Como o canto do galo anuncia a manhã?

19 05 2013

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Galo, Mary Ann CaryGalo, ilustração de Mary Ann Cary.

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O canto do galo, co-co-ri-có, tão conhecido por ser cantado nas primeiras horas da manhã foi estudado pelos cientistas japoneses Tsuyoshi Shimmura e Takashi Yoshimura, da Universidade de Nagoia.  Estes cientistas determinaram que os galos cantam ao amanhecer porque seu relógio biológico reconhece as horas.  Embora a luz natural também seja uma influência, os próprios galos têm um ritmo circadiano, ou seja um relógio biológico que os faz cantar ao amanhecer.

Vários galos foram estudados sob uma luz artificial permanente.  No entanto eles sempre cantavam pouco antes do amanhecer.  Isso mostrou que eles agem influenciados por seus relógios biológicos.  Outros fatores tais como o aparecimento da luz quando o sol nasce ou o canto de outras aves, também influem, mas não são as causas do canto do galo.

Em muitos países o canto do galo é o símbolo da chegada da manhã. Mesmo assim não é raro ouvirmos o canto do galo em outras horas do dia. Portanto ainda não está claro se o canto do galo é dependente exclusivamente do relógio biológico, ou se pode ser também provocado pelo meio ambiente. O que é mostrado nesse estudo, publicado na revista Current Biology é que o canto do galo antes do sol nascer é engatilhado pelo relógio interno dessas aves.

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Em: Terra





O navio cheio de bananas, poesia de Ledo Ivo

14 05 2013

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Bananal, 2003

João Werner (Brasil, 1962)

óleo sobre tela, 60×80 cm

www.joaowerner.com.br

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O navio cheio de bananas

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Ledo Ivo

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Paisagem, maresia

azul e bananais!

No porão do navio,

o ouro dos litorais.

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Fruto de um paraíso

de mormaço, num alvo

formigueiro de sal

entre negros trapiches.

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O horizonte derrama

cal entre as bananeiras.

São roupas de operários,

cantos de lavadeiras.

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Como as bananas verdes

à luz do cabureto

logo ficam maduras

quaradas pelo sol

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de uma falsa estação,

assim este cargueiro

esplende, no terral,

seu cacheado tesouro.

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E o panorama é de ouro

E o dia sabe a sal.

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Em: Os melhores poemas de Ledo Ivo, seleção do autor, Rio de Janeiro, Global Editora: 1983, 1ª edição.





Quadrinha da Lei Áurea

13 05 2013

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Artur Timoteo da Costa,CabeçasEstudo de cabeças, d’après Pieter Paul Rubens, s/d

Arthur Timótheo da Costa (Brasil, 1882-1922)

óleo sobr tela, 30 x 36 cm

Coleção particular

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A Lei Áurea veio em tempo,

dar liberdade total.

Ao africano o contento,

ao brasileiro a moral.

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(José Carlos Gomes)





Filhotes fofos — girafinha Sandy Hope

13 05 2013

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B6D9878637FFFDFF933715BCD22B_h450_w598_m2_q90_cPvYCZWvOFoto: Adrees Latif, Reuters.

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A pequena girafa Sandy Hope aparece aqui ao lado de sua mamãe, no lugar onde mora: Jardim Zoológico de Greenwich, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos.





Quadrinha do dia das mães

7 05 2013

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vovó ensina geografia,meninas, netas, touca, livros, casa, anne anderson

Ilustração Annne Anderson.

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Dia das Mães…esse dia

já não tem o mesmo brilho.

Calou-se a voz que dizia

– Que Deus te abençoe, meu filho!

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(Hegel Pontes)





Palvras para lembrar — Abraham Lincoln

7 05 2013

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Janereading_RossettiJane Morris lendo, s/d

Dante Gabriel Rossetti (Inglaterra, 1828-1882)

desenho

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“As coisas que quero conhecer estão nos livros, meu melhor amigo é aquele que me dá um livro que eu ainda não tenha lido”.

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Abraham Lincoln





Quadrinha para ser feliz

6 05 2013

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porquinho ajuda, disney Um dos três porquinhos, ilustração Walt Disney.

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Se desejas ser feliz,

seja qual for tua crença,

pratica o bem todo dia

sem esperar recompensa.

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(Carlos Torres de Faria)





A lista de leitura recomendada para minha mãe

6 05 2013

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O charme da juventude, c. 1935. papelão, pastel, 58 x47,  E. BobovnikofF (França, )

O charme da juventude, c. 1935

E. Bobovnikoff (França, 1898-1945)

pastel sobre papelão, 58 x 47 cm

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Tive a felicidade de ser neta de um homem de visão, que exigiu que suas três filhas, nascidas no final da segunda década do século XX, fizessem curso superior.  Meu avô, um advogado nascido em Mato Grosso, mas formado no Rio de Janeiro, adotou a posição bastante liberal e visonária na época, não deixando que nenhuma de suas três filhas pensassem em casar antes do curso superior completo.  As meninas que tinham menos de 4 anos de diferença entre si, formaram-se todas em Letras. Duas em Neo-latinas, a outra em Anglo-germânicas, assim eram divididos os estudos em meados do século XX, quando se graduaram.  Formaram-se todas pelo Instituto Lafayette, aqui no Rio de Janeiro.

