Qual é o valor da leitura literária?

6 02 2013

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Christophe Vacher ( França) Estudo noturnoEstudo noturno, s/d

Christophe Vacher (França, 1966)

aquarela sobre papel, 23 x 34 cm

www.vacher.com

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Uma questão antiga: qual é o valor da literatura para quem a lê?  O que ela faz?  Por que motivo devemos ler romances?  Essas perguntas voltam a ser debatidas no livro How Literature Saved My Life [Como a literatura salvou a minha vida] de David Shields, recentemente resenhado por André Alexis para o The Globe & Mail.  A pergunta central do livro de Davis Shields parece ser: o que acontece conosco quando lemos?  E a tentativa de responder a essa pergunta  uma, duas ou múltiplas vezes, produz a coletânea de pequenos ensaios esmiuçando o papel da literatura na vida do leitor.

André Alexis nota que o livro de Shields  começa com a frase: “Toda crítica é uma forma de autobiografia”, [“All criticism is a form of autobiography.”]. Concordo.  E isso me levou não só a ler o resto da resenha, como a colocar o livro de David Shields na minha lista de desejados.

Mas achei também interessante outras afirmações que aparecem no livro:

A literatura nos permite adquirir uma perspectiva sobre aspectos daquilo que é mais assustador no ser humano.

● A literatura mantem tudo — o que pensamos, queremos, sonhamos, tudo o que amedronta — no ar, em equilíbrio.

Essas questões me levaram a procurar entre minhas anotações, afirmações que ajudam a definir o papel que a literatura tem para o leitor.

Acho bastante pertinente e contemporânea a visão do professor de literatura Santi Tafarella, que no blog Prometheus Unbound, afirma que o que a literatura nos traz de importante:

● Des-familiarização e a linguagem carregada são duas das coisas que encontramos na literatura. [Defamiliarization and charged language: these are two of the things we go to literature for]. Desfamiliarização é a procura e o achado daquilo que não nos é conhecido.  Ou seja, travamos um diálogo com um mundo desconhecido. E linguagem carregada, é aquela em que cada palavra pode ter além dos valores tradicionais e convencionais, aqueles emotivos em que o contexto e as variações trazem nuances ao entendimento que nos enriquecem.

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chulovich-marina-v

Sem título

Marina V. Chulovich (Rússia, 1956)

óleo sobre tela

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Por outro lado a crença de que a literatura preserva os ideais do ser humano tais como amor, fé, liberdade parece ser generalizado e um conceito que alguns imaginam voltar até o período grego.

O autor inglês C. S. Lewis, é citado como tendo dito que,

● A literatura soma à realidade, não a descreve simplesmente.  Ela enriquece a vida cotidiana e a alimenta; e sobre esse aspecto, ela irriga os desertos em que nossas vidas se transformaram.

E se não me engano Horácio na Arte Poética, diz que:

a literatura une o útil ao agradável: deleita e instrui ao mesmo tempo.

Há muitas maneiras de se ver como e porque devemos dedicar nosso tempo à literatura. Cada um tem uma opinião, cada época vê o papel da literatura na vida do homem de uma maneira diferente.

Você tem uma opinião?  Gostaria de dizer por que a literatura é importante para você?  Que papel ela tem na sua vida?  E que papel ela tem na vida de todos?





Siri, poesia infantil de Ana Maria Machado

1 02 2013

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caranguejo 1

 

Siri

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Ana Maria Machado

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Siri
não ri
em serviço.

Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.

Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.

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Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.





Pensando o Brasil: Nélida Piñon

8 09 2012

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Dois modelos, 1914

Diego Rivera (México, 1886-1957)

óleo sobre tela

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“Há uma coisa terrível na consciência brasileira: a censura mental.”

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Nélida Piñon





Filho de Geek, geekinho é? Conselhos para educar o seu geekinho…

9 05 2012

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Zé Carioca, Rosinha, Amadeu jogam no computador, ilustração Walt Disney.

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De acordo com Frank Catalano,  autor e analista em educação digital, a geração dos primeiros Geeks chega ao momento de se reproduzir, de ter seus próprios filhos.  Os “geekinhos”, como ele chama, certamente precisarão de uma boa educação.  Pensando nisso ele fez uma lista de sete regras para educar bem essa nova geração de Geeks.  Abaixo vocês encontrarão um resumo de seus conselhos, publicados na revista Wired de fevereiro deste ano.

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1)   Deixe o seu filho errar, falhar.

Todo mundo diz isso, mas especificamente no mundo dos jogos eletrônicos não ofereça dicas. Deixe que seu filho descubra os truques de forma independente. Não compre uma placa mais rápida de vídeo, configure uma conexão de baixa latência ou desbloqueie certas portas do roteador, a menos que a criança aprenda a fazê-lo. Será uma boa preparação não apenas para o empreendedorismo em um ambiente de negócios, mas como treinamento para o suporte técnico futuro.

