Para fazer um soneto — de Carlos Pena Filho

30 09 2011

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A carta, s/d

Frans Wesselman (Holanda, contemporâneo)

gravura em metal e xilogravura, 30 x 30cm

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Para fazer um soneto

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Carlos Pena Filho

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Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,

E espere pelo instante ocasional.

Nesse curto intervalo Deus prepara

e lhe oferta a palavra inicial.

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Aí, adote uma atitude avara:

se você preferir a cor local,

não use mais que o sol de sua cara

e um pedaço de fundo de quintal.

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Se não, procure a cinza e essa vagueza

das lembranças da infância , e não se apresse,

antes, deixe levá-lo a correnteza.

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Mas ao chegar ao ponto em que se tece

dentro da escuridão a vã certeza,

ponha tudo de lado e então comece.

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Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição.

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Carlos Pena Filho  nasceu no Recife, em 1929.  Formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, foi poeta, letrista, jornalista, ensaísta para o Jornal do Comércio. Morreu num acidente automobilístico em 1960.

Obras:

O tempo da busca, 1952

Memórias do boi Serapião, 1955

A vertigem lúcida, 1958

Livro geral (obra reunida), 1959

Melhores poemas (póstuma) seleção de Edilberto Coutinho, 1983


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Uma resposta

1 10 2011
Verdica

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