Esta semana, que não está sendo muito fácil para mim, emocionalmente, tenho passado em revista um saco plástico em que mamãe guardou isso ou aquilo. Papelada sem nenhum valor, exceto para ela: uma poesia de meu avô publicada; um jornalzinho de escola, onde meu pai, aos nove anos, publicou uma redação intitulada A Catástrofe, [ainda escrita com ph  -- Catastrophe] quando frequentava o curso primário; três desenhos para tapeçarias que ela havia projetado — queria ter sido uma artista plástica, mas meu avô não recomendou.  Enfim, isso e aquilo, que se não fosse a filha a salvaguardar, já teria ido para o lixo há tempos, decisão que a maioria das famílias brasileiras já teria tomado.  Mas tenho um grande  amor ao papel, e passei em revista páginas e recortes de jornal.  Por mais que estas lembranças sejam boas, trazem sempre uma nostalgia enorme.  E tenho que dar umas pausas.  Minha  mãe morreu há cinco anos e ainda é difícil de vez em quando lidar com certas coisas…  Numa retomada, eis que me deparo com uma página de um caderno de notas de mamãe, com a lista de obras para leitura.  Uma lista de leitura!  Dos tempos de faculdade de mamãe! …  Presente do céu!  Vou deixar aqui seu registro, principalmente porque há uma curiosa nota ao final.  Minha mãe se formou em 1946. A todos que se interessam por história, por historiografia da educação aqui vai:

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Lista de leitura, recomendada, pelo professor de literatuura geral e comparada Albert Guérard, da Universidade de Stanford.

Leitura dos livros mais decisivos no mundo.

1. a Bíblia

2. as obras de Rousseau

3. O Capital de Marx, com prefácio de Adam Smith

4. O Príncipe, de Machhiavelli

5. A Origem das Espécies, de Darwin

6. Novum organum, de Bacon

7. A República, e Diálogos, de Platão

8. Utopia, de Thomas More

9. Ensaios de Montaigne

10. Ensaio sobre o entendimento humano, Locke

11. Ideias sobre a História do Mundo de Hender com prefácio de Vico

12. The Principle of Population, Thomas Malthus

13. Lógica, de Hegel

14. Toda obra de Nietzsche

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NOTA: Professor Guérard ainda em dúvida quanto a obra de Kant e de Freud.

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Notinha a lápis.  “Papai, nem todas essas obras estão em português.  Mas não faz mal“.

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O quanto minha mãe leu?  Não sei. O Príncipe, certamente. Platão também.  Os ensaios de Montaigne sei que leu, tenho suas notas a respeito.  Leu mais de uma vez. No original. É possível que tenha lido a obra de Rousseau, porque sempre leu muito em francês.  E depois de casar com um cientista, é provável que tenha pelo menos passado os olhos em Darwin e Malthus.  Achei muito interessante a dúvida do Professor de Stanford sobre as obras de Kant e de Freud.  Outros tempos, outras prioridades.





Imagem de leitura — John Dawson Watson

4 05 2013

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-JOHN DAWSON WATSON (1832-1892), a jovem preceptora, 1885, aquarela e guach, 19 x 24 cm col part

Jovem preceptora, 1885

John Dawson Watson (Inglaterra, 1832-1892)

aquarela e guache, 19 x 14 cm

Coleção Particular

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John Dawson Watson nasceu em 1832. Estudou na Manchester School of Design e na Royal Academy. Estabeleceu-se  em Londres em 1860, onde  trabalhou como ilustrador e aquarelista seguindo os passos de seu cunhado e de Myles Birket Foster, um amigo também artista. Contribuiu para revistas tais  como Good Words e London Society.  Foi também o ator de uma esplêndida edição de O Peregrino para o editor George Routledge em 1861 além de contribuir com desenhos e ilustrações para a antologia English Sacred Poetry em 1862. Em 1877, uma retrospectiva de sua obra foi organizada em Manchester. Viveu em Conway em North Wales, e lá morreu em 1892.





Preconceitos e a Wikipedia

3 05 2013

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A New York Review of Books de domingo passado trouxe um artigo de James Gleick  [Wikipedia's Women Problem] sobre o sistemático desaparecimento dos nomes femininos das listas de escritores americanos, na Wikipedia.  Melhor explicando: alguém, ou mais de uma pessoa, estava editando a Wikipedia, retirando cuidadosamente  os nomes de mulheres das listas de escritores americanos em geral e passando esses mesmos nomes para uma lista específica de ‘Escritoras Americanas Mulheres’. Ou seja, as escritoras do sexo feminino não seriam encontradas na lista titulada ‘Escritores Americanos’, mas unicamente na lista ‘Escritoras Mulheres Americanas’, como se uma nota em separado, como se houvesse dois pesos e duas medidas.  Haveria então um “teto de vidro” ou uma separação de qualidade nas listas encontradas na Wikipedia? Aparentemente sim. Houve é claro uma grande reação a respeito do assunto.

