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Ilustração Elizabeth Shippen Green.
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Plantei num vaso a esperança,
reguei de amor e carinho,
em vez da flor confiança,
nasceram dores do espinho.
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(Luiz Pereira de Faro)
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Ilustração Elizabeth Shippen Green.-
Plantei num vaso a esperança,
reguei de amor e carinho,
em vez da flor confiança,
nasceram dores do espinho.
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(Luiz Pereira de Faro)
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Dia das Mães…esse dia
já não tem o mesmo brilho.
Calou-se a voz que dizia
– Que Deus te abençoe, meu filho!
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(Hegel Pontes)
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Rio pedregoso, ilustração de Hergé.-
Já repararam que o rio,
quando vai a caminhar,
é nas pedras do caminho
que mais parece cantar?
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(Albercyr Camargo)
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Mãe e filho, ilustração de Jessie Willcox Smith.-
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Ribeiro Couto
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Cantando e ninando
A mãe adormece.
Que regaço brando!
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A sombra parece
Tutu marambaia
Com uma boca enorme.
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Que regaço brando!
O menino esquece
Que tem medo e dorme.
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Mas o anjo da guarda,
Que à noite não dorme,
No quarto não tarda.
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Anjo ou capitão?
Espada na cinta,
Ginete na mão.
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Põe junto da saia
Da mãe do menino
A espada a brilhar.
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Que espada medonha!
É para matar
Tutu marambaia?
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O menino sonha.
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Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004
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Ilustração de Christina Rossetti.-
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Fazenda Torrão de Ouro, 1990
Ferenc Kiss (Hungria/Brasil, 1944)
Óleo sobre madeira, 24 x 33 cm
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Cedo, na roça, estática, à janela,
Gozo destas manhãs a graça imensa;
E o sol, que é generoso, entra por ela
A dar topázios, sem pedir licença.
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A luz se expande e a vida se revela
No cafezal e na campina extensa;
Ouço mugirem bois junto à cancela
E o gorjeio das aves que se adensa.
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No fio além do telefone, em linha
Como rosários, cantam andorinhas,
Saudando o sol na fímbria do levante.
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E pelo branco laranjal em flor
Semeia o vento o pólen fecundante
Sobre corolas sôfregas de amor…
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Em: 232 Poetas Paulistas:antologia, ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 143
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Irene Ferreira de Sousa Pinto (Brasil, SP, 1887- RJ, 1944) Nasceu em Amparo, no estado de São Paulo em 1887. Poetisa e escritora.
Obras:
Primeiros vôos, 1917
Rosa-maria, 1920
Ilustração: desconheço a autoria, 1910-20.-
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José Ildone
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Entre grades
passa
o canto
-manco.
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Em: A Lira da minha terra: poetas antigos e contemporâneos do Pará, ed. Clóvis Meira, Belém, Pará: 1993, p. 243
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José Ildone Favacho Soeiro (PA, 1942) poeta, prosador e professor de português e de literatura luso-brasileira.
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Joelhos de menina, s/d
Emily Patrick (Inglaterra, contemporânea)
gravura de pintura da artista
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Carlos Pena Filho
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Ei-la ao sol, como um claro desafio
ao tenuíssimo azul predominante.
Debruçada na areia e assim, diante
do mar, é um animal rude e bravio.
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Bem perto, há um comentário sobre estio,
mormaço e sonolência. Lá, distante,
muito vagos indícios de um navio
que ela talvez contemple nesse instante.
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Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza
por seu corpo salgado, enxuto e belo,
como se nuvem fosse, ou quase brisa.
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E desce por seus braços, e rodeia
seu brevíssimo e branco tornozelo,
onde se aquece e cresce, e se incendeia.
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Em: Melhores Poemas de Carlos Pena Filho, seleção de Edilberto Coutinho, São Paulo, Editora Global:1983, p.80
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Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro.
Obras:
O tempo da busca, 1952
Memórias do boi Serapião, 1956
A vertigem lúcida, 1958
Livro geral, 1959
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Gina Blickenstaff (EUA, contemporânea)
Pastel sobre papel
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Santos Moraes
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Na estrada sozinhos viajavam
Um homem e seu cão.
Não viam do dia as sombras
Nem da noite a escuridão.
Despreocupados da ignota origem
Das coisas e dos seres,
Sozinhos viajavam como irmãos,
Um homem e seu cão.
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Em: Tempo e Espuma, Santos Moraes, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p. 39
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Antônio dos Santos Moraes (BA1920) Premiado em 1960 pelo Instituto Nacional do Livro, categoria Romance. [ver também Antônio Santos Morais]
Obras:
A Nuvem de Fogo, poesia, 1948
Tempo e Espuma, poesia,1956.
Menino João, romance, 1959
O caçador de borboletas, romance, 1963
Os filhos do asfalto, romance, 1964
Rei Zumbi e a Terra Sangra, 1965
Dois cientistas brasileiros:Rocha Lima e Gaspar Viana, biografia, 1968
Poemas do hóspede, poesia, 1969
Heroínas do Romance brasileiro, ensaio, 1971
A última viagem, romance, 1980
Sonetos e poemas, 1995
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O vestido verde, 1949
João Fahrion ( Brasil, 1898-1970)
óleo sobre tela, 75 x 98 cm
Museu de Arte Ado Malagoli, Porto Alegre, RS
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Vicente de Carvalho
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Belas, airosas, pálidas, altivas,
Como tu mesma, outras mulheres vejo:
São rainhas, e segue-as num cortejo
Extensa multidão de almas cativas.
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Tem a alvura do mármore; lascivas
Formas; os lábios feitos para o beijo;
E indiferente e desdenhoso as vejo
Belas, airosas, pálidas, altivas…
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Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
Mesmo às que são mais puras e mais belas,
Um detalhe sutil, um quase nada:
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Falta-lhes a paixão que em mim te exalta,
E entre os encantos de que brilham, falta
O vago encanto da mulher amada.
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Em: Cancioneiro do Amor – os mais belos versos da poesia brasileira, antologia organizada por Wilson Lousada, Rio de Janeiro, José Olympio: 1952, 2ª edição.