O bebê chora em português, ou francês ou inglês…

6 11 2009

Bebe acordado, maud Tousey FangelIlustração, Maud Tousey Fangel (EUA, 1881-1968).

Desde seus primeiros dias de vida, os bebês choram em francês, inglês ou português, já que ao emitirem seus primeiros sons levam a marca do idioma de seus pais, afirma um estudo publicado nesta quinta-feira no site da publicação “Current Biology“.

A descoberta sugere que os bebês captam elementos do que será seu idioma materno ainda na barriga da mãe, muito antes de suas primeiras palavras.

A descoberta mais espetacular do estudo é que os recém-nascidos humanos não são só capazes de reproduzir diferentes tons quando choram, mas preferem os tipos de sons típicos do idioma que ouviram quando feto, no último trimestre de gestação“, diz Kathleen Wermke, da universidade de Wuerzburg (Alemanha) e uma das autoras do estudo.

Segundo Wermke, ao contrário do que indicam as interpretações mais conservadoras, os resultados do estudo mostram a importância do choro para o futuro desenvolvimento da linguagem.

Diferenças

A equipe de Wermke gravou e analisou o choro de 60 bebês saudáveis, 30 deles de famílias francesas e os outros 30 de famílias alemãs, entre três e cinco dias após o nascimento. A análise revelou claras diferenças com base no idioma materno.

No experimento, os bebês franceses tenderam a chorar em um tom ascendente, enquanto os alemães faziam em um tom descendente, diferenças características entre os dois idiomas, como explicou Wermke.

Mas embora se soubesse que a exposição antes do parto ao idioma materno influía na percepção dos recém-nascidos, pensava-se que seus efeitos sobre a emissão de sons davam-se de forma mais tardia.

Segundo o estudo, os recém-nascidos preferem a voz da mãe a todas as demais, percebem o conteúdo emocional das mensagens enviadas mediante a entonação, e sentem uma forte motivação de imitá-la para atraí-la e criar laços afetivos.

Fonte: Folha on line





Música da semana: Haja o que houver, Madredeus

3 11 2009





Vª Feira de livros de Porto de Galinhas começa esta semana!

2 11 2009

fliporto 2009

HOMENAGEADO
JOÃO CABRAL DE MELO NETO

 PROGRAMAÇÃO 2009 
CENTRO DE CONVENÇÕES 1 DO HOTEL ARMAÇÃO
NA INTERNET - www.fliporto.net

DIA 5 (QUINTA-FEIRA)

12:30h – Inauguração da Fliporto Digital: Exposição, Biblioteca Virtual (1) e Sala de Conferências do Centro de Convenções (2)

13h – 1ª Vídeo-conferência – BIBLIOTECA NACIONAL DE BRASÍLIA | FLIPORTO
Palestra de Antônio Campos: “O livro: reflexões no século XXI”. Apresentação e mediação de Antonio Miranda
13:30 às 14:00h – Debate. Participantes DF: Carlos Alberto Xavier (assessor especial do Ministro da Educação) e Salomão Sousa, poeta e editor das obras da Bienal Internacional de Poesia de Brasília
14:10h – 2ª Vídeo-conferência – BIBLIOTECA NACIONAL DE BRASÍLIA | FLIPORTO
Palestra de Antonio Miranda: “Literatura na Internet, uma nova ‘Utopia’?” Apresentação e mediação de Cláudia Cordeiro
14:45 às 15:10h – Debate. Participantes DF: Dra. Elmira Simeão, chefe do Departamento de Ciência da Informação e Documentação da Universidade de Brasilia e o webdesigner e programador de midia interativa Alexandre Rangel, autor do software de animação de textos Quase-Cinema
17:00h – Início da transmissão ao vivo da programação literária, no Centro de Convenções 2 do Hotel Armação
DIA 6 (SEXTA-FEIRA)
13:30h – Vídeo Conferência. “O cão sem plumas”, João Cabral de Melo Neto. Universidade de Lecce – Fliporto. José Paes de Lira lê o poema e alunos da Universidade de Lecce, mediados pela professora e tradutora Kátia de Abreu Chulata abrem debate com convidados mediados pelo escritor e tradutor Antônio Miranda.
DIA 7 (SÁBADO)
13:00h – “Mix Leitor D”, palestra de Diego Mello e Murilo Marinho (Transmissão ao vivo)
14:00h – “Edição de sites literários, investimento ou disperdício?” Participação de Antônio Miranda e intervenções dos vencedores do 3º Prêmio Internacional Poesia ao Vídeo – Lis Paim, Daniel Retamoso Palma, Simone Costa –e 2º Prêmio Literatura no Celular – César Jácome Philippini, Eduardo Sales de Souza, Edna Rubia Mendes Facundo – mediados por Cláudia Cordeiro