2)   Exponha o seu filho à arte.  

Não aos quadrinhos, mas à arte tradicional, como a que se encontra no museu de arte ou no teatro. Você ficaria surpreso de saber como mesmo as pequenas exposições à arte, numa idade jovem, têm um efeito enorme.  Mesmo que inicialmente seu filho rejeite a ideia e vá de má vontade, esperneando, reclamando, esses pequenos contatos podem permanecer como sementes dormentes por um longo tempo e podem ajudar mais tarde na gestação de uma explosão de interesses criativos que terão, como referência para um trabalho futuro, essas portas abertas na infância.

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Cientistas de Patópolis se surpreendem com o computador. Ilustração Walt Disney.

3)   Expor a criança a Star Trek. (Ou, se for preciso, a Star Wars).  

É muito mais difícil construir um futuro que você nunca tenha visto, imaginado ou lido a respeito.  As visões de outras pessoas, dos clássicos, as idéias projetadas em pensar futuros possíveis são muito importantes.   A leitura de ficção científica ajuda a internalizar o que poderia ser,  tanto do bom quanto do  ruim.

 

4)   Deixe-os descobrir a leitura por prazer.  

Todos os bons jogos digitais e de entretenimento em sua essência começam com um texto, com uma história. Então deixe seu filho ler, seja em papel ou leitura digital, deixe que ele se divirta com esses textos.  Deixe os livros de papel à mão, à sua volta, onde possam ser consultados, apanhados, explorados (também servindo de lembrete tácito do conhecimento do mundo, ou de conteúdo que vale a pena ser digitalizado).  Inicie seu filho ao hábito de visitar uma biblioteca e usá-la regularmente. Seus filhos podem não se tornar escritores, mas provavelmente vão ter um melhor vocabulário e desenvolver o gosto por palavras que são, em última análise, o coração de muitas obras expressas em formas visuais e verbais.  Se eles conseguirem manipular a linguagem que estimula a imaginação, eles poderão criar alguma coisa.

5)  Incentive-os a mexer no computador, e explorá-lo obsessivamente.

Há horas em que a computação é melhor que os brinquedos, porque, por exemplo, você não se machuca pisando em blocos digitais como no jogo Minecraft, como pode acontecer  de você machucar o pé pisando nas peças de LEGO. Independente da idade é bom construir coisas baseadas em regras e em aprendizagem de programação e lógica. É bom ser competitivo em tecnologia de engenharia matemática, mesmo que esse conhecimento não o leve a uma carreira em computação. Você deve incentivar seu filho a construir computadores e, ele adquirirá os conhecimentos técnicos básicos, aprenderá a pesquisar o que precisa ser feito, onde comprar os componentes e como montá-los. A melhor maneira de se aprender uma nova tecnologia é mergulhar nela, o que vem naturalmente às crianças, e as ajuda a desenvolver uma compreensão mais profunda do que estão fazendo.

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Tio Patinhas encontra o cérebro eletrônico, ilustração Walt Disney.

6)   Dê o seu tempo, seja um voluntário na escola de seu filho.

Você pode pensar que sabe o que está acontecendo na escola porque vai às conferências para pais e professores, observa os  boletins de seu filho e participa dos eventos para que é chamado. Mas nada supera a visão de dentro quando você dá uma ajuda durante o horário escolar, mesmo que seja apenas para umas duas horas por mês. Não só você vai entender melhor os verdadeiros interesses e desafios das crianças, mas também a melhor forma de apoiar o professor.  Você pode também oferecer a sua ajuda naquilo que você mais sabe, mais conhece: se você é um geek, participe como puder na parte de apoio tecnológico por exemplo.

7)   Promova relacionamentos reais.

Apesar de tudo a tecnologia não supera nem a biologia nem a psicologia. O calor do contato humano persiste por muito tempo após os pixels terem se apagado.  Somos animais sociais e a palavra chave não é o “social”, mas o “animal”. Os relacionamentos virtuais e o mundo virtual deve contar para seu filho sem esquecer que os relacionamentos cara a cara são ainda mais importantes.

Além do conselho de ser permanentemente paciente, de manter o equilíbrio e construir a responsabilidade pessoal para com os seus filhos, nunca pare de aprender. Caso contrário, não haverá nenhuma esperança de se manter próximo ao seu filho.





Fábula: O lobo e o cordeiro, texto de Monteiro Lobato

5 04 2012

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O lobo e o cordeiro

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Estava o cordeiro a beber num córrego, quando apareceu um lobo esfaimado , de horrendo aspecto.

