Primavera, poema infantil de Olavo Bilac

17 09 2009

primavera, taro semba, 1960

Primavera, ilustração de Taro Semba, 1960.

 

A PRIMAVERA

 

                                            Olavo Bilac

 

 

 

Coro das quatro estações:

 

Cantemos! Fora a tristeza !

Saudemos a luz do dia:

Saudemos a Natureza !

Já nos voltou a alegria !

 

A Primavera:

 

Eu sou a Primavera !

Está limpa a atmosfera,

E o sol brilha sem véu !

Todos os passarinhos

Já saem dos seus ninhos,

Voando pelo céu.

Há risos na cascata,

Nos lagos e na mata,

Na serra e no vergel:

Andam os beija-flores

Pousando sobre as flores,

Sugando-lhes o mel.

Dou vida aos verdes ramos,

Dou voz aos gaturamos

E paz aos corações;

Cubro as paredes de hera;

Eu sou a Primavera,

A flor das estações !

 

Coro das quatro estações:

 

Cantemos! Fora a tristeza !

Saudemos a luz do dia:

Saudemos a Natureza !

Já nos voltou a alegria !

 

 

Em: Poesias Infantis, Olavo Bilac, Livraria Francisco Alves: 1949, Rio de Janeiro

 

 olavo_bilac1

 

 

 

Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac (RJ 1865 — RJ 1918 ) Príncipe dos Poetas Brasileiros – Jornalista, cronista, poeta parnasiano, contista, conferencista, autor de livros didáticos.  Escreveu também tanto na época do império como nos primeiros anos da República, textos humorísticos, satíricos que em muito já representavam a visão irreverente, carioca, do mundo.  Sua colaboração foi assinada sob diversos pseudônimos, entre eles: Fantásio, Puck, Flamínio, Belial, Tartarin-Le Songeur, Otávio Vilar, etc., e muitas vezes sob seu próprio nome.  Membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Criou a cadeira 15, cujo patrono é Gonçalves Dias.  Sem sombra de duvidas, o maior poeta parnasiano brasileiro. 

 

 

Obras:

 

Poesias (1888 )

Crônicas e novelas (1894)

Crítica e fantasia (1904)

Conferências literárias (1906)

Dicionário de rimas (1913)

Tratado de versificação (1910)

Ironia e piedade, crônicas (1916)

Tarde (1919); Poesia, org. de Alceu Amoroso Lima (1957), e obras didáticas


Ações

Informação

15 respostas

18 09 2009
Iara

eu realmente precisava ler algo assim hj!
Obrigadao ladyce, bjks!

9 04 2010
jaqueline silva moreira

olá, gostaria de receber esse poema infantil de Olavo bilac
A primavera pois sou estudante de padagogia e quero ensinar a os meus alunos
por favor mande para meu jakilaine@gmail.com
muito obrigado.

26 08 2010
fernanda

adorei!!!!
essa poesia me inspirou
muito obrigado

22 09 2010
ADA REBECA AMORIM

Sou professora pedagoga e gostaria de receber vários poema e poesia de Olavo Bilac me apaixonei pelo seu trabalho

24 09 2010
peregrinacultural

Ada, Muitíssimo obrigada pela sua visita. Tenho tido muitos pedidos de poesias. è difícil atender a todos, porque tenho cerca de 5,000 visitas por dia neste blog. Assim peço que você faça uma assinatura do blog. Será a melhor maneira de se mater em contato com as minhas postagens. Agradeço desde já o carinho e a atenção que me dispensou, Ladyce

29 09 2010
lohany

oi descobri que e muito legal vc nao tem um mais legallllllllllllll

18 10 2010
alessandra maodesto andrade

adorei beiby$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$$

18 10 2010
alessandra maodesto andrade

tambem quero ver se tem mais para mim ler

15 03 2011
Brunna

amei gostei muito ta bjs !

1 04 2011
bbea

adorei fantástico

22 01 2012
maria luisa

gostei muito desse poema obrigado

25 04 2012
aliny

amo seus poema dede que eu era uma criança hoje tenho 25 anos e ainda so fasurada por suas obras

3 09 2012
Myrthes Mazza

Olá, poeta, sou Myrthes Mazza Masiero, aprendiz de poeta e trovadora. Declamo sempre. Estou precisando muito do poema de Olegário Mariano: A IARA, que começa assim: ” Jaguarari, o filho do tuxaua, era formoso, elástico, sensual./Tinha nos olhos o ímpeto bravio,/ das águas do grande rio,/ quando passa em tropel, quando ruge em caudal!…”// Será que vc pode postá-lo para mim? É importantíssimo! Ficarei eternamente grata! Meu E-mail é: myrthesmazza@gmail.com Estarei aguardando ansiosamente uma resposta.

4 09 2012
peregrinacultural

Myrthes, encontrei na internet:

Jaguarari, o filho do tuxaua,
Era formoso, elástico e sensual.
Tinha nos olhos o ímpeto bravio
Da água do Grande Rio
Quando passa em tropel, quando ruge em caudal.

Destro, selvagem como um potro,
Vê-lo era ver na glória matutina
A bandeira das asas em troféu,
O gavião de penacho que domina
Toda a floresta e faz maior o azul do céu.

Quando na igara pequenina e leve
A correnteza múrmura descia
Ao clarão flamejante do arrebol,
À proa, o filho do tuxaua parecia
Um pássaro de fogo em caminho do sol.

