Imagem de leitura — Michele Righetti

26 01 2012

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Poemas do Gato Vermelho, 2006

Michele Righetti ( Itália, morando em Singapura)

acrílica sobre tela, 140 x 120 cm

www.michelerighetti.com

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Michele Righetti nasceu  num pequeno vilarejo entre Bologna e Florença, nos Apeninos.  É pintor, ilustrador e escultor.  Reside em Singapura.





Fotos: Teatro Municipal em 15/01/2012 e a mesma foto com prédios que caíram em destaque

26 01 2012

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Teatro Municipal, Rio de Janeiro,  foto do dia 15 de janeiro de 2012.

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Teatro Municipal, Rio de Janeiro, marcação de dois edifícios que cairam ontem, 25/01/2012.

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Dia 15 de janeiro estive na Cinelândia.  Estava a caminho da exposição de Vasari, na Biblioteca Nacional.  Foi o primeiro dia de sol em uma sequência de dias chuvosos e o carioca foi em peso para a praia.  A Cinelândia estava vazia.  Aproveitei para tirar uma foto do Municipal porque os dourados brilhavam muito.  Infelizmente este senhor entrou na frente da câmera para jogar o lixo fora, e o ônibus parou em frente do teatro.  Descartei a foto, mas coloquei-a no Flickr, porque assim mesmo dava para mostrar a beleza do teatro restaurado.  Hoje, regatei-a do Flickr e fiz essas mudanças com o Paint, para mostrar aos meus leitores, exatamente o local dos edifícios que caíram.  Os dois maiores só são vistos.  O terceiro prédio de 4 andares não é visto nessa foto.

O primeiro a cair foi o prédio em vermelho.  Seus escombros cairam por cima do prédio que colori de amarelo e o derrubaram.

Uma data muito triste para o Rio de Janeiro.

 





Imagem de leitura — Fulvio de Marinis

25 01 2012

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Leitura, s/d

Fulvio de Marinis (Itália, 1971)

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Fulvio de Marinis nasceu em Nápoles, na Itália em 1971.   Formou-se pela Academia de Arte de Nápoles.  Pintor de estilo clássico que de dedica à pintura de gênero e ao retrato,

 





Parabéns São Paulo, Parabéns Paulistanos, 458 anos!

25 01 2012

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Pátio do Colégio como em 1858, 1918

José Wasth Rodrigues ( Brasil, 1891-1957)

óleo sobre tela, 100 x 66 cm

Museu Paulista, SP





A corrida, conto africano, Ibo

25 01 2012

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Ilustração, autor desconhecido.

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A corrida

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Há muitos e muitos anos havia um cervo que sempre zombava dos pequenos animais silvestres, mas principalmente dos sapos. “Vocês são lentos, frágeis e pequenos,” o cervo costumava dizer, exibindo sua força e velocidade.   Um dia, um sapo o desafiou para uma corrida.  Antes da data combinada para corrida, o sapo, muito mais inteligente do que o cervo imaginava, planejou com seus amigos uma maneira de vencer o veado.  O grupo resolveu que cada um deles estaria esperando pelo cervo a intervalos regulares ao longo do traçado do caminho.  Cada sapo ficaria atento, então, para a chegada do veado nas proximidades de seu ponto.  O sapo que fez a aposta ficaria escondido próximo à linha de chegada.  O objetivo seria enganar o veado.  Quando a corrida começou, o veado pensou que assumia a liderança sem esforço, e logo chamou pelo sapo, ridicularizando o réptil, perguntando por onde ele andava. Mas para sua surpresa, o sapo respondeu “Estou aqui” de um local mais à frente, na direção oposta a que o veado imaginava encontrar o sapo. A corrida continuou e o mesmo aconteceu, mais de uma vez: o sapo aparecia sempre à sua frente.  Preocupado, o cervo acelerava e achava que conseguia assumir a liderança, mas logo adiante o sapo o alcançava de novo. Perto da linha de chegada, o cervo se cansou e acabou perdendo a corrida, sem saber que havia competido com muitas pequeninas e espertas rãs, que no final provaram que ele estava errado o tempo todo quando desdenhava de seu tamanho e lentidão.