– Que desaforo é esse de turvar a água que venho beber? — disse o monstro arreganhando os dentes.  Espere, que vou castigar tamanha má-criação!…

O cordeirinho, trêmulo de medo,respondeu com inocência:

– Como posso turvar a água que o senhor vai beber se ela corre do senhor para mim?

Era verdade aquilo e o lobo atrapalhou-se com a resposta.  Mas não deu  o rabo a torcer.

– Além disso — inventou ele — sei que você andou falando mal de mim o ano passado.

– Como poderia falar mal do senhor o ano passado, se nasci este ano?

Novamente confundido pela voz da inocência, o lobo insistiu:

– Se não foi você, foi seu irmão mais velho, o que dá no mesmo.

– Como poderia ser meu irmão mais velho, se sou filho único?

O lobo furioso, vendo que com razões claras não vencia o pobrezinho, veio com uma razão de lobo faminto:

– Pois se não foi seu irmão, foi seu pai ou seu avô!

E — nhoc! — sangrou-o no pescoço.

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Contra a força não há argumentos.

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Em: Fábulas, Monteiro Lobato, São Paulo, Ed. Brasiliense:1966, 20ª edição.

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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944

A Caçada da Onça, 1924

A ceia dos acusados, 1936

A Chave do Tamanho, 1942

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955

A Epopéia Americana, 1940

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924

Alice no País do Espelho, 1933

América, 1932

Aritmética da Emília, 1935

As caçadas de Pedrinho, 1933

Aventuras de Hans Staden, 1927

Caçada da Onça, 1925

Cidades Mortas, 1919

Contos Leves, 1935

Contos Pesados, 1940

Conversa entre Amigos, 1986

D. Quixote das crianças, 1936

Emília no País da Gramática, 1934

Escândalo do Petróleo, 1936

Fábulas, 1922

Fábulas de Narizinho, 1923

Ferro, 1931

Filosofia da vida, 1937

Formação da mentalidade, 1940

Geografia de Dona Benta, 1935

História da civilização, 1946

História da filosofia, 1935

História da literatura mundial, 1941

História das Invenções, 1935

História do Mundo para crianças, 1933

Histórias de Tia Nastácia, 1937

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926

Idéias de Jeca Tatu, 1919

Jeca-Tatuzinho, 1925

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921

Memórias de Emília, 1936

Mister Slang e o Brasil, 1927

Mundo da Lua, 1923

Na Antevéspera, 1933

Narizinho Arrebitado, 1923

Negrinha, 1920

Novas Reinações de Narizinho, 1933

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930

O livro da jangal, 1941

O Macaco que Se Fez Homem, 1923

O Marquês de Rabicó, 1922

O Minotauro, 1939

O pequeno César, 1935

O Picapau Amarelo, 1939

O pó de pirlimpimpim, 1931

O Poço do Visconde, 1937

O presidente negro, 1926

O Saci, 1918

Onda Verde, 1923

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944

Os grandes pensadores, 1939

Os Negros, 1924

Prefácios e Entrevistas, 1946

Problema Vital, 1918

Reforma da Natureza, 1941

Reinações de Narizinho, 1931

Serões de Dona Benta,  1937

Urupês, 1918

Viagem ao Céu, 1932

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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC.  Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC.  Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada.  Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.

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O leão e o ratinho – fábula, texto de Monteiro Lobato

12 03 2012

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Ilustração, assinatura ilegível.

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O leão e o ratinho

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Monteiro Lobato

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Ao sair do buraco viu-se um ratinho entre as patas de um leão.  Estacou, de pelos em pé, paralisado pelo terror.  O leão, porém, não lhe fez mal nenhum.

– Segue em paz, ratinho; não tenhas medo do teu rei.

Dias depois o leão caiu numa rede.  Urrou desesperadamente, debateu-se, mas quanto mais se agitava mais preso no laço ficava.

Atraído pelos urros, apareceu o ratinho.

– Amor com amor se paga – disse ele lá consigo e pôs-se a roer as cordas.  Num instante conseguiu romper uma das malhas.  E como a rede era das tais que rompida a primeira malha as outras se afrouxam, pode o leão deslindar-se e fugir.

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Mais vale paciência pequenina do que arrancos de leão.

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José Bento Monteiro Lobato, (Taubaté, SP, 1882 – 1948).  Escritor, contista; dedicou-se à literatura infantil. Foi um dos fundadores da Companhia Editora Nacional. Chamava-se José Renato Monteiro Lobato e alterou o nome posteriormente para José Bento.