O puma ruivo e hostil, de olhos de ferro em brasa,
No enredado cipoal da selva acesa,
Ou o veado arisco ao pé do buriti,
Não tinham a bravura, a insolência, a destreza
Nem a elegância de Jaguarari.

Ninguém como ele arremessava a flecha
Do arco reteso. A flecha ia, certeira,
Ao gesto varonil do braço nu,
E cortava, de súbito, a carreira
Por vales e grotões, do caitetú.

Na taba dos Manaus, havendo festa,
Ao rufar do trocano, ele terçava
A tangapema de tal jeito, que a uma voz,
O grupo dos guerreiros proclamava
Jaguarari o mais valente e o mais veloz!

A seta ervada da zarabatana
Que ele assoprava às árvores, sorrindo,
No orgulho de um guerreiro sedutor,
Rompia o espesso matagal, ferindo
O carachué na castanheira em flor.

Ao florescer da mamorana, quando
Fendia a igara a superfície plana
Da água que se encrespava em frenesi,
O vento sacudia a mamorana,
Jogando flores em Jaguarari…

No canto das mulheres o seu nome
Vibrava, ora em relâmpagos de ameaça,
Ora plangendo como os urutaus.
Esse nome que, dando orgulho à raça,
Era a glória da taba dos Manaus.

Nas tardes silenciosas, a canoa
Do jovem deus, banhada pelo poente,
Ia, ligeira como a jaçanã,
Ao sabor do destino da corrente,
Rumo da ponta azul do Tarumã.

E lá ficava horas inteiras… Vinha
A noite e a água, em balanço, como um berço,
Apurava-se em música a embalar
Jaguararí num grande sonho imerso,
Sob a melancolia alva do luar…

– “Que pescaria é essa, filho, que entra
Na noite imensa que me desconforta
Como o presságio de uma sorte má,
Na hora em que ronda a natureza morta
O espírito funesto de Anhangá?

Nunca lhe ouviste a voz maldita e cava?
Anhangá, altas horas, quando passa
Eriçando o cabelo aos capinzais,
Espalha como a sombra da desgraça
O veneno das dores imortais.”

Assim se lastimava a mãe tapuia
Ao ver o filho amargurado e aflito
Entrar com passo tardo a habitação,
Trazendo os olhos cheios de infinito
E o infinito do céu no coração.

Às palavras da mãe enternecida
Jaguararí, absorto em suas mágoas,
Olhava-a muito e em seu olhar cruel,
Toda a profunda solidão das águas
Borbulhava num lúgubre tropel.

– “Filho! Guardo nos olhos a lembrança
Da derradeira vez em que sorriste…
A alegria esvoaçava em torno a ti,
Hoje vives sem alma, sempre triste,
Olhando as águas como o maguari.
Os jurupis perversos da floresta
Na hora em que o vento os arvoredos corta,
Os jurupis envenenaram-te o ar.
O acauã vem cantar à nossa porta.
Dize, meu filho, que te faz chorar?”

– “Mãe! Eu a vi! Como era linda! Tinha
Os cabelos caídos pelas ancas
Como raios de um sol que não tem fim.
E o corpo branco como as garças brancas
Tremia caminhando para mim…

Quando ela canta os pássaros se calam.
A tarde absorta fica mais tranqüila
Ao som daquela voz vinda do além.
Quedam-se os rios todos para ouvi-la
E a cachoeira, a escutar, pára também.

Ela olhou para mim e abriu-me os braços…
Era linda! Toquei, desfalecendo,
Seu corpo nu de uma nudez sem véu
Que ia de manso desaparecendo
No fundo da água que reflete o céu.

Eu quero ouvi-la ainda! Quero vê-la…
Quando sobre a intranqüila natureza
A iaci vem surgindo, devagar,
Não tem a melancólica pureza
Que anda boiando a flor do seu olhar.”

– “Tu viste a Iara! Foge, filho amado,
A Iara mente! Nos seus olhos vagos,
Na luz verde que espalha em derredor,
Como da água parada de dois lagos
A morte ri para matar melhor.”
E a velhinha chorava… No outro dia
A canoa nas águas que a levaram
Passou de igarapé em igarapé…
Os Manaus, quando a viram, murmuraram:
– “Lá vai Jaguarari pescar tucumaré!”

Mas, de súbito, enchendo a tarde imensa
Um grito abriu-se na alma do infinito,
De quebrada em quebrada a se perder…
As mulheres choravam nesse grito:
“Corre, gente, vem ver! Corre, gente, vem ver!”

Dois corpos enlaçados num só corpo,
Ao bramido monótono e tremendo
Da cachoeira em diabólico escarcéu,
Iam de manso desaparecendo
No fundo da água que reflete o céu…

…………………………………………………..

Hoje, as águas que passam dia e noite,
Ora em fúria selvagem que espadana,
Ora gorgolejando aqui e ali,
Quando cai uma flor da mamorama
Cantam de mágoa por Jaguarari…”

No link da Academia Brasileira de Letras:

http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=8453&sid=213

Obrigada por me lembrar desse poema. :)

16 03 2014
Maria de Lourdes mota Pereira

Sou professora pedagógica e gostaria de receber varíos poemas de Olavo Bilac me apaixonei pelo seu trabalho e estou trabalhando alguns poemas com meus alunos do 5 ano..Obrigada.

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