DIA 8 (DOMINGO)
16:00h – Solenidade de encerramento (transmissão ao vivo)
Homenagem a Antônio Campos, por Diva Pavesi e Delasnieve Daspet. (16 às 16:15h) || Entrega da premiação aos Vencedores do 5º Prêmio Maximiano Campos de Literatura (16:15 às 16:30h) || Entrega da premiação aos vencedores do 3º Prêmio Internacional Poesia ao Vídeo e do 2º Prêmio Literatura no Celular (16:30 às 17h) || Palavras de Antônio Campos
_________________
(1) A Exposição e a Biblioteca Virtual permanecerão acessíveis durante os quatro dias do evento com a assistência de personal trainers tecnológicos.
(2) A Sala de Conferências funcionará durante os quatro dias reproduzindo em TV DIGITAL toda a programação literária ao vivo, vídeos dos prêmios das versões anteriores, além de vídeos produzidos por demanda, editados pela equipe e disponibilizada no www.fliporto.net (videocast) : a) em outras áreas do evento: Fliporto Criança e Espaço Latino-américa; Tribuna Livre, Espaço Casa Latino-América b) Entrevistas





Brasil que lê: fotografia tirada em lugar público

2 11 2009

DSC07463Fim de semana longo.  Gato estudando na Rodoviária.  Rio de Janeiro.





Filhotes fofos: macaquinho Tenja

2 11 2009

macaco bebê, Tenja

 

Filhote de macaco se segura na garupa de sua mãe no zoo de Colônia, Alemanha. A espécie completou dois meses de vida e foi batizada com o nome de Tenja.





Gastronomia literária: Muriel Barbery

1 11 2009

camarão

Um camarão, 2009

Robin J.  Mitchell ( Canadá)

óleo sobre madeira,  17,5 cm x 25 cm

http://robinjmitchell.blogspot.com

 

Lavou com cuidado o arroz tailandês numa pequena peneira prateada, escorreu-o, jogou-o na panela, cobriu-o com um volume e meio de água salgada, tampou, deixou cozinhar.  Os camarões jaziam numa tigela de louça.  Sempre conversando comigo, essencialmente sobre meu artigo e meus projetos, descascou-os com uma meticulosidade concentrada.  Nem um instante acelerou a cadência, nem um instante a diminuiu. Quando o último pequeno arabesco ficou despojado de sua ganga protetora, lavou conscienciosamente as mãos, com um sabonete que cheirava a leite.  Com a mesma serena uniformidade pôs uma frigideira de ferro no fogo, despejou um fio de azeite, deixou-o aquecer, jogou uma chuva de camarões descascados.  Com jeito, a espátula de madeira os manipulava, não deixando às pequenas meias-luas escapatória, dourando-as de todos os lados, fazendo-as valsar sobre a grelha perfumada.  Depois, caril. Nem demais nem muito pouco.  Uma nuvem sensual embelezando com seu dourado exótico o cobre rosado dos crustáceos: o Oriente reinventado.  Sal, pimenta.  Com a tesoura cortou um ramo de coentro em cima da preparação.  Por último, rapidamente, o conteúdo de uma tampinha de conhaque, o fósforo; do recipiente jorrou uma longa chama rabugenta, como um chamado ou um grito que afinal se liberta, suspiro furioso que se apaga tão depressa quanto se levantou.  

Na mesa de mármore aguardavam pacientes um prato de porcelana, um copo de cristal, uma prataria fantástica e um guardanapo de linho bordado.  No prato dispôs cuidadosamente, com a colher de pau, a metade dos camarões, o arroz previamente comprimido numa minúscula tigela e desenformado como uma pequena cúpula tendo no alto uma folha de hortelã.  No copo, serviu-se generosamente de um líquido cor de trigo transparente.

“Sirvo-lhe um copo de sancerre?”

Fiz que não com a cabeça.  Sentou-se à mesa.

Fazer uma boquinha.  Era o que Jacques Desterres chamava de fazer uma boquinha.  Eu sabia que não brincava, que todo dia preparava assim uma pequena dose de paraíso, que desconhecia o requinte de seu ordinário, verdadeiro gourmet, real esteta na ausência de encenação que caracterizava seu dia a dia.  Eu o observava comer, sem tocar no prato que ele preparara diante de meus olhos, comer com o mesmo cuidado distanciado e sutil que empregara ao cozinhar, e essa refeição que não provei foi uma das melhores de minha vida.

Degustar é um ato de prazer, descrever esse prazer é um fato artístico, mas a única verdadeira obra de arte, definitivamente, é o festim do outro. O almoço de Jacques Desterres revestia-se de perfeição porque não era o meu, porque não transbordava para o antes e depois do meu cotidiano, e, unidade fechada e auto-suficiente, poderia ficar em minha memória, momento único gravado fora do tempo e do espaço, pérola de meu espírito liberado dos sentimentos de minha vida.  Como contemplamos uma peça que se reflete num espelho redondo, e que se torna um quadro, não por estar mais aberto para outra coisa, mas por sugerir todo um mundo sem outros lugares, inscrito estritamente entre as bordas do espelho e exilado da vida ao redor, a refeição do outro é encerrada no quadro de nossa contemplação e isenta da linha de fuga infinita de nossas lembranças ou de nossos projetos. Gostaria de viver aquela vida, aquela que o espelho ou o prato de Jacques me sugeriam, uma vida sem perspectivas por onde se esvai a possibilidade que ela se torne uma obra de arte, uma vida sem outrora nem amanhã, sem arredores nem horizonte: aqui e agora, é belo, é pleno, é fechado.

