tratos;

Somente mostra-se inquieta,

Se escuta rumor de ratos.

Então – adeus, gentileza! –

É toda instinto animal,

De um salto, atira-se à presa…

E é como as outras, tal qual.





Campestre, poesia de Zalina Rolim

28 10 2014

Aldo Bonadei - Paisagem - Óleo sobre placa - 1964 - 29 x 39 cmPaisagem, 1964

Aldo Bonadei (Brasil, 1906-1974)

óleo sobre placa, 29 x 39 cm

 

Campestre

Zalina Rolim

Longe da estrada, à beira do riacho

que molha os pés revoltos da colina,

vejo-lhe o teto enegrecido e baixo

e a cancelinha baixa e pequenina.

Da chaminé desprende-se um penacho

de fumo branco… Levemente inclina

as verdes palmas sobre o louro cacho,

do coqueiro frondoso, a aragem fina…

Faísca o sol. Do terreirinho à frente

galinhas, patos, debicando o milho,

batem as asas preguiçosamente.

Nenhum rumor de pássaros palpita,

e a roceirinha, adormecendo o filho,

canta lá dentro uma canção bonita.

Em: Criança Brasileira: quarto livro de leitura, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir:1949, pp, 73-4

 








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