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Tradução e adaptação: Ladyce West

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Em:  African Myths and Tales, Susan Feldmann, Nova York, Dell Publishing Company: 1963

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Essa fábula africana de origem Ibo também é encontrada no livro Histórias de Tia Nastácia, de Monteiro Lobato, com o título O veado e o sapo (página 89 dessa versão cujo link coloco aqui, em pdf).  Mas Monteiro Lobato realmente torna o texto seu:  acrescenta deliciosos detalhes e uma outra fábula como continuação, narrando a vingança do veado.





Imagem de leitura — Brenda Burke

24 01 2012

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Ilha de verão, s/d

Brenda Burke (Inglaterra, contemporânea)

gravura, tiragem 650

http://www.terigalleries.com/burke.php





Imagem de leitura — Anne Wallace

23 01 2012

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Consolation, 2005

Anne Wallace (Austrália, 1970)

óleo sobre tela, 74 x 100 cm

www.darrenknightgallery.com

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Anne Wallace nasceu em Brisbane, na Austrália em 1970.   Formou-se nas artes visuais pela Universidade de Tecnologia de Queensland, na cidade de Brisbane.  De 1994 a 1996 esteve em Londres onde completou, com distinção,  o curso de mestrado em arte na Slade School of Fine Art. Retornou ao seu país natal e desde então teve uma carreira sólida nas artes visuais, com muuitas exposições individuais e coletivas.





Brasil, um país destinado a voar: Bartolomeu de Gusmão

23 01 2012

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Bartolomeu de Gusmão, 2009

J. G. Fajardo (Brasil, 1960)

óleo sobre tela

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Antes, muito antes de Santos Dumont inventar o avião, já tínhamos uma tradição de conquista do ar.  Devemos isso ao padre e cientista brasileiro Bartolomeu de Gusmão que foi capaz de surpreender a Europa com sua máquina de voar. E só porque seu balão não foi aceito pela ignorante sociedade portuguêsa da época,  não quer dizer que não tenhamos orgulho desse nosso gênio.  Não há na história da conquista do ar quem não comece essa saga com a “Passarola” de Bartolomeu de Gusmão.  A decisão de D. João V, O Magnânimo,  de sucumbir às crendices do povo, às maledicências de uma sociedade dominada pela falta de conhecimento e pelo medo religioso ainda enraizado por uma Inquisição que cismava em permanecer viva,  nada têm a ver como a nossa memória cultural. Bartolomeu de Gusmão deve ser lembrado nas nossas escolas e universidades por sua insistência, a todo custo,  na pesquisa científica.  Se D. João V tivesse tido um pouco mais de coragem de enfrentar sua corte e os jornais, Portugal teria passado para a história mundial não só como o país das grandes descobertas marítimas, mas também o país da conquista dos ares.  Infelizmente esse título acabou sendo dado à França, quando 74 anos depois dos experimentos de Bartolomeu de Gusmão,  os irmãos Montgolfier conseguiram voar uma balão, em Annonay, em 1783.  Por isso, lembro a todos, o texto abaixo impresso para a 4ª série  das escolas primárias, em 1954, quem foi o nosso padre voador!

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Reconstituição artística da apresentação de Bartolomeu de Gusmão à corte portuguêsa.

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O Padre Voador

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Bartolomeu Lourenço de Gusmão nasceu em Santos, em 1685.  Aos quinze anos, seguiu para Coimbra a fim de iniciar seus estudos de teologia.  Terminando o curso, tornou-se padre, e logo nos primeiros anos notabilizou-se pelo seu imenso saber e pela sua grande eloquência. Dedicou-se especialmente ao cultivo das ciências físicas e naturais. Mas o que imortalizou o seu nome foi a máquina de voar de sua invenção.

Recomendado por D. Isabel, rainha de Espanha, Bartolomeu de Gusmão tornou-se capelão-fidalgo de D. João V, rei de Portugal. Interessou-se este pelos estudos e pesquisas do jovem sacerdote, principalmente pela invenção de sua máquina voadora, cuja construção foi custeada pelo tesouro real.

