Quadrinha da minha esperança

29 05 2013

-

-

plantas, elizabeth shippen greenIlustração Elizabeth Shippen Green.

-

Plantei num vaso a esperança,

reguei de amor e carinho,

em vez da flor confiança,

nasceram dores do espinho.

-

(Luiz Pereira de Faro)





Quadrinha do dia das mães

7 05 2013

-

-

vovó ensina geografia,meninas, netas, touca, livros, casa, anne anderson

Ilustração Annne Anderson.

-

Dia das Mães…esse dia

já não tem o mesmo brilho.

Calou-se a voz que dizia

– Que Deus te abençoe, meu filho!

-

(Hegel Pontes)





Quadrinha do rio pedregoso

23 04 2013

-

rio pedregoso, hergéRio pedregoso, ilustração de Hergé.

-

Já repararam que o rio,

quando vai a caminhar,

é nas pedras do caminho

que mais parece cantar?

-

(Albercyr Camargo)





Embalo, poesia infantil de Ribeiro Couto

16 04 2013

-

-

mãe e filho Jessie Willcox SmithMãe e filho, ilustração de Jessie Willcox Smith.

-

Embalo

-

Ribeiro Couto

-

Cantando e ninando

A mãe adormece.

Que regaço brando!

-

A sombra parece

Tutu marambaia

Com uma boca enorme.

-

Que regaço brando!

O menino esquece

Que tem medo e dorme.

-

Mas  o anjo da guarda,

Que à noite não dorme,

No quarto não tarda.

-

Anjo ou capitão?

Espada na cinta,

Ginete na mão.

-

Põe junto da saia

Da mãe do menino

A espada a brilhar.

-

Que espada medonha!

É para matar

Tutu marambaia?

-

O menino sonha.

-

-

Em: Antologia de poemas para a infância, vários autores, Rio de Janeiro, Ediouro:2004





Quadrinha das borboletas

10 04 2013

-

-

borboletas e lagarta Christina RosettiIlustração de Christina Rossetti.

-

Lá estão as borboletas…
coloridas, no infinito;
nas asas levam facetas
do meu sonho mais bonito!
-
(Giva da Rocha)




Manhãs, poesia de Irene de Sousa Pinto

5 04 2013

-

-

Ferenc Kiss, Fazenda Torrão de Oouro, 1990, osm, 24x33

Fazenda Torrão de Ouro, 1990

Ferenc Kiss  (Hungria/Brasil,  1944)

Óleo sobre madeira, 24 x 33 cm

-

Manhãs

-

Cedo, na roça, estática, à janela,

Gozo destas manhãs a graça imensa;

E o sol, que é generoso, entra por ela

A dar topázios, sem pedir licença.

-

A luz se expande e a vida se revela

No cafezal e na campina extensa;

Ouço mugirem bois junto à cancela

E o gorjeio das aves que se adensa.

-

No fio além do telefone, em linha

Como rosários, cantam andorinhas,

Saudando o sol na fímbria do levante.

-

 E pelo branco laranjal em flor

Semeia o vento o pólen fecundante

Sobre corolas sôfregas de amor…

-

-

Em: 232 Poetas Paulistas:antologia,  ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 143

-

Irene Ferreira de Sousa Pinto (Brasil, SP, 1887- RJ, 1944) Nasceu em Amparo, no estado de São Paulo em 1887.  Poetisa e escritora.

Obras:

Primeiros vôos, 1917

Rosa-maria, 1920





Gaiola, poesia de José Ildone

3 04 2013
-
-passarinho na gaiola 5Ilustração: desconheço a autoria, 1910-20.

-

Gaiola

-

José Ildone

-

-

Entre grades

passa

o canto

-manco.

-

-

Em: A Lira da minha terra: poetas antigos e contemporâneos do Pará, ed. Clóvis Meira, Belém, Pará: 1993, p. 243

-

José Ildone Favacho Soeiro (PA, 1942) poeta, prosador e professor de português e de literatura luso-brasileira.