 

Em: A morte do gourmet, Muriel Barbery,  São Paulo, Cia das Letras: 2009, p. 59-60.  Tradução de Rosa Freire D’ Aguiar.

 





Valsa da Vassoura, Dilan Camargo, poesia infantil

31 10 2009

bruxa com gato

Valsa da vassoura

                                  Dilan Camargo

Senhora Dona Vassoura

Elegante Dama Loura

ao vê-la assim tão linda

minha tristeza se finda.

 

Vamos dançar uma valsa?

Pra poder acompanhá-la

este jovem se descalça

com medo de pisá-la.

 

Deixe enlaçar, dançarina

a sua cintura fina.

Deixe tomar , bem sensíveis

os seus braços invisíveis.

 

Ao soar a melodia

surpresa todos verão:

rodopia, rodopia

um belo par no salão.

 

– Em: Poesia fora da estante, coord. Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Porto Alegre, Editora Projeto:2007

Dilan Deibal D’ Ornellas Camargo — ( Itaqui, RS, 1948) advogado, professor, escritor, poeta, teatrólogo e letrista.

Obra:

Em mãos, poesia, 1976

Na mesma Voz,  poesia, 1981

Sopro nos Poros,  poesia, 1985

O Embrulho do Getúlio, poesia infantil, 1989

Rebanho de Pedras, poesia, 1990

O Vampiro Argemiro, poesia 

Eu pessoa, pessoa eu, poesia, 1997

Poesia e Cidade, poesia, 1997

Bamboletras, poesia, 1998

O tempo começa no coração, poesia, 1999

A Fala de Adão, poesia, 2000

Antologia do Sul – Poetas Contemporâneos do RS, poesia, 2001

A Galera Tagarela, poesia, 2003
 
Coletânea da Poesia Gaúcha do RS, poesia, 2005 
 
Balaio de Idéias, poesia,  2007 
 
BrinCRiar, poesia infantil, 2007
 
A Casa da Suplicação, teatro
 
A Oitava Praga, teatro




Filhotes fofos: um rinoceronte alemão

30 10 2009

efe, rino erfurtFoto: EFE

 

Numbi, a mamãe rinoceronte, observa com cuidado a nova cria no zoológico de Erfurt, na Alemanha. O bebê nasceu com cerca de 40 kg e apareceu para o público, hoje, ela primeira vez.





A arteira e a arte — poema infantil de Dilan Camargo

29 10 2009

maquiagem 4

Ilustração Maurício de Sousa.

 

A arteira e a arte

                                     Dilan Camargo

 

Mamãe me empresta tua bolsa

teu colar e teus sapatos

depois me passa batom

que vou tirar um retrato.

 

Deixa eu me olhar no espelho

deixa só por um instante.

Quero batom mais vermelho

quero um colar mais brilhante.

 

A sala é uma passarela

requebro e faço proeza

sou artista de novela

a rainha da beleza.

 

Será que o sonho termina

quando desço dos sapatos?

Será que baixa a cortina

quando chega o fim do ato?

 

 

Em: Poesia fora da estante, coord. Vera Aguiar, Simone Assumpção e Sissa Jacoby, Porto Alegre, Editora Projeto:2007

Dilan Deibal D’ Ornellas Camargo — ( Itaqui, RS, 1948) advogado, professor, escritor, poeta, teatrólogo e letrista.

Obra:

Em mãos, poesia, 1976

Na mesma Voz,  poesia, 1981

Sopro nos Poros,  poesia, 1985

O Embrulho do Getúlio, poesia infantil, 1989

Rebanho de Pedras, poesia, 1990

O Vampiro Argemiro, poesia 

Eu pessoa, pessoa eu, poesia, 1997

Poesia e Cidade, poesia, 1997

Bamboletras, poesia, 1998 

O tempo começa no coração, poesia, 1999

A Fala de Adão, poesia, 2000

Antologia do Sul – Poetas Contemporâneos do RS, poesia, 2001

A Galera Tagarela, poesia, 2003
 
Coletânea da Poesia Gaúcha do RS, poesia, 2005 
 
Balaio de Idéias, poesia,  2007 
 
BrinCRiar, poesia infantil, 2007
 
A Casa da Suplicação, teatro
 
A Oitava Praga, teatro




Imagem de leitura — Miháy Bodó

28 10 2009

mihaybodo9Biblioteca, s/d

Miháy Bodó ( Hungria/Espanha 1957)

óleo sobre tela

 

Miháy Bodó ( Hungria, 1957 – radicado na Catalunha) estudou na Faculdade de Belas Artes de Barcelona sob a direção de Bruno Fonseca. Licenciado em Filosofía e em Engenharia Civil ambos em Budapest.  Estudou também escultura na Faculdade de Belas Artes de Barcelona.