No dia 8 de agosto de 1709, presentes o rei, a corte e de curiosos, foi realizada a primeira experiência do aeróstato de Bartolomeu.  O aparelho que tinha a forma de uma balão, com o seu inventor à bordo, elevou-se suavemente do pátio do castelo de S. Jorge, permaneceu algum tempo no ar e, em seguida desceu no terreiro do Terreiro do paço.

Outras experiências, bem sucedidas, foram realizadas com o aparelho, para júbilo do seu inventor e despeito dos invejosos que, para ridicularizar Bartolomeu, passaram a chamá-lo de “Padre Voador” e repr4esentar o seu aparelho por uma pássaro, a que deram o nome de “Passarola”.

Seus inimigos foram mais longe.  Aproveitando-se da ignorância do povo, começaram a apregoar que o “Padre Voador” era feiticeiro com ligações com o demônio…

E tais mentiras espalharam a respeito de Bartolomeu que o próprio D. João V, seu protetor, resolveu não mais auxiliá-lo. Entre as críticas maldosas que surgiram na imprensa da época figuravam versos como estes:

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Com que engenho te atreves, brasileiro,
A voares no ar, sendo rasteiro,
Desejando ave ser, sem ser gaivota?
Melhor te fora, na região remota
Onde nasceste, estar com siso inteiro!

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Abandonado pelo rei, escarnecido pelo povo, desprezado pelos amigos, Bartolomeu de Gusmão viu-se na triste contingência de fugir para a Espanha, onde foi acolhido por seu irmão frei João de Santa Maria.

Consumido pelo desgosto e atacado de súbita enfermidade, o “Padre Voador” morreu, a 19 de novembro de 1724, no hospital de Misericórdia de Toledo.

Findou seus dias esquecido todos e na mais extrema miséria.

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Em: Terra Bandeirante, 4º ano, Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1954.





Imagem de leitura — Carl Zewy

22 01 2012

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As notícias, s/d

Carl Zewy (Áustria, 1855-1929)

óleo sobre tela, 48 x 38 cm

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Carl Zewy ou Karl Zewy nasceu na Áustria em 1855.  Estudou na Academia de Viena e expôs seus trabalhos em Vienna em 1886 e 1888.  Pintor de gênero e de paisagens.





As três fiandeiras, um conto de Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha

22 01 2012

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As três fiandeiras

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Rosália era uma rapariga muito preguiçosa, que não gostava de fiar.  Por mais que a tia Rita, sua mãe, se encolerizasse, nada podia obter dela.

Um dia a preguiça da filha exasperou-a de tal forma, que chegou a espancá-la, e Rosália pôs-se a chorar e a gritar muito alto.

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Justamente nessa ocasião passava a rainha por ali.  Ouvindo os gritos, fez parar a carruagem, e entrando na casa, perguntou à tia Rita por que razão batia na filha com tanta crueldade, que até os gritos se ouviam na rua.

Tia Rita teve vergonha de revelar o defeito de Rosália, e disse:

– “Não posso lhe tirar o fuso da mão.  Ela quer sempre fiar sem cessar, e, como sou pobre, não lhe posso dar linho que chegue.”

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A mulher respondeu:

– “Nada me agrada mais do que a roca, e o barulho da fiandeira me encanta. Dá-me tua filha.  Levá-la-ei para o palácio onde tenho linho em quantidade e assim, poderá fiar quanto quiser.”

A velha consentiu de muito boa vontade e a rainha levou Rosália.

Quando chegaram ao palácio, ela levou-a a três salas, que estavam cheias do mais belo linho, desde cima até embaixo, dizendo-lhe:

– “Fia-me todo esse linho, e quando tudo estiver terminado, far-te-ei desposar meu filho mais velho. Não te inquietes com a tua pobreza, pois o teu zelo para o trabalho ser-te-á dote suficiente.”

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A moça não disse palavra, mas interiormente estava consternada, pois ainda que trabalhasse durante trezentos anos, sem parar, desde a manhã até a noite, não acabaria com aqueles enormes montes de estopa.

Quando ficou só, pôs-se a chorar, e assim ficou três dias sem iniciar o trabalho.

No terceiro dia a soberana veio visitá-la e ficou muito admirada vendo que nada havia feito; mas a moça desculpou-se, alegando o pesar de haver deixado a mãe.