Obras:

A Barca de Gleyre, 1944

A Caçada da Onça, 1924

A ceia dos acusados, 1936

A Chave do Tamanho, 1942

A Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto, 1955

A Epopéia Americana, 1940

A Menina do Narizinho Arrebitado, 1924

Alice no País do Espelho, 1933

América, 1932

Aritmética da Emília, 1935

As caçadas de Pedrinho, 1933

Aventuras de Hans Staden, 1927

Caçada da Onça, 1925

Cidades Mortas, 1919

Contos Leves, 1935

Contos Pesados, 1940

Conversa entre Amigos, 1986

D. Quixote das crianças, 1936

Emília no País da Gramática, 1934

Escândalo do Petróleo, 1936

Fábulas, 1922

Fábulas de Narizinho, 1923

Ferro, 1931

Filosofia da vida, 1937

Formação da mentalidade, 1940

Geografia de Dona Benta, 1935

História da civilização, 1946

História da filosofia, 1935

História da literatura mundial, 1941

História das Invenções, 1935

História do Mundo para crianças, 1933

Histórias de Tia Nastácia, 1937

How Henry Ford is Regarded in Brazil, 1926

Idéias de Jeca Tatu, 1919

Jeca-Tatuzinho, 1925

Lucia, ou a Menina de Narizinho Arrebitado, 1921

Memórias de Emília, 1936

Mister Slang e o Brasil, 1927

Mundo da Lua, 1923

Na Antevéspera, 1933

Narizinho Arrebitado, 1923

Negrinha, 1920

Novas Reinações de Narizinho, 1933

O Choque das Raças ou O Presidente Negro, 1926

O Garimpeiro do Rio das Garças, 1930

O livro da jangal, 1941

O Macaco que Se Fez Homem, 1923

O Marquês de Rabicó, 1922

O Minotauro, 1939

O pequeno César, 1935

O Picapau Amarelo, 1939

O pó de pirlimpimpim, 1931

O Poço do Visconde, 1937

O presidente negro, 1926

O Saci, 1918

Onda Verde, 1923

Os Doze Trabalhos de Hércules,  1944

Os grandes pensadores, 1939

Os Negros, 1924

Prefácios e Entrevistas, 1946

Problema Vital, 1918

Reforma da Natureza, 1941

Reinações de Narizinho, 1931

Serões de Dona Benta,  1937

Urupês, 1918

Viagem ao Céu, 1932

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Esta fábula de Monteiro Lobato é uma das centenas de variações feitas através dos séculos da fábulas de Esopo, escritor grego, que viveu no século VI AC.  Suas fábulas foram reunidas e atribuídas a ele, por Demétrius em 325 AC.  Desde então tornaram-se clássicos da cultura ocidental e muitos escritores como Monteiro Lobato, re-escreveram e ficaram famosos por recriarem estas histórias, o que mostra a universalidade dos textos, das emoções descritas e da moral neles exemplificada.  Entre os mais famosos escritores que recriaram as Fábulas de Esopo estão Fedro e La Fontaine.

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As três fiandeiras, um conto de Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha

22 01 2012

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As três fiandeiras

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Rosália era uma rapariga muito preguiçosa, que não gostava de fiar.  Por mais que a tia Rita, sua mãe, se encolerizasse, nada podia obter dela.

Um dia a preguiça da filha exasperou-a de tal forma, que chegou a espancá-la, e Rosália pôs-se a chorar e a gritar muito alto.

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Justamente nessa ocasião passava a rainha por ali.  Ouvindo os gritos, fez parar a carruagem, e entrando na casa, perguntou à tia Rita por que razão batia na filha com tanta crueldade, que até os gritos se ouviam na rua.

Tia Rita teve vergonha de revelar o defeito de Rosália, e disse:

– “Não posso lhe tirar o fuso da mão.  Ela quer sempre fiar sem cessar, e, como sou pobre, não lhe posso dar linho que chegue.”

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A mulher respondeu:

– “Nada me agrada mais do que a roca, e o barulho da fiandeira me encanta. Dá-me tua filha.  Levá-la-ei para o palácio onde tenho linho em quantidade e assim, poderá fiar quanto quiser.”

A velha consentiu de muito boa vontade e a rainha levou Rosália.

Quando chegaram ao palácio, ela levou-a a três salas, que estavam cheias do mais belo linho, desde cima até embaixo, dizendo-lhe:

– “Fia-me todo esse linho, e quando tudo estiver terminado, far-te-ei desposar meu filho mais velho. Não te inquietes com a tua pobreza, pois o teu zelo para o trabalho ser-te-á dote suficiente.”

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A moça não disse palavra, mas interiormente estava consternada, pois ainda que trabalhasse durante trezentos anos, sem parar, desde a manhã até a noite, não acabaria com aqueles enormes montes de estopa.

Quando ficou só, pôs-se a chorar, e assim ficou três dias sem iniciar o trabalho.

No terceiro dia a soberana veio visitá-la e ficou muito admirada vendo que nada havia feito; mas a moça desculpou-se, alegando o pesar de haver deixado a mãe.

