Procura-se um equilibrista, poesia de Roseana Murray

5 05 2013

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JOSÉ ANTONIO DA SILVA (1909 - 1996)A malabarista, 1993,ost, 30 x 40

A malabarista, 1993

José Antônio da Silva ( Brasil, 1909-1996)

óleo sobre tela, 30 x 40 cm

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Procura-se um equilibrista

que saiba caminhar na linha

que divide a noite do dia

que saiba carregar nas mãos

um fino pote cheio de fantasia

que saiba escalar nuvens arredias

que saiba construir ilhas de poesia

na vida simples de todo o dia.

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Em: Classificados Poéticos, Roseana Murray, Belo Horizonte, Migulim:1998 — 17ª edição.





O vizinho do lado, poesia infantil de Pedro Bandeira

26 04 2013

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bicicleta, com cachorro na cestinhaIlustração de autoria desconhecida.

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O Vizinho do lado

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Pedro Bandeira

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Não suporto o meu vizinho!

Imagine que o danado,

com a cara mais lavada,

passa pela minha frente

como se eu não fosse nada.
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Não suporto o meu vizinho!

Roda pelo bairro todo,

Sem prestar nem atenção,

e se esquece que uma vez

lhe emprestei o meu pião.

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Não suporto o meu vizinho!

É um moleque egoista,

pedalando assim a esmo,

não quer nem saber dos outros,

pois só pensa em si mesmo.

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Não suporto o meu vizinho!

Se eu pudesse, agora mesmo

me mudava da cidade,

ou melhor: mudava ele

pra bem longe, na verdade.

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Não suporto meu vizinho!

Ele tem cara de bobo,

de embrulho sem barbante,

de bocó e de pateta.

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Ah, moleque feio e tolo!

Pensa que é muito importante

só porque tem bicicleta.

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Eu só vou mudar de ideia

de uma forma bem completa,

se o danado do vizinho

me emprestar a bicicleta…

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Em: Cavalgando o arco-iris, São Paulo, Moderna: 1986.





Acalanto de John Talbot, poesia de Manuel Bandeira

7 04 2013

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mãe ninando o bebe. frederick richardson, 1975

Ilustração de Frederick Richardson, 1975.
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Acalanto de John Talbot

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Manuel Bandeira

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Dorme, meu filhinho,

Dorme sossegado.

Dorme que ao teu lado

Cantarei baixinho.

O dia não tarda…

Vai amanhecer:

Como é frio o ar!

O anjinho da guarda

Que o Senhor te deu,

Pode adormecer,

Pode descansar,

Que te guardo eu.

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Em: Que aconteceu?, Primeiro Livro, Magdala Lisboa Bacha, Rio de Janeiro, Agir: 1962





O sorveteiro, poesia infantil de Maria de Lourdes Figueiredo

15 03 2013

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sorveteiroIlustração de Maurício de Sousa.

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O sorveteiro

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Maria de Lourdes Figueiredo

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A luz atrai mariposas,

o melado, formiguinhas;

e, como a flor as abelhas,

sorvete atrai criancinhas.

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Mal se escuta, ao longe, o grito:

– É o sorvete! Vai querer?

Aparecem sem demora,

as crianças a correr.

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Quero um de creme — diz Paulo;

pede Lúcia: — Um de abacate.

– Eu, de manga! — Um de morango!

– Eu quero um de chocolate!

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Saem todos bem contentes,

com seu sorvete na mão;

menos Rosinha. Que pena!

O dela caiu no chão…

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Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1,  Rio de Janeiro, Delta: 1975





Canção da Garoa, poesia infantil de Mário Quintana

4 03 2013

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chuva, ilustração  Walter CraneIlustração Walter Crane.

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Canção da Garoa

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Mário Quintana

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Em cima do telhado

Pirulin lulin lulin,

Um anjo, todo molhado,

Soluça no seu flautim.

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O relógio vai bater:

As molas rangem sem fim.

O retrato na parede

Fica olhando para mim.

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E chove sem saber porquê

E tudo foi sempre assim!

Parece que vou sofrer:

Pirulin lulin lulin…

 





Leilão de jardim, poesia infantil de Cecília Meireles

20 02 2013

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vendido

Bolinha vende um ramo de flores para Raposo. Ilustração Marjorie Henderson Buell.

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Leilão de Jardim

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Cecília Meireles

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Quem me compra um jardim com flores?

Borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,

ovos verdes e azuis nos ninhos?

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Quem me compra este caracol?

Quem me compra um raio de sol?

Um lagarto entre o muro e a hera,

uma estátua da Primavera?

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Quem me compra este formigueiro?

E este sapo, que é jardineiro?

E a cigarra e a sua canção?

E o grilinho dentro do chão?

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(Este é o meu leilão.)

 





Chuva, poesia infantil de Luísa Ducla Soares

13 02 2013

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-chuva e gato preto B. Midderigh Bokhorst,

Ilustração alemã, sem autoria, década de 1930.

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Chuva

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Luísa Ducla Soares

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Cai a chuva, ploc, ploc
corre a chuva ploc, ploc
como um cavalo a galope.

Enche a rua, plás, plás
esconde a lua, plás, plás
e leva as folhas atrás.

Risca os vidros, truz, truz
molha os gatos, truz, truz

e até apaga a luz.

Parte as flores, plim, plim
maça a gente plim, plim
parece não ter mais fim.

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Em: A Gata Tareca e Outros Poemas Levados da Breca, Luísa Ducla Soares, Teorema: 1990





Os caquis, poema de Sônia Carneiro Leão

9 02 2013

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Jean Xanthakos, Caquis e uvas, osm, 9x12

Caquis e uvas, s/d

Jean Xanthakos (Brasil, 1936 (?))

óleo sobre madeira

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Os caquis

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Ah! Os caquis,

esses tomates inflados.

Os caquis,

esses pneus assanhados,

risonhos, safados,

que nos convidam a morder

sua carne aguada, açucarada.

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Os caquis,

vítimas da nossa voracidade.

Os caquis,

que se abrem à primeira dentada,

docemente, docilmente,

feito fêmea dominada.

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Ah! Os caquis já vão-se embora.

Despeço-me deles agora.

Mas não faz mal,

estou satisfeita,

esperando a próxima colheita.

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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife, Editora da autora: 2010

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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife.  Psicanalista, escritora, poetisa, contista  e tradutora.





Papagaio de papel, poesia infantil de Carlos Chiacchio

4 02 2013

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David Ricci, Segurando Pipa esperando o vento, 2005, ost, 60x 40cm

Menino segurando pipa, 2005

David Ricci (Brasil, contemporâneo)

óleo sobre tela, 60 x 40 cm

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Papagaio de papel

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Carlos Chiacchio

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Certa vez, era noite de luar,

Havia vento

A valer.

Bom para empinar

Meu papagaio oblongo de espavento.

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Se havia vento, que importava a noite.

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Era só dependurar

Longo,a lanterna acesa a todo o açoite

Do vento, e soltar

Meu papagaio oblongo, num momento.

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Dito e feito.

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Mas, ao peso da lanterna, não subia

O invento,

Senão a curtos vôos, de jeito

Que toda gente via

Com certo espanto aquela luz ao vento:

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“Vai destelhar as casa  com tamanho arrojo…

“Vai pegar fogo em tudo, e o sobressalto

“E o incêndio semear daquele bojo….”

Era, esse, o tom geral da gritaria.

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Mas de repente,

Meu lindo papagaio

Brilha, de súbito, como um raio,

A bailar ziguezagueando pela altura,

Muito acima do clamor de toda a gente,

Meu alado sonho de papel luzente,

Alto, a voar, muito alto…

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Até perder de rumo…

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Até a chama apagar…

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Até tornar-se em fumo…

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Em: Encantos literários: antologia, Deomira Stefani, São Paulo, Ática:s/d

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carlos-chiacchio1

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Carlos Chiacchio ( Januária, MG 1884 – Salvador, BA, 1947)  jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia, foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929).  Estudou no colégio Spencer em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina.

Obras:

A Dor, 1910

A Margem de uma polêmica, 1914

Biocrítica, 1941

Canto de marcha, 1942

Cronologia de Rui, 1949

Euclides da Cunha, 1940

Infância, poesia, 1938

Modernistas e Ultramodernistas, 1951

Os grifos, 1923

Paginário de Roberto Correia, 1945

Presciliano Silva, 1927

Primavera, 1910, 1941





Siri, poesia infantil de Ana Maria Machado

1 02 2013

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caranguejo 1

 

Siri

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Ana Maria Machado

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Siri
não ri
em serviço.

Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.

Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.

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Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.








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