Os sapatinhos, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

22 04 2014

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sapateiroIlustração de livro escolar britânico da década de 1950. Veja.

 

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Os sapatinhos

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Walter Nieble de Freitas

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Sapateiro, bate sola,

Bate sola, sem parar,

Faze já os sapatinhos

Para o “seu” doutor calçar.

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Bate sola, martelinho,

Vamos, pois, bem trabalhar:

São três horas e às quatro

“Seu” doutor vai-se casar.

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Bate sola, martelinho,

Bate sola sem cessar:

“Seu” doutor é a pessoa

Mais ilustre do lugar!

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Quando à noite “seu” doutor

Com a noiva for dançar:

– Que lindíssimos sapatos!

Toda gente vai falar.

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Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 45-46ç

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NB: Agradeço ao blog Tú Lisa, yo Conda, a referência à ilustração usada nesta postagem.

 





A estrela polar — poesia de Vinícius de Moraes

14 12 2013

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noite, ceu, estrelas,Nicolas Gouny - cueillir des étoilesIlustração de Nicolas Gouny.

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A estrela polar

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Vinicius de Moraes

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Eu vi a estrela polar

Chorando em cima do mar

Eu vi a estrela polar

Nas costas de Portugal!

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Desde então não seja Vênus

A mais pura das estrelas

A estrela polar não brilha

Se humilha no firmamento

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Parece uma criancinha

Enjeitada pelo frio

Estrelinha franciscana

Teresinha, mariana

Perdida no Polo Norte

De toda a tristeza humana.

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Em: Poemas para a Infância – antologia escolar – de Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Edições de Ouro, s.d., p.18.





Bairro, poesia de Domingos Pellegrini

6 11 2013

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Casas, s/d

Maria Ávila ( Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 55 x 46 cm

www.mariaavila.com

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Bairro

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Domingos Pellegrini

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Os cheiros que te assaltam suavemente

floradas de quintais e de jardins

de murta na calçada ou alecrim

ou santa-bárbara a chover sementes

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A fragância envolvente  do jasmim

esse cheiro de chuva já no vento

e nos escuros entre vaga-lumes

o perfume moleque dos capins

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Um fedor de lixeira de repente

aqui carroças com cheiro de estrume

ali cheiro de graxa e de trabalho

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E duma casa pobre mas decente

aquele cheiro que o bairro resume

bife fritando com cebola e alho

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Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





O elefantinho, poesia infantil de Vinícius de Moraes

14 10 2013

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elefante na janelaDesconheço a autoria dessa ilustração.  Se você conhece o autor, me diga. Obrigada.

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O elefantinho

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Vinicius de Moraes

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Onde vais, elefantinho

Correndo pelo caminho

Assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho

Espetaste o pé no espinho

Que sentes, pobre coitado?

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- Estou com um medo danado

Encontrei um passarinho!

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Em: A arca de Noé:poemas infantis, Vinícius de Moraes, Companhia das Letrinhas, São Paulo:1991





Na ribeira deste rio, poema de Fernando Pessoa

9 08 2013

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Archimedes Dutra,Pescador na beira do rio,1932,ost, 27 x 35 cmPescador na beira do rio, 1932

Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983)

óleo sobre madeira, 27 x 35 cm

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Poema

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Fernando Pessoa

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Na ribeira deste rio

ou na ribeira daquele

passam meus dias a fio.

Nada me impede, me impele,

me dá calor ou dá frio.

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Vou vendo o que o rio faz

quando o rio não faz nada.

Vejo os rastros que ele traz,

numa sequência arrastada,

do que ficou para trás.

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Vou vendo e vou meditando,

nem bem no rio que passa

mas só no que estou pensando,

porque o bem dele é que faça

eu não ver que vai passando.

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Vou na ribeira do rio

que está aqui ou ali,

e do seu curso me fio,

porque, se o vi ou não vi,

ele passa e eu confio.

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Em: Antologia poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, p. 150-151.





Siri, poesia infantil de Ana Maria Machado

1 02 2013

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caranguejo 1

 

Siri

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Ana Maria Machado

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Siri
não ri
em serviço.

Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.

Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.

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Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.





Irmão menor — poesia infantil de Pedro Bandeira

24 06 2012

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Meninos brigando, 1911, ilustração de Leyendecker para a revista americana Saturday Evening Post.

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Irmão menor

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Pedro Bandeira

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Irmão menor
É pior
que catapora
irmãozinho
é pior do que carniça,
É pior do que injeção.

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Mexe no que é meu,
rabisca meu caderno,
perde meu carrinho,
e eu fico de castigo
se lhe dou um safanão.
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É praga, é prega,
é sarampo, é varicela!
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E não venha
achar estranho,
só porque dei uma surra
no danado do moleque
que xingou o meu irmão.

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Eu posso xingar,
Os outros não.





Um gato chinês, poesia infantil de José Paulo Paes

19 06 2012

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Gato com olhos cor de mel, ilustração Ditz.

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Um gato chinês

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José Paulo Paes

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Era uma vez

Um gato chinês

Que morava em Xangai

Sem mãe e sem pai

Que sorria amarelo

Para o rio Amarelo

Com seus olhos puxados

Um para cada lado

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Era uma vez

Uma gato mais preto

Que tinta nanquim

De bigodes compridos

Feito mandarim

Que quando espirrava

Só fazia “chim”!





A pombinha da mata, poesia infantil de Cecília Meireles

10 06 2012

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Descanso, ilustração de George Straub, 1951.

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A Pombinha da mata

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Cecília Meireles

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Três meninos na mata ouviram

uma pombinha gemer.

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“Eu acho que ela está com fome”,

disse o primeiro,

“e não tem nada para comer.”

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Três meninos na mata ouviram

uma pombinha carpir.

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“Eu acho que ela ficou presa”,

disse o segundo,

“e não sabe como fugir.”

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Três meninos na mata ouviram

uma pombinha gemer.

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“Eu acho que ela está com saudade”,

disse o terceiro,

“e com certeza vai morrer”.

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Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista.

Obras:

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa





Travessura, poesia infantil de Sílvio Ribeiro de Castro

9 06 2012

Desconheço a autoria dessa ilustração.

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Travessura

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Sílvio Ribeiro de Castro

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O menino jogou

—————uma pedra

———————–para o alto

-no mesmo instante

——-que uma estrela cadente

riscou o céu e caiu

Mãiê, juro que foi

———————sem querer!

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Em: Poesia Simplesmente, [coletânea de poetas contemporâneos] org. Roberto Pontes, Rio de Janeiro, PS: 1999.








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