Sua majestade teve que se contentar com aquela razão, mas disse ao retirar-se:

– “Vamos, amanhã é preciso começar a trabalhar”.

Quando a moça se achou só, não sabendo o que fazer, pôs-se à janela, muito angustiada.

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Daí a pouco viu chegar três mulheres, das quais uma tinha um pé enorme, muito chato; a outra o lábio inferior tão comprido e pendente que cobria o queixo; e a terceira o dedo polegar extraordinariamente comprido e achatado.

Colocaram-se na rua, em frente à janela e perguntaram o que ela queria.

Rosália contou-lhes as suas mágoas e as três mulheres ofereceram-se para auxiliá-la, sob a seguinte proposta:

– “Se nos prometes convidar-nos para o teu casamento e nos chamar tuas primas, sem te envergonhares de nós, e nos fizeres sentar à tua mesa, vamos fiar o teu linho e em pouco tempo o trabalho estará terminado”.

– “De todo meu coração”, respondeu ela. “Podem entrar e começar já”.

Introduziu as três singulares mulheres e desembaraçou um lugar na primeira sala para as instalar.

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Elas entregaram-se à obra; a primeira fazia girar a roda; a segunda molhava o fio, a terceira torcia e apoiava-o na mesa com o polegar.

Todas as vezes que a rainha entrava, a rapariga ocultava as fiandeiras, mostrava o trabalho feito, e a soberana não podia conter a sua admiração.

Quando a primeira sala ficou terminada, passaram à segunda e depois à terceira, sendo fiado todo o linho com a maior rapidez.

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Então as três mulheres retiraram-se dizendo à moça:

– “Não te esqueças a tua promessa; pois hás de lucrar com isso”.

Quando Rosália mostrou à rainha as salas vazias e o linho fiado, fixou-se o dia das núpcias.

O príncipe ficou contentíssimo por ter uma mulher tão hábil e tão ativa, e principiou a amá-la com ardor.

– “Tenho três primas”, disse ela, “que me prestaram muitos serviços e não queria esquecê-las na minha ventura.  Permiti que as convide para assistirem ao casamento e que se sentem à nossa mesa”.

A rainha e o príncipe consentiram, pois não viam nenhum impedimento nisso.

No dia da festa as três mulheres chegaram em magníficas equipagens e a noiva lhes disse:

– “Queridas primas, sejam bem-vindas”.

– “Ah!” disse-lhe o príncipe, “as tuas parentas são horrorosas!”

Depois, dirigindo-se à que tinha o pé chato e comprido, indagou:

– “Como foi que a senhora ficou com o pé tão disforme?”

– “Foi de tanto fazer mover a roda da fiandeira”.

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À segunda:

– “Como foi que a senhora ficou com o beiço tão caído?”

– “Foi por molhar o fio no beiço”.

E à terceira:

– “E a senhora por que motivo ficou com o dedo polegar tão comprido?”

– “Foi por haver torcido muito fio”.

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O príncipe aterrorizado por tal perspectiva, declarou que não permitiria mais que a sua esposa tocasse num fuso, e assim ficou ela livre de tão odiosa ocupação.


Em:  Histórias do Arco da Velha, Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Livraria Quaresma: 1947

Ilustrações do conto, de Nadir Quinto.

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As três fiandeiras é um conto muito antigo, transmitido pela cultura oral principalmente nos países nórdicos.  Foi registrado pelos Irmãos Grimm, mas uma versão mais antiga ainda um pouquinho diferente já aparece no livro de Giambattista Basile, [ Pentamerone] — uma coleção de histórias folclóricas para crianças — em 1634, publicado postumamente por sua irmã em Nápoles.  Os Irmãos Grimm conheceram esse trabalho e o elogiaram como uma excelente coleção de histórias.  Dando uma olhadinha na rede, podemos ver que mesmo em Portugal há algumas dezenas de versões com pequeníssimas diferenças.  Há outro conto Rumpelstiltskin semelhante mas menos divulgado no Brasil.

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Viriato Padilha, pseudônio ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924)   Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança.  Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.

Obras: [lista incompleta]

Histórias do arco da velha, 1897

Os roceiros, 1899

O livro dos fantasmas





O valor dos professores

12 01 2012

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Na sala de aula, 1888

Karen Elizabeth Tornoe (Dinamarca, 1847-2933)

óleo sobre tela, 72 x 59 cm

Coleção Particular

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O jornal americano The New York Times, na página de editoriais de hoje, tem um artigo muito interessante de Nicholas D. Kristoff, chamado The Value of Teachers [ O valor dos porfessores] sobre o valor  econômico dos professores na vida dos futuros adultos.  Traduzo livremente os primeiros parágrafos  para ponderação.  Acredito que não seja necessário elaborar a respeito.  As conseqüências dos primeiros parágrafos desse texto são lógicas, mas vale a pena seguir o pensamento do autor.