Esse incidente traz ao debate  a questão se em algumas áreas ainda se faz necessária a separação das conquistas femininas daquelas feitas por homens. A discriminação contra o sexo feminino se fez por quase toda a história da humanidade. O estudo em separado das conquistas femininas foi essencial para descobrirmos valores esquecidos, para dar às mulheres exemplos dignos de serem seguidos, nas carreiras profissionais que escolhem.  A introdução da mulher educada no mercado de trabalho, característica do século XX, quando a mulher ganhou também o controle da natalidade, abriu uma enormidade de questões relacionadas à identidade e a auto-estima para mais da metade da população mundial.  Essas novas circunstâncias que trouxeram poder de controle para cada mulher sobre como gostaria de construir sua vida,  fizeram necessária uma total reconsideração da história e reavalições direcionadas exclusivamente às mulheres.

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Foi justamente por causa desses estudos femininos que pudemos descobrir pintoras como Artemisia Gentileschi e Lavínia Fontana; escritoras como Charlotte Perkins Gilman e  Kate Chopin [ é interessante lembrar que ainda no século XIX, mulheres de talento se sentiam na obrigação de se esconder sob cognomes masculinos para poderem ser publicadas, como aconteceu com George Sand ( Amandine Aurore Lucile Dupin) e George Elliot -- (Mary Ann Evans)]. Por que seria importante descobrirmos esses valores?  Porque as novas gerações,  de mulheres, essas  que tomam conta de suas próprias vidas, como qualquer outro ser humano, precisam de exemplos em que se mirar, de sentir que fazem parte de um todo, de uma comunidade, de uma continuidade.  Deixar obscuro o passado de pessoas exatamente como elas seria roubá-las de um contexto histórico universal.

Mas recentemente, quando foi anunciada a lista dos livros finalistas para o prêmio Woman Prize for Fiction [ex-Orange Prize]  a restrição, a ênfase no gênero dos escritores concorrentes, me pareceu anacrônica.  Seria ainda necessária tal segmentação na literatura?  Parecia, na minha opinião, que já estávamos alguns passos além dessa questão.  Dei uma olhadela rápida nos premiados dos últimos 25 anos  do Man Booker Prize e encontrei 9 prêmios para escritoras, sendo que desde 2000 as mulheres ganharam  4 vezes (Hilary Mantel levando o prêmio duas vezes).  O resultado é  pobre.  Sim, ainda precisamos dar estímulo às mulheres.  Porque somos mais da metade da população mundial.  Se considerarmos todos os autores finalistas para o mesmo prêmio as estatísticas mudam. Um pouco.  As mulheres ainda não chegam a ser metade dos autores finalistas. A cada ano são seis autores finalistas. De 2000 para 2012 então tivemos 72 nomeações, das quais só 24 autoras diferentes sendo que quatro delas Hilary Mantel (2), Sarah Waters (3) Ali Smith (2) e Margaret Atwood (2) foram nomeadas mais de uma vez.  Mas estamos progredindo.

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É um erro comum vermos a Wikipedia como autoridade máxima do saber, atribuir a ela a mesma correção de dados que assumimos haver numa Enciclopédia Britânica ou num Larousse.  Não é.  É diferente.  É um conquista, sem dúvida.  Se eu não acreditasse nela, não seria uma contribuinte ocasional para o seu conteúdo.  Gosto de saber que ela democratiza o conhecimento, fato importante para países como o Brasil em que a educação formal é precária mesmo nos grandes centros urbanos.  Ela democratiza porque a educação, o conhecimento, é uma barreira à ascensão social. Mas aconselho a todos que a consultem de verificar por outros meios a veracidade dos fatos lá listados, pois há erros.  Não poucos.  Alguns significantes. E há também preconceitos.

Por exemplo, a Wikipedia em português com entradas no Brasil tem um viés de esquerda na escolha de verbetes comum nos meios universitários locais.  Basta, por exemplo, vermos o verbete sobre Fidel Castro onde apesar de uma substancial página com diversas informações, em nenhum local, em absolutamente nenhum parágrafo, descreve-se o sistema de governo implantado em Cuba e não se faz referência à falta de eleições no país.  E se clicamos no link Anticastrismo, vemos pérolas tais como “Segundo os anticastristas, Castro converteu Cuba numa ditadura, onde as liberdades fundamentais são negadas (inclusive o direito de associação e expressão).“  Yoani Sánchez, a blogueira que nos visitou recentemente, cubana, moradora da ilha, educada pelo regime Castrista teria grande dificuldade em reconciliar o verbete sobre Fidel Castro com o que sabe ser a realidade de seu país;  assim como a dúvida gerada na descrição do anticastrismo da falta de liberdade de expressão em Cuba, inferindo a existência de um preconceito, essa mesma blogueira teria dificuldade em aceitar tendo tido sua liberdade posta em risco, mais de uma vez, justamente por tentar exercer esse direito.

Assim, usar as informações da Wikipedia deve ser feito com cautela.  Como no resto do mundo digital, fica o aviso: todo cuidado é pouco. Examine, procure outras fontes.








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