Sua majestade teve que se contentar com aquela razão, mas disse ao retirar-se:

– “Vamos, amanhã é preciso começar a trabalhar”.

Quando a moça se achou só, não sabendo o que fazer, pôs-se à janela, muito angustiada.

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Daí a pouco viu chegar três mulheres, das quais uma tinha um pé enorme, muito chato; a outra o lábio inferior tão comprido e pendente que cobria o queixo; e a terceira o dedo polegar extraordinariamente comprido e achatado.

Colocaram-se na rua, em frente à janela e perguntaram o que ela queria.

Rosália contou-lhes as suas mágoas e as três mulheres ofereceram-se para auxiliá-la, sob a seguinte proposta:

– “Se nos prometes convidar-nos para o teu casamento e nos chamar tuas primas, sem te envergonhares de nós, e nos fizeres sentar à tua mesa, vamos fiar o teu linho e em pouco tempo o trabalho estará terminado”.

– “De todo meu coração”, respondeu ela. “Podem entrar e começar já”.

Introduziu as três singulares mulheres e desembaraçou um lugar na primeira sala para as instalar.

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Elas entregaram-se à obra; a primeira fazia girar a roda; a segunda molhava o fio, a terceira torcia e apoiava-o na mesa com o polegar.

Todas as vezes que a rainha entrava, a rapariga ocultava as fiandeiras, mostrava o trabalho feito, e a soberana não podia conter a sua admiração.

Quando a primeira sala ficou terminada, passaram à segunda e depois à terceira, sendo fiado todo o linho com a maior rapidez.

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Então as três mulheres retiraram-se dizendo à moça:

– “Não te esqueças a tua promessa; pois hás de lucrar com isso”.

Quando Rosália mostrou à rainha as salas vazias e o linho fiado, fixou-se o dia das núpcias.

O príncipe ficou contentíssimo por ter uma mulher tão hábil e tão ativa, e principiou a amá-la com ardor.

– “Tenho três primas”, disse ela, “que me prestaram muitos serviços e não queria esquecê-las na minha ventura.  Permiti que as convide para assistirem ao casamento e que se sentem à nossa mesa”.

A rainha e o príncipe consentiram, pois não viam nenhum impedimento nisso.

No dia da festa as três mulheres chegaram em magníficas equipagens e a noiva lhes disse:

– “Queridas primas, sejam bem-vindas”.

– “Ah!” disse-lhe o príncipe, “as tuas parentas são horrorosas!”

Depois, dirigindo-se à que tinha o pé chato e comprido, indagou:

– “Como foi que a senhora ficou com o pé tão disforme?”

– “Foi de tanto fazer mover a roda da fiandeira”.

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À segunda:

– “Como foi que a senhora ficou com o beiço tão caído?”

– “Foi por molhar o fio no beiço”.

E à terceira:

– “E a senhora por que motivo ficou com o dedo polegar tão comprido?”

– “Foi por haver torcido muito fio”.

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O príncipe aterrorizado por tal perspectiva, declarou que não permitiria mais que a sua esposa tocasse num fuso, e assim ficou ela livre de tão odiosa ocupação.


Em:  Histórias do Arco da Velha, Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Livraria Quaresma: 1947

Ilustrações do conto, de Nadir Quinto.

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As três fiandeiras é um conto muito antigo, transmitido pela cultura oral principalmente nos países nórdicos.  Foi registrado pelos Irmãos Grimm, mas uma versão mais antiga ainda um pouquinho diferente já aparece no livro de Giambattista Basile, [ Pentamerone] — uma coleção de histórias folclóricas para crianças — em 1634, publicado postumamente por sua irmã em Nápoles.  Os Irmãos Grimm conheceram esse trabalho e o elogiaram como uma excelente coleção de histórias.  Dando uma olhadinha na rede, podemos ver que mesmo em Portugal há algumas dezenas de versões com pequeníssimas diferenças.  Há outro conto Rumpelstiltskin semelhante mas menos divulgado no Brasil.

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Viriato Padilha, pseudônio ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924)   Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança.  Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.

Obras: [lista incompleta]

Histórias do arco da velha, 1897

Os roceiros, 1899

O livro dos fantasmas








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