“Imagine que o seu filho acabou de entrar na 4ª série e cai numa turma com uma excelente professora.  A professora, no entanto,  decide se afastar da escola.  O que você deveria fazer?

 A resposta certa é: Entrar em Pânico!

Bem, não exatamente, mas um estudo de grande porte sobre o assunto mostra a diferença que faz um ótimo professor na vida futura de uma pessoa.   Ter um bom professor na 4ª série faz um aluno ter 1,25% mais chance de entrar para a universidade e 1,25% menos chance de engravidar na adolescência a pesquisa sugere.  Cada um desses alunos se tornará um adulto ganhando uma média de R$3.750,00 – ou mais ou menos uma renda de R$ 1.260.000,00 por uma turma média – tudo isso atribuível ao bom professor lá no passado, na 4ª série.  Isso mesmo: Um excelente professor vale centenas de milhares de dólares, por ano de estudantes, só pela renda extra que esses alunos irão ganhar no futuro.

O estudo, feito por economistas das universidades de Harvard e Columbia, concluiu que se um excelente professor está deixando a sala de aula, os pais deveriam angariar fundos, passar o chapéu, vender bolinhos, na esperança de como um grupo oferecer ao professor o equivalente a R$180.000,00 de prêmio para ficar por um ano a mais.  Claro, isso não seria possível,  – mas as suas crianças lucrariam muito mais que esta soma, no futuro de suas vidas.

Por outros lado, o efeito de um professor ruim  é  como se o aluno tivesse faltado 40%  do ano letivo.  Como não deixamos que isso aconteça, não se entende que se permita que maus professores continuem na sala de aula.  Na verdade, o estudo mostra, que os pais deveriam pagar R$180.000 para que esse mau professor se aposentasse (assumindo-se, é claro, que o substituto fosse de qualidade média) porque um professor fraco retira o potencial de crescimento do aluno.”





Só um computador por aluno, não resolve.

9 02 2011
Cliente em restaurante de Patópolis, ilustração Disney.

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Ano passado tive a mão direita enfaixada e na tipóia por 20 dias.  A todo lugar que ia, precisava de ajuda.  Por causa disso vi-me em conversas variadas com quem quer que me auxiliasse  no banco,  nos correios, no restaurante, supermercado, taxi, elevador, portão, ônibus.  O povo carioca é muito gentil e engrena um papo num minuto, sem quaisquer restrições de sexo, idade, cor, classe social.  Todos sofrem irmãmente com você e se não tiveram uma experiência igual a sua, alguém da família teve.  A solidariedade é grande e a comiseração imediata.  Foram 3 semanas de bate-papos, em que aprendi muito sobre  jovens trabalhadores, calorosos e gentis, de boa índole,  mas com pouca instrução, que passam os dias fazendo entregas de supermercados e farmácias,  limpando mesas de restaurantes, trabalhando nos caixas das quitandas.  Jovens entregues ao setor de serviços na categoria que exige o menor conhecimento técnico.   A maioria vinha de famílias modestas e não passava dos  25 anos.  Fiquei impressionada com a ingenuidade e o desconhecimento cultural deles como um grupo, uma geração, digamos.

Nas conversas vi uma geração inteira, esquecida e despreparada. Exemplos abundam.   A mocinha garconete do restaurante a quilo; o rapaz que abriu um refrigerante em lata, o entregador da farmácia.  A cada um deles expliquei sobre o desgaste dos meus tendões por uso do computador.   Invariavelmente a conversa versava sobre computadores.  Todos diziam gostar muito de computadores.  Gostam do Orkut, do MSN, que usam para zoar os amigos, trocar piadas, fotos, juras de amor e de jogos, pricipalmente ”aquele de dirigir um carro”, definitivamente o mais popular.

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Valdirene, uma das jovens trabalhando no caixa de um supermercado foi a única que me confessou querer sair daquele emprego.  Os outros não tinham idéia do que fazer mais tarde, daí a uns 5 anos, por exemplo.   Valdirene queria  fazer o  curso de auxiliar de enfermagem para poder trabalhar como acompanhante de pessoas idosas.  “Não precisa diploma”, ela se apressou a me dizer, “mas com um, a gente pode pedir um pouco mais…”   Ela também – A-DO-RA! —  computadores, vota no BBB, conversa com amigos no MSN, baixa músicas e troca  fotografias com as colegas, que tira com o telefone celeular.  Gosta das  fofocas da televisão.  Valdirene aos 23 anos já tem um filho na escola e nenhum marido.   