Retrato na praia, poema de Carlos Pena Filho

31 03 2013

-

-

Emily Patrick

Joelhos de menina, s/d

Emily Patrick (Inglaterra, contemporânea)

gravura de pintura da artista

www.emilypatrick.com

-

Retrato na praia

-

Carlos Pena Filho

-

Ei-la ao sol, como um claro desafio

ao tenuíssimo azul predominante.

Debruçada na areia e assim, diante

do mar, é um animal rude e bravio.

-

Bem perto, há um comentário sobre estio,

mormaço e sonolência. Lá, distante,

muito vagos indícios de um navio

que ela talvez contemple nesse instante.

-

Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza

por seu corpo salgado, enxuto e belo,

como se nuvem fosse, ou quase brisa.

-

E desce por seus braços, e rodeia

seu brevíssimo e branco tornozelo,

onde se aquece e cresce, e se incendeia.

-

-

Em: Melhores Poemas de Carlos Pena Filho, seleção de Edilberto Coutinho, São Paulo, Editora Global:1983, p.80

-Carlos Pena Filho

-

Carlos Pena Filho ( PE 1929-PE 1960) poeta brasileiro.

Obras:

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1956

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral, 1959





O homem e seu cão, poema de Santos Moraes

29 03 2013

-

-

man-dog-woods-gina-blickenstaffHomem e cão, 2012

Gina Blickenstaff (EUA, contemporânea)

Pastel sobre papel

www.ginablickenstaff.com

-

O homem e seu cão

-

Santos Moraes

-

Na estrada sozinhos viajavam

Um homem e seu cão.

Não viam do dia as sombras

Nem da noite a escuridão.

Despreocupados da ignota origem

Das coisas e dos seres,

Sozinhos viajavam como irmãos,

Um homem e seu cão.

-

Em: Tempo e Espuma, Santos Moraes, Rio de Janeiro, Livraria São José: 1956, p. 39

-

-

Antônio dos Santos Moraes (BA1920) Premiado em 1960 pelo Instituto Nacional do Livro, categoria Romance. [ver também Antônio Santos Morais]

Obras:

 A Nuvem de Fogo, poesia, 1948

Tempo e Espuma, poesia,1956.

Menino João, romance, 1959

O caçador de borboletas, romance, 1963

Os filhos do asfalto, romance, 1964

Rei Zumbi e a Terra Sangra, 1965

Dois cientistas brasileiros:Rocha Lima e Gaspar Viana, biografia, 1968

Poemas do hóspede, poesia, 1969

Heroínas do Romance brasileiro, ensaio, 1971

A última viagem, romance, 1980

Sonetos e poemas, 1995





Velho tema, III, poema de Vicente de Carvalho

23 03 2013

-

-

João Fahrion – O vestido verde, 1949. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul ...

O vestido verde, 1949

João Fahrion ( Brasil, 1898-1970)

óleo sobre tela, 75 x 98 cm

Museu de Arte Ado Malagoli, Porto Alegre, RS

-

Velho Tema,  III

-

Vicente de Carvalho

-

Belas, airosas, pálidas, altivas,
Como tu mesma, outras mulheres vejo:
São rainhas, e segue-as num cortejo
Extensa multidão de almas cativas.
-
Tem a alvura do mármore; lascivas
Formas; os lábios feitos para o beijo;
E indiferente e desdenhoso as vejo
Belas, airosas, pálidas, altivas…
-
Por quê? Porque lhes falta a todas elas,
Mesmo às que são mais puras e mais belas,
Um detalhe sutil, um quase nada:
-
Falta-lhes a paixão que em mim te exalta,
E entre os encantos de que brilham, falta
O vago encanto da mulher amada.

-
-
Em: Cancioneiro do Amor – os mais belos versos da poesia brasileira, antologia organizada por Wilson Lousada, Rio de Janeiro, José Olympio: 1952, 2ª edição.








Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 835 outros seguidores

%d bloggers like this: