-
-

Menino segurando pipa, 2005
David Ricci (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 60 x 40 cm
-
Papagaio de papel
-
Carlos Chiacchio
-
Certa vez, era noite de luar,
Havia vento
A valer.
Bom para empinar
Meu papagaio oblongo de espavento.
-
Se havia vento, que importava a noite.
-
Era só dependurar
Longo,a lanterna acesa a todo o açoite
Do vento, e soltar
Meu papagaio oblongo, num momento.
-
Dito e feito.
-
Mas, ao peso da lanterna, não subia
O invento,
Senão a curtos vôos, de jeito
Que toda gente via
Com certo espanto aquela luz ao vento:
-
“Vai destelhar as casa com tamanho arrojo…
“Vai pegar fogo em tudo, e o sobressalto
“E o incêndio semear daquele bojo….”
Era, esse, o tom geral da gritaria.
-
Mas de repente,
Meu lindo papagaio
Brilha, de súbito, como um raio,
A bailar ziguezagueando pela altura,
Muito acima do clamor de toda a gente,
Meu alado sonho de papel luzente,
Alto, a voar, muito alto…
-
Até perder de rumo…
-
Até a chama apagar…
-
Até tornar-se em fumo…
-
-
Em: Encantos literários: antologia, Deomira Stefani, São Paulo, Ática:s/d
-

-
Carlos Chiacchio ( Januária, MG 1884 – Salvador, BA, 1947) jornalista, orador, poeta, cronista, crítico literário, membro do IGH-BA, Academia de Letras da Bahia, foi o chefe e animador do grupo modernista na Bahia, em 1928, em torno da revista Arco & Flecha (1928-1929). Estudou no colégio Spencer em Salvador, cidade onde mais tarde também se formou em medicina.
Obras:
A Dor, 1910
A Margem de uma polêmica, 1914
Biocrítica, 1941
Canto de marcha, 1942
Cronologia de Rui, 1949
Euclides da Cunha, 1940
Infância, poesia, 1938
Modernistas e Ultramodernistas, 1951
Os grifos, 1923
Paginário de Roberto Correia, 1945
Presciliano Silva, 1927
Primavera, 1910, 1941
Curtir isso:
Curtir Carregando...