Histórias como essas, todos nós conhecemos.  São milhares no Rio de Janeiro e  alguns milhões no país.  Impressiona a falta de perspectiva de trabalho e de um futuro com uma vida plena.  E infelizmente com a taxa de natalidade alta, é uma realidade que se multiplica.  Como será a vida do filho de Valdirene?    Com a  crise na Tunísia e o artigo de Thomas Friedman que li  no New York Times: China, Twitter and 20-year olds vs. The Pyramids, publicado no sábado, o assunto voltou a me preocupar.  Essa combinação de sub-emprego e de desconhecimento me lembra da necessidade de termos escolas- relevantes.  Ou seja,  uma escola que prepare o jovem para uma profissão que lhe dê interesse na vida, um interesse intelectual mínimo.  Além é claro de um sustento.   Caixa de super-mercado, entregador de compras não são profissões, são castas.   

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Zé Carioca ri dos empregos oferecidos no jornal.  Ilustração Disney.

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Thomas Friedman tem nos avisado há tempos das diferenças do mundo de hoje para o do século passado.   Seu livro O Mundo é Plano: uma breve história do século XXI já deveria há muito tempo ter  alarmado  e alertado a todos nós para os problemas que as falhas do nosso sistema de educação, aqui no Brasil,  trariam se não tomássemos decisões radicais,  imediatamente.   Mas alguns anos se passaram, quem leu o livro se assustou, comentou, mas nada fez.  E tudo acabou diluído,  como se a realidade ali descrita só afetasse aos outros, que o Brasil, terra abençoada, estava seguro.  Não é o caso.  Agora, Friedman nos lembra, nessa excelente coluna de sábado, que é justamente a frustração de jovens aos 20 anos, desempregados ou sem futuro, que está fazendo governo após governo do Norte da África,  do Egito ao Oriente Médio tremer.  E cair.  Não há e não haverá mais, no futuro próximo, lugar para ditadores que determinem o que as pessoas possam ou não saber.  Não há mais lugar para o plantio e o cultivo da ignorância.   E há de haver uma maneira de se pensar empregos decentes.

Uma combinação de fatores intrigantes e combinados levam às revoluções que presenciamos: a maneira de nos comunicarmos está cada vez mais rápida e mais fácil; a falta de perspectiva de uma vida com emprego para os formados e os não formados; o custo dos alimentos e outros produtos essenciais que tendem a subir a medida que a China  e a Índia crescem e precisam de mais e mais grãos, açúcar, minério de ferro, petróleo e todos os outros ingredientes necessários ao bem estar de 1.324.655.000 de chineses e  na  Índia 1.147.995.898, pessoas. 

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Dona Marocas dá uma prova no primeiro dia de aula de Chico Bento, ilustração Maurício de Sousa.

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Nesse meio tempo, no Brasil, debatemos o que fazer sobre a educação.  Com exemplos vergonhosos na admnistração do MEC, — o caso do ENEM é só a cereja do bolo —  que demonstram não só o contínuo descaso com o cidadão mas a ineptitude das  admnistrações que vêm e que vão, vemos que tudo não passa de blá, blá, blá.  Se pensarmos no que um ano — só 2010 — de noticário nos indica, a realidade é cruel demais para palavras: diplomas comprados a escolas inexistentes, falta de manutenção nas escolas, que têm goteiras nos dias de chuva e temperaturas de 40ºC dentro da sala de aula;  computadores fechados à chave  nas escolas por falta de quem saiba usá-los;  escolas sem bibliotecas, sem laboratórios,  sem água, sem giz, sem papel-higiênico;   drogas e  armas; violência de alunos contra profesores e vice-versa;  greves e mais greves de professores, de alunos.   Não dá para se imaginar, nem por devaneio, que haja interesse de qualquer governo em melhorar a educação no país.

Mas parece que achamos uma solução universal para os nossos problemas.  A nossa solução para as futuras gerações é um computador para cada aluno como planeja o governo federal.  Maravilhoso!  Não sou contra a democratização da computação.  Muito pelo contrário.  Mas se não conseguirmos ensinar a pensar, o aluno não ganhará nada além de mais uma “maquininha de relacionamentos” que facilita a troca de recados amorosos ou  picantes, “a espiadinha” num programa de televisão,  na vida do vizinho, os encontros da torcida de futebol.    O computador, todos nós sabemos, não resolverá nada, se os alunos  não souberem fazer as perguntas necessárias, se não souberem consultar a imensa quantidade de informações a que podem ter acesso. 

Meu problema com a solução do computador por aluno é a falsa sensação de que se está resolvendo o caos da educação.  Conheço professores que não conseguem ainda assimilar bem o uso do computador para seu próprio benefício.   O que acontecerá quando esses professores tiverem que incluir em suas aulas os computadores do governo?  Além disso, quem fará a manutenção desses computadores? 

O computador é uma excelente FERRAMENTA de ensino, mas sozinho com o aluno, o que irá trazer para o dia a dia é a fofoca da classe, as fotos dos colegas na piscina, o resultado do futebol.  Não tenho nada contra seu uso como entretenimento.  Entretenimento faz parte da vida.  Mas será que os nossos computadores virão com uma programação para que se aprenda a pensar?  Espero que sim.  Pois do contrário, estaremos não só nos enganando como enganando mais uma vez  uma geração inteira de jovens que continuarão sem futuro, sub-empregados, sem motivação, gerando cada vez mais crianças para um futuro semelhante ou pior.





Carta da escritora Ruth Rocha à candidata Dilma Rousseff

28 10 2010

Faço das palavras da escritora Ruth Rocha, as minhas próprias palavras.

 

“Carta à candidata Dilma.

Meu nome foi incluído no manifesto de intelectuais em seu apoio.  Eu não a apoio.  Incluir meu nome naquele manifesto é um desaforo!  Mesmo que a apoiasse, não fui consultada. Seria um desaforo da mesma forma.  Os mais distraídos dirão que, na correria de uma campanha….“acontece”.   Acontece mas não pode acontecer.  Na verdade esse tipo de descuido revela duas coisas: falta de educação e a porção autoritária cada vez mais visível no PT.  Um grupo dominante dentro do partido que quer vencer a qualquer custo e por qualquer meio.

Acho que todos sabem do que estou falando.

O PT surgiu com o bom sonho de dar voz aos trabalhadores  mas embriagou-se com os vapores do poder.  O partido dos princípios tornou-se o partido do pragmatismo total.  Essa transformação teve um “abracadabra” na miserável história do mensalão.  Na época o máximo que saiu doa lábios desmoralizados de suas lideranças foi um débil “os outros também fazem…”.  De lá para cá foi um Deus nos acuda!

Pena. O PT ainda não entendeu o seu papel na redemocratização brasileira.  Desde a retomada da democracia no meio da década de 80 o Brasil vem melhorando; mesmo governos contestados como os de Sarney e Collor (estes, sim, apóiam a sua candidatura) trouxeram contribuições para a reconstrução nacional após o desastre da ditadura.

Com o Plano Cruzado, Sarney tentou desatar o nó de uma inflação que parecia não ter fim.  Não deu certo mas os erros do Plano Cruzado ensinaram os planos posteriores cujos erros ensinaram os formuladores do Plano Real.  

É incrível mas até Collor ajudou.  A abertura da economia brasileira, mesmo que atabalhoada, colocou na sala de visitas uma questão geralmente (mal) tratada na cozinha. 

O enigmático Itamar, vice de Collor, escreveu seu nome na história econômica ao presidir o início do Plano Real.  Foi sucedido por FHC, o presidente que preparou o país para a vida democrática.  FHC errou aqui e ali.  Mas acertou de  monte.  Implantou o Real, desmontou os escombros dos bancos estaduais falidos, criou formas de controle social como a lei de responsabilidade fiscal, socializou a oferta de escola para as crianças.  Queira o presidente Lula ou não foi com FHC que o mundo começou a perceber uma transformação no Brasil. 

E veio Lula.  Seu maior acerto contrariou a descrença da academia aos planos populistas.  Lula transformou os planos distributivistas do governo FHC no retumbante Bolsa Família.  Os resultados forma evidentes.  Apesar de seu populismo descarado, o fato é que uma camada enorme da população foi trazida a um patamar mínimo de vida.

Não me cabem considerações próprias e estudiosas em geral, jornalistas, economistas, ou cientistas políticos.  Meu discurso é outro: é a democracia que permite a transformação do país.  A dinâmica democrática favorece a mudança das prioridades.  Todos os indicadores sociais melhoraram com a democracia.  Não o Lula quem fez.  Votando, denunciando e cobrando, foi a sociedade brasileira, usando as ferramentas da democracia, quem está empurrando o país para a frente.  O PT tem a ver com isso.  O PSDB também tem assim como todos os cidadãos brasileiros.  Mas não foi o PT quem fez, nem Lula, muito menos a Dilma.  Foi a democracia, foram os presidentes desta fase da vida brasileira.  Cada um com seus méritos e deméritos.  Hoje eu penso como deva ser tratada a nossa democracia. Pensei em três pontos principais.

1)      desprezo ao culto à personalidade;

2)      promoção da rotação do poder; nossos partidos tendem ao fisiologismo. O PT então…

3)      escolher quem entenda ser a educação a maior prioridade nacional.

Por falar em educação.  Por favor, risque meu nome do seu caderno.

Meu voto não vai para Dilma.”  

 

FONTE:  Jornal O GLOBO








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